A maioria das coisas românticas para fazer por ela

Mostre o quanto você ama a pessoa por meio das ações do dia a dia. Faça favores, pegue-a de surpresa, planeje ocasiões especiais e por aí vai. E veja mais exemplos: Leve o café da manhã para ela na cama. Busque-a na aula ou no trabalho de vez em quando. Arrume a casa. Faça as compras de mercado. Retribua os gestos amorosos dele com estas coisas românticas que você pode fazer para seu namorado. Quando você ama uma pessoa, é natural querer encher ela de amor, carinho e palavras fofas. Nós sempre queremos fazer os homens de nossas vidas se sentirem especiais, apreciados e amados. Às vezes, o amor nos leva a fazer coisas um pouco loucas e estúpidas, mas na maioria das vezes, o amor nos inspira muito. Veja nossa coleção de frases de amor românticas para sua namorada. Envie essas frases para sua namorada e mostre o quanto ela significa pra você. Viagens românticas, são uma das melhores coisas para se fazer quando você encontra o amor da sua vida! Estar com a pessoa que se ama, em qualquer lugar é maravilhoso. Mas, estar com a pessoa que se ama e ainda poder conhecer lugares incríveis, pode ser melhor ainda! 20 coisas fofas para fazer pela sua namorada. Se você está procurando uma maneira de fazer sua namorada se sentir especial e querida, ou apenas estragada pelo dia, temos uma lista para você! Essas coisas fofas para fazer pela sua namorada mostram seu lado doce e não precisam quebrar o banco. Então, para esta próxima sugestão sobre coisas românticas para o seu namorado, vá imprimir sua foto favorita de vocês dois juntos. Compre um quadro. Não importa qual tipo, mas algo masculino como uma moldura de madeira escura ou uma armação de metal funcionaria muito bem. 39.Leve-a para ver um filme romântico e lembre-se das peças que ela gostou. 40.Aprender uns com os outros e não cometer o mesmo erro duas vezes. 41.Descrever a alegria que você sente só por estar com ela. 42.Fazer sacrifícios pelo outro. 43.Realmente se amam, ou não ficar juntos. 44.Vamos lá nunca será um segundo durante todo o dia que ...

Odeio gatos

2020.07.27 04:02 Enigma_Machine1 Odeio gatos

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que, por mais que eu odeie/não me sinta confortável perto de gatos, eu jamais prejudicaria eles fisicamente, mesmo tendo muito vontade (erroneamente, claro - talvez vocês "entendam com o meu relato). Não é disso que o desabafo se trata.
Esse é um relato meio longo.
Eu nunca convivi com gatos. Sempre cresci com cachorros em casa, tive um que me acompanhou desde a época da escola até terminar a faculdade. Amei muito ele, hoje tenho outro, um resgatado, que amo muito. Sempre amei cães, passei mais anos da minha vida com cães do que sem.
Por ter rinite alérgia, eu nunca cogitei ter um gato. E, antes de conviver com eles, eu não sabia dessa minha apatia gigante por eles. Esteticamente, até acho alguns fofos etc, mas também nada demais, longe dessa "loucura" que algumas pessoas sentem por eles.
Passei a ter um convívio maior com gatos através de uma das minhas primeiras namoradas. Ela tinha 3 gatos. Eu era bem novo, ela morava em uma kitnet, então 3 gatos já era bastante coisa. No geral eles até que eram comportados, mas lembro que acabaram estragando algumas coisas minhas (mochilas principalmente) e isso me irritava muito. Sem contar a rinite, que me deixava ainda mais irritado, mas na época eu pensava que era por estar um cômodo de uns 25m2 no máximo, sem ventilação adequada.
Eu namorei pouco menos de 3 anos com ela e foi durante esse período que a minha irritação com gatos aumentou. Uma das gatas SEMPRE dava o jeito de fugir do apartamento dela pro corredor e pro jardim que tinha no prédio. Minha ex me ligava e eu tinha que ir correndo ajudar ela a pegar a gata que, eu não entendo, morria de medo quando saía da casa (pra quê sair então, né, porra?), então era foda pegar ela, se enfiava em cada canto filha da puta de alcançar.
Os outros gatos eram um pouco mais de boa, mas a quantidade de pelos que deixavam pelo apartamento dela era um absurdo. Nem passando aspirador 2x por dia parecia que fazia alguma diferença. Minha ex não ligava, mas me incomodava ver eles estragando todos os móveis que ela tinha. Era o box da cama todo arrebentado (mesmo eles tendo arranhador), não podia ter uma única peça de decoração sobre uma mesa ou estante pois sempre derrubavam e quebravam, tinha que deixar a tampa da privada sempre abaixada pois eles davam um jeito de subir nela e não conseguir sair (burros). Até na cozinha, eu queria preparar algo pra comer e tinha pelo em tudo, mesmo se a gente limpasse.
Eu não diria que minha ex dava liberdade total para os gatos, na verdade ela sempre foi pé no chão com isso, várias vezes se irritava com a encheção de saco deles também (pra dormir principalmente - como era uma kitnet, não dava pra deixar em um cômodo separado, então era 3 da manhã e vinham encher o saco pedindo ração sendo que a porra do pote tava 90% cheio).
Enfim, terminei com ela mas o ranço pelos gatos ficou. Depois disso só tive namoradas que tinha cachorros ou então nenhum pet. Avancemos alguns anos para os dias de hoje.
Estou namorando há quase dois anos, já tenho planos de morar junto com a minha namorada, nos amamos muito e nos damos super bem. Além da parte romântica, temos um companheirismo e uma amizade muito boa, sempre apoiamos um o outro. Claro que já tivemos brigas, eu tenho os meus problemas e ela os dela, mas nada que não conseguimos superar na base da conversa. O único problema é que ela tem 6 gatos.
Recentemente, passei uns 20 dias quarentenado no apartamento dela. Está longe de ser uma kitnet, mas pra 6 gatos eu considero um lugar pequeno.
Eu tive, é claro, todos os problemas com minha rinite, mesmo tomando remédios de 8 em 8 horas pra aliviar. Se os três gatos dessa minha ex davam trabalho, o dobro deles é muito, muito pior pra mim.
Gente, nesses 20 dias eu vi cada coisa que me irritou pra além do limite. Obviamente que não demonstrei isso, mesmo ela tendo plena noção que pra mim bicho é bicho, humano é humano (eu não mimo meus bichos, trato meu cachorro super bem, mas longe de mimar com coisas que acho frescura, tipo dar banho dia sim dia não, fazer comer só T bone australiano ao molho de ervas finas, essas merdas - ele come ração, petiscos e de vez em quando frutas, só). Eu estava na casa dela, regras dela. Só que por amar tanto gatos, e mimar eles, na minha opinião, ela dá carta branca pra eles fazerem o que quiserem, sem consequência nenhuma (nunca dá bronca, não impõe limites).
Somente durante esse período: um dos gatos resolveu afiar as unhas no meu tênis novo (só não estragou pois percebi logo nos primeiros dias e depois escondi - mas encheram eles de pelos em algumas horas, eu não sei como); um outro escolheu a mochila velha da minha namorada pra vomitar bem em cima, cheia de coisa dentro. E não foi pouco. Outro gato afiou as unhas na mochila novinha dela e já arranhou uma parte dela. Tinha literalmente acabado de chegar, ela só colocou no sofá por um instante pra arrumar outras coisas e foram lá estragar.Um outro gato você não pode nem se mexer que ele se assusta, sai correndo e derruba tudo o que vê pela frente.
Eu levei meu notebook pra poder trabalhar. Deixava ele guardado quando não usava, claro, mas enquanto trabalhava, faziam questão de ficar se esfregando nele, enchendo de pelo, queriam subir na porra do teclado toda hora, tiraram ele da tomada umas 3x enquanto carregava e um dia desligaram ele no meio de um trabalho (eu estava distraído e deixei o note uns minutos de lado).
De noite era outro pesadelo. Obviamente eu não deixava nem conseguiria dormir com a porta da suíte aberta, com os gatos circulando, pois a minha rinite simplesmente me mataria. Mas é só fechar a porra da porta que começam a raspar aquela merda. Era a madrugada inteira assim, sem contar aquele miado irritante pra caralho, incessante. Puta que pariu, eu juro que me dava vontade de abrir a porta e dar um chutaço no gato no calor do momento. Claro que não fiz isso, mas a vontade realmente existiu. Pior que nem assim acho que adiantaria. E sim, já tentamos de tudo. Aqueles produtos que supostamente repelem os gatos com cheiros ruins, arranhador, tudo - só não tentei adestrar pois não moro lá e, tirando a exceção da pandemia, eu só fico no apto dela aos finais de semana, ou então ela fica no meu, enão meu convívio com os gatos nunca passou de umas 48h, o que era suportável e não exigiria adestramento. Sem contar que acho que nunca vi na vida um gato que obedece o dono.
De manhã era sempre a mesma merda. Algum gato sempre deixava um vômito de presente em algum lugar da casa. No sofá, na cozinha, em cima da mesa. Parece que escolhem sempre o pior lugar possível pra isso.
Nem preciso falar como são os móveis da casa, não? Zero decoração pois derrubam tudo. Sofás arrebentados. Toda hora pegavam coisa do varal e derrubavam. Mesma coisa com toalhas nos boxes dos banheiros. Eu tinha que me preocupar com meu note toda hora, as vezes queria só pegar algo na cozinha e tinha que esconder ele só pra não pegarem.
"Pote de comida está semi-cheio, tendo ração pra caralho? Vou derrubar ele e espalhar ração pela casa pq quero ver ele cheio sempre. A caixinha de areia tem UM cocô? Vou ficar miando o dia inteiro até alguém limpar isso, pra depois eu sair andando e não fazer as minhas necessidades. Quer ir tomar banho? Vou entrar no banheiro com você, mas no mesmo segundo que você ligar o chuveiro, vou ficar enchendo o saco pra sair. Quer dormir? Vou ficar miando na porra da porta. Quer almoçar? Vou subir na mesa e ficar te batendo com a pata pra me dar comida, pra quando você oferecer, recusar, sair da mesa, voltar em 2min e pedir comida de novo. Abriu o armário pra pegar algo? Vou entrar aqui sem você ver, deixar que feche a porta, depois vou ficar miando e, quando perceber que ninguém vai me ajudar, vou começar a ficar com medo e tirar todas as roupas do cabide. Me pegou no colo pq tô faznendo merda? Vou te arranhar e morder pra caralho (unhas cortadas, pelo menos isso). Tá concentrado vendo TV/jogando/mexendo no pc? Foda-se, vou ficar na frente da tela e se me tirar eu entro na frente de novo. Tá de boas na cama/sofá? Vou pular em cima de você do nada ou te usar como apoio pra pular em alguma outra coisa, foda-se se te assustar."
E acho que o que mais irrita é que, nem mesmo com a minha namorada, eles parecem ligar. O máximo de afeto que eles dão é sentar no seu colo, e mesmo assim tenho as minhas dúvidas se isso é uma demonstração de afeto mesmo.
Eu não sei se é o número de gatos que me deixa puto, ou se eu suportaria se fosse apenas um. Mas na real, eu não consigo gostar desses bichos. Pra mim são seres filhas da puta, egoístas, burros (não aprendem/não querem aprender nada no sentido de adestramento), nem um pouco carinhosos, estragam absolutamente tudo o que você coloca pela frente, ou seja, você vive em função deles e não tem nada em troca, pelo contrário, só despesas. Na minha opinião, viver com gatos é viver em uma prisão onde você precisa satisfazer a necessidade deles 24h por dia.
A minha única tática que funcionou durante esses dias foi a seguinte: spray d'água e espírito de porco. Se eu via algum deles fazendo merda, já corria com o spray e borrifava na cara deles. Isso me dava uns minutos de sossego, pois eles se assustavam e ficavam num canto sem encher o saco. Tem dois gatos que eram os mais folgados (80% do que comentei foi obra só deles). O que eu fiz? Enchi mais o saco deles do que eles o meu. Pegava eles no colo a cada 2 min - coisa que eles odeiam - e ficava um tempo com eles assim, até começarem a miar que estavam irritados. Eu soltava, esperava eles se aconchegarem e pegava eles de novo. No final desses 20 dias, era suficiente eles me verem pra saírem do meu caminho. Se faziam merda, eu simplesmente aparecia na frente deles e eles saiam correndo. Fiquei satisfeito pois sei que consegui controlar um pouco eles sem violência nenhuma (o que é algo deplorável e eu jamais faria, mesmo o meu ódio por eles "pedindo" isso - eu não teria coragem).
Eu só penso que, a bem da verdade, nem isso seria o suficiente pra mim a longo prazo. Eu tive que entrar em um estado de alerta 24h por dia pra borrifar o spray/encher o saco deles e eu não conseguiria viver assim por muito tempo. Meu asco por gatos é tão grande que é só ouvir algum miado que já fico irritado.
Eu imagino que a maioria aqui vai falar que não é bem assim, que nem todo gato é assim. Pode até ser, mas todos os que conheci são esses infernos na terra. Todo amigo meu que tem gato tem alguma história do tipo. De quebrar coisas caras, de machucar pessoas, sem contar que gatos são extremamente nocivos ao meio ambiente, o que eles matam de pássaros e outros animais não é brincadeira.
Sei que cães também podem fazer coisas assim, mas cara, nem mesmo o cachorro mais "destruidor" que tive chegou nesse nível. O máximo que ele fazia era mijar em lugar errado e latir quando eu ia comer.
Enfim, fica aqui o meu desabafo. Deve estar meio desconexo pois escrevi no calor do momento, conforme ia lembrando das merdas que eles fizeram. Me sinto meio peixe fora d'água postando em um site que idolatra gatos, o reddit, mas está aí.
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2020.07.22 00:34 browndusky alguém se por favor pode me ajudar corrigir minha gramatica numa tese que fiz?

não sou português mas português foi umas das disciplinas que escolhi em universidade.
Eu falo bem português mas meu português escrito é totalmente lixo.(sei que não é muito professional com todas as palavras vulgares mas ya isto era eu a usar tudo que eu sei)
obg para me ajuderem!


“Colora minha vida com o caos de problemas” esta é uma linha duma canção de Smith que esta menina usou como uma citação no anuário em um filme sentimental de 2011, eu achei fixe esta citação, e por isso escrevi no meu caderno de rascunho e sonhei um dia alguém vindo pra minha vida e colorir-o com caos de problemas.
Eu sempre senti assim, sempre senti que preciso algo mais, a coisa comigo é que nunca me sinto satisfeito com que tenho.
E como muitos outros da minha idade, tentei preencher o vazio com atenção, drogas, animes e especialmente com o amor.
Eu faço parte daquela geração Nepalesa que assiste “3 idiots” e ouve canções românticas do McFlo e pense que não consegue ser feliz sem se apaixonar. Sabes de quem eu estou a falar sobre, aqueles rapazes que têm um exterior áspero mas no fundo eles têm um lado macio basicamente somos tsundere.
Fds nem fiquei triste depois de terminar com minha ex. Eu fiquei tipo olhe mais uma experiência, da próxima vez que eu estiver a namorar não vou cometer os mesmos erros.
Já terminei 3 vezes mas ainda não me sinto triste porque é fixe ter emoções.
A minha esposa podia me trair, levar metade dos meus bens, meu cão e meu filho Ramesh e eu vou ficar sem teto a pensar WHOA emoções são fixes.
Apaixonamento é uma treta que gente inventaram porque ficaram entediados.
“Colora minha vida com o caos de problemas” mas-mas porquê? Es estúpido?
Porque é que vocês querem alguém para foder a sua vida artisticamente?
Deve ser porque gostamos de altos e baixos do amor. Gostamos da montanha russa de emoções que o amor dá e sentimos vivos.
Amor é como bebidas alcoólicas ou bater punheta. Sentimos bem quando fazemos, mas depois de acabar fazer ou consumir nos arrependemos.
Se vocês não me acreditam, há centenas dos estudos detalhando como euforia do amor provoca a mesma sensação no cérebro como cocaine, seus viciados.
Nenhuma outra espécies faz isso coisinha de apaixonar. Os macacos não estão sentados na cama a pensar se é muito pegajoso mandar mensagem para aquela macaco com cú grande. Os macacos não precisam de pensar qual vestido é melhor para o encontro ou se preocupar com o cheiro, eles só fodem. É incrível, eles poderiam a estar comer banana um momento ou matando insetos e boom começam a foder. Eles não se dão mínimo se alguém está a ver ou tirar fotografias. Nós complicamos demais, porque é que é eu preciso de vestir bem e usar perfume e ela tem que dizer ela não costuma fazer isto.
Apaixonar-se não faz qualquer sentido biologicamente é uma nova emoção humana baseado completamente em egoísmo, ciumento e a insegurança.
Vocês malucos decidiram que amor significa pelo lei ficaremos juntos para sempre e se não o fizermos, leva metade do meu dinheiro. MAS PORQUÊ?
Não sou de coração frio porque acredito que amor é real. É algo que compartilhamos com nossa família, nossos amigos, nossos animais de estimação e com o mundo.
O amor torna-se para uma emoção possessiva especificamente humana quando vocês falam de encontrar aquela menina . “QUANDO OLHEI PARA OLHOS DELAS EU SABIA QUE EU IA PASSAR RESTO DA MINHA VIDA COM ELA”
A serio? Eu acho que há algo mal com tua cabeça mano.
Cair de cabeça totalmente cega numa relação é igual á tu projetar tuas inseguranças em outra pessoa. Não estás feliz com tua vida por isso começas a procurar isso em outra pessoa, e isto é insustentável, irreal e perigoso. Talvez não tens amigos, não gostas do teu trabalho, não gostas de ti mesmo ou talvez a tua mãe não te abraçou suficiente quando eras criança. E agora quando encontras uma gaja fixe que ri das tuas piadas, tu agarras nela como uma sanguessuga e tornas-te uma psicopata se ela até olha para alguém.
Isto é porque o amor é tão viciante quanto uma droga, os únicos dois tipos de pessoas que cortaria seus pneus e ameaçaria suicídio é uma viciante de drogas e uma puta louca chamada Verónica(karen).
Mas talvez eu sou sozinho e amargo porque tentei me se apaixonar mas nunca funcionou para mim.
Eu tenho certeza que acontece isto com toda gente.
Achas que gostas uma gaja mas depois de bater a punheta já não é o caso. Percebes que não estavas a pensar com a cabeça certa(é chamado post nut syndrome em ingles).
Agora estou no ponto em que estou aberto à idéia de amor, mas eu não consigo manter conversas com minas da minha idade, elas parecem a viver a vida em Instagram e acho que isto é um chatice. Como vocês não se cansam de usar o instagram depois de uma semana ou um mês? È realmente incrível.
Quando estão a falar de maquiagem, roupas e exes, pá não dou mínimo, a sério não dou mínimo.
Eu percebo que quando falo que não dou mínimo, estou a ser ignorante porque as pessoas se apaixonam alegremente e isso faz eles felizes, pá sou quero o mesmo sentimento, embora que eu saiba que o amor é basicamente cocaine para minha coração.
Eu acho que estou apenas amarga a ver todas essas pessoas juntos alegremente a fazer promessas que provavelmente não vão manter. Parece divertido não parece?
Romance é uma venda fácil. Todos nós gostamos quando o protagonista acaba junto com a menina e ambos ficam felizes para sempre. Gostamos de ver o final feliz. Gostamos de acreditar em "felizes para sempre".
Mas o amor romântico e o amor em geral é muito mais complicado do que fomos levados a acreditar nos filmes de Hollywood.
Não ouvimos que o amor às vezes seja desagradável ou até doloroso, ou que o amor precisa autodisciplina e uma certa quantidade de esforço sustentado ao longo de anos, décadas e uma vida inteira. Essas verdades não são emocionantes. Nem eles vendem bem. A dolorosa verdade do amor é que o verdadeiro trabalho de um relacionamento começa depois que a cortina se fecha e os créditos rolam.
Como a maioria das coisas na mídia, o retrato do amor na cultura pop é limitado ao destaque. Todas as complexidades da vida real em um relacionamento são varridas para dar lugar a títulos emocionantes, a separação injusta e, claro, o final feliz favorito de todos.
Quando somos apaixonados, não podemos imaginar que algo possa dar errado entre nós e nosso parceiro. Não conseguimos ver falhas delas , tudo o que vemos é potencial e possibilidade ilimitados.
Isto não é amor. Isso claramente é uma ilusão. E, como a maioria das ilusões, as coisas não terminam bem.
Eu acho que eu gosto de ideia de amor mas não tenho paciência nem quero comprometer minha liberdade para ela. Eu gosto quando estou o centro da atenção e não gosto quando sou eu que precisa de dar atenção. Sempre que estive num relacionamento a princípio, fico empolgado; mas depois de algum tempo, perco toda a paciência e a interessa.
Eu gosto de ideia de amor e é basicamente que este filme 500 days of summer satirizou.
Eu gosto como este filme criticou o conceito de amor.
A personagem principal decidiu que a menina Summer era sua alma gémea, porque eles ambos gostam da mesma música. Ele cresceu vendo filmes românticos com um fim clássico. E por isso ele pintou uma imagem na cabeça que a Summer era criada para ficar junto com ele mas não é realmente o caso no fim deste filme. O amor verdadeiro precisa de paciência, compromisso e atenção e isto parece búe complicado pá. Em vez disso eu prefiro ver porno e bater a punheta.
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2020.07.14 01:34 indo-Aryan539 Tenho a ideia de criar um weeb quadrinho no qual o gênero não é muito popular no Brasil, deveria investir numa versão em Inglês

