Graças-me mais tarde que significa

I. Deus espera o pecador, a fim de que se corrija. Quando vê, porém, que o tempo que lhe é dado para chorar os pecados, só serve para os multiplicar, esse mesmo tempo será chamado a depor contra ele (1): isso é, o tempo concedido e as misericórdias recebidas servirão para fazer castigar o pecador com mais rigor e para o entregar mais cedo ao abandono. Boa tarde! Mais um lindo dia por aqui, e mais um dia que levanto Feliz!!! Fé, muita fé em MODE ON. Ontem, a tarde fui a Clínica fazer o Primeiro Us de acompanhamento pós início de Indução. Comecei a indução na terça feira, as 12 horas: 200ui de Puregon + Menopur 75 (dois medicamentos, duas picadas por vez) Na quarta novamente. Eu reconheço que eu, apesar de ter recebido todos os dons da graça do Espírito Santo no sacramento, através da consagração sacerdotal que me indigna de um participante do sacerdócio ministerial de Cristo, eles são – e, sem dúvida, eles são – apenas um pobre tolo que não entende nada de ação de graças, -me dizer-se que o Sr ... Vencestes a dureza do meu coração e me levastes a amar-vos e a confiar em vós. Ai! Em que abismo de males teria caído mais tarde, se com vossa mão piedosa não me tivésseis auxiliado tantas vezes nos perigos em que tenho estado próximo a cair! Continuai a livrar-me do inferno e primeiramente do pecado que para lá me pode levar. Se você sonho de Ação de Graças, em seguida, ele indica que a conexão que você tem com sua família, amigos e parentes. A Ação de Graças é o dia de todo mundo ficar juntos por uma mesa. O amor e outros sentimentos positivos são expressos em relação àqueles que estão rodeados por. Por outro lado, o sonho poderia mostrar a necessidade de que para alguém em sua vida de vigília. Que significa sonhar com a imagem de nossa senhora das graças? Significado de a imagem de nossa senhora das graças na resultados da pesquisa:. Dicionário dos Sonhos - interpretação de sonhos com a imagem de nossa senhora das graças. & significado dos sonhos com a imagem de nossa senhora das graças.Cerca de 291 resultados em dicionário de sonhos, onde você pode encontrar o símbolo ... CD MICHELLE NASCIMENTO BATALHA CONTRA O MAL 2013 DOWNLOAD GRÁTIS - baixar e ouvir grátis Michelle Nascimento - Batalha Contra o Mal postado em 25/09/, e que já está com Downloads e Plays!. CD GOSPEL MICHELLE NASCIMENTO BATALHA CONTRA O MAL BAIXAR - O Noivo quer levar você Desperta. Desperta Michelle Nascimento 8. Cronograma para Total Consagração à Santíssima Virgem Maria: Novembro 2019 Salve Maria Puríssima! Sabendo que muitos desejam se consagrar e que precisam de cronogramas detalhados para a etapa de preparação e exercícios espirituais, iniciei o trabalho de fazer cronogramas para as datas marianas de cada mês. Portanto, não deixe de se consagrar ou renovar a sua consagração seguindo o ... Você sente que os obstáculos não te permitem avançar? Eu compartilho a oração da chave de São Expedito para abrir caminhos. Qualquer que seja seu problema, trate-se de saúde, dinheiro ou amor, São Expedito, patrono das causas justas e urgentes, pode te ajudar se você invocá-lo com muita fé. An icon used to represent a menu that can be toggled by interacting with this icon.

Problemas que eu vejo na esquerda e na direita brasileira e porque ideologia política é um inferno.

2020.07.20 21:35 Braconomist Problemas que eu vejo na esquerda e na direita brasileira e porque ideologia política é um inferno.

Boa tarde pessoal, só queria deixar uma exposição pessoal minha e levar à cabo uma discussão sobre alguns problemas que eu vejo quando se discute política no Brasil.
Antes de iniciar o assunto queria que conhecessem mais sobre o autor que a vocês se dirige:
Faço graduação em Ciências Econômicas, no momento tenho 20 anos, porém estudo esse assunto desde os 14 anos. Já tive os meus tempos de libertário, me apaixonando por Milton Friedman e Mises. Hoje, com bastante estudo, não sou mais defensor ferrenho dessa ideologia. Também já cheguei a me enamorar com alguns ideais comunistas, tentando tratar da maneira mais imparcial qualquer tipo de informação e discussão sobre os regimes atuais e do passado porque existe uma enorme quantidade de propaganda desde quem é favor desses sistemas e desde quem é contra. Atualmente eu me considero Anarco-Sindicalista, declaro-me assim, para esses fins de discussão, de o porque eu acho que, idealismo político, até mesmo o meu próprio, é uma desgraça e um desserviço a um progresso social estável.
Tendo em vista essa introdução pessoal, veja aí uma exposição de alguns problemas que eu encontro várias vezes no debate político no Brasil. Vamos começar criticando a direita aqui, mas relaxem que também irei fazer várias críticas ao pessoal de esquerda (caso prefira, pode pular essa parte e ir direto para as críticas de esquerda e depois voltem aqui e leiam as de direita).
Principais problemas que eu vejo em pessoas de direita é:
Não entendem muitas vezes a realidade da maioria dos trabalhadores no Brasil. Simplesmente acham que caso retirem os direitos trabalhistas, com o argumento de reduzir custos para o empresário e empregador, o trabalhador irá tirar alguma vantagem disso. Isso é objetivamente errado apenas pelo fato de que hoje, infelizmente, o trabalhador no Brasil, em sua maioria, não consegue negociar a sua mão-de-obra, apenas aceita o salário que lhe é dado e pronto.
Trabalhador no Brasil é pobre, não tem dinheiro para lazer porque todo o seu salário vai para moradia e alimentação, o que significa que hoje a maioria da população vive uma condição de subsistência, dependem do seu emprego para ter coisas mínimas como comida e casa para morar. Isso cria uma relação de dependência que impossibilita o trabalhador de negociar e lutar por salários melhores por si próprio, por isso o argumento de que "o funcionário irá negociar com o patrão livremente" é apenas um atestado de que a pessoa não conhece as atuais relações trabalhistas no Brasil.
Privatização de estatais e de serviços com importante função social. Muitos não reconhecem que algumas estatais o objetivo não é o lucro e sim a função social. Não entendem como funciona demanda inelástica e acham que o setor privado é objetivamente melhor para resolver qualquer problema fora segurança pública. Quer ver um exemplo de alguns tipos de serviços onde a privatização só piora? Saneamento de água. É um problema crônico que afeta o Brasil há décadas e acham que o fracasso do estado em lidar com isso de maneira eficaz é prova de que empresas privadas lidariam melhor com a situação. A realidade é que o saneamento de água é algo onde a demanda é extremamente inelástica, o que significa que o consumidor é apenas tomador de preço, ficando às graças do ofertante do serviço, criando outra relação de dependência. Outro ponto para o saneamento de água é que o setor privado só irá atender áreas onde há a possibilidade de realização de lucro, o que leva a dizer que muitas áreas e casas no Brasil ficariam ao relento porque não há sentido econômico expandir o saneamento para essas áreas, algo que não é um problema caso o principal objetivo dessa atividade seja a função social e não o lucro.
Em ponto ainda com serviços com importante função social, muitos de direita não entendem algo que eu chamo de "multiplicadores econômicos", cada real investido nessa área, o retorno social é bem maior (não sei se existe termo técnico para esse tipo de coisa). Alguns setores estratégicos como energia elétrica, distribuição de água, educação e saúde são exemplos de multiplicadores econômicos. Cada real investido nesses setores, o retorno para sociedade é bem maior. O cidadão brasileiro só consegue exercer a sua cidadania plena caso tenha acesso de qualidade a esses serviços. Essa questão também está relacionada ao fato da emancipação do trabalhador, caso tivesse acesso pleno a essas coisas e garantia de sua continuação, poderiam lutar melhor pelo valor da sua mão de obra.
As pessoas de direita tem que aceitar que falhas de mercado existem, e há certos setores onde o benefício social leva a uma maior liberdade econômica e um maior empreendedorismo caso sejam garantidos para todos.
Por fim, libertários e anarco-capitalistas simplesmente não entendem falhas de mercado. Já fui um e posso dizer com muita propriedade que eles tem uma fé suprema de que a única solução para qualquer coisa é um mercado e fecham os olhos para qualquer situação onde a existência de um mercado em determinado setor causa mais malefícios até mesmo para outros setores.