Aviso 1: tenho um certo grau de dislexia, então se algumas partes ficarem confusas de entender e tiver erros de português é por causa disso.
Eu tenho a ideia de escrever uma história é fazer um quadrinho pra weeb de um genero não muito popular no Brasil pois aqui precebi o que faz mais sucesso é coisas como comédias românticas e histórias da vizinhança, até entre os nichos seria difícil pois aqui eles tem uma preferência por fantasia medievais e cyberpunks
A historia em si se passa num planeta aonde tem 3 continentes, aonde o nosso presonagem principal é nativo de um continente aonde a maioria dos paises são de direita(facistas/Monarquista ou conservadores) e por motivos alem do poder dele, ele se alista no exército no qual é mandado para lutar no continente a sudoeste o qual é habitado por ideologias de cunho esquerda liberal é quanto mais para dentro do continente mais extremista as ideologias ficam, nisso ele conhece uma garota desse continente e dau vai pra um romance, mas esse é o grosso da história
A historia em si teria muito Simbolismo e conteudo militarista, com o presonagem fundado na ideiologia do país dele, estilo o Filme Starship Troopers, (Tropas estrelares o título em português)
Como pode ver pelo grosso esse conteúdo não é muito popular no Brasil então cheguei a um questinamente se deveria manter a História em português ou fazer ela em Inglês
Aviso 2: com essa historia eu NÃO quero passar pano para facismo ou facistas eu quero contar uma história de dois personagem que apesar de suas diferenças culturais e políticas ainda se amam
Aviso 3: não pretendo viver desse quadrinho, vejo ele como um passa tempo no qual levarei para frente
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2020.06.16 14:41 epilef_backwards Análise de Konosuba.

Análise de Konosuba.
Reinvenção do gênero ou só personagens não tão clichês?
Um dos aspectos que diferiram Kaguya-sama das demais comédias românticas foi a maneira que o show proporciono uma desconstrução do gênero comédia romântica. Mas o que exatamente isso significa? Resumidamente, dizemos que um anime desconstruiu um gênero quando ele alterou ou utilizou de maneira inventiva os principais clichês do próprio gênero. É claro que, ao falar clichê, me refiro àqueles que são mais superficiais, ou seja, àqueles que não são os que caracterizam o gênero. Mas como assim clichês que caracterizam o gênero? Peguemos como exemplo um Isekai. O maior clichê possível do Isekai é o protagonista de alguma maneira ir a uma outra realidade. Percebam, contudo, que esse clichê é completamente essencial para a existência de um Isekai, até porque é justamente esse elemento que faz que aquele show seja um Isekai. Nesse caso, o clichê não somente pode ser utilizado como ele deve ser, uma vez que ele é o que caracteriza aquela obra como sendo uma do gênero X em questão.
O problema se encontra nos clichês superficiais.
Ainda no mundo dos Isekais (já que o anime da análise é um), um comum clichê é o protagonista ser muito mais poderoso do que a média e/ou apresentar alguma característica única naquele mundo. Usando um exemplo respectivo de cada: the 8th son? are you kidding me? (sim, esse é o nome da aberração. relaxem, vai ter review dele também haha) para o primeiro exemplo e Re:zero para o segundo. Esses clichês não são necessariamente problemáticos. O problema advém do uso deles. Eu não tenho problema em ver algum protagonista forte (pelo contrário, eu odeio protagonistas que são acovardados e indefesos), no entanto, deve haver algum porquê, algum desenvolvimento, algum treinamento ou alguma coisa por trás disso. Nesse sentido, os shows chamados de bons clichês são aqueles que sabem utilizar esses clichês de modo a subverterem as nossas expectativas, ou seja, esperávamos por X fato (o clichê) mas o roteiro faz acontecer Y(bom clichê). Essa quebra de expectativa demonstra que o roteiro e a direção dominam os clichês do gênero e sabem utilizá-los de maneira a nos enganar e conduzir a nossa experiência com base na maneira que eles desejam. Um show que reinventa o gênero, portanto, é aquele que realiza essa subversão e esse "bom uso" dos clichês de maneira majoritária além de, claro, utilizar outros elementos até então desconhecidos ou pouco utilizados no gênero. Em outras palavras, o roteiro e a direção apresentam tamanho conhecimento sobre aquela área que conseguem brincar com elementos já muito utilizados de maneira a melhorá-los e que adicionam outros elementos narrativos/audiovisuais novos e que adicionam à trama.
Dito isso, quando comentei sobre Kaguya-sama reinventar o gênero de comédia romântica, o fiz porque de fato quase todos os clichês superficiais são utilizados de maneira inventiva e subvertida (fato que só foi aprimorado na segunda temporada). Contudo, é importante ter em mente a distinção entre reinventar o gênero e apresentar alguns bons clichês.
Mas qual a razão de eu falar isso? Pois, nessa análise, vou comentar sobre um show que aparenta reinventar o gênero, mas que, infelizmente, apenas apresenta alguns bons clichês.
Konosuba foi lançado em 2016 com a clara proposta de fugir de certas convenções do gênero Isekai/aventura-comédia. Isso porque tais clichês, como o próprio nome clichê já sugere, saturaram o gênero de uma maneira tóxica. No entanto, tal proposta parece ter sido pensada apenas para os personagens principais da obra, uma vez que somente esses fogem do padrão das demais obras. E quando eu digo fugir eu precisaria colocar aspas, uma vez que são certas características que diferem do padrão. Ademais, são tão planificados, simplistas e, por vezes, irritantes como os demais do gênero. E isso reflete muito sobre o anime. Konosuba se esforça em tentar ser algo além do padrão, no entanto, fracassa ao ficar na camada mais superficial dessa ideia. Desse modo, o anime apresenta alguns pontos que fazem dele superior aos demais Isekais de comédia, no entanto, ele nunca sai da camada mais superficial e previsível do gênero. Isso implica diretamente na existência não somente dos clichês essenciais ao gênero mas, sobretudo, também a de muitos clichês superficiais. E esse é o problema: ao falhar em ir mais profundo na reinvenção do gênero, Konosuba desvia de apenas meia dúzia dos problemas típicos do gênero.
A começar pelo roteiro que é completamente simples e raso e com pouca (para não falar nenhuma) progressão da trama. Existe pouquíssimo desenvolvimento dos personagens e todos os que não são os principais são completamente subutilizados e descartáveis. E pior: mesmo que diferenciados, os personagens principais, à exceção do protagonista, apresentam justamente o problema já citado, ou seja, só possuem uma ou outra característica que os diferem dos demais do gênero, no entanto, de maneira alguma reinventam as suas posições dentro da estória. Tudo isso é agravado porque a trama simplesmente não anda. O motivo é muito claro: a história de derrotar o Rei demônio é um pretexto apenas para a existência do show. O que quero dizer com isso é que em nenhum momento esse feito é realmente levado a sério pelos personagens e muito menos pelo roteiro, o qual faz questão de ignorá-lo durante o anime inteiro. Os únicos momentos que ouvimos o nome "Rei demônio" só servem para a gente lembrar sobre esse "objetivo" dado aos personagens. O problema é que tampouco o roteiro faz qualquer tipo de sentido do ponto de vista que foi colocado. A ideia original era derrotar o Rei demônio para devolver a Aqua ao seu "lugar". No entanto, fica claro, conforme a história passa, que isso nunca vai acontecer. Isso pelo motivo mais óbvio: ela gostou de ficar no novo mundo. Dito isso, o roteiro improvisa e coloca como objetivo salvar aquele mundo/fazer fama por ter derrotado o Rei demônio e seu exército. O problema é que esse motivo é completamente vago e sequer é aproveitado. Isso tanto é verdade que em nenhum momento vemos os personagens se preparando para tal feito e traçando um plano para tal. Na realidade, sequer sabemos direito quem é o Rei demônio e o que realmente acontece naquele mundo. Novamente, isso não é à toa. Existe um motivo para o roteiro explicar o mínimo possível do mundo e de tudo que vai além dos 4 personagens principais: o anime não tem o menor senso de importância. E isso não é bom nem para uma comédia. Tal realidade se dá porque um roteiro que não leva a sério sua trama se torna trivial, bobo, simplista ao extremo e até esquecível. E quando eu falo que ele não leva a sério a sua trama é em todos os sentidos imagináveis. Tudo que envolve os personagens, seus objetivos ("""objetivos""") e o andamento da história é levado na brincadeira e só serve para fazer tiradas cômicas. O anime não apresenta nenhum momento minimamente relevante do ponto de vista narrativo. Tudo que acontece serve apenas para fazer piada. Enquanto isso, todo o trajeto dos personagens e o andamento da trama ficam em segundo plano, fazendo que o anime seja apenas um compilado de acontecimentos aleatórios de 4 bonecos 2d. Nada mais do que isso. Boas comédias utilizam a comédia como porta para outros gêneros e subgêneros e isso não acontece em nenhum momento durante os 20 episódios de Konosuba. Sério, todas as cenas do anime são piadinhas ou vivências que viram piadinhas. Absolutamente todas. Além desse fator anular qualquer envolvimento com os personagens e com a própria obra, ela mergulha a obra em um poço de mediocridade, uma vez que jamais levaremos algo dela. Afinal de contas, é apenas uma comédia. É apenas algo para me fazer rir.
Porém, pior que fazer piadinhas toda hora é acertar pouco nelas. É claro que a comicidade depende muito do espectador, no entanto, para um anime que tenta durante 20 episódios ininterruptos me fazer rir, devo dizer que ri muito pouco com Konosuba. Embora o timing cômico sempre foca em algo que não esperávamos acontecer, ser inventivo uma vez é difícil, quiçá durante uma obra inteira. A realidade é que 20% das piadas funcionam e realmente apresentam alguma novidade, enquanto as outras só são aleatoriedades sem nenhum tipo de humor. Além disso, o timing do anime é completamente desregulado, já que tudo nele é piada. Ser uma comédia é diferente de não se levar a sério. É claro que não é de se esperar muita profundidade de uma comédia, contudo, as boas comédias, como já citei, vão além da camada mais superficial do gênero. É justamente essa uma das principais características para a reinvenção do gênero e Konosuba falha completamente nisso.
Outro problema do anime é o extremo uso de fanservice. Além de serem completamente desnecessários e inócuos, só completam a ideia do roteiro de trivializar ao máximo o anime e transformá-lo em uma piada. Além de serem péssimos fanservices (é, nem para ecchi de fato eles servem dada a inabilidade do protagonista e aproveitar os momentos).
A direção também demonstra inabilidade no passo do anime, visto que ele é completamente limitado a uma trama episódica e, depois de certo ponto, desconfortante. É inacreditavelmente cansativo acompanhar um anime cujos únicos acontecimentos são as "missões" aleatórias que os personagens ou recebem ou que são advindas de fatos randômicos. Não há, de fato, algo além disso na obra.
A parte audiovisual é mediana. Embora os efeitos sejam interessantes, não classificam a animação como de alto nível porque são 3d e repetitivos (basicamente se resumem às skills da Megumim e uma ou outra da Aqua). Quanto ao restante da cinematografia, a animação falha nas transições das caretas dos personagens (o que diminuí consideravelmente a graça delas) e no próprio design deles. Existem muitas distorções nesse anime, sendo a maioria por falha da própria animação e não algo pensado para forçar um humor (como já disse, as distorções propositais são, também, péssimas e nada engraçadas. A cena do Shirogane com a cabeça inchando é mais engraçada do que todas as distorções desse show somadas). O visual dos personagens, embora vistoso e vívido, contrasta demais com o dos demais personagens existentes na obra, o que não faz sentido já que apenas a Aqua e o Kazuma deveriam apresentar tais características por não serem daquele mundo. Perceba como o visual dos outros personagens são completamente básicos e sem nenhuma identidade (novamente, eles forçam apenas o mínimo na inventividade).
A trilha sonora é pouco pulsante e em nada agrega às cenas, cumprindo apenas o papel de existir. O único acerto é a opening que é chamativa e apresenta um clima bem convidativo. No entanto, todas as demais cenas apresentam uma trilha indiferente.
Veredito
Embora pareça ser um bom clichê, Konosuba falha em sua proposta de trazer algo de novo ao gênero uma vez que apresenta apenas a camada mais superficial dessa proposta. Para completar, possuí um roteiro fraco e que mais se preocupa em transformar tudo em piada do que realmente tentar sair dos padrões do gênero. Em suma, é um anime legalzinho de se assistir, no entanto, é bobo, trivial e completamente esquecível.
Roteiro: 4
Direção: 5
Animação: 6
Trilha sonora: 5
Nota final: 4
Elenco principal da obra. Embora o roteiro tente, não vai muito além de uma ou duas características peculiares e acaba amargurando o quarteto nos clichês do gênero.
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2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

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2020.06.01 18:33 epilef_backwards Kaguya-sama é sensacional (ou sobre como o melhor anime de 2019 é uma comédia romântica).