Principais problemas que eu vejo em pessoas de esquerda é:
Investir no Brasil, seja para investidor interno e externo é uma desgraça. A burocracia no Brasil para abrir uma empresa, principalmente se você for microempreendedor, é desgastante e desmotivante para qualquer pessoa. Muitos de esquerda simplesmente não reconhecem isso porque tomam como exemplo apenas empresas grandes e solidificadas. Alguns demonizam qualquer empreendedor, acham que o cara é o diabo por ter capital e abrir empresa em qualquer lugar. E realmente, pessoal ser trabalhador no Brasil é horrível, mas se a gente não mudar esse inferno que é empreender no Brasil, essas empresas que já estão consolidadas apenas se tornarão mais consolidadas, piorando ainda mais a situação do trabalhador brasileiro uma vez que elas terão maior controle sobre a demanda de mão de obra. Isso realmente cria uma oneração para qualquer empreendedor e reduz a criação de empresas no Brasil, empresas essas que poderiam estar gerando produção, através da produção conjunta do trabalhador e da tecnologia investida pelo capital do empresário e tirar a gente desse lamaçal que estamos desde 2013.
Há um sério problema no funcionalismo público brasileiro, é crônico a má administração do orçamento público no Brasil e o pessoal de esquerda simplesmente não aceita isso. Defendem com unhas dentes qualquer serviço público, não aceitam críticas de empresas públicas por princípios do serviço social que a empresa oferta. Nem mesmo a da Caixa Econômica Federal, que deve ser a empresa pública mais ineficaz em seu serviço (O que não significa que ela deve ser privatizada).
Outro problema que eu vejo é o idealismo político, que também afeta muito pessoal de direita (vide os apoiadores do Bolsonaro), mas acho que é um problema maior na esquerda que já existia muito mesmo antes do Bolsonaro se tornar alguém relevante na política. Acham o capitalismo um sistema desgraçado, odeiam qualquer tipo de capital, até mesmo do pequeno empresário. E não obstante de que seja um sistema sócio-econômico com vários problemas que foram originados por ele, tivemos muitos benefícios também gerados pelo capitalismo e a galera simplesmente não aceita isso porque causa de doutrina marxista mesmo. Fazem um modelo na cabeça deles que o mundo tinha que ser dessa ou daquela forma e não se importam com o meio para atingi-lo. Não vim aqui demonizar Karl Marx (longe disso, é meu autor de Ciências Econômicas favorito), mas tem muita gente da esquerda que trata as palavras do homem como gospel evangélico e xingam de porco capitalista e fascista qualquer um que discorda dessa ideologia, criando aquele problema do "menino e o lobo" que quando realmente surge um porco capitalista ou um fascista, as palavras já perderam o sentido e ninguém acredita mais. Isso causa um entrave político gigante. Sinceramente, esse tipo de coisa só fortalece discurso político do outro lado, inclusive foi uma das pautas utilizadas por Bolsonaro em sua eleição.
Conclusão:
Por fim, queria aqui declarar que idealismo politico é uma desgraça. As pessoas adotam um sistema sócio-econômico como seu favorito e rejeitam qualquer tipo de diálogo com o outro lado. Algo que vem criando bastante polarização política no Brasil e É UM PROBLEMA CAUSADO PELOS DOIS LADOS.
Infelizmente, ser de direita agora muitas vezes é estar associado à imagem do Bolsonaro, que é, como um ser humano, um fascista (o governo em si não, mas ele como pessoa é).
É óbvio que eu deixei vários aspectos de argumentos utilizados pelos dois lados de fora uma vez que o post já é enorme e dá pra escrever um livro sobre esse assunto de polarização política por causa de idealismo. Por isso a discussão nos comentários é bem-vinda, aceito de bom-grado qualquer crítica honesta as minhas colocações e venho aqui tentar iniciar um processo de "despolarização".
Reconheço que o governo do Bolsonaro foi e está sendo um fracasso em vários aspectos, os maiores problemas do Brasil como a desigualdade social e de renda simplesmente deixaram de ser discutidos nesse governo. Os problemas urgentes que o Brasil tem em vários setores da economia não são levados em consideração desse governo porque o próprio ministro da economia é um banqueiro Chicago Boy que quer fazer as coisas baseadas em princípio e não reconhece a realidade da maioria dos brasileiros. Colocar banqueiro para ser ministro da economia é o mesmo que colocar a raposa para cuidar do galinheiro.
Que tal se olharmos o Brasil de uma maneira objetiva e a gente tentar trabalhar para melhorar ele para todos?
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2020.07.17 04:50 clathereum2 Contardo Calligaris, "Cartas a um jovem terapeuta", cap. IV, 2007

"Caro amigo,
Você me perguntou: 'O que faço, se me apaixono por uma paciente?'. E lhe respondi laconicamente: 'Será que é uma questão urgente?'. Você replicou: 'Desde o começo de minha formação, pratico (só de vez em quando, não se preocupe) um devaneio em que curo milagrosamente uma moça emudecida por sua loucura e, lógico, nos amamos para sempre.' Depois disso, decidi levar sua pergunta a sério.
Talvez você se lembre de que, na minha primeira carta, falei um pouco da admiração, do respeito, e, em geral, dos sentimentos que destinamos às pessoas a quem pedimos algum tipo de cura para nossos males.
Comentei que era bom que fosse assim, pois esses afetos facilitam o trabalho de um terapeuta. E acrescentei que isso é especialmente verdadeiro no caso da psicoterapia, com a exceção de que, neste caso, espera-se que o encantamento se resolva, acabe um dia. Sem isso, a psicoterapia condenaria o paciente a uma eterna dependência afetiva.
Repare que, às vezes, sentimentos negativos, como o ódio, permitem e facilitam o trabalho psicoterápico, tanto quanto o amor. Mas é certo que o amor é a forma mais comum dos sentimentos cuja presença assegura o começo de uma psicoterapia. Ou seja, é muito frequente que um/uma paciente se apaixone por seu terapeuta.
A psicanálise deu a essa paixão um nome específico: amor de transferência. O termo sugere que o afeto, por mais que seja genuíno, sincero e, às vezes, brutal, teria sido “transferido”, transplantado. Ele se endereçaria ao terapeuta por procuração, enquanto seu verdadeiro alvo estaria alhures, na vida ou na lembrança do paciente. Você já deve ter ouvido mil vezes: o amor de transferência, grande ou pequeno, é a mola da cura.
Primeiro, ele possibilita que a cura continue apesar dos trancos e dos barrancos. Segundo, ele permite ao paciente viver ou reviver, na relação com o terapeuta, a gama de afetos e paixões que são ou foram também dominantes em sua vida; essa nova vivência, aliás, é a ocasião de modificar os rumos e o desfecho dos padrões afetivos que, geralmente, assolam uma vida, repetindo-se até o enjôo. Terceiro, ele pode, às vezes, ser o argumento de uma chantagem benéfica: o paciente pode largar seu sofrimento por amor ao terapeuta, para lhe oferecer um sucesso, para ganhar seu sorriso, para fazê-lo feliz. Esse terceiro caso apresenta alguns inconvenientes óbvios: o paciente que melhorar por amor a seu terapeuta nunca se afastará dele, pois parar de amar seria para ele largara razão pela qual se curou, ou seja, voltar a sofrer como antes ou mais ainda.
Você deve também ter ouvido mil vezes que um/uma terapeuta não pode e não deve aproveitar-se do amor do paciente ou da paciente. Você pode ter carinho e simpatia por seu/sua paciente, mas transformar a relação terapêutica em relação amorosa e sexual é mais do que desaconselhado.
Por quê?
Nota: para simplificar, no que segue, falarei do terapeuta no masculino e da paciente no feminino. Mas o mesmo vale seja qual for o sexo do terapeuta e seja qual for o sexo do paciente, incluindo os casos em que esse sexo é o mesmo.
Um argumento que é usado tradicionalmente para justificar essa interdição é o seguinte: o afeto que uma paciente pode sentir por seu terapeuta é fruto de uma espécie de quiproquó. O terapeuta não é quem a paciente imagina. A situação leva a paciente a supor que seu terapeuta detenha o segredo ou algum segredo de sua vida e que, graças a esse saber, ele poderá entendê-la, transformá-la e fazê-la feliz. Ou seja, a paciente idealiza o terapeuta, e quem idealiza acaba se apaixonando.
Conclusão: o apaixonamento da paciente é um equívoco. E não é bom construir uma relação amorosa e sexual sobre um equívoco. Se paciente e terapeuta se juntarem, a coisa, mais cedo ou mais tarde, produzirá, no mínimo, uma decepção e, frequentemente, uma catástrofe emocional, pois a decepção virá de um lugar que pode ter sido idealizado além da conta.
Esse argumento, na verdade, vale pouco. Explico por quê: a paixão de transferência é, de fato, igual a qualquer outra paixão. Em outras palavras, os amores da vida são fundados num qüiproquó tanto quanto os amores terapêuticos. Quando nos apaixonamos por alguém, a coisa funciona assim: nós lhe atribuímos qualidades, dons e aptidões que ele ou ela, eventualmente, não têm; em suma, idealizamos nosso objeto de amor. E não é por generosidade; é porque queremos e esperamos ser amados por alguém cujo amor por nós valeria como lisonja. Ou seja, idealizamos nosso objeto de amor para verificar que somos amáveis aos olhos de nossos próprios ideais.
Então, se o amor de transferência não é muito diferente de qualquer amor, será que está liberado? Pois é, não está liberado: há outros argumentos contra, e são de peso; eles não se situam do lado do paciente (cujo amor é bem parecido com um amor verdadeiro), estão do lado do terapeuta.
Por que um terapeuta toparia a proposta amorosa de uma paciente? Por que ele se declararia disponível e proporia um amor quase irrecusável a uma paciente já seduzida pela situação terapêutica? Há três possibilidades.
1) A primeira é perfeitamente explicada no auto-de-fé do ex-presidente Clinton, quando, em suas memórias recentemente publicadas, ele narra e tenta entender seu famoso envolvimento com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinski. Com notável honestidade e capacidade analítica, Clinton não justifica seus atos pelo transporte da paixão, mas declara que ele se deixou seduzir ou (tanto faz) que ele seduziu Lewinski simplesmente 'porque podia'. Ele acrescenta (admiravelmente) que, de todas as razões possíveis, essa é a pior, a mais condenável.
'Transar porque pode' não significa só transar porque é fácil, porque o outro é acessível. Significa transar pelo prazer de poder. É como se a gente gostasse de bater em enfermo porque isso dá a sensação de ser forte.
O consultório do terapeuta tomado por essa fantasia se transforma num templo (ou num quarto de motel), em que as pacientes são chamadas a participar de ritos que celebram a potência do senhor.
Esse abuso dos corpos produz estragos dolorosos, porque ele se vale de uma oferta generosa de amor: “Posto que você me ama, ajoelhe-se”. É uma situação próxima à ‘ do abuso de uma criança, quando os adultos que ela ama e em quem confia se revelam sedentos de demonstrar sua autoridade pelas vias de fato, na cama ou a tapas.
Invariavelmente, o terapeuta deslumbrado pela descoberta de que ele 'pode' agir do mesmo modo com as pacientes com quem ele transa e com aquelas com quem ele não transa. A fantasia de abuso invade todo seu trabalho terapêutico, ou seja, ele não analisa nem aconselha, ele dirige e manda, pois ele goza de e com seu poder.
2) Mas há terapeutas, você me dirá, que se apaixonam mesmo por uma paciente e até casam. Concordo. Aliás, essa é a segunda possibilidade.
O curioso é que, em regra, os analistas que se apaixonam pelas pacientes que os amam são recidivistas. Eles se casam com várias pacientes, uma atrás da outra. Um psicanalista famoso, de tanto casar com pacientes, ganhou o apelido 'Divã, o Terrível'.
Conheço as desculpas: a gente trabalha duro e não tem tempo para sair na noite, onde a gente encontraria uma companheira? Afinal, não é banal que as pessoas encontrem suas metades no ambiente de trabalho? Além disso, o terapeuta se apaixona por alguém que ele conhece (ou imagina conhecer) muito bem; essa não é uma garantia da qualidade de seus sentimentos? Pode ser. Mas resta uma dúvida, que se torna quase certeza à vista da repetição.
Esses psicoterapeutas ou psicanalistas que se juntam com verdadeiras séries de pacientes devem ser tão cativos da situação terapêutica quanto suas pacientes. Explico. A paciente se apaixona porque tudo a leva a idealizar seu terapeuta. O terapeuta deveria saber que é útil que seja assim, mas também deveria saber que, de fato, sua modesta pessoa não é o remédio milagroso e definitivo que curará os males de sua paciente. Ora, é provavelmente disto que ele se esquece. O terapeuta, seduzido pela idealização de sua pessoa, como o corvo da fábula, acredita no que diz o amor de sua paciente, ou seja, acredita ser a panaceia que tornará sua paciente feliz para sempre.
Generoso? Ingênuo? Nada disso, apenas vítima, por exemplo, de uma obstinada esperança de voltar a ser o neném que, por um mítico instante, no passado, teria feito sua mãe absurdamente feliz.
A série continua porque a decepção é garantida. O terapeuta (como homem e companheiro) não é uma panaceia (ninguém é). A paciente com quem ele se casou, uma vez feita essa descoberta trivial, manifestará sua insatisfação e, com isso, fará a infelicidade do nené caprichoso com quem casou. Pronto, acaba o casamento. Entretanto, como disse, a esperança do terapeuta é obstinada; não é fácil desistir do projeto de ser aquela coisa que traz ao outro uma satisfação absoluta. Por que não tentar outra vez?
Os terapeutas recebem regularmente, em seus consultórios, os cacos desses dois tipos de desastres: o das abusadas e o das casadas e abandonadas por não se terem mostrado perfeitamente satisfeitas. São cacos difíceis de serem recolados. A decepção amorosa da paciente é violenta: afinal, ela foi enganada por um objeto de amor ao qual atribuía poderes e saberes quase mágicos.
O pior desserviço desses desastres é que, de fato, eles impedem que as vítimas encontrem a ajuda da qual precisam. Frequentemente, ao tentar uma nova terapia, elas não param de esperar que se engate uma nova relação erótica (pois lhes foi ensinado, por assim dizer, que a cura virá de um amor correspondido com seu terapeuta). Outra eventualidade é que elas nunca mais consigam estabelecer a confiança necessária para que um novo tratamento se torne possível.
3) Existe uma terceira possibilidade para os amores terapêuticos. É possível que se apaixone por sua paciente um terapeuta que não queira apenas gozar de seu poder e que não seja aflito pela síndrome de fazer a 'mamma' feliz. E é possível que uma paciente se apaixone por seu terapeuta sem acreditar que ele seja o remédio a todos os seus males.
Afinal, não é impensável que dois sujeitos, que tenham algumas boas razões de gostarem um do outro, se encontrem num consultório. Todos sabemos que um verdadeiro encontro é muito raro, e é compreensível que um terapeuta não faça prova da abnegação profissional necessária para deixar passar a ocasião. Mas, convenhamos, se esse tipo de encontro é tão raro, é difícil acreditar que possa repetir-se em série... Como diz o provérbio, errar é humano, perseverar é diabólico. Ou seja, pode acontecer uma vez numa vida. A partir de duas, a série é suficiente para provar que o terapeuta está precisando de terapia.
Abç."
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2020.07.08 19:47 YatoToshiro ​Fate/Gensokyo #23 - Rin Tohsaka


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Em Grand Order a Rin Tohsaka tem 4 versões servos: Archer, Lancer, Rider e Avenger. _____________________________________________________
Rin Tohsaka: Ishtar (Archer) O Nome Verdadeiro do Arqueiro é Ishtar, Um Pseudo-Servo convocado no corpo de Rin Tohsaka. Ishtar é a deusa da beleza, boas colheitas, guerra, luxúria, discórdia e fertilidade na mitologia mesopotâmica / mitologia suméria / mitologia babilônica e uma entre as muitas deusas-mães cujo poder é derivado da Mãe Terra. Disse ser a deusa mais mimada, ou melhor, a deusa mais amada pelas outras divindades. Dizia-se que seu nome divino sumério era Inanna , E esse nome é realmente o nome mais antigo. Ishtar é seu nome divino acadiano. Significa "A Senhora do Céu". Uma deusa de Vênus, uma deusa que governa as boas colheitas que traz prosperidade ao povo, e mesmo uma deusa que governa a guerra e a destruição, ela é uma grande deusa que, entre as deusas, recebeu muitos direitos e autoridades de os deuses. Na mitologia suméria, ela desempenha um papel ativo como uma deusa dinâmica e como uma deusa que é como a heroína de uma história, possuindo várias anedotas. Particularmente entre eles, uma famosa é ela alimentando a cidade de Uruk com uma terrível Besta Divina chamada “Touro do Céu”, aparentemente uma anedota que fez com que a cidade estivesse à beira da destruição; em qualquer caso, ela é uma deusa que é um incômodo para os outros. De qualquer forma, Ishtar é uma divindade caprichosa, livre e descontrolada, e também é famosa por ter inúmeros amores; diz-se que ela faria avanços com todas as suas energias naqueles a quem gostava, independentemente de serem seres humanos ou outras divindades, e ela tem muitos amantes, independentemente deles serem do domínio dos homens ou do domínio dos homens. os deuses. Por outro lado, ela também demonstrou uma crueldade demoníaca contra aqueles que não se curvaram à sua vontade. Ela é uma divindade que foi aperfeiçoada como uma divindade, que geralmente assumia o controle e o domínio das coisas. Não há compromisso. Dizia-se que o motivo para trazer a Besta Divina para a Terra era o resultado do rei dos heróis, Gilgamesh de Uruk, não tendo respondido às tentações dela.