Kaguya-sama é sensacional (ou sobre como o melhor anime de 2019 é uma comédia romântica).
Their focus is on the fireworks...but I'm sorry...I can't take my eyes off of...that face. The sound of my heartbeat is so noisy...that I can't hear the fireworks.
Ao longo dos meus anos acompanhando animes, são raros os casos em que eu encontrei um show que, do ponto de vista unicamente crítico, fosse digno de receber uma nota máxima. Isso porque, bem como todas as "escolas" de cinematografia, a escola de animação japonesa possui certas peculiaridades que são negativas. Uma delas, talvez a mais clara, é a exposição verbal. Esse elemento é utilizado quando o roteiro precisa te informar alguma coisa que o roteiro quer informar para o espectador. O seu problema, no entanto, se dá porque isso é feito de maneira abusiva e literalmente consiste na maneira mais mesquinha possível de conduzir a trama, ou seja, ao invés do roteiro conduzir a trama por meio de um flashback que explore a infância do personagem, ele simplesmente mostra uma conversa do personagem falando sobre o que aconteceu em sua infância. Veja que ao utilizar um flashback o roteiro pode utilizar ele de N maneiras para não somente citar um fato em específico sobre tal personagem, mas, sim, demonstrar o seu contexto naquela situação. É claro que nem toda exposição é problemática, no entanto, seu excesso se caracteriza como um problema de roteiro pois escancara que o roteirista não apresenta habilidade em demonstrar os fatos da obra sem colocar um personagem literalmente narrando o que está acontecendo (algo que acontece de uma maneira inacreditavelmente irritante e patética em Kimetsu No Yaiba). Embora seja um erro, praticamente todas as animações japonesas, mesmo em se tratando dos filmes de animação, utilizam a exposição de maneira usual e sistemática. Isso significa que naturalmente animes tendem a ter mais erros básicos de roteiro e de direção do que, por exemplo, filmes/shows de outras escolas cinematográficas. E, se já são comuns esse tipo de erro mais simples nos mais diversos gêneros, existe um gênero que é afetado de maneira quase que integral pelos muitos elementos clichês e clássicos da cultura de animes: a comédia romântica. O primeiro erro muito comum nas obras desse gênero é a completa sobreposição de comédia e romance, fazendo que um tome espaço do outro quando não deve e que haja constantes quebras de climas, ou seja, tal contexto X é importante para o romance porém o roteiro inventa de jogar um piadinha nele para tentar produzir humor. O segundo erro é a errada utilização de clichês do gênero (o típico caso da personagem, justamente a que vai ser a garota principal, que tropeça e cai nos braços do protagonista....ou o protagonista que iria tropeçar e ela aparece atrás dele para impedir que isso aconteça...). E o terceiro erro é sobre o passo do anime; geralmente, comédias românticas apresentam um passo típico de quem possui taquicardia: ora o anime acelera muito e atrapalha o desenvolvimento dos personagens, ora inexplicavelmente esquece da trama para embutir à força fanservices inúteis. E, em particular, eu nunca tinha assistido uma comédia romântica sem esses problemas, fato que me fez ficar desacreditado com os animes do gênero. Sentimento esse que foi comprovado pelas muitas comédias românticas idênticas, todas de baixa qualidade, lançadas nos últimos anos. Devo dizer, sinceramente, que esperava o dia que alguma iria fazer o mínimo possível para sair do óbvio e do nível mais baixo possível do gênero. E esse dia chegou.
Kaguya-sama é o típico exemplo de anime fácil de criar preconceitos contra e fácil de querer arrumar problemas onde não esses não são presentes. No primeiro ponto eu sou uma prova disso: entrei no anime com um pé para frente e dez para trás justamente pelo histórico dos animes de comédia romântica. No segundo, é fácil caçar problemas quando você analisa um anime de comédia romântica pela mesma ótica de um drama ou de um romance. É claro que animes dos dois gêneros citados terão (ou melhor, deveriam ter) tramas mais complexa e profundas, personagens mais bem desenvolvidos e menos trivialidades, pois isso se encaixa no gênero. Da mesma forma, é claro que em comédias românticas haverá mais espaços para absurdos e efeitos propositalmente cômicos, pois isso se encaixa no gênero. Não é justo comparar a profundidade dos personagens de Kaguya-sama com a profundidade dos personagens de Steins;Gate ou Romeo x Juliet (um drama e um romance). É claro que dizer isso não é equivalente a dizer que furos de roteiro estão liberados, mas, sim, que certos elementos específicos da comédia, que se colocados em outros gêneros resultariam em erros, são permitidos no show justamente por se tratar de uma...comédia. Ao falar isso pode parecer, portanto, que são animes mais fáceis de serem feitos, o que, em parte, pode ser verdade pela não necessidade de uma complexidade da trama, no entanto, essa facilidade abre espaço para que os clichês sejam muito mais acessíveis e mesmo funcionais, pois, se existem gazilhões de animes de comédia romântica exatamente iguais, é porque esse clichês funcionam para o público alvo. Dito isso, vamos aos pontos do show.
Um acerto logo de cara do roteiro desse anime é a sua premissa baseada no "Love is war", pois ela abre espaços que podem ser utilizados pelo roteirista. Como exemplo, ele pode utilizar os momentos das "batalhas" entre os dois protagonistas para tiradas satíricas e bem humoradas. Isso faz que pelo menos metade dos momentos de humor do show já estejam relacionados a um ponto em específico sem que pareça que esse ponto foi criado à força pelo roteiro só porque o mesmo não teve criatividade de montar momentos engraçados. Ou seja: o roteiro precisa se preocupar menos em criar situações malucas FORA da premissa para gerar humor, fato que diminuí o risco de produzir o humor clichê costumeiro nesse tipo de animação. Perceba como mesmo os momentos de humor que não são as batalhas entre os dois ainda trazem um pouco deles evitando mostrar muito para o outro.
Outro acerto do roteiro é na caracterização dos personagens, pois ele utiliza a caracterização clichê dos personagens super inteligentes como modo de subverter o gênero e as nossas expectativas com os próprios personagens, fazendo que seja mais interessante descobrir quem eles são. Além disso, desconstruir essa visão "fria" dos personagens aparentemente top do colégio é muito importante, e muito bem utilizada nesse caso, para humanizá-los e fazê-los serem personagens gostáveis. Isso é essencial na criação do vínculo espectador-personagem, vínculo esse que é perfeitamente estabelecido nesse show, pois ,não somente os personagens são interessantes e únicos, mesmo que em primeiro momento pareçam clichês, eles apresentam camadas e peculiaridades que transformam cada um dos personagens principais em alguém dentro da história, o que é raríssimo em comédias românticas (geralmente sequer há esse tipo de preocupação com os protagonistas, quiçá com os demais do elenco). Algumas pessoas podem achar absurdo o mesmo personagem que é o top 1 do colégio ser brincalhão e até bobo em certos momentos, contudo, é justamente assim que as pessoas são. Nem toda pessoa estudiosa ou dedicada é um robô sem sentimentos. Em fato, a maioria não é assim, e mostrar a parte humana dos personagens é um passo importante para nos fazer gostar de acompanhá-los durante o show.
A direção também é brilhante e apresenta um dos melhores timing cômicos da história dos animes. As piadas, além de engraçadas, servem excepcionalmente à trama e aos personagens, com nenhum caso de transgressão do clima do anime. Sim, é uma comédia romântica que não fica quebrando os momentos importantes com piadas estúpidas...eu nem acreditava que isso era possível. O uso do narrador é cirúrgico à medida que o mesmo somente contextualiza e introduz algumas situações, porém não serve como um roteirista ambulante falando tudo sobre todos e nem entrega os momentos com pistas anticlimáticas (algo que seria muito fácil de ser feito por um roteiro e uma direção menos habilidosa). A direção de arte do anime também é sensacional. As expressões e os rostos desconfigurados dos personagens são completamente hilários (a cena do guarda-chuva me pegou completamente desprevenido e foi um dos melhores momentos assistindo animes de comédia) e servem à trama e ao timing cômico da direção. Na realidade, eu não posso deixar de lado a equipe de animação desse anime, porque de nenhuma maneira faz sentido uma comédia romântica ter uma animação tão limpa, suave e fluída como essa. É claro que tudo isso é melhorado pelo bom controle de cortes da direção, a qual prefere cenas continuadas do que com cortes em excesso (sim, em uma comédia romântica o cara teve a percepção disso!!), contudo, existem muitas cenas fluídas e transições muito bem animadas entre a cara normal da personagem e a sua reação cômica. A parte sonora do anime casa muito bem com os momentos porém não sofre um abuso da direção na tentativa de criar atmosfera. As músicas são utilizadas apenas em momentos chaves ou em momentos propositalmente cômicos (o paralelismo entre a música e a cena é uma sacada cômica utilizada algumas vezes aqui e funciona em todas). Inclusive, a cena dos fogos de artifícios foi uma das melhores cenas, do ponto de vista da direção, de 2019. O fato de a direção ter tido a delicadeza de transformar a cena na percepção da Kaguya foi sensacional. Perceba como tudo que ela fala condiz com o que nós estamos experimentando na cena: todos prestando atenção aos fogos enquanto ela olha para o Shirogane; a ausência do barulho dos fogos; o barulho alto das batidas do coração dela. Tudo isso serve para nos transportar à situação da personagem, uma vez que todo aquele episódio havia se destinado a ela. O episódio poderia mostrar todos curtindo os fogos felizes, contudo, a direção percebeu uma deixa para poder juntar todos os pontos até então postulados na trama em uma cena. Uma das melhores cenas de 2019 e a melhor do anime.
Veredito
Kaguya-sama é um dos raros animes que conseguiram subverter os clichês do gênero de modo a fazê-los servir à trama e aos personagens. Apresenta um roteiro inteligente e cuidadoso no que tange à montagem dos personagens e à caracterização dos mesmos e uma direção que não deixa a desejar nem nos momentos de comédia nem nos momentos de romance. Por essas e outras eu considero Kaguya-sama: love is war como sendo o melhor anime de comédia romântica já feito e, definitivamente, o melhor anime de 2019. E olha só que desde 2006 com Gintama um anime de comédia não era considerado o melhor anime do ano.
Felizmente, Kaguya-sama existe não somente para me provar que comédias românticas podem ser boas, mas, também, para reinventar e mostrar como o humor bem feito pode ser superior às super produções de shounens com batalhas escatológicas.
Nota: 10 (yay, agora temos um trio no topo da lista! (¯▽¯).
Quem diria que o melhor de 2019 seria uma comédia romântica, não?
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2020.05.16 18:06 epilef_backwards Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).