No capítulo 7, Ishtar apareceu como a única divindade suméria viva. Ao se tornar uma pseudo-serva, ela se manifestou nas terras da Mesopotâmia, observando atentamente a sétima singularidade e o futuro da humanidade. Embora ela diga que seu papel é observar atentamente os humanos de uma maneira apropriada para uma deusa, isso significa que ela está cuidando deles enquanto deixa escapar um sorriso de escárnio. "Bem então. Será que os humanos sobreviverão a isso ou serão destruídos? ”Por acaso, ela vê o protagonista perseverar como um mero ser humano enquanto perde seus servos, sendo um favorito entre os que ela provoca, e vincula temporariamente um contrato a eles. No final, ela prova ser uma "Deusa da Vitória" literal.
Além disso, é uma digressão, mas em relação à batalha contra Ishtar em uma seção do Décimo Capítulo da Sétima Singularidade, ela possuía uma Habilidade Passiva chamada "Colar de Lapis Lazuli Quebrado". Por estar quebrado, seu efeito original se torna exatamente o oposto (dano de Noble Phantasm reduzido em 30%). A própria Ishtar percebe esse efeito negativo, mas ousadamente o usa. Mesmo que seja por esse motivo: “Ainda é bonito, e eu queria exibi-lo; além disso, se eu pensar sobre isso de maneira inversa, mesmo que comece a agir violentamente e a explodir, não vou sofrer danos porque já estou sofrendo com o debuff, certo? ”Ou assim ela pensa. Mas ela ignora apontar que havia usado seu Noble Phantasm, o que fez com que ele agisse violentamente em primeiro lugar.
Rin Tohsaka: Ishtar (Rider) Ishtar, deusa de Vênus, com roupas de verão. Um festival de verão é um estado de frenesi popular ... Realmente uma deusa parecida com uma deusa, ela organizou um grande evento depois de ser movida pela piedade do povo. Ela também é uma deusa no estilo kung fu que move seu corpo com agilidade e emoção, e queima borracha em seu modernizado Boat of Heaven Maanna.
Verdadeiramente uma deusa entre as deusas que graciosa e generosamente abençoa todos aqueles reunidos no local.
Deusa Ishtar é um espírito livre. Elegante, audacioso e bastante cruel. No entanto, o traje atual mitiga um pouco sua nobreza e aterrorização divinas. Mais alegre e magnânima do que o normal, ela é amigável.
Espera-se que alguém que se chama de deusa tenha dominado uma ou duas artes marciais ... o que obviamente não é uma coisa. A razão pela qual Ishtar pode se mover tão habilmente é porque o corpo que ela ocupava era bastante adepto das artes marciais e mágicas. Seu atual estilo de luta é o seu próprio giro no kung fu aprendido pelo corpo. "Uma arte de Uruk! Existe uma coisa dessas?" Assim comenta o rei tomando banho de sol no topo do Zigurate.
O arco usado por Ishtar em sua forma de Arqueiro é a proa destacada do Barco do Céu Maanna, mas desta vez ela transformou os "remos" do Barco do Céu em uma scooter que ela monta. A scooter tem a aparência exata de uma scooter moderna, mas suas habilidades são naturalmente de nível divino. Voa alto e pode entortar. Há uma criatura misteriosa remexendo nos tornozelos de Ishtar, mas ela sempre se recusa a comentar sobre isso.
Embora Ishtar se interesse por seu Mestre por ser um herói com um futuro promissor, ela diz que às vezes fica intrigada, imaginando "como é que um Joe tão comum se tornou um herói?" Ela pensa em seu mestre como um humano curioso. É porque ela aprecia a popularidade de seu mestre (por ter a confiança de outros servos) que ela o contrata como membro da equipe da atual Copa Ishtar, mas ...?
A Ishtar Cup, um festival de verão. Foi um ritual enorme para reviver o Gugalanna do Touro do Céu, um familiar de Isthar. Ishtar perdeu Gugalanna quando um desastre atingiu o mundo mesopotâmico, significando uma completa perda de rosto para ela. Desde então, ela deve estar esperando vigilante por uma chance de vingança.
A deusa Ishtar emprestou secretamente um utensílio ritual do tesouro da Babilônia e o converteu em um Santo Graal, com o qual espalhou sua textura venusiana no solo de Connacht. Seu plano era criar Gugalanna mais uma vez, oferecendo poderosos Espíritos Heroicos, graças à terra (correndo através dela). Renovar o templo de Ishtar como um gigantesco circuito de acumulação de recursos de energia mágica fazia parte disso. O Ishtar QPS (Quantum Piece System) é um dispositivo pesadelo de coleta de dinheiro que absorve a energia mágica não apenas das pessoas, mas também dos Espíritos Heroicos. Quanto mais QP é acumulado, mais elevada é a Divindade de Ishtar. Essa ação realmente a convém como uma deusa perversa entre as deusas perversas.
Rin Tohsaka: Ereshkigal (Lancer) O nome verdadeiro de Lancer é Ereshkigal, A deusa do submundo no mito sumério. Ela empunha livremente uma gaiola em forma de lança; às vezes apunhalando o inimigo com ele, às vezes aprisionando almas, às vezes convocando raios, ela é a temível governante do submundo. Tendo cumprido seus deveres de administrar o submundo desde o nascimento, ela é uma deusa que desapareceu junto com a Era dos Deuses sem nunca conhecer o mundo acima ou a liberdade.
Nos textos originais da Mesopotâmia, ela presidia o crescimento e a deterioração das colheitas, inclinava os dragões e as cobras à sua vontade e controlava livremente os familiares Garula do submundo. A 'Senhora Celestial' Ishtar e a Rainha do Grande Abaixo Ereshkigal mantinham um relacionamento rival. Mitologicamente falando, a deusa da colheita Ishtar (Inanna) era a Grande Mãe Terra que representava a vida humana, enquanto Ereshkigal, que representava a morte humana, era a Mãe Terrível na Terra.
Na história da descida de Ishtar, Ishtar fez uma visita ao submundo apenas para ser morto pela mão de Ereshkigal. Enquanto ela foi revivida depois, a razão pela qual Ishtar desceu ao submundo, e a razão pela qual Ereshkigal ficou tão enfurecido, nunca se fala, e em Grand Order, eles são tratados como decorrentes de serem o mesmo. Ereshkigal e Ishtar. Dois deuses de existência equivalente, ou talvez uma divindade dividida do que antes era uma única entidade.
Ereshkigal detesta como foi odiada e sofrida como pária social da Era dos Deuses. "Quero tentar viver tão livremente quanto Ishtar. Quero conhecer alguém que aceite que eu sou a amante do submundo, mas não permita que esse status afete como eles me veem." Ela ainda tinha uma noção tão romântica. "Não negarei o fato de que sou um vilão, mas o mal, como é, tem seus usos para a humanidade. Por que todos têm que ter tanto medo de mim !?" Como ela ficou de mau humor em seu coração, ela encontrou o fim do mundo mesopotâmico diante de seus olhos, participando da aliança das três deusas e fazendo um inimigo de Uruk para salvar os humanos à sua maneira.
Embora ela seja inicialmente membro da Aliança das Três Deusas em oposição a Uruk, Ereshkigal participa da batalha final contra Tiamat, utilizando sua Jurisdição para enfraquecer Tiamat e reforçar as capacidades dos combatentes da linha de frente.
Rin Tohsaka: Space Ishtar (Avenger)
O nome verdadeiro de Avenger é Space Ishtar, Também conhecido como Ishtar Ashtoret, a versão do Universo Servo de Ishtar. O Servo convocado é composto por três indivíduos diferentes com a mesma origem.
Dentro do Universo Servo, houve um período antes de todos os humanos transcenderem para Servos, o Universo de Origem. Ashtoret foi uma das deusas desse período, mais tarde se tornando a última delas e ganhando o título de Deusa da Origem. Dois mil anos antes dos eventos de Saber Wars II, Ashtoret acordou mais uma vez, mas foi derrotada por um grupo de oito Servos e Mestres que incluíam Calamity Jane. Após sua derrota, ela se dividiu em dois filhos, metade boa e metade má.
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2020.06.14 05:19 Salamandra01_ O meu primeiro amor...

Olá, Lubinha, editores maravilhosos e caros telespectadores dessas terras tupiniquins. Queria começar agradecendo por você dar tanto espaço aos seus inscritos e foi por isso que tive coragem de compartilhar uma história muito importante da minha vida com vocês.
Completei o ensino fundamental todo em uma escola particular, pois graças a minha mãe e uma pitadinha de sorte consegui uma bolsa integral lá. E eu agradeço muito por ter estudado lá e conseguido ter uma boa educação, porém nem tudo são flores. Haviam algumas restrições lá e uma delas era justamente o controle sobre relacionamentos. Acontece que a escola não tinha ensino médio e eu tive que vir para uma escola pública aqui do meu bairro.
Quando cheguei lá, estava sem amigos (já que o pessoal da particular nunca fez muita questão de estar comigo, e ainda por morarmos longe), fiquei completamente perdido, afinal o ambiente era totalmente diferente. E foi aí que a minha vida começou a mudar: comecei a perceber que ao responder as perguntas dos professores eu era intitulado de nerd, por causa das minhas roupas mais casuais e por ter estudado numa escola particular eu era o riquinho da turma, e o pior de tudo: eu provavelmente era a única pessoa daquela escola que ainda não tinha beijado. Por sorte, acabei conhecendo bons amigos, inclusive o meu melhor amigo.
Passou o primeiro ano e essas questões estavam me preocupando cada vez mais, até que algo incrível aconteceu: a menina mais linda que eu já tinha visto entrou na minha sala e sentou em uma das mesas. Foi a partir dalí que eu não conseguia mais prestar atenção nas aulas, pois só tinha olhos pra ela. Eu não teria coragem de chegar nela, até mesmo porque a pouco tempo atras eu nem me importava com isso e então não tinha experiência nenhuma. Até que um dia teve uma palestra e ela por coincidência ganhou um livro de poemas. Eu nunca fui o tipo de cara que gosta de ler, mas aquela era a oportunidade perfeita para eu tentar me aproximar. Quando estávamos voltando pra casa eu a chamei, os amigos dela estavam com ela e eu estava morrendo de vergonha, mas tomei coragem e pedi para que ela me emprestasse o livro depois de ler. Foi assim que começamos a nos falar.
Até que um dia aconteceu a festa junina na nossa escola, e eu estava andando pra lá e pra cá com meu amigo, quando do nada eu e ele recebemos um bilhetinho dizendo que tinha alguém interessado em nós. Eu fiquei desesperado tentando encontrar quem mandou aquele bilhete, mas no meu coração eu tinha certeza que foi ela. Então um dia enquanto conversávamos eu tomei coragem e disse: eu gosto muito de alguém, mas eu tenho medo de falar porque pode ser que esse alguém que eu goste na verdade gosta do meu amigo (porque ela poderia ter mandado o bilhete pro meu melhor amigo ao invés de mim). E eu fiquei chocado quando ela respondeu: eu gosto de alguém, mas eu não sei o que fazer porque a minha melhor amiga também gosta dele. Bom... não preciso nem dizer que eu estava num mix de felicidade e preocupação. Conversamos bastante e decidimos que, apesar de inevitávelmente machucar alguém, eu gostava dela e ela gostava de mim, e não seria certo nós nos restringirmos por causa da amiga dela.
Meu primeiro encontro estava marcado, decidimos ir ao cinema. Eu cheguei quase 2 horas antes porque estava muito ansioso. Me levantava do banco e sentava a cada 5 minutos, as pessoas a minha volta deviam achar que eu era louco. Tinham dos caminhos pelos quais ela poderia chegar, eu ficava olhando pros dois lados sem parar, morrendo de ansiedade. Até que eu vejo ela vindo, não consegui me segurar, ela estava tão linda que eu abri um sorriso de uma orelha a outra. Nos cumprimentamos, demos uma volta antes de entrar e finalmente fomos assistir o filme. Quando estava na metade do filme eu sabia o que tinha que fazer, mas minhas pernas tremiam muito e eu não conseguia me mexer, até que eu decidi olhar para o lado e esperar ela me olhar de volta. Acontece que, ela era tão quanto ou mais envergonhada que eu então ela não olhou. Então eu cheguei perto dela e disse que queria beijá-la (kkkkkk nós ficamos rindo por um tempo), até que enfim nos beijamos... não vou mentir, tivemos que tentar umas seis vezes até rolar um semi-beijo (porque ela também não tinha beijado muitas pessoas). Depois daquilo eu abracei ela e continuamos olhando o filme. Por sorte, quando estava quase acabando eu lembrei de pedir pra ela olhar o meu rosto (eu estava cheio de batom kkkk). Saímos junto e voltamos pra casa, não queria estragar o resto do encontro então nem arrisquei tentar mais um beijo.
Bom... foi depois disso que tudo começou a desandar. Um dia enquanto conversávamos ela disse que precisava de um tempo para pensar, e quando ela voltou disse que era melhor nós pararmos. Meu chão desabou, começaram os piores dias da minha vida. Eu continuei ao lado dela como amigo, mas eu só estava me enganando... me machucava ficar ao lado dela só como amigo mas eu também não queria deixar de ser amigo dela. Começou um período de total confusão, ela tinha namorado por pouco tempo com uma menina ha um tempo atrás e parecia que nós estávamos competindo por ela. Isso continuou até o verão quando eu fui pra praia no ano novo, estavam todos comemorando e eu não conseguia parar de chorar pensando nela. Foi quando eu vi uma daquelas brincadeiras por status do Whatsapp onde precisa marcar entre uma semana atrás, um mês atrás, etc. E essa outra menina tinha marcado uma semana atrás para beijo... foi quando caiu a ficha. Não tinha sido eu o escolhido. Eu entrei no pior momento da minha vida, se eu já estava triste depois daquilo eu fiquei destruído. Depois que voltei das férias pedi para ela pra gente assistir um filme que já queríamos assistir há um bom tempo. Me diverti durante a tarde, tentei esquecer tudo o que tinha acontecido. Na hora de ir embora, ela me acompanhou até metade do caminho, eu dei o abraço mais forte que pude dar e me despedi. Fiz isso porque eu tinha tomado uma decisão: eu não queria mais sofrer... aquela era a última vez q a gente se falava.
Chegou o terceiro ano, minha rotina era ir pra escola, voltar pra casa e enterrar minha cabeça no computador fingindo que o mundo não existia. Meu melhor amigo tinha começado a namorar e eu já estava cansado de tudo aquilo. Eu sempre fui meio a moda antiga, e isso era um pensamento que me atrapalhava, porque eu já tinha deixado de ficar com as pessoas porque eu dizia que aquilo era ruim, que era errado ficar com alguém sem ter sentimentos (mas também grande parte era por medo da minha falta de experiência). Então por olhar pro lado e ver todo mundo feliz enquanto eu vivia triste, decidi que iria mudar... que eu nunca mais ia pensar em namorar na vida e que só ia viver de aventuras. Não durou muito tempo, afinal é impossível tentar ser quem você não é, continuava só com um beijo na ficha criminal.
Foi então que minha vida virou de ponta cabeça de novo... eu recebi uma mensagem dela. Foi a mensagem que mais abalou o meu coração, ela estava muito triste comigo por eu ter deixado de falar com ela porque ela realmente gostava muito de mim e eu me afastar dela foi suficiente pra ela perceber isso. Bom... eu fui um cuzão, mas posso me justificar por ter sofrido bastante, eu estava com medo de sofrer de novo, então eu disse pra ela que tinha mudado e que se ela quisesse eu só ia ficar com ela. Mas o sentimento foi mais forte, eu também sabia que gostava muito dela. Até que teve o aniversário do meu amigo, e eu pedi pra ela vir na minha casa antes para nós conversarmos antes de ir. Foi uma conversa bastante estranha, mas no fim decidimos dar uma chance pra nós, no fim eu fiquei tão empolgado que tentei dar um beijo nela, mas ela desviou e me pediu desculpa (o que era completamente compreensível devido a toda situação).
Foi então que começamos a ficar. Apesar disso, nós ainda não tínhamos tanta intimidade e não tinha rolado um beijo de verdade ainda. Eu ia pra casa dela mas nós ficávamos conversando, conversando mas ninguém tinha coragem de avançar. Até que um dia nós decidimos ficar nas escadas do prédio... e foi a mesma coisa, conversamos até a hora de eu precisar voltar pra casa. Eu estava completamente frustado comigo mesmo por mais uma vez não ter conseguido tomar iniciativa. Eu me levantei e nos abraçamos pra nos despedir, quando a luz da escada resolve apagar... nós ficamos um tempo abraçados e aí finalmente rolou. Foi um momento mágico, como se fosse o nosso novo primeiro beijo.
Depois disso começou a melhor parte da minha vida. Eu tinha uma namorada linda e era muito feliz ao lado dela. Então chegou aquele momento da relação onde precisávamos dar o próximo passo, acontece que nós dois tínhamos irmãos e era raríssimo ter um pouco de privacidade. Foi então que eu tive coragem de pedir para o meu pai me ajudar, então um dia marcamos dela pousar aqui. Naquela noite meu pai levou minha família pra sair e eu fiquei sozinho com ela. Estávamos assistindo um filme comendo pipoca, a ideia era esperar o filme acabar mas não tínhamos tanto tempo assim pra esperar. Aquele parecia o filme mais longo do mundo, até que eu olhei pra ela e disse: tu ainda quer ver o filme? (Eu sei kkkkk eu tenho um dom de constranger as pessoas), novamente nos rimos por um tempo até que ela disse que não queria mais assistir. Eu fui até a tv, abri no youtube e disse pra ela: você tem duas opções de playlist, a atual ou a clássica (kkkk bom... isso eu posso explicar, eu sempre comentava com meu amigo que algum dia eu iria fazer amor ouvindo aquelas músicas românticas clichês, porque eu realmente gostava delas). Pra minha surpresa, ela escolheu a clássica. Aquele era o momento mais feliz da minha vida, eu não estava acreditando no que os meus olhos viam, ela usava uma linda lingerie preta e a luz da tv na pele morena dela dava um contraste lindo a beça. Aquela foi a nossa primeira vez, um momento muito especial pra nós dois, a minha primeira vez e a primeira vez dela.