Sobre memórias (ou como Steins;Gate fez algo único na história dos animes).
Ninguém sabe o que o futuro reserva. É por isso que as possibilidades são infinitas.
É clicando com o botão direito e, imediatamente após, selecionando a opção de loop na OST "Christina I", belíssima instrumental composta pelo gênio do piano Abo Takeshi, que, em meio às lágrimas que rapidamente me vêm aos olhos ao relembrar do episódio 22, inicio a escrita da análise desse show. Devo avisar, de antemão, que Steins;Gate, animação que adapta a visual novel de mesmo nome, dirigido por Takuya Satō , não é um anime para qualquer um. Como bem dito por Thalius, ser para todos não significa ser para qualquer um. Essa citação, em particular, uma das minhas preferidas, cabe à animação não porque ela trata de assuntos supostamente incrivelmente complexos como o tempo, mas, sim, porque ela apresenta diversas camadas e níveis de entretenimento. É, sim, possível se entreter apenas com a camada mais superficial, aquela que apresenta uma história sci-fi sobre viagem no tempo, no entanto, o aproveitamento da mensagem real do anime só é despertado quando você adentra às profundezas de Steins;Gate. Para iniciar, é bem verdade que a presença de temas profundos e, mesmo, desconhecidos pela ciência atual pode parecer um tanto quanto amedrontador e até desencorajador, principalmente para aqueles que não estão acostumados com termos científicos ou não se interessam tanto pelas ciências "exatas". Felizmente, temos o primeiro acerto de Steins;Gate nesse ponto, e o início das características que o diferem de qualquer outro anime existente, pois o anime se prende apenas na intensidade necessária aos conceitos e explanações que supostamente deveriam ser complexas. Isso é inteligente por parte dos roteiristas, pois são apresentados, sim, momentos explanatórios sobre uma máquina que eles irão construir, sobre os conceitos utilizados nessa máquina ou, mesmo, sobre o funcionamento de certos princípios essenciais para o nosso entendimento;contudo, o anime nunca faz isso parecer monótono ou mais complicado do que é. Muito pelo contrário: Steins;Gate faz um trabalho excepcional em explicar os conceitos necessários à trama de maneira simples e compacta, sem necessidade de longos diálogos e/ou complicações extraordinários só para "cultizar" os personagens que realizam a explicação (sim, Sword Art Online: Alicization, eu estou olhando para você neste exato momento; para você e, principalmente, para a explicação longínqua, monótona e confusa sobre o funcionamento do mundo de realidade virtual apresentado na temporada). Desse modo, Steins;Gate consegue estabelecer rapidamente os conceitos principais que regem o show sem fazer parece-los bichos de sete cabeças, o que poderia, e, provavelmente, iria, afastar muitos indivíduos.
Outra qualidade louvável, ainda no mesmo plano da última, é a capacidade da animação em flutuar em um tema complexo como viagem no tempo e não apresentar furos no roteiro que embaralham a trama, fazendo que ela fique confusa e desconexa. Ao meus eu jamais tinha encontrado uma animação sobre viagens no tempo que não apresentasse sequer um furo de roteiro quando se trata de diversas linhas temporais. E exemplos contrários não faltam, incluindo o mundo fora das animações japoneses (a série The Flash, por exemplo, apresenta um roteiro fraco e repetitivo, no entanto, o que faz da experiência muito desagradável são os constantes furos criados pelo excesso de personagens indo e vindo em linhas do tempo que aparentemente são infinitas, porém, insuficientes para o roteiro, o qual usa e abusa em todos os níveis desse artifício do gênero). Isso é muito importante na consistência e no envolvimento com a obra, pois, assim que sabemos que o roteiro utiliza a viagem no tempo mais como artifício barato para resolver qualquer problema que apareça para ele, nosso senso de importância e de gravidade é drasticamente reduzido, uma vez que sabemos que, assim que o roteiro precisar, é só aparecer um personagem onisciente do futuro que irá resolver os problemas. Uma outra possibilidade de furo de roteiro causada pelo fator viagem no tempo é essa aparente onipresença de personagens que a utilizam. Em fato, talvez esse seja o maior problema nas histórias de viagem no tempo: personagens aparecem do nada e, bem como apareceram, começam a contar absolutamente tudo que irá acontecer, o que incluí detalhes impossíveis de serem lembrados. Tás posto um exemplo de ilustração: personagem A volta à linha do tempo que irá acontecer X evento de maneira a impedir aquele evento (lembrem-se, portanto, que é a primeira vez dela ali, o que significa que ela apenas tem noção de um PANORAMA sobre o futuro) e, de modo a confirmar que veio do futuro, diz que um copo de vidro irá ser derrubado e quebrado em exatos 5 segundos. Após os 5 segundos, bem como previsto por A, o copo é derrubado e, consequentemente, quebra ao tocar o chão. A pergunta mais simples e impossível de ser respondida é: como ela sabia do copo? Por acaso vir do futuro entrega à personagem conhecimento absoluto do que aconteceu antes? Sem contar que, em muitos casos, A sequer EXISTIA no momento que essa cena acontece, o que torna IMPOSSÍVEL o conhecimento do evento em questão. Esse truque é constantemente utilizado na parte da "solução do futuro distópico" e, por si só, não apresenta grande problema, o problema se instaura quando esse artifício compõe 90% das formas como a trama se resolve, pois fica clara a inabilidade do roteirista em utilizar sua criatividade e capacidade de escrever uma história no que tange à solução de problemáticas. Em suma, o problema não é haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática, o problema é só haver um viajante do tempo que dá uma pista sobre ou soluciona certa problemática. Quanto a isso, Steins;Gate dá uma aula de como resolver essa "intrincada do viajante do tempo", utilizando-se de uma série de artifícios narrativos para desviar o excessivo uso do já citado viajante. Em primeiro lugar, existem apenas dois personagens que possuem um conhecimento "sobrenatural": o protagonista, Okabe, e John Titor, aqui na pele de Suzuha, uma das personagens secundárias do show. Isso implica diretamente em dois fatores que devem ser de extrema atenção: existem menos personagens para furar o roteiro, uma vez que, quanto mais personagens transitam pelas linhas, mais fácil é do roteiro se perder em meio a tanta informação e o roteiro precisará de outras maneiras para resolver problemas, já que como se não fosse absurdo suficiente 20 personagens sabendo sobre linhas resolverem misticamente qualquer problema da trama, mais absurdo, ainda, é imaginar que apenas 2 o farão. Desse modo, Steins;Gate decide traçar um caminho que, embora seja mais complexo de ser realizado, pode entregar um resultado excepcional no final da obra. E felizmente é isso que acontece. Diferentemente das demais obras de viagem temporal, Steins;Gate apresenta um roteiro muito apurado e astuto, uma vez que ele se utiliza de personagens que já conhecemos como aqueles que irão, em um futuro, ter sapiência sobre tais viagens. Isso significa que os personagens que irão "dominar" o tempo já estão na trama, só precisamos dar tempo a eles para eles o dominarem. Em outras palavras: em teoria, temos somente dois personagens que sabem sobre viagens e máquinas do tempo e outras linhas temporais, no entanto, ao longo da própria história daquela linha do tempo, outros personagens também terão esses conhecimentos. Esse truque fica explícito na cena em que Daru reconstrói a máquina do tempo. Em um primeiro momento, poderíamos imaginar que ali se alocava um furo de roteiro, uma vez que, mesmo ele sendo colocado com um grande conhecedor de máquinas, programação e mecânica no geral, é surreal alguém construir um objeto que será criado anos a frente. Contudo, assim que imaginamos a pensar isso, recebemos a informação que o Daru será o construtor da máquina, o que significa que há parte do "DNA" dele nela, ou seja, a maneira de pensar dele, de montar máquinas própria do personagem, o que explica como ele conseguiu consertá-la. Outra "esperteza" do roteiro é criar um porto seguro, ou seja, aquele personagem que, independente da linha temporal, irá conseguir entender o que o viajante do tempo fala. Eu normalmente não gosto desse artifício, uma vez que ele é usado de maneira porca na maioria dos casos, pois, geralmente, não há nenhuma explicação lógica para aquela personagem em específica acreditar no viajante do tempo. No entanto, Steins;Gate não é a maioria dos casos. Aqui, temos a personagem Kurisu como sendo o porto seguro do personagem principal ao longo da sua caminha de construção e desconstrução da linha temporal. E tinha que ser ela, justamente porque ela é quem apresenta o conhecimento "bruto" sobre tais assuntos, ela é quem desenvolveu a máquina de saltos temporais. Ou seja, a escolha do roteiro foi exata e faz que não duvidemos da autenticidade do fato dela aceitar e entender o que o Okabe fala sempre que ele salta de uma linha para outra.
Saindo puramente dos aspecto envolvendo viagens e saltos temporais, o anime mostra novamente como possuir um roteiro sólido é uma das bases para a construção de uma obra-prima. Percebam como nada acontece em apenas um plano em Steins;Gate. Utilizando os dois exemplos citados no parágrafo acima, enquanto o roteiro anula a possibilidade de haver incongruências temporais ao trazer à tona que Daru foi o construtor da linha do tempo, ele cria um dos muitos plot twists da série; enquanto o roteiro utiliza Kurisu como o porto seguro do próprio roteiro para servir como alguém que aceita e ajuda o protagonista após o salto, ele insere os momentos mais profundos de desenvolvimento do casal e da sua relação, bem como aproxima ambos os personagens dos espectadores ao gerar um senso de humanidade e sentimentalidade nos dois. Sempre que pensamos que estamos encarando uma camada do show, seja um plot twist ou outro artifício do roteiro, temos, ao menos, mais uma outra camada acontecendo ao mesmo tempo. Desse modo, nada em Steins;Gate é único, gratuito, não existem cenas por conta própria, todas elas servem aos plots da animação mesmo que em camadas mais escondidas dos espectadores. Um exemplo claro são os D-mails: enquanto eles claramente servem como preparação para o plot da metade do anime, por trás deles temos a ideia de o quanto enviar uma simples mensagem pode alterar com a vida de milhares e, por que não, bilhares de pessoas. Um simples D-mail alterou por completo o bairro de Akihabara. Um simples D-mail alterou o sexo de uma das personagens, causou uma confusão gigantesca envolvendo outra personagem, o suicídio de outra. E o principal: a imprevisibilidade do tempo. Nem nós, nem os envolvidos nas mensagens e nem mesmo Okabe e Suzuha sabiam o que iria acontecer a princípio. Essas camadas são de extrema importância para um bom desenvolvimento a trama, uma vez que 24 episódios, mesmo parecendo uma quantidade considerável, é pouco tempo para uma história, ainda mais se tratando de animes (os quais os episódios tendem a durar entre 22 e 24 minutos com aproximadamente 19~20 minutos de animação propriamente dita, já que deve haver espaço para a opening e ending). Um dos truques de mestre do roteiro de Steins;Gate é apresentar várias coisas ao mesmo tempo: enquanto há um plot, temos desenvolvimento da trama, dos personagens, explanação sobre temas complexos de maneira surpreendentemente acessível (alô, Thiago!) e uma mensagem sendo passada por trás daquilo.
Ainda no roteiro, é chegada a hora de falar sobre o que, ao menos para mim, separa completamente Steins;Gate dos demais animes que eu assisti, sim, de todos, é chegada a hora de falar sobre os personagens. Ou melhor, sobre o desenvolvimento dos personagens. É muito raro, em animes, haver um real desenvolvimento de personagem, ou seja, um arco completo de desenvolvimento. O que acontece em animes que levam com mais seriedade o ato de escrever uma história, realidade que, infelizmente, não é a da maioria dos animes, é um "pseudodesenvolvimento", o que significa que, ao invés de ser apresentado um arco completo, é apresentado um meio arco ou um arco de "tamanho" correlato. Ou seja, nos é dado certo desenvolvimento do personagem, porém, tal desenvolvimento é limitado em demasia e, em alguns casos, é dotado de uma única utilidade na trama: não deixa o personagem, normalmente o principal, planificado, sem sentimentos, sem evolução. Isso porque tal evolução é o que humaniza o personagem, é o que nos faz sentir algo por ele, sentir suas dores e suas conquistas, pois criamos empatia por ele. E em Steins;Gate temos o que eu considero como sendo um dos melhores arcos de desenvolvimento de personagens do mundo dos animes. Antes de chegar nele, devo falar sobre os personagens em si.
A obra apresenta relativamente poucos personagens, estando esses relacionados de alguma forma com o laboratório, seja porque são um dos membros ou porque é quem aluga o laboratório para Okabe e seu grupo, o que possibilita a criação de uma identidade para cada um deles: os personagens de Steins;Gate, mesmo os secundários, são quase que exclusivos da obra. Mesmo muitos seguindo alguns estereótipos, eles sempre apresentam algo para nos lembrarmos de que eles são humanos e cada um apresenta sua própria personalidade. Isso, em si, já se caracteriza como uma característica importante no desenvolvimento de um anime de qualidade: é sempre bom termos bons personagens ao nosso lado durante a caminhada que nos será contada. Contudo, apenas bons personagens não fazem uma trama. É necessário haver o desenvolvimento deles, uma vez que é importante demonstrar que o que aconteceu na estória afetou eles de algum modo, afinal de contas, se não afetou meros personagens criados por outros humanos, quem dirá um humano. E, novamente, Steins;Gate acerta em cheio. Com momentos pequenos que demonstram o estado emocional dos personagens (falo de olhares, maneirismos criados ou deixados de lado, estado corporal, postura, etc) e de explanações necessárias sobre como personagens está se sentindo ou sobre como ele mudou após certo acontecimento, Steins;Gate desenvolve os seus personagens por meio de outros acontecimentos da trama(lembram do "sempre há mais de uma camada?" então...). Além de compactar a trama, os momentos de twists e plots são de extrema importância em um show porque é ali onde deve haver um impacto maior nas personagens e em nós espectadores, e Steins;Gate não deixa devendo em absolutamente nada quando falamos de plots e twists de uma estória. É inacreditável a capacidade do roteirista de subverter possíveis convenções do gênero em momentos tocantes, emotivos e importantes para a trama. É ao subverter as nossas expectativas após termos contato com tantas obras mal feitas sobre viagem no tempo que o roteiro encontra o elo entre as diversas partes da trama da animação; em outras palavras, é quando achamos que sabemos o que está acontecendo que o roteiro nos pega desprevenidos, é quando achamos que a situação não pode ficar pior que ela, de alguma maneira, consegue realizar esse feito. Inclusive, Steins;Gate apresenta algo único, ao menos eu nunca assisti uma obra com tal característica, ao realizar um dos maiores plots da série com algo que já tínhamos conhecimento. É o já conhecido, e muito bem utilizado nas melhores obras de todos os tempos do cinema, "nossa, como eu pude não perceber isso". Estou falando do momento em que o Okabe percebe que, ao decidir voltar à linha beta, ele também fez uma outra decisão: sacrificar Makise Kurisu. Um dos raros momentos nos animes que me dão arrepios ao lembrar dele. Mesmo já sendo algo que você sabe, afinal de contas ela morre naquela linha temporal no primeiro episódio, o anime faz questão de nunca mais tocar no assunto, de esconder tal fato, a fim de, no momento em que imaginamos estar tudo certo, nos pegar com os rabos entre as pernas. Absolutamente genial. São poucos os pontos que eu sequer cheguei a cogitar um erro quando se trata do roteiro de Steins;Gate.
E não bastando os inacreditáveis plots da série, temos um arco de desenvolvimento duplo que ocorre concomitantemente à evolução da trama e à preparação de outros plots (novamente, nunca é apenas uma camada): o arco do Okabe. Eu poderia resumir ele a algo como "assista por conta própria e experimente o que é a evolução real de um personagem", porém, estaria sendo injusto comigo mesmo, porque o fator que mais me motivou a escrever essa crítica foi esse arco. No início do anime nos é apresentado um estranho e peculiar cientistita japonês nomeado de Okabe Rintarou, o qual possuí um também estranho e peculiar laboratório composto por outos dois membros: Daru, conhecido como "super hackar", e Mayuri, uma gentil e inocente amiga de infânce de Okabe. No laboratório, eles testam equipamentos supostamente tecnologicamente avançados. Embora seja um local mais parecido com um mini-apartamento que foi utilizado por 20 anos como oficina e não com um laboratório, Daru e Okabe são extremamente inteligentes e realmente projetam e criam alguns objetos interessantes (enquanto Mayuri fica ao fundo compensando a aura nerd em demasia dos dois). Ao ser apresentado, Okabe apresenta diversos maneirismos e atitudes únicas do personagem, fatores que já estabelecem uma relação direta com o personagem: tudo aquilo que é novo é intrigante, e, se é intrigante o suficiente, por que não tentar entendê-lo? É apartir dessa ideia de peculiaridade do personagem que nos gradualmente, ao decorrer dos primeiros 11 episódios, aprendemos a gostar do personagem, a reconhecer tais pecualirades não apenas como esquizitices do personagem, mas sim como traços que componhem a sua personalidade animada, radiante e até despojada, mesmo ficando claro que ele não é o melhor cara do mundo quando se trata de relações interpessoais. No entanto, nunca é passada aquela ideia de pessoa isolada, que nega os demais em prol de uma ideia maluca da sua cabeça (a qual é muito presenta em cientistas malucos; geralmente, o personagem é um completo babaca), o que nos conecta de vez com o personagem. No entanto, tudo muda quando os efeitos dos D-mails começam a aparecer, tudo muda quando ele precisa a largar o seu estilo despreocupado com o mundo e começar a tomar decisões que vão alterar a sua vida e a vida de todos aqueles que ele ama. Inclusive as duas que ele mais ama. Mayuri e Kurisu são personagens chaves na história à medida que são elas, ou fatos que acontecem com elas, que guiam as tomadas de decisão de Okabe: ora a morte da Mayuri faz que Okabe decida ir de volta à linha Beta, ora Kurisu o faz entender de outra maneira a situação e o ajuda a superar os desafios dessa árdua caminhada. É ao longo dela, portanto, que temos o desenvolvimento desses dois como um casal e como figuras isoladas com um aumento considerado do "screen time" de ambos juntos, o que demonstra a inteção do roteiro em enfatizar eles como um casal. Mas lembram-se do que eu disse antes? Nunca é apenas uma camada. Não somente temos a intenção do casal pelo simples fato de ambos parecerem, e, quem sabe, serem feitos um para o outro, mas sim porque é desse desenvolvimento que o anime prepara o choque que tanto Okabe como nós iremos sentir: o da decisão entre quem irá viver e quem irá morrer. Vejam como aquelas ideias colocadas anteriormente sobre o porto seguro se conectam diretamente ao que acabara de ser exposta: é Kurisu quem serve de porto seguro, para a trama e para Okabe. É ela quem o ajuda nos momentos mais desesperadores, quem sorri para ele quando o mesmo só consegue ver uma linha que leva a um final desastroso. É, portanto, do desenvolvimento de um simples casal que o roteiro retira um rico arco de um dos personagens. Aliás, cito o romance dele com a Kurisu como o principal pois de fato ele o é, porém, cada personagem em específico da obra serve de desenvolvimento para o Okabe e cada linha temporal que ele volta ou avança apresenta uma direta alteração nele. Percebam como o anime dedicou um episódio inteiro apenas para ele e Ruka poderem ter seus conflitos e suas sub-tramas resolvidas. Nada é deixado para trás em Steins;Gate, bem como nada é de graça. Percebam como outro episódio é dedicado à explanação sobre a realidade da Moeka e sobre como ela foi induzida a realizar o ato que desencadeou toda a jornada de Okabe. As pontas das linhas da animação sempre se encontram devidamente amarradas.
No entanto, para completar o arco do personagem e separar, de uma vez por todas, Steins;Gate dos demais animes, temos a mensagem principal do anime. Percebam que eu sequer toquei nela ao longo da escrita, e isso se dá justamente porque o anime contém diversas mensagens, cada uma em sua devida camada de entretenimento. No entanto, foi após terminar o episódio 24, sentar e pensar um tanto sobre a obra que eu consegui enxergar o que o autor realmente quis passar para quem assiste a animação: muito mais do que uma obra sobre o tempo, sobre pulos, viagens e temáticas temporais, sobre um casal destinado a ficar junto, sobre como os humanos não devem brincar com o tempo achando que não haverão consequências futuras, Steins;Gate é sobre memórias. Não somente memórias, mas como essas memórias podem afetar uma pessoa. Como essas memórias moldam que nós, humanos, somos, como essas memórias são uma dádiva e uma maldição: esquecer elas pode ser doloroso, porém viver com elas pode ser tão doloroso quanto. Todos esses pontos convergem no que, para mim, foi o melhor momento do show: o episódio 22. Foi um dos únicos três momentos dentre os que eu já experimentei assistindo animes em que o pranto foi inevitável. Porque não somente é o ápice perfeito para um casal perfeito, não somente é um momento que todos pensávamos até então, não somente é um turbilhão de emoções: é sobre como esses momentos mágicos e líricos podem ser, em fato, um laço à realidade que vivemos que terá de ser partido de maneira dolorosa e melancólica. A dor de conhecer uma pessoa melhor do que ela mesma e ela sequer saber direito quem você é. A dor de ter que guardar as memórias vividas. A dor de ter que lidar com memórias que, como o nome sugere, são, agora, apenas memórias. Como bem dito por Kurisu, a Teoria da Relatividade é muito romântica. Mas muito triste.
Nada do que foi colocado seria tão efetivo se não tivéssemos uma brilhante trilha sonora de fundo. Em específico, devo citar a música que coloquei no início do texto. Essa é a OST que aparece no episódio 22, e justamente por ser o episódio mais emotivo e doloroso da série, essa OST carrega consigo um peso, uma clara dor, uma clara sensação de algo que ficou no passado. Ou melhor, em outra linha temporal. Algo que você amou e se agarrou com todas as forças, porém o destino inevitavelmente fez você perdê-lo. No geral, Steins;Gate tem muitas das melhores OSTs das animações, sempre cumprindo com o papel de reforçar o mood da situação.
Em suma, Steins;Gate é uma animação única pois consegue fazer muito bem tudo aquilo que se propõe a fazer: apresenta personagens incríveis e únicos, plots e twists de levar você do céu a terra em questão de segundos (os quais vão completamente te hipnotizar e forçá-lo a terminar o show sem pausas), arcos emocionais, principalmente o de Okabe, ímpares e cumpre a difícil missão de apelar o mínimo possível às convenções de obras do tipo. Se pudesse resumir o anime em uma palavra seria a palavra "único", pois diversas das características citadas não se encontram em outros animes ou, caso se encontrem, são minimizadas pela pressa do roteiro em querer demonstrar logo os plots da série. Não posso deixar de falar, antes de terminar o texto, sobre o passo do anime. Mesmo muitos criticando a primeira metade, ela, para mim, é o exemplo perfeito de como uma história deve ser feita. Sem pressa, demonstrando os personagens e dando a eles peso, importância, expressão, unicidade e humanidade. Steins;Gate é uma obra-prima do início ao fim e mesmo que possa apresentar algumas peças que, por se tratar de uma animação relativamente curta (lembremos que outras animações que fizeram algo parecido com Steins;Gate tiveram 40~50 para tal), podem faltar, as peças que se encontram montando o quebra-cabeça compensam completamente as que podem faltar. É como olhar uma Pixel Art a distância: um ou outro bloquinho faltando não retira a primazia do todo.
Minha nota perfeita é muito mais sobre como o anime me impactou do que seu número de acertos e erros, e é por isso que Steins;Gate segue sendo uma das quatro notas 10 na minha lista e meu terceiro anime preferido. Estonteante, imprevisível e apaixonante, certamente é um anime que te fará pensar sobre conceitos complexos, como viagens e saltos temporais, e, ao mesmo tempo, conceitos completamente humanos, como perda, memórias e escolhas.
Se tivesse acesso a uma máquina do tempo, buscaria alguma linha temporal em que o meu eu não se apaixonou completamente por Steins;Gate, porém, devo concordar com Okabe sobre como tudo parece convergir para um inevitável fim.
Escrita ao longo dos dias 14, 15 e 16 de maio de 2020, 16 anos antes da Terceira Grande Guerra.
Um dos poucos momentos na história da animação em que a perfeição foi alcançada. O final do episódio 24, junto com o episódio 22, são os melhores momentos que eu tive ao assistir uma animação japonesa ao longo das centenas assistidas.
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2019.09.07 13:50 TaoQingHsu (Capítulo 3) Uma breve conversa sobre a Escritura de quarenta e dois capítulos dita por Buda

Co-tradutores no tempo da Dinastia Han Oriental, China (25 a 200 d.C.):
Kasyapa Matanga e Zhu Falan (que traduziu a dita Escritura do sânscrito para o chinês).
Tradutor nos tempos modernos (D.2018: Tao Qing Hsu (que traduziu a dita Escritura do chinês para o inglês).
Professor e escritor por explicar a dita Escritura: Tao Qing Hsu
Capítulo 3: Cortar o amor e remover a ganância
O Buda disse: "Aqueles que rasparem sua cabeça e barba para se tornarem os Sramana e aceitarem a Lei-Tao devem renunciar às posses mundanas, contentar-se em pedir esmolas e tomar apenas o que é necessário. Coma uma refeição antes do meio dia por dia. A noite embaixo das árvores, e seja cauteloso para não desejar mais, pois o amor e os desejos são o que torna as pessoas tolas e ocultas.
As referidas regras são estabelecidas por Buda para seus discípulos, Sramanas. Tais regras nos inspiram e nos lembram, para nos contentar com o que temos, e não para gananciá-las mais, porque o amor e o desejo são o que torna as pessoas tolas e ocultas.
Como mencionamos no capítulo supracitado, a definição de amor e desejo aqui é mais estreita, motivo que se baseia no ego pessoal e no egoísmo. É por isso que o amor e o desejo tornam as pessoas tolas e ocultas.
Há um ditado que diz: "Amar seria causar a morte tragicamente". Por quê? Está envolvido o fator pessoal e o fator do outro lado. Alguém não poderia aceitar ser traído ou quebrado em amor, e seu coração de ódio e sua mente de vingança seriam assim surgindo para se tornar a ação factual. Quando estão em tal estado, sua mente perderia a razão e sua ação estaria fora de controle e, assim, faria a coisa prejudicial. Nós chamamos essa pessoa de amante horrível. Em geral, essa pessoa é falta de confiança e auto-estima. Mesmo assim, eles ainda querem controlar seu amante. No ponto de vista de Buda, essa pessoa é tola e lamentável.
Alguém usa o amor ou desejo sexual como desculpa e significa ter a fortuna, especialmente, a jovem mulher com bela aparência e boa forma de corpo para atrair o homem mais velho rico. Então, eles teriam a fortuna por meio de divórcio ou de separação. Às vezes chamamos essa pessoa de mentirosa. O homem rico atribui a luxúria do amor e ele é assim oculto pela paixão.
A maioria das pessoas segue seu próprio hormônio do corpo e seu sentido visual, mas não segue sua mente da razão, para encontrar seu amor. Quando a segunda pessoa é mostrada, ela estaria interessada em tal pessoa seguindo seu próprio desejo sexual e senso visual. Nós chamamos isso de ilusão e paixão. Em tal estado, o fato não seria encontrado. Então, há um ditado: “Os amantes estão se apaixonando porque não se entendem. Os amantes se separam porque finalmente se entendem."
Na ficção ou drama, o amor é sempre criado como história romântica. Mas, de fato, isso não é verdade em nossa vida diária. No relacionamento do amor, está mais relacionado à responsabilidade, tolerância, respeito mútuo, doce fardo e honestidade. Infelizmente, a maioria das pessoas não entende, principalmente, os jovens do sexo masculino e feminino.
Quando as pessoas amam e desejam alguém, algo ou fazer alguma coisa, elas podem esconder outras por algumas razões. Ou eles podem ser escondidos por outros. Então, mentir aconteceu. O karma maligno é formado. O futuro do mal pode estar esperando lá.
O amor e o desejo, como mencionado aqui, é a causa do mal. Tendo cortado isto, o resultado mau não seria acontecido certamente.
Estendendo o significado do amor e do desejo, o ser humano pode amar ou desejar a fama, o poder, a fortuna, a comida e a carreira. Não importa amor ou desejo, fama ou poder, fortuna, comida ou carreira, sua essência não é pecado. Por quê? Se entendermos o significado profundo do budismo, saberemos que essas essências são vazias. Uma vez que essas essências são vazias, elas não são uma preocupação sobre o pecado ou não-pecado. Então, podemos ter uma pergunta. Qual é o problema ou o problema do amor ou desejo em tal coisa?
Como sabemos, existem dois pontos de vista em uma coisa. Isso é ponto de vista positivo e ponto de vista negativo. Quando usamos mal nosso amor e desejo por tais coisas, elas causariam o mau resultado em nossa vida. Por exemplo, há um ditado: “O ser humano tem medo da fama; Porco tem medo de gordura. Por quê? Quando uma pessoa atribui a fama, ciumento e ataque na fala é seguido. Quando um porco é gordo, seria morto como alimento.
No entanto, boa fama seria útil para as pessoas do mundo. Tal pessoa é um objetivo para beneficiar as pessoas do mundo, e a fama boa segue então ele (ou ela). Outras coisas podem ser deduzidas por analogia. Inglês: (Chapter 3) A Brief Talk about The Scripture of Forty-Two Chapters Said by Buddha
https://po-bvlwu.blogspot.com/2018/10/capitulo-3-uma-breve-conversa-sobre.html
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2019.07.18 19:18 altovaliriano O Clube das Senhoras Mortas

Link: https://bit.ly/2JFSJ6B
Autor: Lauren (autodescrita como "dona de pre-gameofthrones e asoiafuniversity")

“Senhoras morrem ao dar à luz. Ninguém canta canções sobre elas.”
O Clube das Senhoras Mortas é um termo que eu inventei por volta de 2012 para descrever o Panteão de personagens femininas subdesenvolvidas em ASOIAF a partir da geração anterior ao início da história.
É um termo que carrega críticas inerentes a ASOIAF, que esta postagem irá abordar, em um ensaio dividido em nove partes. A primeira, segunda e a terceira parte deste ensaio definem o termo em detalhes. As seções subsequentes examinam como essas mulheres foram descritas e por que este aspecto de ASOIAF merece críticas, explorando a permeabilidade da trope das mães mortas na ficção, o uso excessivo de violência sexual ao descrever estas mulheres e as diferenças da representação do sacrifício masculino versus o sacrifício feminino na narrativa de GRRM.
Para concluir, eu afirmo que a maneira como estas mulheres foram descritas mina a tese de GRRM, e ASOIAF – uma série que eu considero como sendo uma das maiores obras de fantasia moderna – fica mais pobre por causa disso.
*~*~*~*~
PARTE I: O QUE É O CLUBE DAS SENHORAS MORTAS [the Dead Ladies Club]?
Abaixo está uma lista das mulheres que eu pessoalmente incluo no Clube das Senhoras Mortas [ou simplesmente CSM]. Esta lista é flexível, mas é geralmente sobre quem as pessoas estão falando quando falam sobre o CSM [DLC, no original]:
  1. Lyanna Stark
  2. Elia Martell
  3. Ashara Dayne
  4. Rhaella Targaryen
  5. Joanna Lannister
  6. Cassana Estermont
  7. Tysha
  8. Lyarra Stark
  9. A Princesa Sem Nome de Dorne (mãe de Doran, Elia, e Oberyn)
  10. Mãe sem Nome de Brienne
  11. Minisa Whent-Tully
  12. Bethany Ryswell-Bolton
  13. EDIT – A Esposa do Moleiro - GRRM nunca deu nome a ela, porém ela foi estuprada por Roose Bolton e deu à luz a Ramsay
  14. Eu posso estar esquecendo alguém.
A maioria do CSM é composta de mães, mortas antes de a série começar. Deliberadamente, eu uso a palavra "panteão" quando estou descrevendo o CSM, porque, como os deuses da mitologia antiga, estas mulheres normalmente exercem grande influência ao longo da vida de nossos atuais POVs e sua deificação é em grande parte o problema. As mulheres do CSM tendem a ser fortemente romantizadas ou fortemente vilanizadas pelo texto; ou em um pedestal ou de joelhos, para parafrasear Margaret Attwood. As mulheres do CSM são descritas por GRRM como pouco mais do que fantasias masculinas e tropes batidos, definidas quase que exclusivamente por sua beleza e magnetismo (ou falta disso). Elas não têm qualquer voz própria. Muitas vezes elas sequer têm nome. Elas são frequentemente vítimas de violência sexual. Elas são apresentadas com pouca ou nenhuma escolha em suas histórias, algo que eu considero como sendo um lapso particularmente notório quando GRRM diz que são nossas escolhas que nos definem.
O espaço da narrativa que é dado a sua humanidade e sua interioridade (sua vida interior, seus pensamentos e sentimentos, à sua existência como indivíduos) é mínimo ou inexistente, que é uma grande vergonha em uma série que foi feita para celebrar a nossa humanidade comum. Como posso ter fé na tese de ASOIAF, que as vidas das pessoas "tem significado, não sua morte", quando GRRM criou um círculo de mulheres cujo principal, se não único propósito, era morrer?
Eu restringi o Clube das Senhoras Mortas às mulheres de até duas gerações atrás porque a Senhora em questão deve ter alguma conexão imediata com um personagem POV ou um personagem de segundo escalão. Essas mulheres tendem a ser de importância imediata para um personagem POV (mães, avós, etc.), ou no máximo elas estão a um personagem de distância de um personagem POV na história principal (AGOT - ADWD +).
Exemplo #1: Dany (POV) – > Rhaella Targaryen
Exemplo #2: Davos (POV) – > Stannis – > Cassana Estermont
*~*~*~*~
PARTE II: "E AGORA, DIGA O NOME DELA."
Lyanna Stark, "linda e voluntariosa, e morta antes do tempo". Sabemos pouco sobre Lyanna além de quantos homens a desejaram. Uma figura tipo Helena de Troia, um continente inteiro de homens lutou e morreu porque "Rhaegar amou sua Senhora Lyanna". Ele a amava o suficiente para trancá-la em uma torre, onde ela deu à luz e morreu. Mas quem era ela? Como ela se sentiu sobre qualquer um desses eventos? O que ela queria? Quais eram suas esperanças, seus sonhos? Sobre isto, GRRM permanece em silêncio.
Elia Martell, "gentil e inteligente, com um coração manso e uma sagacidade doce." Apresentada na narrativa como uma mãe e uma irmã morta, uma esposa deficiente que não poderia dar à luz a mais filhos, ela é definida unicamente por suas relações com vários homens, com nenhuma história própria além de seu estupro e assassinato.
Ashara Dayne, a donzela na torre, a mãe de uma filha natimorta, a bela suicida, não temos quaisquer detalhes de sua personalidade, somente que ela foi desejada por Barristan o Ousado e Brandon ou Ned Stark (ou talvez ambos).
Rhaella Targaryen, Rainha dos Sete Reinos por mais de 20 anos. Sabemos que Aerys abusou e estuprou para conceber Daenerys. Sabemos que ela sofreu muitos abortos. Mas o que sabemos sobre ela? O que ela achou do desejo de Aerys de fazer florescer os desertos dorneses? O que ela passou fazendo durante 20 anos quando não estava sendo abusada? Como ela se sentiu quando Aerys mudou a corte de Rochedo Casterly por quase um ano? Não temos respostas para qualquer uma dessas perguntas. Yandel escreveu todo um livro de história de ASOIAF fornecendo muitas informações sobre as personalidades e peculiaridades e medos e desejos de homens como Aerys e Tywin e Rhaegar, então eu conheço quem são esses homens de uma forma que não conheço as mulheres no cânone. Não acho que seja razoável que GRRM deixe a humanidade de Rhaella praticamente em branco quando ele teve todo O Mundo de Gelo e Fogo para detalhar sobre personagens anteriores a saga, e ele poderia facilmente ter escrito uma pequena nota lateral sobre a Rainha Rhaella. Temos uma porção de diários e cartas e coisas sobre os pensamentos e sentimentos de rainhas medievais do mundo real, então por que Yandel (e GRRM) não nos informaram um pouco mais sobre a última rainha Targaryen nos Sete Reinos? Por que nós não temos uma ilustração de Rhaella em TWOIAF?
Joanna Lannister, desejada por ambos um Rei e um Mão do Rei e feita sofrer por isso, ela morreu dando à luz Tyrion. Sabemos do "amor que havia entre" Tywin e Joanna, mas detalhes sobre ela são raros e distantes. Em relação a muitas destas mulheres, as escassas linhas no texto sobre elas deixam frequentemente o leitor a perguntar, "bem, o que exatamente isso que dizer?". O que exatamente significa que Lyanna fosse voluntariosa? O que exatamente significa que Rhaella fosse consciente de seu dever? Joanna não é exceção, com a provocativa (ainda que frustrantemente vaga) observação de GRRM de que Joanna "governava" Tywin em casa. Joanna é meramente um esboço grosseiro no texto, como um reflexo obscuro.
Cassana Estermont. Honestamente eu tentei recordar uma citação sobre Cassana e percebi que não houve qualquer uma. Ela é um amor afogado, a esposa morta, a mãe morta, e não sabemos de mais nada.
Tysha, uma adolescente que foi salva de estupradores, apenas para sofrer estupro coletivo por ordem de Tywin Lannister. O paradeiro dela tornou-se algo como um talismã para Tyrion em ADWD, como se encontrá-la fosse libertá-lo da longa e negra sombra de seu pai morto, mas fora a violência sexual que ela sofreu, não sabemos mais nada sobre essa garota humilde exceto que ela amava um menino considerado pela sociedade westerosi como indigno de ser amado.
Quanto a Lyarra, Minisa, Bethany e as demais, sabemos pouco mais que seus nomes, suas gravidezes e suas mortes, e de algumas não temos sequer nomes.
Eu por vezes incluo Lynesse Hightower e Alannys Greyjoy como membras honorárias, apesar de que, obviamente, elas não estejam mortas.
Eu disse acima que as mulheres do CSM ou são postas em um pedestal ou colocadas de joelhos. Lynesse Hightower se encaixa em ambos os casos: foi-nos apresentada por Jorah como uma história de amor saída direto das canções, e vilanizada como a mulher que deixou Jorah para ser uma concubina em Lys. Nas palavras de Jorah, ele odeia Lynesse, quase tanto quanto a ama. A história de Lynesse é definida por uma porção de tropes batidas; ela é a “Stunningly Beautiful” “Uptown Girl” / “Rich Bitch” “Distracted by the Luxury” até ela perceber que Jorah é “Unable to support a wife”. (Todos estes são explicados no tv tropes se você quiser ler mais.) Lynesse é basicamente uma encarnação da trope gold digger sem qualquer profundidade, sem qualquer subversão, sem aprofundar muito em Lynesse como pessoa. Mesmo que ela ainda esteja viva, mesmo que muitas pessoas ainda vivas conheçam-na e sejam capazes de nos dizer sobre ela como pessoa, elas não o fazem.
Alannys Greyjoy eu inclui pessoalmente no Clube das Senhoras Mortas porque sua personagem se resume a uma “Mother’s Madness” com pouco mais sobre ela, mesmo que, novamente, não esteja morta.
Quando eu incluo Lynesse e Alannys, cada região nos Sete Reinos de GRRM fica com pelo menos uma do CSM. Foi uma coisa que se sobressaiu para mim quando eu estava lendo pela primeira vez – quão distribuídas estão as mães mortas e mulheres descartadas de GRRM, não é só em uma Casa, está em todos os lugares da obra de GRRM.
E quando digo "em toda a obra do GRRM," eu quero dizer em todos os lugares. Mães mortas em segundo plano (normalmente no parto) antes de a história começar é um trope que GRRM usa ao longo de sua carreira, em Sonho Febril, Dreamsongs e Armageddon Rag e em seus roteiros para TV. Demonstra falta de imaginação e preguiça, para dizer o mínimo.
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PARTE III: QUEM NÃO SÃO ELAS?
Mulheres históricas e mortas há muito tempo, como Visenya Targaryen, não estão incluídas no Clube das Senhoras Mortas. Por que, você pergunta?
Se você for até o americano comum na rua, provavelmente será capaz de lhe dizer algo sobre a mãe, a avó, a tia ou alguma outra mulher em suas vidas que seja importante para eles, e você pode ter uma ideia sobre quem eram essas mulheres como pessoas. Mas o americano médio provavelmente não poderá contar muito sobre Martha Washington, que viveu séculos atrás. (Se você não é americano, substitua “Martha Washington” pelo nome da mãe de uma figura política importante que viveu há 300 anos. Sou americana, então este é o exemplo que estou usando. Além disso, eu já posso ouvir os nerds da história protestando - sente-se, você está nitidamente acima da média.).
Da mesma forma, o westerosi médio deve (misoginia à parte) geralmente ser capaz de lhe dizer algo sobre as mulheres importantes em suas vidas. Na história da vida de nosso mundo, reis, senhores e outros nobres compartilharam ou preservaram informações sobre suas esposas, mães, irmãs e outras mulheres, apesar de terem vivido em sociedades medievais extremamente misóginas.
Então, não estou falando “Ah, meus deus, uma mulher morreu, fiquem revoltados”. Não é isso.
Eu geralmente limito o CSM às mulheres que morreram recentemente na história westerosi e que tiveram suas humanidades negadas de uma maneira que seus contemporâneos do sexo masculino não tiveram.
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PARTE IV: POR QUE ISSO IMPORTA?
O Clube da Senhoras Mortas é formado por mulheres de até duas gerações passadas, sobre as quais devemos saber mais, mas não sabemos. Nós sabemos pouco mais além de que elas tiveram filhos e morreram. Eu não conheço essas mulheres, exceto através do fandom transformativo. Eu conheci muito sobre os personagens masculinos pré-série no texto, mas cânone não me dá quase nada sobre essas mulheres.
Para copiar de outra postagem minha sobre essa questão, é como se as Senhoras Mortas existissem na narrativa do GRRM apenas para serem abusadas, estupradas, parir e morrer para mais tarde terem seus semblantes imutáveis moldados em pedra e serem colocadas em pedestais para serem idealizadas. As mulheres do Clube das Senhoras Mortas não têm a mesma caracterização e evolução dos personagens masculinos pré-série.
Pense em Jaime, que, embora não seja um personagem pré-série, é um ótimo exemplo de como o GRRM pode usar a caracterização para brincar com seus leitores. Começamos vendo Jaime como um babaca que empurra crianças de janelas (e não me entenda mal, ele ainda é um babaca que empurra crianças para fora das janelas), mas ele também é muito mais do que isso. Nossa percepção como leitores muda e entendemos que Jaime é bastante complexo, multicamadas e cinza.
Quanto a personagens masculinos mortos pré-série, GRRM ainda consegue fazer coisas interessantes com suas histórias, e transmitir seus desejos, e brincar com as percepções dos leitores. Rhaegar é um excelente exemplo. Os leitores vão da versão de Robert da história, de que Rhaegar era um supervilão sádico, à ideia de que o que quer que tenha acontecido entre Rhaegar e Lyanna não foi tão simples como Robert acreditava, e alguns fãs progrediam ainda mais para essa ideia de que Rhaegar era fortemente motivado por profecias.
Mas nós não temos esse tipo de desenvolvimento de personagens com as Senhoras Mortas. Por exemplo, Elia existe na narrativa para ser estuprada e morrer, e para motivar os desejos de Doran por justiça e vingança, um símbolo da causa dornesa, um lembrete da narrativa de que são os inocentes que mais sofrem no jogo dos tronos. . Mas nós não sabemos quem ela era como pessoa. Nós não sabemos o que ela queria na vida, como ela se sentia, com o que ela sonhava.
Nós não temos caracterização do CSM, nós não temos mudanças na percepção, mal conseguimos qualquer coisa quando se trata dessas mulheres. GRRM não escreve personagens femininas pré-série da mesma maneira que ele escreve personagens masculinos pré-série. Essas mulheres não recebem espaço na narrativa da mesma forma que seus contemporâneos masculinos.
Pensa na Princesa Sem Nome de Dorne, mãe de Doran, Elia e Oberyn. Ela era a única governante feminina de um reino enquanto a geração Rebelião de Robert estava surgindo, e ela também é a única líder de uma grande Casa durante esse período cujo nome não temos.
O Norte? Governado por Rickard Stark. As Terras Fluviais? Governadas por Hoster Tully. As Ilhas de Ferro? Governadas por Quellon Greyjoy. O Vale? Governado por Jon Arryn. As Terras Ocidentais? Governadas por Tywin Lannister. As Terras da Tempestade? Steffon, e depois Robert Baratheon. A Campina? Mace Tyrell. Mas e Dorne? Apenas uma mulher sem nome, ops, quem diabos liga, quem liga, por se importar com um nome, quem precisa de um, não é como se nomes importassem em ASOIAF, né? *sarcasmo*
Não nos deram o nome dela nem em O Mundo de Gelo e Fogo, ainda que a Princesa Sem Nome tenha sido mencionada lá. E essa falta de um nome é muito limitante - é tão difícil discutir a política de um governante e avaliar suas decisões quando o governante nem sequer tem um nome.
Para falar mais sobre o anonimato das mulheres... Tysha não conseguiu um nome até o A Fúria dos Reis. Apesar de terem sido mencionadas nos apêndices do livro 1, nem Joanna nem Rhaella foram nomeadas dentro da história até o A Tormenta de Espadas. A mãe de Ned Stark não tinha um nome até surgir a árvore genealógica no apêndice da TWOIAF. E quando a Princesa Sem Nome de Dorne conseguirá um nome? Quando?
Quando penso nisso, não posso deixar de pensar nesta citação: "Ela odiava o anonimato das mulheres nas histórias, como se elas vivessem e morressem só para que os homens pudessem ter sacadas metafísicas." Muitas vezes essas mulheres existem para promover os personagens masculinos, de uma forma que não se aplica a homens como Rhaegar ou Aerys.
Eu não acho que GRRM esteja deixando de fora ou atrasando esses nomes de propósito. Eu não acho que GRRM está fazendo nada disso deliberadamente. O Clube das Mulheres Mortas, em minha opinião, é o resultado da indiferença, não de maldade.
Mas esses tipos de descuidos, como a princesa de Dorne, que não têm nome, são, em minha opinião, indicativos de uma tendência muito maior - GRRM recusa dar espaço a essas mulheres mortas na narrativa, ao mesmo tempo em que proporciona espaço significativo aos personagens masculinos mortos ou anteriores à série. Esta questão, em minha opinião, é importante para a teoria espacial feminista - ou as maneiras pelas quais as mulheres habitam ou ocupam o espaço (ou são impedidas de fazê-lo). Algumas acadêmicas feministas argumentam que mesmo os “lugares” ou “espaços” conceituais (como uma narrativa ou uma história) influenciam o poder político, a cultura e a experiência social das pessoas. Essa discussão provavelmente está além do escopo desta postagem, mas basicamente argumenta-se que as mulheres e meninas são socializadas para ocupar menos espaço do que os homens em seus arredores. Assim, quando o GRRM recusa o espaço narrativo para as mulheres pré-série de uma forma que ele não faz para os homens pré-série, sinto que ele está jogando a favor de tropes misóginas ao invés de subvertê-las.
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PARTE V: A MORTE DA MÃE
Dado que muitas dos CSM (embora não todas) eram mães, e que muitas morreram no parto, eu quero examinar este fenômeno com mais detalhes, e discutir o que significa para o Clube das Senhoras Mortas.
A cultura popular tende a priorizar a paternidade, marginalizando a maternidade. (Veja a longa história de mães mortas ou ausentes da Disney, storytelling que é meramente uma continuação de uma tradição de conto de fadas muito mais antiga da “aniquilação simbólica” da figura materna.) As plateias são socializadas para ver as mães como “dispensáveis”, enquanto pais são “insubstituíveis”:
Isto é alcançado não apenas removendo a mãe da narrativa e minando sua atividade materna, mas também mostrando obsessivamente sua morte, repetidas vezes. […] A morte da mãe é invocada repetidamente como uma necessidade romântica [...] assim parece ser um reflexo na cultura visual popular matar a mãe. [x]
Para mim, a existência do Clube das Senhoras Mortas está perpetuando a tendência de desvalorizar a maternidade, e ao contrário de tantas outras coisas sobre o ASOIAF, não é original, não é subversivo e não é boa escrita.
Pense em Lyarra Stark. Nas próprias palavras de GRRM, quando perguntado sobre quem era a mãe de Ned Stark e como ela morreu, ele nos diz laconicamente: “Senhora Stark. Ela morreu”. Não sabemos nada sobre Lyarra Stark, além de que ela se casou com seu primo Rickard, deu à luz quatro filhos e morreu durante ou após o nascimento de Benjen. É outro exemplo de indiferença casual e desconsideração do GRRM para com essas mulheres, e isso é muito decepcionante vindo de um autor que é, em diversos aspectos, tão incrível. Se GRRM pode imaginar um mundo tão rico e variado como Westeros, por que é tão comum que quando se trata de parentes femininos de seus personagens, tudo o que GRRM pode imaginar é que eles sofrem e morrem?
Agora, você pode estar dizendo, “morrer no parto é apenas algo que acontece com as mulheres, então qual é o grande problema?”. Claro, as mulheres morriam no parto na Idade Média em percentuais alarmantes. Suponhamos que a medicina westerosi se aproxime da medicina medieval - mesmo se fizermos essa suposição, a taxa em que essas mulheres estão morrendo no parto em Westeros é excessivamente alta em comparação com a verdadeira Idade Média, estatisticamente falando. Mas aqui vai a rasteira: a medicina de Westerosi não é medieval. A medicina de Westerosi é melhor do que a medicina medieval. Parafraseando meu amigo @alamutjones, Westeros tem uma medicina melhor do que a medieval, mas pior do que os resultados medievais quando se trata de mulheres. GRRM está colocando interferindo na balança aqui. E isso demonstra preguiça.
Morte no parto é, por definição, um óbito muito pertencente a um gênero. E é assim que GRRM define essas mulheres - elas deram à luz e elas morreram, e nada mais sobre elas é importante para ele. ("Senhora Stark. Ela morreu.") Claro, há algumas pequenas minúcias que podemos reunir sobre essas mulheres se apertarmos os olhos. Lyanna foi chamada de voluntariosa, e ela teve algum tipo de relacionamento com Rhaegar Targaryen que o júri ainda está na expectativa de conhecer, mas seu consentimento foi duvidoso na melhor das hipóteses. Joanna estava felizmente casada, e ela foi desejada por Aerys Targaryen, e ela pode ou não ter sido estuprada. Rhaella foi definitivamente estuprada para conceber Daenerys, que ela morreu dando à luz.
Por que essas mulheres têm um tratamento de gênero? Por que tantas mães morreram no parto em ASOIAF? Os pais não tendem a ter mortes motivadas por seu gênero em Westeros, então por que a causa da morte não é mais variada para as mulheres?
E por que tantas mulheres em ASOIAF são definidas por sua ausência, como buracos negros, como um espaço negativo na narrativa?
O mesmo não pode ser dito de tantos pais em ASOIAF. Considere Cersei, Jaime e Tyrion, mas cujo pai é uma figura divina em suas vidas, tanto antes como depois de sua morte. Mesmo morto, Tywin ainda governa a vida de seus filhos.
É a relação entre pai e filho (Randyll Tarly, Selwyn Tarth, Rickard Stark, Hoster Tully, etc.) que GRR dá tanto peso em relação ao relacionamento da mãe, com notáveis exceções encontradas em Catelyn Stark e Cersei Lannister. (Embora com Cersei, acho que poderia ser arguir que GRRM não está subvertendo nada - ele está jogando no lado negro da maternidade, e a ideia de que as mães prejudicam seus filhos com sua presença - que é basicamente o outro lado da trope da mãe morta - mas esta postagem já está com um tamanho absurdo e eu não vou entrar nisso aqui.)
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PARTE VI: O CSM E VIOLÊNCIA SEXUAL
Apesar de suas alegações de verossimilhança histórica, GRRM fez Westeros mais misógino do que a verdadeira Idade Média. Tendo em conta que detalhes sobre violência sexual são as principais informações que temos sobre o CSM, por que é necessária tanta violência sexual?
Eu discuto esta questão em profundidade na minha tag #rape culture in Westeros, mas acho que merece ser tocado aqui, pelo menos brevemente.
Garotas como Tysha são definidas pela violência sexual pela qual passaram. Sabemos sobre o estupro coletivo de Tysha no livro 1, mas sequer aprendemos seu nome até o livro 2. Muitas do CSM são vítimas de violência sexual, com pouca ou nenhuma atenção dada a como essa violência as afetou pessoalmente. Mais atenção é dada a como a violência sexual afetou os homens em suas vidas. Com cada novo assédio sexual que Joanna sofreu em razão de Aerys, sabemos que por meio de O Mundo de Gelo e Fogo que Tywin rachou um pouco mais, mas como Joanna se sentiu? Sabemos que Rhaella havia sido abusada a ponto de parecer que uma fera a atacara, e sabemos que Jaime se sentia extremamente conflituoso por causa de seus juramentos da Guarda Real, mas como Rhaella se sentia quando seu agressor era seu irmão-marido? Sabemos mais sobre o abuso que essas mulheres sofreram do que sobre as próprias mulheres. A narrativa objetifica, ao invés de humanizar, o CSM.
Por que os personagens messiânicos de GRRM têm que ser concebidos por meio de estupro? A figura materna sendo estuprada e sacrificada em prol do messias/herói é uma trope de fantasia velha e batida, e GRRM faz isso não uma vez, mas duas (ou possivelmente três) vezes. Sério, GRRM? Sério? GRRM não precisa depender de mães estupradas e mortas como parte de sua história trágica pré-fabricada. GRRM pode fazer melhor que isso, e ele deveria. (Mais debates na minha tag #gender in ASOIAF.)
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PARTE VII: SACRIFÍCIO MASCULINO, SACRIFÍCIO FEMININO E ESCOLHA
Agora, você pode estar se perguntando: "É normal que os personagens masculinos se sacrifiquem, então por que as mulheres não podem se sacrificar em prol do messias? O sacrifício feminino não é subversivo?”
Sacrifício masculino e sacrifício feminino muitas vezes não são os mesmos na cultura popular. Para resumir - os homens se sacrificam, enquanto as mulheres são sacrificadas.
As mulheres que morrem no parto para dar à luz o messias não são a mesma coisa que os personagens masculinos fazendo uma última grande investida com armas em punho para dar ao Herói Messiânico a chance de Fazer A Coisa. Os personagens masculinos que se vão com armas fumegantes em mãos escolhem esse destino; é o resultado final da sua caracterização fazer isso. Pense em Syrio Forel. Ele escolhe se sacrificar para salvar um dos nossos protagonistas.
Mas mulheres como Lyanna, Rhaella e Joanna não tiveram uma escolha, não tiveram nenhum grande momento de vitória existencial que fosse a ápice de seus personagens; eles apenas morreram. Elas sangraram, elas adoeceram, elas foram assassinados - elas-apenas-morreram. Não havia grande escolha para se sacrificar em favor de salvar o mundo, não havia opção de recusar o sacrifício, não havia escolha alguma.
E isso é fundamental. É isso que está no coração de todas as histórias do GRRM: escolha. Como eu disse aqui,
“Escolha […]. Esta é a diferença entre bem e mal, você sabe disso. Agora parece que sou eu que tenho que fazer uma escolha” (Sonho Febril). Nas palavras do próprio GRRM, “Isso é algo que se vê bem em meus livros: Eu acredito em grandes personagens. Todos nós somente capazes de fazer grandes coisas, e de fazer coisas ruins. Nós temos os anjos e os demônios dentro de nós, e nossas vidas são uma sucessão de escolhas.” São as escolhas que machucam, as escolhas em que o bom e o mal são sopesados – essas são as escolhas em que “o coração humano [está] em conflito consigo mesmo”, o que GRRM considera “a única coisa que vale a pena escrever sobre”.
Homens como Aerys, Rhaegar e Tywin fazem escolhas em ASOIAF; mulheres como Rhaella não têm nenhuma escolha na narrativa.
GRRM acha que não vale a pena escrever sobre as histórias do Clube das Senhoras Mortas? Não houve nenhum momento na mente do GRRM em que Rhaella, Elia ou Ashara se sentiram em conflito em seus corações, em nenhum momento eles sentiram suas lealdades divididas? Como Lynesse se sentiu escolhendo concubinato? E sobre Tysha, que amou um garoto Lannister, mas sofreu estupro coletivo nas mãos da Casa Lannister? Como ela se sentiu?
Seria muito diferente se soubéssemos sobre as escolhas que Lyanna, Rhaella e Elia fizeram. (O Fandom frequentemente especula sobre se, por exemplo, Lyanna escolheu ir com Rhaegar, mas o texto permanece em silêncio sobre este assunto mesmo em A Dança dos Dragões. GRRM permanece em silêncio sobre as escolhas dessas mulheres.)
Seria diferente se o GRRM explorasse seus corações em conflito, mas não ficamos sabendo de nada sobre isso. Seria subversivo se essas mulheres escolhessem ativamente se sacrificar, mas não o fizeram.
Dany provavelmente está sendo criada como uma mulher que ativamente escolhe se sacrificar para salvar o mundo, e acho isso subversivo, um esforço valoroso e louvável da parte da GRRM lidar com essa dicotomia entre o sacrifício masculino e o sacrifício feminino. Mas eu não acho que isso compensa todas essas mulheres mortas sacrificadas no parto sem escolha.
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PARTE VIII: CONCLUSÕES
Espero que este post sirva como uma definição funcional do Clube das Senhoras Mortas, um termo que, pelo menos para mim, carrega muitas críticas ao modo como a GRRM lida com essas personagens femininas. O termo engloba a falta de voz dessas mulheres, o abuso excessivo e fortemente ligado ao gênero que sofreram e sua falta de caracterização e arbítrio.
GRRM chama seus personagens de seus filhos. Eu me sinto como essas mulheres mortas - as mães, as esposas, as irmãs - eu sinto como se essas mulheres fossem crianças natimortas de GRRM, sem nada a não ser um nome em uma certidão de nascimento, e muito potencial perdido, e um buraco onde já houve um coração na história de outra pessoa. Desde os meus primeiros dias no tumblr, eu queria dar voz a essas mulheres sem voz. Muitas vezes elas foram esquecidas, e eu não queria que elas fossem.
Porque se elas fossem esquecidas - se tudo o que havia para elas era morrer - como eu poderia acreditar em ASOIAF?
Como posso acreditar que “a vida dos homens tem significado, não sua morte” se GRRM criou este grupo de mulheres meramente para ser sacrificado? Sacrificado por profecia, ou pela dor de outra pessoa, ou simplesmente pela tragédia em tudo isso?
Como posso acreditar em todas as coisas que a ASOIAF representa? Eu sei que GRRM faz um ótimo trabalho com Sansa, Arya e Dany e todos os outros POVs femininos, e eu o admiro por isso.
Mas quando a ASOIAF pergunta, “o que é a vida de um garoto bastardo perante um reino?” Qual é o valor de uma vida, quando comparada a tanta coisa? E Davos responde, suavemente, “Tudo”… Quando ASOIAF diz que… quando a ASOIAF diz que uma vida vale tudo, como as pessoas podem me dizer que essas mulheres não importam?
Como posso acreditar em ASOIAF como uma celebração à humanidade, quando a GRRM desumaniza e objetifica essas mulheres?
O tratamento dessas mulheres enfraquece a tese central da ASOIAF, e não precisava ser assim. GRRM é melhor do que isso. Ele pode fazer melhor.
Eu quero estar errada sobre tudo isso. Eu quero que GRRM nos conte em Os Ventos do Inverno tudo sobre as escolhas de Lyanna, e eu quero aprender o nome da Princesa Sem Nome, e eu quero saber que três mulheres não foram estupradas para cumprir uma profecia da GRRM. Eu quero que GRRM sopre vida dentro delas, porque eu o considero o melhor escritor de fantasia vivo.
Mas eu não sei se ele fará isso. O melhor que posso dizer é eu quero acreditar.
[...]
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2019.06.23 18:27 rubnesio Top 10 melhores(PIORES) cenas MARCANTES do livro As Crônicas de Arian Vol.1, com CLÍMAX, SEM CENSURA e versão SURTADA, sem nenhum revisor