Acho que muitas vezes as pessoas esquecem que sentimentos mudam tudo. Nosso primeiro beijo, nossa primeira vez... obviamente não foram as melhores coisas do mundo, mas para mim e para ela foi, porque não se tratava de beijo ou de sexo, se tratava de amor.
Nós namoramos por bastante tempo, até que os problemas começaram a surgir e as diferenças começaram a nos atrapalhar. Ela era uma pessoa que gostava bastante de sair e eu era uma pessoa mais caseira, que gostava de cinemas, restaurantes, piqueniques. Além disso, eu sou uma pessoa extremamente carinhosa, já ela tinha uma maneira mais sutil de demonstrar carinho. Isso ao longo do tempo começou a ficar cada vez mais evidente, até que começou a machucar. No início nos fingimos que não estávamos vendo, porque amavamos muito um ao outro e não queriamos nem pensar na possibilidade de terminar. Mas infelizmente se tornou inevitável, nós tivemos algumas conversas mas para nós darmos certo era necessário que ambos mudassem, e nós não achavamos certo ter que mudar, afinal um relacionamento só da certo se ambos aceitam e conseguem suportar as diferenças. Foi então que a gente viu que não dava mais certo e resolvemos terminar. No fim, o sentimento não foi de raiva, não foi de tristeza. Decidimos continuar amigos porque a amizade um do outro importa muito pra nós, eu quero que ela seja feliz e sei que ela deseja o mesmo pra mim.
Com essa história gostaria de dizer que ter maturidade significa olhar pra trás e não ter vergonha do passado. Graças a ela eu me tornei uma pessoa melhor e aprendi muitas coisas. Aprendi com meus erros e vou me certificar de não errar da próxima vez. Nunca vou me esquecer dos nossos momentos juntos eu vou guardá-la pra sempre no meu coração.
OBS: sobre os bilhetinhos de festa junina, quando namoramos ela me contou que na verdade o bilhete que eu tinha recebido era da amiga dela e ela resolveu mandar pro meu amigo pela zueira kkk / outra coisa, ela foi muito importante pra eu mudar meu pensamento retrógrado, hoje eu sei que não tem nada de errado em ficar, e que na verdade é até bom pra conhecer a pessoa bem antes de tentar algo.
É isso, te amo Luba! Abraços!
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2020.04.16 00:24 HoBaLoy E SE Jon Snow tivesse aceitado a proposta do Rei Stannis Baratheon?

Nesta semana, aborda-se uma questão que, quase como sempre, poderia ter drasticamente mudado os rumos de ASOIAF.
E SE Jon Snow tivesse aceitado a proposta do Rei Stannis Baratheon em tornar-se Jon Stark, através de legitimação mediante Decreto Real, e consequentemente também assumir a alcunha de Senhor de Winterfell e (provável) Protetor do Norte?
Primeiro, vamos entender os fatos que aconteceram nos livros. Trata-se de uma passagem longa e com muitos detalhes mas que vale a pena ser totalmente transcrita por conta dos detalhes.
Em ASOS, Rei Stannis, no alto da Muralha e com a presença de Melisandre faz a proposta a Jon Snow, nestes termos, em seu penúltimo capítulo:
(...)
– De você preciso mais do que uma espada.
Jon não estava entendendo.
– Senhor?
– Preciso do Norte. O Norte.
– Eu... o meu irmão Robb era Rei no Norte...
– Seu irmão era o legítimo Senhor de Winterfell. Se tivesse ficado em casa e cumprido o seu dever, em vez de se coroar e partir para a conquista das terras fluviais, poderia estar vivo hoje. Mas, seja como for. Você não é Robb, assim como eu não sou Robert. As palavras ríspidas afastaram qualquer empatia que Jon pudesse ter sentido por Stannis.
– Eu amava meu irmão – disse.
E eu o meu. Mas eram como eram, e nós também. Sou o único rei legítimo em Westeros, no norte ou no sul. E você é o bastardo de Ned Stark.– Stannis estudou-o com aqueles olhos azul-escuros.
– Tywin Lannister nomeou Roose Bolton Protetor do Norte, como recompensa por trair o seu irmão. Os homens de ferro estão lutando entre si desde a morte de Balon Greyjoy , mas ainda controlam Fosso Cailin, Bosque Profundo, Praça de Torrhen e a maior parte da Costa Pedregosa. As terras do seu pai sangram, e eu não tenho forças nem tempo para estancar as feridas. O que é necessário é um Senhor de Winterfell. Um Senhor de Winterfell leal.
Está olhando para mim, pensou Jon, atordoado.
– Winterfell já não existe. Theon Greyjoy passou o archote nele.
– O granito não arde facilmente – disse Stannis.
– O castelo pode ser reconstruído, a seu tempo. Não são as muralhas que fazem um senhor, é o homem. Seus nortenhos não me conhecem, não têm motivos para nutrir amizade por mim, mas vou precisar de suas forças para as batalhas que temos pela frente. Preciso de um filho de Eddard Stark para conquistá-los para o meu estandarte. Ele quer fazer de mim Senhor de Winterfell. O vento soprava em rajadas, e Jon sentiu a cabeça tão leve que quase teve receio de ser soprado Muralha abaixo.
– Vossa Graça – disse –, esquece-se. Eu sou um Snow, não um Stark.
– Quem está se esquecendo é você – respondeu o Rei Stannis.
Melisandre pousou uma mão morna em seu braço.
– Um rei pode remover de um golpe a mácula da bastardia, Lorde Snow.
Lorde Snow. Sor Alliser Thorne tinha lhe dado essa alcunha, para zombar de seu nascimento bastardo. Muitos dos irmãos tinham se habituado a usá-la também, alguns com afeto, outros para magoar. Mas, de repente, ela tinha um som diferente aos ouvidos de Jon. Soava... real.
– Sim – disse, hesitante –, já houve casos de reis que legitimaram bastardos, mas... eu continuo sendo um irmão da Patrulha da Noite. Ajoelhei perante uma árvore-coração e jurei não possuir terras nem gerar filhos.
– Jon. – Melisandre estava tão próxima que conseguia sentir o calor de seu hálito.
– R’hllor é o único deus verdadeiro. Um juramento prestado a uma árvore não tem mais poder do que um juramento prestado aos seus sapatos. Abra o coração e deixe que a luz do Senhor entre nele. Queime esses represeiros e aceite Winterfell como presente do Senhor da Luz.
Quando Jon era bem novo, novo demais para compreender o que significava ser bastardo, costumava sonhar que um dia Winterfell poderia ser seu. Mais tarde, mais crescido, sentiu-se envergonhado por esses sonhos. Winterfell passaria para Robb e depois para os filhos dele, ou então para Bran e Rickon, caso Robb morresse sem filhos. E depois deles vinham Sansa e Arya. Até sonhar que não fosse assim parecia desleal, como se estivesse traindo os irmãos no coração, desejando sua morte. Nunca desejei isso, pensou, em pé diante do rei de olhos azuis e da mulher vermelha. Amei Robb, amei a todos eles... nunca desejei que nenhum mal acontecesse a nenhum deles, mas aconteceu. E agora só resta eu. Tudo o que tinha de fazer era dizer uma palavra, e seria Jon Stark, nunca mais um Snow. Tudo o que tinha de fazer era jurar lealdade a este rei, e Winterfell seria seu. Tudo o que tinha de fazer... ... era abjurar de novo os seus votos. E dessa vez não seria um estratagema. Para reivindicar o castelo do pai, teria de se virar contra os deuses do pai.
O Rei Stannis voltou a olhar para o norte, com o manto dourado esvoaçando de seus ombros.
– Pode ser que me engane com você, Jon Snow . Ambos sabemos o que se diz dos bastardos. Poderá faltar a você a honra de seu pai, ou a perícia de seu irmão com as armas. Mas é a arma que o Senhor me deu. Encontrei-o aqui, tal como você encontrou o esconderijo de vidro de dragão aos pés do Punho, e pretendo usá-lo. Nem Azor Ahai venceu sozinho a sua guerra. Matei mil selvagens, capturei outros mil e dispersei o restante, mas ambos sabemos que eles voltarão. Melisandre viu isso em seus fogos. Esse Tormund Punho de Trovão provavelmente está reunindo os remanescentes neste exato momento, e planejando algum novo assalto. E quanto mais nos sangrarmos uns aos outros, mais fracos estaremos todos quando o verdadeiro inimigo cair sobre nós. Jon tinha chegado à mesma conclusão.
– É como diz, Vossa Graça. – Perguntou a si mesmo onde aquele rei queria chegar.