A review COMPLETA foi postada aqui: Link
Depois de muitos incentivos de amigos e do pessoal do Twitter, li finalmente a obra do Youtuber Marco Abreu, publicada ano passado, 2018, em versão digital. Admito não ter ido com expectativas positivas do que esperar. O autor já demonstra limitações textuais no seu blog pessoal, quanto a posts mal escritos e um vocabulário muito limitado, cheio de vícios de linguagens e erros ortográficos. Mesmo tendo essa noção, fui surpreendido (negativamente) por um produto literário de conteúdo horrível, preguiçoso e de péssima qualidade.
Primeiro, um “pequeno” resumo do livro:
Resumo da história
Sinopse: “Um garoto acordou sem suas memórias perto de uma estrada do Sul. Com ele, apenas uma espada em condições ruins, mas com propriedades anormais. Ajudado por uma família, e depois por membros de uma guild, ele logo constatou que todos que ficavam perto dele acabam sofrendo, e se isolou.
Felizmente, ele nunca estava sozinho, uma fantasma, estava sempre a seu lado. Nos seus momentos mais felizes, e nos mais tristes, ela sempre estava lá para apoiá-lo. E com ela, ele seguiu, em busca de um sentido para sua vida, e respostas para os mistérios que o cercavam.
Um dia, finalmente conseguiu uma forma de obter respostas sobre si mesmo, ao entrar em uma missão, que, teoricamente, era para ser simples. Mas a missão não era o que aparentava. O que começou como uma escolta, virou algo sem precedentes na história do seu mundo.”
Se você leu a sinopse acima, a impressão que fica é: o livro vai contar a história do Arian nessa missão, em busca do seu passado perdido, enfrentando perigos ao longo do caminho, correto? E se eu disser que a história PRINCIPAL só começa depois do capítulo 20, onde ½ do livro são arcos periféricos que não agregam em nada a narrativa? Pois então...Vou tentar ser muito sucinto nessa parte, até para não alongar muito o texto, que já está grande para um caralho.
Começamos o livro com um arco de apresentação. Até aí tudo bem, porque é o que se espera do começo de um livro. Introduzir os seus personagens antes da grande aventura que irão enfrentar. E a sinopse dá entender que iria começar o capítulo introdutório com o passado do protagonista após acordar na beira da estrada. Então...não é bem assim que acontece de fato.
O primeiro arco começa em um bar, a partir da visão do segurança(???) do local, com seus pensamentos descritos pelo narrador do livro (a escrita é em terceira pessoa). Você já começa a torcer o nariz com aquele mundo, graças a inserção de vários conceitos avulsos e perdidos que não condiz muito com a realidade relatada. Aquele universo lembra muito o período medieval/feudos da nossa história antiga/idade média. Porém, o que nos foi apresentado é um mundo em que temos:
· Um sistema militar hierárquico e organizado, onde temos patente e divisão de funções bem definidas.
· A função/emprego de segurança em locais privados como bares(não são militares e sim pessoas normais sem treinamento específico).
· Sistema econômico complexo (conceitos avançados) , com noções de valores e mercado financeiro (só faltou citar a inflação no livro).
Entre diversas coisas, que geram certa estranheza e uma bagunça dentro das próprias regras estipuladas nas descrições. Vamos relevar por enquanto essa confusão de ideias prosseguir com o livro.
Voltando ao resumo, esse primeiro arco é basicamente uma forma de apresentar a GRANDE FORÇA “OCULTA” que o Arian tem no quesito podeforça. E qual a situação que o autor escolhe para demonstrar isso? Uma cena de ESTUPRO 🤦‍♂️(já vou abordar esse assunto mais para frente). Tudo se passa com uma MEIA-ELFA (enfatizo a palavra, porque é a motivação principal do Arian são essas mestiças inter-raciais), junto com o segurança (namorado dela), em que ambos são atacados por militares MALDOSOS e SÁDICOS (adjetivos usados a exaustão para todos os vilões desse primeiro livro). São salvos pelo protagonista aparecendo no momento previsível e oportuno. Depois do resgate, o Arian parte para outra jornada. Acabou o primeiro e nisso, já foram seis capítulos do livro. Enfim, um arco ruim e tosco que só serviu para apresentar três personagens que são de fato úteis: o Arian, o Cavaleiro Negro que o auxilia no resgate e na batalha (falo mais sobre ele depois), e da (nome da fantasma que está na sinopse e esquecida pelo autor por quase todo livro).
Em seguida, temos um segundo arco cheio de clichês até no talo. Um TORNEIO DE COMBATE está acontecendo, com a óbvia participação do Arian, é claro. Para quem vivia reclamando de histórias shounen, são mais dos mesmos, criança como protagonista, e sei lá mais o quê, o próprio Marco utilizar a mesma estrutura de uma competição/torneio como arco seguinte da introdução, semelhante a Dragon Ball, Naruto, Black Clover, entre outros mangás famosos de porrada, é no mínimo esquisito, bizarro, para não dizer contraditório. E somos apresentados a mais três personagens no final do campeonato: Marko, Kadia (ela consegue ler as mentes das pessoas a sua volta) e Dorian que farão parte da party dele.
Já se foi quase 20 capítulos até aqui de 44 presentes no livro vol. 1. Estou perto da metade do livro e quase nada da sinopse foi citada ou trabalhada no enredo? Sim. Exatamente esse sentimento que fiquei conforme lia o livro. É uma enrolação que não chega a lugar nenhum, falando em termos de história que está sendo contada. Foi uma introdução GIGANTESCA e INFLADA para aparentar que o livro é rico em detalhes ou informações (que não é verdade), elevando o número de páginas sem uma boa justificativa para tamanha demora em entrar na trama principal. Parece um trabalho acadêmico e escrito por um universitário preguiçoso, que tinha um número de páginas mínimas para fazer, só que ele não estudou suficiente para isso, e enrolou preenchendo com dados inúteis para alcançar os requisitos exigidos para a entrega e avaliação.
Mas agora parecia que ia entrar na trama da MISSÃO IMPORTANTE dita na sinopse. Mais personagens foram introduzidos e dava a impressão que agora ia para o rumo central, do que supostamente o livro devia contar. Só que não é isso que acontece. A Kadia, personagem que citei anteriormente, decide ler a mente do Arian e temos MAIS TRÊS CAPÍTULOS SOBRE O PASSADO DO PROTAGONISTA. Tipo, já se passaram mais de vinte capítulos e não começou a missão principal ainda??? Sim. É isso mesmo. Mais uma fuga do tema para contar mais alguma história paralela sem função para o enredo principal. (Se fosse no Enem, era zero certeza)
Resulta que temos um terceiro arco sobre o passado do Arian, após ele acordar na beira estrada com a . Prefiro não detalhar esse trecho, porque dos supostos três capítulos que servem para desenvolver o Arian e o que aconteceu com ele, dois desses capítulos são dedicados exclusivamente a descrever cenas de ESTUPRO com muito “entusiasmo”. Nada do que é esperado de um arco que apresenta o background do personagem principal, foi feito aqui. Foram capítulos inúteis que só tinham o propósito de CHOCAR. Até existe uma tentativa elaborar um conflito interno do Arian, só que é jogado fora completamente, porque no presente(em relação ao livro), ele não sofre mais com essa indecisão mostrada nesse trecho. Mais tempo perdido de leitura.
E finalmente, depois de três histórias pouco produtivas, chegamos no quarto arco que é a missão de escoltar a Lara e um objeto poderoso. Já passou metade do livro, e a jornada só começou ali. Tranquilo. Parece que vai engrenar. E vou lendo, e lendo, e mais lendo e nada de interessante acontece. Não é exagero. São vários capítulos deles cavalgando e dialogando entre si, enfrentando uns bandidos fracos, conversando mais um pouco, portais bidimensionais abrem e sugando tudo ao redor(???), personagens se salvam do perigo, conversam mais ainda do que antes...São 8 capítulos dessa forma, onde não temos coisas acontecendo ou eventos que movimentam a trama. É só eles indo por uma estrada até seu destino.
Talvez, até o autor deve ter percebido isso, que o livro estava ficando chato, coisa e tal. Então, ele decidiu deixar as coisas mais EMPOLGANTES. E qual foi a tática que ele usou para movimentar a trama? Colocar mais ESTUPROS. Né...Insinuar estupros com crianças de 6 anos de idade não choca mais como antigamente(sendo irônico aqui).
Temos mais lutas para defender as MEIAS-ELFAS do destino cruel que é a escravidão e os abusos sexuais, mais poder “oculto” do protagonista, mais Cavaleiro Negro (ele surge do nada em diversos momentos do livro) na jogada e termina a batalha sem grandes consequências para ninguém.
Não satisfeito, o autor foge novamente da trama principal e insere uma side-quest, em que o Arian e a Lara vão fazer, com o objetivo de matar os mortos vivos que estão na floresta daquela região próxima. A missão que é mencionada como a PARTE A MAIS IMPORTANTE do enredo que modificaria o mundo, e que iria mudar o Arian para SEMPRE, foi novamente jogada para escanteio e o foco se voltou para uma parada nada a ver.
Nem sei se classifico como quinto arco, ou capítulos de fillers essa missão secundária, porque nada o que ocorre nesses capítulos, tem grande relevância ou repercussão nos personagens ou movimenta trama, dita como a central. É mais um jeito de enrolar e esticar uma história que podia ser contada em poucas páginas. Para acelerar o processo de resumir o livro, o arco é uma missão que começa fácil, complica a situação, aparece Goblins, rola MAIS ESTUPROS (Goblin Slayer manda um abraço), eles lutam com milhares de Goblins, são salvos por uma deusa que não apareceu em nenhum momento anteriormente no livro (Deus Ex Machina fudido), e voltam para o grupo principal para completar a missão. É isso tudo que acontece nessa missão. Temos mais algumas informações (inúteis) sobre o passado do Arian e só.
Percebi que está terminando o livro. Faltam menos de cinco capítulos e pensei: Assim que vai terminar? Vou complementar o meu apanhado dizendo que, desde do capítulo 37 até o 43, só são lutas durante toda a narrativa. Porque mesmo voltando para o grupo principal, a cidade em que estavam todos da party do Arian, sofria uma invasão liderada pelo Cavaleiro Negro. Sim! Aquele mesmo Cavaleiro que salvou o Arian em vários momentos do livro anteriormente. E descobrimos que esse Cavaleiro Negro era o melhor amigo do protagonista na época em que ele estava na Guilda da cidade que se hospedaram.
O que era para ser uma reviravolta de roteiro ou um plot-twist, acaba se tornando uma situação vazia, já que esse suposto amigo do Arian, aparece em duas páginas no máximo do livro e não é estabelecido esse suposto vinculo de confiança entre os dois. Só mais uma situação jogada ali para nada. E novamente, seguindo o padrão de resumo do livro: lutas acontecem, vários personagens aparecem, mais lutas, mais pessoas surgem do nada, mais lutas com descrições confusas, mais gente que aparecem do nada, lobisomens que podem se transformar em URSOS(???), gente voando para trás, se dissipando, humanos normais, (vocês vão entender o que foi isso mais adiante no texto), mais lutas, mitologia grega e nórdica, dragões bidimensionais, portais pandimensionais, deuses aparecendo do nada, mais lutas, pessoas (a party do protagonista) sendo salvas no último minuto por personagens aleatórios, mais Deus Ex Machina ali, mais lutas, mais um pouco de Deus Ex Machina que não foi o bastante...enfim. Foi uma mistureba de eventos, que aquele mundo caracterizado no inicio do livro, nem se parece mais com o que foi descrito no final. Tudo é inserido ali a moda caralho, sem trabalho de construir algo coeso e que seja factível para existência desses elementos naquele universo.
Logo após essa lambança, o último capítulo (44) é dedicado exclusivamente a explicações (que já deviam ter sido feitas nos capítulos anteriores) e informações que eram necessárias (ou não) para dar base a estrutura daquele mundo no livro. Mas imaginem por um segundo, vocês lendo uma monografia cientifica, em que o texto daquele documento, foi feito por completo no dia anterior às pressas pelo autor. Pois é. Nas crônicas do Arian, coisas são simplesmente ditas no final e que devemos aceitar porque o autor está dizendo. Foda-se que não faz sentido, ou que não foi estipulado anteriormente, ocasionando a impressão de “termina de qualquer jeito, porque não é um capítulo de luta”. Foda-se tudo que é importante para construir uma boa história.
E temos finalmente o epílogo, em que o Marco tenta fazer um “joguinho com leitor”, escrevendo sete mini histórias que ocorrem antes dos acontecimentos do livro, sem a menção dos nomes dos personagens principais durante a escrita, para que o LEITOR TENTE adivinhar “A QUEM PERTENCE AQUELE PASSADO”. O resultado é algo idiota porque, você utilizando um pouco lógica e a técnica de exclusão de opções, você já sabe quem é quem nesse epílogo medíocre. É uma tentativa fracassada de tentar terminar o livro de uma forma diferente do comum. Se não consegue nem fazer o básico, não inventa.
Comentários Gerais:Erros de português
Já esperava uma qualidade questionável quanto a escrita do livro, principalmente voltado a parte gramatical e semântico de forma geral, porém fiquei surpreso o que li(Sou horrível em português e ainda sim fiquei chocado). Primeira coisa a ser apontada foi a presença de 3 REVISORES para a publicação. Tem editoras grandes que nem conseguem duas pessoas para revisar os textos publicados em seus livros/mangás/revistas...imagina 3 pessoas para revisar algo. E quanto mais gente melhor, não é mesmo? Errado. Mesmo tendo distintas pessoas revisando a redação literária, incluindo o próprio autor que afirma ter revisado diversas vezes seu próprio texto, o livro ainda apresenta erros ortográficos gritantes. E não são poucos. São MUITOS. Chegando ao absurdo de ter mais de três erros grotescos na mesma frase. Contei 934 erros em 384 páginas, incluindo a parte dos agradecimentos, que também continha deslizes gramaticais. (Cheguei a contar até certo ponto certinho, mas me perdi na contagem, deixando passar outros erros sem adicionar no montante. Aposto que passa de mais de mil erros, sem exageros).
A variedade dos erros vai de frases começarem no plural, mudarem para o singular e voltarem para o plural (vice-versa) incorretamente, conjugação dos verbos nos tempos errados, ausência de acentos nas palavras, o uso excessivo das vírgulas em diversos momentos e da falta delas em outros (passa a noção que o Marco não sabe utilizar as vírgulas):
“...governava aquela área, e habitava, normalmente, um castelo, na maior cidade...”
É um exemplo de vários trechos semelhantes que o livro apresenta.
No entanto, esses não foram os destaques do conjunto de ERROS. Teve uma coisa que chamou mais a minha atenção: as repetições de palavras dentro de um pequeno trecho. Fica a dica para qualquer um, aspirante a escritor, que a diversidade do vocabulário é muito importante em um livro, para deixar a leitura mais natural e “fluída” para o leitor que irá consumir sua produção, tenha a experiência mais agradável possível enquanto ler seu produto. É tão bom ler linhas de um texto em que a narrativa é envolvente não só pela história sendo contada, como as palavras que estão sendo utilizadas para transcrever os cenários imaginados. É muito prazeroso.
Contudo, no livro do Marco, as restrições dos conhecimentos do autor em termos ou sinônimos de várias palavras, deixa a leitura truncada, cansativa e nada convidativa a continuar lendo, porque o leitor fica exausto por ter que parar a leitura e reler diversos trechos do livro, na tentativa de entender o que está acontecendo ali. Nas descrições das lutas, é um show de horrores. Como um autor tem a coragem de escrever uma luta dessa forma:
“Desvia, bloqueia, desvia, bloqueia, desvia, desvia...”.
É um cheat isso??? É um Fatality do Scorpion do Mortal Kombat??? Sei lá o que seja isso. DESCREVA A LUTA CARAMBA!
Ele adora muito a utilização de vários vocábulos. Gosta tanto, que utiliza diversas vezes a mesma palavra, e na mesma frase inclusive: “...fazendo com seu CORPO seja jogado para trás, abrindo diversas feridas em seu CORPO....eram muitos CORPOS caídos ali”. E nem é só a palavra “corpo” que ele repete direto. ”Mudando de assunto”, “Falando nisso”, “sendo jogado para trás”, “dissipou”, “capuz”, “bracelete”, “sádico”, “humanos normais”, “arremessado”, “vários metros para trás”, “força do golpe”, “chances de isso acontecer”(é quase o vídeo dele de chances de nova temporada de um anime qualquer)...tenho uma lista enorme de palavras que se repetem múltiplas vezes em diferentes trechos do livro. Destaque para os “humanos normais”, que parece ser a única métrica comparativa que o autor conhece para estipular um comparativo entre os níveis de poder dos personagens. “Ele é tão forte, que sua força é equivalente à de 5 humanos normais”, “Ela quebrou o escudo do seu adversário, que aguentaria a força de mais de 10 humanos normais.”, ”...aquele guerreiro aparentava ter a força de 8 humanos normais.”, seja lá o que for a força de um HUMANO NORMAL naquele mundo. Além de ser um comparativo vazio, já que a dimensão de forças é baseada em humanos (sendo que eles são humanos do nosso mundo, ou são humanos com outros fatores mágicos? não diz ou fica claro) que não foi detalhada ou descrita no livro, fazendo com que o leitor tenha que completar diversas lacunas deixadas pelo autor, em ambientar de forma mais clara, o que CARALHOS acontece ali. Falando em lacunas...
Personagens
Sou grande fã de desenvolvimento de personagens. Aprecio tanto, que diversas obras audiovisuais que curto, tem esse apelo ou essa característica marcante durante sua exposição dos eventos. E ler esse livro, onde TODOS OS PERSONAGENS SÃO UNIDIMENSIONAIS, me dá uma preguiça inacreditável.
– O protagonista está numa peregrinação em busca de salvar meias-elfas, levando-as para cidade prometida. E tem o passado do protagonista. – Alguém fã dele vai dizer.
Sim, temos o objetivo moral dele de resgatar as meias-elfas e do Arian que está buscando recuperar suas memórias perdidas. Mas e quando ele tem acesso a esses fragmentos importantes sobre sua história, o que acontece? NADA. O personagem não cresce ou se desenvolve de nenhuma forma ao saber dessa informação. Nem impacto ao redor é sentido quando coisas acontecem ou são reveladas. Todos os personagens são apresentados de um jeito e terminam o livro da mesma forma. Não temos arcos de construção, nem mudanças no status quo de alguém. Não temos nenhuma mensagem querendo ser passada durante a leitura, nem construção decente de interesses românticos aqui (coisa supervalorizada pelo autor).
Sabem os animes haréns, em que o protagonista sem graça, consegue atrair diversas gurias (as mais atraentes da região) para serem possíveis namoradas dele no decorrer da temporada? Então...acontece a mesma coisa nesse livro. Personagem apelão, não bonito, misterioso, CAPAZ DE ESPANCAR UMA MULHER QUEBRANDO SUA PERNA E BRAÇO (aconteceu no torneio), tem o seu CHARME para as personagens femininas dessa obra. Parece simplista? Com certeza é. Esqueça das camadas de personalidades que os humanos têm. Quanto mais clichê e simples for o personagem, melhor. Não interessa que o Arian gosta de meias-elfas (loiras, olhos azuis, corpo chamativo), nem dessa busca do próprio passado, ou do trauma que a Kardia tem com a morte da figura paterna dela. Nada ameniza a péssima construção de personagens, principalmente das femininas.
E falando nas personagens femininas do livro...
A banalização do estupro (e da violência geral com as mulheres do livro)
Já comento que não sou purista ou coisa parecida. Não me importo que tenha cenas de estupros ou de violências extremas com personagens femininas nos animes, filmes, novelas, seriados, ou outras formas de entretenimento. Sou critico quando essa situação é usada para BOSTA NENHUMA (SÓ PARA CAUSAR). Antes de começar a descer a lenha NESTA PORRA DESSE LIVRO (eu estava calmo, mas aqui não dá...), vou devolver qualquer replica ou contra-argumentos que possa vir sobre a minha opinião com apenas três perguntas. Essas três perguntas, é um teste básico (famoso) para ver se alguma obra utiliza a ferramenta do ESTUPRO de forma NÃO SEXUAL ou BANALIZADA:
  1. O estupro ocorre do ponto de vista da vítima?
  2. Essa cena de estupro, ela possui proposito de desenvolvimento da personagem em vez da trama ou narrativa?
  3. O abalo emocional da vítima é desenvolvido depois?
Se por acaso, durante a execução desse teste, houve UM NÃO como resposta para qualquer uma das três perguntas, podem ter certeza que a cena em questão, foi escrita só para CHOCAR de FORMA GRATUITA o espectador ou o LEITOR. Então, posso dizer que o livro do Marco Abreu, é uma síntese da MISOGINIA redigida em formato literário. É um NÃO para as três perguntas acima com facilidade, analisando o livro como todo e a representação dessas cenas que são mostradas.
Conforme eu ia lendo, não me chocava com o fato acontecendo em si, e sim da forma que foi descrita toda a violência. Primeiro de tudo, todas as 6 cenas de estupros do livro (sim, em apenas um VOLUME, temos tudo isso da utilização de artificio), ocorrem a partir da visão do Arian, personagem masculino. Já começa totalmente errado. Segundo, os estupros só tem a finalidade de servir como fator motivacional do protagonista para agir contra os agressores. As vitimas são deixadas de lado, para exaltação do feito heroico do nosso protagonista, HOMEM, em salvá-las do perigo. Terceiro, depois que são violentadas, as personagens NÃO APARECEM MAIS NO LIVRO. ELAS SOMEM. NÃO HÁ DESENVOLVIMENTO PARA ELAS E NEM CITAÇÕES POSTERIORES EM OUTROS CAPÍTULOS. Fica na mensagem: “Mais uma donzela é salva. Vamos para a próxima em perigo.”. É muito ruim isso. Quarto ponto, o EXAGERO NAS DESCRIÇÕES quando é uma mulher na cena, em comparação a um homem sendo agredido da mesma forma. Dou até um exemplo. No flashback do Arian, rola estupro da mãe e da filha de uma família que o acolheu quando ele perdeu as memorias. Mas o que aconteceu com o PAI da família? É simples. O vilão desse flashback tem “senso de justiça” e antes de começar a torturar as duas, ele vira para o pai e diz: “Você é muito bonzinho para ver o que vai acontecer daqui para frente”. Facada no coração dele e morre o HOMEM da família. Em um parágrafo, o pai é morto e o vilão, por ALGUM MOTIVO, executou o pai em vez de TORTURA-LO, terminando por aí a violência contra ele. Mas para AS OUTRA DUAS NÃO FOI ASSIM. É nojento, porque foram páginas e páginas de violência contra as duas, com as maiores descrições possíveis (da melhor maneira que o Marco consegue descrever algo), desde de dentes quebrados no soco, facada na perna junto com assinatura do agressor na barriga da vítima com uma espada, fratura no braço, estrangulamento, estupro, morte... É um capitulo inteiro dedicado a isso. Serve para alguma coisa??? PARA NADA. Só serve para chocar ou punheta do leitor (talvez do autor também, não descarto a possibilidade).
E quem dera se fosse só nessas cenas polêmicas. Até nas lutas, o lado “SADISTA” do autor aflora quando tem mulher na parada. “Ele toma uma espadada nas costas e cai morto no chão”, para o caso masculino. Simples e rápido. Agora para o outro gênero: “A espada perfura sua armadura atingindo seus peitos, com o agressor torcendo a bainha, fazendo com que a espada destrua seus órgãos internos, jorrando sangue e agonizando em dor. Ela tenta proteger seu amado enquanto é agredida em seu rosto por socos.” no caso feminino. Detalhado e exagerado. Tenho minhas dúvidas se ele não faz isso de proposito por causa de um rancor amoroso que ele teve no passado.
Também tem a forma que é introduzida todas as personagens femininas no livro. É de ficar batendo cabeça na parede de arrependimentos por ainda continuar lendo isso. “Kadia, com cabelos longos (tara do autor) e pretos, corpo escultural...”, “Lara, loira, olhos azuis, um corpo que chama a atenção dos demais homens enquanto passa.”, “Joanne, mesmo dentro de sua armadura(???), dava para ver sua beleza incomparável a de outras mulheres normais, com um corpo que exalta beleza.”. Já deu para sacar que o primeiro atributo descrito das personagens femininas nesse livro é seu corpo ou beleza. Supostamente, de acordo com o autor, temos personagens femininas fortes no livro. Só que o “forte” para o Marco é no quesito físico, porque NENHUMA DELAS tem características marcantes ou independentes a figura masculina. Nem no teste de Bechdel, as personagens passam. É idiota e superficial. Fica parecendo que estou lendo uma fanfic escrita por um adolescente de 12 anos que nunca interagiu com alguém do sexo oposto.
E puxando o assunto interações...
Diálogos
Aqui fiz um seção especifica para o desastre total que o autor faz pensando que isso seja um dialogo normal entre duas pessoas. Tem muitas conversas nessa história, até demais por sinal. Vai desde de diálogos expositivos onde os dois personagens sabem da informação ou o que está acontecendo, e mesmo assim verbalizam a situação explicando novamente o que houve, para até diálogos dignos de animes ecchi genéricos lançados por aí no Japão. Chega ao absurdo de ficarem três páginas inteiras discutindo sobre qual a raça de cavalo é mais rápida. PARA que quero saber isso?
No entanto, a parada que mais me irritou é a falta de naturalidade na fala de cada personagem. Explico o que eu quero dizer. Quando temos o conhecimento de como os personagens são, como adjetivos, vícios, problemas, comportamento, e outras partes que compõem a persona deles, adquirimos a noção de como o personagem irá falar. Se for tímido, ele vai falar pouco e ocasionalmente na história. Talvez até pausadamente, pensando duas vezes antes de se pronunciar. Se for extrovertido, vão ser linhas e linhas de falas dele, com uma desenvoltura mais solta ao se expressar e verborrágico ao extremo. São exemplos simples e fáceis de entender.
No livro do Marco não se tem isso. Todo mundo fala igual e da mesma maneira. Não há distinção entre um e outro. Se a narração não identificar quem está falando o que, você fica perdido durante a discussão. Apesar da ficha de descrição de cada um dos personagens ser uma linha única, na teoria são todos distintos entre um e outro. Entretanto, quando vão conversar, todos aparentam serem as pessoas mais racionais e calculistas do universo. Pensam demais, teorizam demais, explicam demais:
“Você é muito impaciente Lara. Não se precipite ao atacar”.
Duas linhas depois:
“Devemos atacar a caverna pelo lado direito, discretamente, e aguardar, até os Goblins saírem de perto das prisioneiras, derrubando um por um, assegurando a situação das mulheres – disse LARA”.
A mesma personagem que na teoria é a IMPACIENTE do grupo, arma um plano, calcula probabilidade, é fria/apática ao que está vendo, e tem toda a calma do mundo para explicar um plano para outros personagens sem partir para ignorância de uma vez. As personalidades de todos são iguais, sem distinção alguma. É algo nítido, visto o linguajar extremamente informal e racional que todos assumem na maior parte do tempo.
Em suma, se você já viu vídeos do Marco, vai perceber maneirismos, vícios de expressões e vestígios da personalidade dele nas falas dos personagens do livro. É praticamente o leitor acompanhando um grupo de personagens iguais ao Marco da vida, conversando entre um e outro, sendo os mais prolixos ao falarem, realizando uma missão de escolta para uma cidade qualquer.
Referencias (ou plágios???)
Referencias não é algo ruim. De maneira nenhuma. Muitas excelentes obras, partem de sua ideia inicial de outras histórias já contadas anteriormente. Ter algo para inspirar na sua criação, é bom para sua produção e desenvolvimento.
Não posso dizer que o livro do Arian fez isso de forma “saudável”. Apesar de apresentar algum diferencial em sua estrutura, têm muitos elementos copiados de outros animes ou filmes bem descarados. Desde do passado do Arian, ser extremamente parecido com a do Goblin Slayer, à personagens serem muitos parecidos com obras favoritas do autor, como Akame Ga kill, SAO, Tate no Yuusha,...Tudo é muito familiar, chegando ao ponto de deixar todos os eventos do livro previsíveis. Cheguei a tuitar enquanto lia o livro, chutando o que iria acontecer mais para frente e quase todas as vezes eu acertava o que ocorria, porque tudo era manjado. No momento em que você já assistiu a maioria dos animes citados acima, tudo parece mais do mesmo. A história contada aqui, não tem identidade própria.