– Enquanto seus irmãos tentam decidir quem deve liderá-los, eu tenho falado com este Mance Rayder. – Rangeu os dentes. – Um homem teimoso, esse, e orgulhoso. Não vai me deixar outra escolha a não ser entregá-lo às chamas. Mas capturamos outros também, outros líderes. Aquele que chama a si mesmo de Senhor dos Ossos, alguns dos chefes de clã deles, o novo Magnar de Thenn. Seus irmãos não gostarão disso, não mais do que os senhores de seu pai, mas eu pretendo permitir que os selvagens atravessem a Muralha... aqueles que me jurarem lealdade, que garantam manter a paz do rei e cumprir as leis do rei, e acolher o Senhor da Luz como seu deus. Até os gigantes, se aqueles grandes joelhos que eles têm puderem se dobrar. Vou instalá-los na Dádiva, depois de arrancá-la de seu novo Senhor Comandante. Quando os ventos frios se erguerem, sobreviveremos ou morreremos juntos. É hora de fazermos uma aliança contra o nosso inimigo comum. – Olhou para Jon. – Concordaria?
– Meu pai sonhava em repovoar a Dádiva – admitiu Jon. – Ele e o meu tio Benjen costumavam conversar sobre isso. – Nunca pensou em povoá-la com selvagens, porém... mas também nunca viveu com selvagens. Não se iludia, o povo livre daria súditos insubmissos e vizinhos perigosos. Mas quando punha num prato da balança os cabelos ruivos de Ygritte e no outro os frios olhos azuis das criaturas, a escolha era fácil. – Concordo.
– Ótimo – disse o Rei Stannis –, pois a maneira mais segura de selar uma nova aliança é através de um casamento. Pretendo casar o meu Senhor de Winterfell com esta princesa selvagem.
Jon talvez tivesse vivido tempo demais com o povo livre; não conseguiu impedir-se de rir. – Vossa Graça – disse –, cativa ou não, se pensa que pode simplesmente me dar Val, temo que tenha bastante a aprender sobre as mulheres selvagens. Quem quer que se case com ela é bom que esteja preparado para escalar até a sua janela de torre e levá-la na ponta da espada...
– Quem quer que case? – Stannis lançou-lhe um olhar avaliador. – Isso significa que não quer casar com a moça? Previno-o de que ela faz parte do preço que tem de pagar, se quiser o nome e o castelo de seu pai. Essa união é necessária, para ajudar a garantir a lealdade de meus novos súditos. Está me recusando, Jon Snow?
– Não – disse Jon, rápido demais. Era de Winterfell que o rei estava falando, e Winterfell não era algo que se pudesse recusar com ligeireza. – Isto é... tudo isso surgiu muito de repente, Vossa Graça. Posso suplicar-lhe algum tempo para pensar?
– Como quiser. Mas pense depressa. Não sou um homem paciente, como os seus irmãos negros estão prestes a descobrir. – Stannis apoiou uma mão magra e descarnada no ombro de Jon.
– Não diga nada sobre o que falamos aqui hoje. A ninguém. Mas quando regressar, necessitará apenas dobrar o joelho, depositar a sua espada aos meus pés e colocar-se ao meu serviço, e voltará a se erguer como Jon Stark, o Senhor de Winterfell.
Bom, agora vamos aos pontos/entraves/situações que envolveriam a legitimação Jon Snow.
Primeiro, é presumido, por óbvio, que Jon seja filho de Eddard Stark pois isso era público e notório provavelmente em todos os Sete Reinos. E, como pode ser percebido até em conversas entre Ned e Robert Baratheon (a quem provavelmente Ned concedia maior liberdade e intimidade), as menções às questões de bastardia de Jon Snow não eram assuntos livres para serem tratadas com Eddard, logo, não tinham existido quaisquer contestações maiores em relação a isso ao longo dos anos.
Após isso, passamos aos entraves dessa legitimação que vinha acompanhada de outras questões difíceis e complexas.
Em uma análise pessoal percebo que Stannis possui certa afeição por Jon Snow por considerá-lo de certa forma equivalentes entre Robb e Robert como é claramente mencionado na conversa.
Os grandes entraves da proposta seriam:
Em relação à violação dos votos da Patrulha da Noite, a questão não é apenas pessoal, pelo fato de ainda muitos o considerarem um vira casacas, mas também por falta, até onde sabemos, de precedentes parecidos ao longo da existência da Patrulha.
A aceitação de uma nova fé, encontraria mais uma vez questões pessoais envolvidas mas também questões políticas por conta da forte crença dos nortenhos nos Deuses Antigos.
O casamento com Val aparentemente parecia ser a menos difícil das questões porém, ao mesmo tempo, existem as próprias convicções e sentimentos que Jon sentia em relação a Ygritte e o fato de que Val não seria uma mulher de fácil trato.
Por fim, a traição da memória dos irmãos. Apesar de, claramente, ser Senhor de Winterfell o maior dos sonhos de Jon, a afeição pelos irmãos e a visão natural de que a legitimidade deles prevaleceria o incomoda de forma considerável.
Sendo, assim, vamos às questões caso Jon tivesse aceitado a proposta do Rei Stannis:
1) Como a Patrulha da Noite trataria de tal questão? Como seria a aceitação da violação dos votos e abandono da Patrulha que é tida como crime com pena capital (inclusive já executada por Ned Stark, no primeiro capítulo)? E os Senhores Nortenhos, o que diriam disso?
2) Como seriam as reações dos senhores nortenhos em relação ao fato de Jon ter renegado os Deuses Antigos?
3) Samwell Tarly manteria a sua palavra e não revelaria que Bran estava vivo mesmo sabendo que Jon fora legitimado?
4) Como Val trataria de tal questão em relação ao casamento com Jon Snow?
5) Howland Reed, tomando conhecimento disso, tomaria alguma posição ou revelaria alguma coisa?
6) E a carta de legitimação feita por Robb Stark neste contexto hipotético?
7) Como Jon Snow tornado Stark lidaria com os homens de ferro e o eventual reencontro com Theon Greyjoy?
8) Quais outros eventos ou situações pontuais acreditam que seriam diferentes?
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2020.04.12 04:33 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 7

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

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Sinais e Portentos

Uma das habilidades mais impressionantes doeGRRM como escritor, em minha opnião, é sua capacidade de ocultar prenúncios [foreshadows] em cenas aparentemente irrelevantes a serem revisitadas pelo leitor, que maravilhará com elas. Por exemplo:
Quando Podrick quis saber o nome da estalagem onde esperavam passar a noite, Septão Meribald apegou-se avidamente à pergunta [...].
– Alguns a chamam Velha Estalagem. Ali existe uma estalagem há muitas centenas de anos, embora esta só tenha sido construída durante o reinado do primeiro Jaehaerys […].
Mais tarde, passou para um cavaleiro aleijado chamado Jon Comprido Heddle, que se dedicou a trabalhar o ferro quando ficou idoso demais para combater. Ele forjou um novo sinal para o pátio, um dragão de três cabeças em ferro negro que pendurou em um poste de madeira. [...]
– O sinal do dragão ainda está lá? – Podrick qui saber também.
– Não – Septão Meribald respondeu. – Quando o filho do ferreiro era já um velho, um filho bastardo do quarto Aegon ergueu-se em rebelião contra seu irmão legítimo e escolheu como símbolo um dragão negro. Estas terras pertenciam então a Lorde Darry, e sua senhoria era ferozmente leal ao rei. Ver o dragão de ferro negro o deixou furioso, e por isso derrubou o poste, fez o sinal em pedaços e os atirou ao rio. Uma das cabeças do dragão foi dar à costa na Ilha Quieta muitos anos mais tarde, embora nessa época estivesse vermelha de ferrugem. O estalajadeiro não voltou a pendurar outro sinal, e os homens esqueceram-se do dragão.
(AFFC, Brienne VII)
Aqui está a essência da teoria de que Aegriff é um pretendente de Blackfyre explicada por meio de brasões. O dragão negro retornando a Westeros via mar disfarçado de vermelho. Existem inúmeros pequenas recompensa nos livros para os fãs desenterrarem e, geralmente, quanto mais importante é a história, mais difusas são as dicas. R + L = J é provavelmente o atual campeão disso, com alusões a ela freqüentemente despontando em diálogos casuais sobre Jon ou envolvendo-o. Como por exemplo, esta conversa de quando ele soltar Val na Floresta Assombrada para encontrar Tormund:
[Jon:] Você voltará. Pelo menino, se não por outra razão. [...]
[Val:] Assegure-se de que esteja protegido e aquecido. Pelo bem da mãe dele, e pelo meu. E o mantenha longe da mulher vermelha. Ela sabe quem ele é. Ela vê coisas nas chamas.
Arya, ele pensou, esperando que fosse assim.
– Cinzas e brasas.
– Reis e dragões.
Dragões novamente. Por um momento, Jon quase os viu também, serpenteando na noite, suas sombras escuras delineadas contra um mar de chamas.