Fiz uma seção especial para a personagem, para fazer uma simples pergunta. QUEM É ?
-Ué, mas você não leu o livro?
Li, e é por isso que surgiu a minha dúvida. Ela SUPOSTAMENTE é importante para o protagonista e RELEVANTE para o enredo do livro, conforme citada na sinopse. Então, por que ela não faz NADA durante o livro? Ela serviu para alguma coisa, além de ser um “alivio cômico” em momentos pontuais? Não é atoa que ela é um fantasma, já que ela é invisível até mesmo para o autor que esquece de mencionar ou narrar o que ela está fazendo. Ela só é lembrada quando o Arian está abraçando alguma mulher, e ela faz cara de emburrada (piada de comédia romântica) ou quando o PROTA está ferido gravemente, e ela tem o semblante de preocupação. Só nessas ocasiões que lembram que ela existe e que precisa interagir com a situação. Fica ainda mais crítico depois que começa a batalha dos Goblins. Um quarto do livro ela some, mesmo tendo sido dito que a fica grudada com o Arian 24 horas por dia. Nem citada o que está acontecendo ao redor dela ocorre durante as descrições das lutas. Ela é totalmente descartável nesse primeiro volume. Ela estar ali ou não, faz diferença nenhuma para o enredo. E que nome é esse? É uma tag HTML?
Mais alguns detalhes incomodativos
Vou fazer uma lista para agilizar, até porque já passou de 4 mil palavras e estou tentando colocar tudo nesse texto, o que eu não curti durante a minha experiencia de leitura das Crônicas de Arian.
· A tara do protagonista com Meias-Elfas (alvos primários dos estupros no livro). A justificativa é porque elas não são puras no quesito racial e vivem na margem da sociedade. Porém, só acontece a desgraça com elas. Os MEIOS-ELFOS nem citados são, os coitados.
· Duas páginas escritas para inserir a informação de que bosta de cavalo serve para espantar os Goblins do local, e isso não ser utilizado para nada até final do volume. Foi só encheção de linguiça.
· A alternância de visões dos personagens no foco narrativo entre os capítulos. Não fazia diferença se o capítulo era na visão do Arian ou da Kardia, ou do Dorian, ou da Lara. Tudo levava para o mesmo resultado, sem ter nenhum tipo de aprofundamento enquanto fazia esse tipo abordagem.
· A utilização de palavras pouco usuais da língua portuguesa. Ele ia de uma escrita informal, para formal, depois para cientifica, e seguida voltava para informal. E vários momentos que ele empregava termos mais complexos, de maneira totalmente errada. Se não se garante nem no básico, não arrisca no difícil.
· “Chances baixas de ganharmos.”, “Ele tem chances baixas de vencer”, “As chance são baixas de sobreviver”...era um saco isso a toda hora. Parecia que estava vendo um vídeo do Marco de “Chances de nova temporada para anime tal”.
· As frases filosóficas baratas: “Não tenha medo de errar, repita até ficar melhor, e saiba admitir a derrota.”, “A morte não te ensina nada. Mas se permanecer vivo, pode aprender com seus erros e saber como ganhar da próxima vez”, “Confie em mim, entendo de mulheres, se não se impor um pouco, ela nunca vai te ver como homem. Agora vai lá e joga umas verdades na cara dela, e não aceita um não como resposta”. E são muitas frases. Todas idiotas e nada fica de aprendizagem delas.
· As regras econômicas daquele mundo. Você ganha 100 moedas de bronze por dia trabalhado. Com 10 moedas de bronze não é possível nem comprar um pão, porém com cinquenta moedas, dá para comer bem durante o dia todo(???). Não foi afirmação minha, está descrito no livro. Além de nenhuma noção de economia, o real valor das moedas é um foda-se gigante. Se não tem condições de elaborar um sistema monetário decente, não menciona.
· As insinuações sexuais com crianças. Há cinco momentos no livro que isso acontece e é complicado. De novo, quando aparece isso, você fica refletindo o motivo de continuar lendo o livro.
· O esquema de “pagamentos”. É igual Darker Than Black (quando ativa o poder, tem que fazer algo em troca), só que aqui é pior. A Kadia tem o pagamento de se masturbar(???). O Marko, personagem, tem que transar para fazer o pagamento. A Lara vira uma LOLI (linda, de acordo com livro) como pagamento. Só coisas escrotas e sem função narrativa. Eles não podiam só ficar exaustos quando utilizassem muita mana? Tinha que ter essa mecânica de pagamento?
· O código de barra da missão. Maluco chega numa vila ISOLADA, longe da cidade e me mete essa: “Viemos pela missão 568844EW” WHAT??? QUE BAGULHO É ESSE? É uma chave única de acesso a algum banco de dados? É senha de segurança de cartão de crédito? É a senha automática gerada no caixa eletrônico quando você vai sacar dinheiro? Que negócio ATUAL. Eles estão em um mundo MEDIEVAL, onde não tem comunicação ou troca de informações em tempo real, porém cada missão criada no planeta inteiro, vai ter uma ID única, referente ao local que foi estipulada, e vai valer para todas as cidades, ao mesmo tempo? Como eles validam isso? Que controle eles têm, sendo que não tem um servidor para fazer essa operação? QUE PORRA FOI ESSA?
· Há duas menções, bem rápidas, ao homossexualismo no livro inteiro. A primeira foi durante o primeiro estupro, onde o chefe/vilão do momento se vira e fala para seu capanga: “Você não gosta de homem? Vai se divertir com o segurança desmaiado”. Momento seguinte, o Arian chega e mata todo mundo. Segunda menção foi uma piada que soltaram no quarto arco: “Se fosse um menino de seis anos, aí deveríamos ficar preocupados”. O dialogo se refere a um amigo do Arian, gay, que recebeu a missão de escoltar uma garota de seis anos para a cidade prometida. Basicamente, a imagem de pedófilo/estuprador pode ser associada aos gays por tabela, junto com a mensagem de preconceito sendo passada. NADA machista e preconceituoso. IMAGINA. Só é IMPRESSÃO.
Conclusão
Já dá para notar que não vou recomendar o livro a ninguém. Principalmente, partindo do principio que ele está sendo cobrado para ser adquirido legalmente. Tem no site também, mas a forma comercial está valendo para essa comparação que estou fazendo aqui.
Existem muitos problemas nesse livro, e vários desses poderiam ter sido facilmente resolvidos se tivesse alguém, ou algum editor que confrontasse o autor, demonstrando onde precisa ser melhorado, apontando onde é necessária uma reescrita, tentar novas abordagens na história, etc. Porque parece que o editor é um limitador, censurador, que restringe a criatividade do autor, sendo que na maioria das vezes, ele está tentando ajudar o escritor a organizar melhor suas ideias e sugerindo melhores formas de coloca-las no papel.
A ausência desse tipo de pessoa nessa publicação independente, é muito sentida. O livro é uma bagunça. A ideia central da história está perdida num montante de conceitos jogados ali de qualquer forma, personagens sem desenvolvimentos adequados, repetições de conflitos ou de problemas enfrentados pelo grupo principal (estupros), a falta de preparo e de revisão ortográfica que atrapalha demais a leitura, a falta de originalidade para que transformasse o livro em um diferencial entre os demais, e o principal problema que é a falta de noção dos próprios defeitos que o Marco tem como escritor. Os comentários dele no final do livro deixa nítido a situação. Ele admitir que escreve mal não é o bastante. Durante todo o volume 1, não percebi nenhuma melhora ou tentativa de mudanças. Parece que está falando só dá boca para fora, mas não está fazendo nada para corrigir esse defeito. Só treinar escrevendo, não ajuda em nada. Tem que estudar sobre o assunto, se aprofundar em conceitos de como construir uma boa história, ler outros tipos de livros, memorizar as regras da língua portuguesa (muito importante para ele) e não só ter a noção/consciência dos defeitos, e ainda assim continuar repetindo eles durante a escrita do livro.
Não recomendo ninguém a comprar ou ler o livro As crônicas de Arian volume 1. Nem por diversão vale o tempo.
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2019.04.18 06:42 trafans Assexualidade

Vejo que mesmo aqui pouco se fala sobre esse assunto. Mais algum assexual por aí? Ou alguém querendo aprender?
O que é assexualidade? Bom, não há um entendimento único e universal, mas no geral entende-se como a ausência de atração sexual ou a falta de interesse em práticas sexuais com outras pessoas (não decorrente de problemas médicos, psiquiátricos, reações a medicamentos, etc.).
O que não é assexualidade? Como dito, consequências de transtornos (como transtorno do desejo sexual hipoativo) ou tratamentos médicos (antidepressivos são conhecidos por afetar a libido), celibato ou abstinência sexual (que são atos voluntários, muitas vezes motivados por questões religiosas), frescura/medo de sair do armário como homo/uma fase/falta de conhecer a pessoa certa/trauma/não ter feito um sexo bom/etc (falar que é "uma fase" é o maior clássico).
Quantos assexuais existem? O mais comum é ouvir que 1% das pessoas são assexuais. Na famosa Escala de Kinsey, 1,5% dos homens foram considerados como categoria X (sem reações ou contatos socio-sexual), mas não se considerava a atração sexual em si. Em pesquisas mais recentes, Anthony Bogaert chegou ao número de 1% de pessoas que não sentiam atração sexual na Grã-Bretanha. No Brasil, uma pesquisa da Folha de 2010 aponta 7% das pessoas com nenhum interesse em sexo. Porém grande parte desse número eram viúvos, o que dificulta a interpretação dos dados nesse sentido.
Como assexuais podem ser felizes sem sexo? Simples, não dá pra sentir falta do que você não sente haha
Sobre atrações sexual, romântica e física: Ao não sentir atração sexual ou não querer fazer sexo com outras pessoas, mas ainda sim se apaixonar ou se sentir atraído aos outros de alguma forma, foi necessário distinguir o que a maioria das pessoas engloba numa única coisa. Pois veja, a ideia prevalente é de que as 3 coisas andam juntas: achar o corpo/rosto de alguém bonito, a vontade de transar com a pessoa e a vontade de ficanamoracasar. Claro que ninguém vai sentir vontade de casar com todo mundo que achar bonito, mas a ideia que se tem de gostar de alguém envolve, a princípio, as 3 coisas. Como diria Rita Lee, "amor sem sexo é amizade". Até que surgem aqueles que gostam (ou amam), mas sem sexo. Diante dessa aparente contradição, foi necessário discretizar as coisas, de onde esses conceitos se fazem úteis. De modo geral, pois cada pessoa sente de um modo diferente, a atração sexual seria a vontade, ou o desejo, de fazer sexo com alguém. A atração romântica seria a pura paixão, ou o desejo de se ter uma relação íntima com alguém. E a atração física, o mero sentimento de achar alguém bonito, desde aquela segunda olhada ao ver a pessoa até ficar excitado. Sim, uma coisa acaba influenciando a outra, mas são 3 sentimentos distintos. Dentro dessa perspectiva, assexuais só não sentem a atração sexual, podendo, assim, achar outras pessoas fisicamente atraentes e/ou se apaixonando, ou querer estar em um relacionamento.
Sobre libido: Dentro dessa perspectiva sexual, a libido (ou desejo) aparece como a vontade de satisfazer essa atração sexual com alguém. Assim, pode parecer contraditório um assexual ter libido. O que diferenciaria do conceito comum é a parte de estar "direcionada" a alguém, nesse caso estando contida em si, digamos. Desse jeito muitos assexuais ficam excitados e se masturbam, mas acaba aí, não tem a necessidade de envolver outra pessoa diretamente.
Sobre espectros, intensidade, área cinza e porquê "a" não é exatamente o oposto de "hétero/homo/bi/pan": A diferença entre hétero/homo/bi/pan está na relação do sexo/gênero entre as pessoas envolvidas, assim tem-se um espectro homo-hétero em polos opostos, com bi/pan englobando os dois lados. Mas um assexual simplesmente não está nessa escala, pois elas tratam de por quem se sente atração, não o quanto se sente, ou ainda, assexuais não sentem, enquanto o resto sente. Daí nasce o espectro assexual-sexual. É muito comum o termo allosexual, que representa quem não é assexual, mas "a" tem o sentido de negação também, o que leva a "não-não-sexual", eliminando a dupla negativa chega-se a "sexual". Voltando ao espectro, agora sim é algo mais coerente com o sentir e o não-sentir. De um lado quem sente, do outro lado quem não sente. Da própria natureza dos espectros, há algo entre dois polos, e esse algo foi conceituado como o que não se encaixa na assexualidade de forma "estrita", mas que aparentemente não está na mesma intensidade que quem está na sexualidade "plena". Por exemplo, alguém que passa meses ou até anos sem sentir atração sexual - ao mesmo tempo que a pessoa não é totalmente assexual, ainda tem uma sexualidade, mas mais "sutil" que a maioria das pessoas no lado sexual. Dessa consideração entre assexualidade-área cinza-sexualidade, surge a própria bandeira assexual. O preto, o cinza, o branco e o roxo. O roxo como cor da comunidade.
Sobre atrações primária, secundária e demis: Dentro do universo gray o caso mais conhecido são os demissexuais. Sentir atração após formar um forte laço afetivo. Na busca por mais conceitos que explicassem os comportamentos associados à atração, chegou-se a essa ideia de duas atrações distintas. A primária é aquela sentida imediatamente. A aparência, o cheiro, uma troca de olhares, um toque, uma cantada... tudo o que leva um até então desconhecido a ser atraente se encaixa. A secundária é a que vem com o tempo, através da amizade, carinho, confiança, admiração, comprometimento... Não é por todas as pessoas próximas que um demissexual vai sentir atração, mas é uma condição básica, de modo que com um desconhecido simplesmente não existe essa atração. Quanto tempo esse laço emocional leva para se formar? Não existe um tempo mínimo ou máximo. Pode ser questão de um mês, pode ser questão de um ano. Ou mais, ou menos. Não dá para predizer.
Duas matérias sobre para quem quiser ler mais: TAB - Assexuais (UOL) e Quem são os assexuais: relatos de brasileiros que não se interessam por sexo (BBC). E a tese de doutorado "Minha vida de ameba": os scripts sexo-normativos e a construção social das assexualidades na internet e na escola, da recém-falecida Elisabete de Oliveira, maior pesquisadora do assunto no Brasil. Bônus: Elisabete no programa "Gabi Quase Proibida" - Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4.
OBS: Faltou tempo, ainda vou escrever mais, mas podem contribuir ou fazer perguntas.
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15 coisas românticas para fazer para o seu namorado ...

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Porém não possuem a motivação para fazer todos os dias E o fato é que o problema é esperar por motivação para poder fazer as coisas na mente da maioria das pessoas que querem conquistar ... A maioria das mulheres que pensam em voltar com o ex, e porque ele fazia ela gozar e você não, pode ter certeza. Faça ela gozar e ela vai ficar gamada. Contato: [email protected] Como a maioria das pessoas, ela estava sujeita a muitas proibições escolares para coisas normais, como conversar durante o almoço ou usar roupas coloridas. Aqui está um macete que ela usou ... Pesquise por doutores e mestres no assunto para obter as informações corretas. Esse critério garante que, no mínimo, a pessoa tenha se dedicado a estudar a respeito. A Dona Maria está de volta para responder mais algumas perguntas, porém hoje ela não está tão braba por ter que fazer vídeo! Badin uploaded a video 3 months ago 4:14 A maioria das coisas na vida dela estão ótimas, exceto por um problema: ela sempre se atrasa para TUDO. Ela entende que a culpa disso é só dela e de mais ninguém, mas pra falar a verdade, ela ... A mulher também observa o visual, porem na maioria das vezes, antes de uma mulher transar com um homem, ele precisa ter uma boa conversa com ela. Ou seja, se ele não souber conversar ...