(ADWD, Jon VIII)
Muito irônico que, mais cedo, em seu próprio capítulo, Melisandre olhe para as chamas e veja Jon, como ela faz há algum tempo. Jon, que é é rei e dragão (se R+L=J for verdade).
Portanto, a questão agora é se o GRRM deixou pistas que levem à Grande Conspiração Nortenha.
Mais homens de neve haviam sido erguidos no pátio quando Theon Greyjoy voltou. Para comandar as sentinelas de neve nas muralhas, os escudeiros haviam erigido uma dúzia de senhores de neve. Um claramente pretendia ser Lorde Manderly; era o homem de neve mais gordo que Theon já vira. O senhor de um braço só podia ser Harwood Stout, a boneca de neve, Barbrey Dustin. E um que estava mais perto da porta com a barba feita de pingentes de gelo devia ser o velho Terror-das-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Que escolha interessante de bonecos de neve para citar e assim chamar à atenção. No mesmo capítulo, especula-se que Manderly, Terror-das-Rameiras, Stout e a Senhora Dustin formam uma espécie de corrente humana para transmitir informações sobre os Starks (a sobrevivência de Bran e Rickon, com certeza) com o fim derradeiro de trazer a Senhora Dustin e os Ryswells para a secreta liga anti-Bolton.
Ainda mais intrigante é o fato de que isso também pode ser lido como um jogo de palavras que sugerem o apoio norte de Jon. Assim como Wylla Manderly proclama sua lealdade aos Starks durante a audiência de seu avô com Davos, dizendo que os Manderlys juravam ser sempre “homens Stark”, se Lord Wyman e seus co-conspiradores decidissem apoiar o decreto de Robb de nomear Jon seu herdeiro, eles seriam "homens de neve" [Snow men].
Outro conjunto de pistas em potencial está na escolha de músicas de Manderly durante a festa do casamento (ADWD, O príncipe de Winterfell). Por que Manderly quer que Abel contemple os Freys com uma música sobre o Rato Cozinheiro já foi discutido, mas qual das outras duas músicas ele pede pelo nome? Os tristes contos de Danny Flint e "A Noite que Terminou".
Fortenoite surgia em algumas das histórias mais assustadoras da Velha Ama. Tinha sido ali que o Rei da Noite reinou, antes de seu nome ter sido varrido da memória dos homens. Foi ali que o Cozinheiro Ratazana serviu ao rei ândalo seu empadão de príncipe e bacon, que as setenta e nove sentinelas mantiveram-se de vigia, que o bravo jovem Danny Flint foi violado e assassinado.
(ASOS, Bran IV)
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[Jon:] Mance alguma vez cantou Bravo Danny Flint?
[Tormund:] Não que eu me lembre. Quem era ele?
– Uma garota que se vestiu de menino para tomar o negro. Sua canção é triste e bonita. O que aconteceu com ela não foi. – Em algumas versões da canção, seu fantasma ainda caminhava pelo Fortenoite.
(ADWD, Jon XII)
Já foi teorizado que o elemento chave da história de Danny Flint que Manderly tem em mente é a farsa por meio de uma identidade falsa. Jeyne Poole é outra garota que finge ser alguém que não é e, embora o faça sob coação, seu destino é tão terrível quanto o de Danny Flint.
Manderly pode ter desvendado a falsa Arya? Como? Na verdade, duas falsas Aryas são analisadas e julgadas não convincentes - primeiro Jeyne por Theon (ADWD, Fedor II), depois Alys Karstark por Jon (ADWD, Jon IX). Theon percebe imediatamente que os olhos de Jeyne são castanhos, não cinza. Jon também verifica o cabelo e a cor dos olhos de Alys, que combinam com os de Arya, mas percebe que ela é velha demais para ser sua irmã mais nova. O mesmo vale para Jeyne, que era a melhor amiga de Sansa e, portanto, provavelmente da mesma idade dela, alguns anos mais velha que Arya. A questão é que o estratagema dos Bolton não é perfeito, e uma pessoa familiarizada com Arya pode identificar as discrepâncias. Existe alguém assim em Winterfell além de Theon?
Os Cerwyns são bons candidatos, em minha opinião. Eles moram a apenas meio dia de viagem de Winterfell (ACOK, Bran II) e pode-se esperar que tenham visitado os Starks com frequência suficiente para observar Arya de perto. O próprio Mance Rayder é outro, tendo supostamente aparecido em Winterfell durante o festim real em A Guerra dos Tronos com o propósito declarado de espiar. Harwin, se ele é realmente o misterioso homem encapuzado que Theon encontra. Outros senhores do Norte talvez também suspeitem, pois se interessariam em Arya pelas perspectivas de seu casamento.
Por fim, “A Noite que Terminou” é aparentemente uma música que comemora a última Longa Noite e a vitória da humanidade sobre os Outros.
Muito mais tarde, depois de todos os doces terem sido servidos e empurrados para baixo com galões de vinho de verão, a comida foi levada e as mesas encostadas às paredes para abrir espaço para a dança. A música tornou-se mais animada, os tambores juntaram-se a ela, e Hother Umber apresentou um enorme corno de guerra encurvado com faixas de prata. Quando o cantor chegou à parte de A Noite que Terminou, em que a Patrulha da Noite avançava ao encontro dos Outros na Batalha da Madrugada, deu um sopro tão forte que fez todos os cães latirem.
(ACOK, Bran III)
Em conjunto, a playlist de Manderly no casamento diz àqueles inteligentes o suficiente para ouvir que ele não está se deixando enganar pelas mentiras dos Bolton, ele já derramou sangue Frey às escondidas e seu lado será o vencedor no final. Há outra singularidade em sua seleção de músicas, no entanto. Uma que sugere novamente uma conexão com Jon. Todos as três cançoes são sobre a Patrulha da Noite.
O Rato Cozinheiro era um irmão negro que se vingou, e Danny Flint queria ser um. " A Noite que Terminou " apresenta a Patrulha em glorioso triunfo sobre os Outros, salvando o reino no processo. Certamente, há outras músicas sobre garotas bonitas disfarçadas e mentirosas recebendo sua punição, ou sobre vitórias Stark sobre os ândalos, selvagens ou homens de ferro que Manderly poderia ter pedido. A menos que ele (ou GRRM!) esteja, de fato, inserindo outro ponto muito sutil com isso: que Jon Snow não tenha sido esquecido pelos vassalos leais de seu falecido pai e irmão.
E há uma terceira referência a Jon! Quais são os nomes das duas garotas que tão comovente e retumbantemente falam do amor do Norte pelos Starks? Wylla Manderly e Lyanna Mormont. Pode ser simples coincidência que uma compartilhe um nome com a ama de leite de Jon (que Ned afirmou ser sua mãe) e a outro tenha o nome da verdadeira mãe biológica de Jon (assumindo R + L = J como verdadeiro). Uma vez que estamos falando das Crônicas de Gelo e Fogo , no entanto, eu digo que provavelmente não é coincidência.
Um último potencial prenúncio tem a ver com Stannis e sua campanha para ganhar o Norte.
Stannis estendeu uma mão, e seus dedos fecharam-se emvolta de uma das sanguessugas.
– Diga o nome – ordenou Melisandre.
A sanguessuga retorcia-se na mão do rei, tentando se prender a umde seus dedos.
– O usurpador – disse ele. – Joffrey Baratheon. – Quando atirou a sanguessuga no fogo, ela enrolou-se entre os carvões como uma folha de outono e incendiou-se.
Stannis agarrou a segunda.
– O usurpador – declarou, dessa vez mais alto. – Balon Greyjoy. – Deu-lhe um piparote ligeiro para dentro do braseiro […]
A última sanguessuga estava na mão do rei. Estudou aquela por ummomento, enquanto se contorcia entre seus dedos.
– O usurpador – disse por fim. – Robb Stark. – E atirou-a para as chamas.
(ASOS, Davos IV)
Joffrey, Balon e Robb morrem nas mãos de homens, cujos planos estão em andamento muito antes de Stannis realizar qualquer ritual, não porque sejam amaldiçoados magicamente ou porque R'hllor quer que seja assim. Para que serve Stannis queimando as sanguessugas? Em seu capítulo em A Dança dos Dragões, vimos Melisandre apostar pesado nas aparências como uma maneira de conservar sua influência, mantendo os homens admirados por sua aura de misticismo. Uma demonstração de poder, a fim de recuperar a confiança de Stannis, não seria ruim após a derrota desastrosa no Àgua Negra e, por mais risíveis que tenham sido suas interpretações sobre Azor Ahai, Melisandre consegue prever eventos de importância política em suas chamas, às vezes com detalhes e precisão impressionantes.
[Jon:] Outros senhores se declararam por Bolton também?
A sacerdotisa vermelha deslizou para mais perto do rei.
– Vi uma cidade com muralhas de madeira, ruas de madeira, cheia de homens. Estandartes se agitavam sobre suas muralhas: um alce, um machado de batalha, três pinheiros, machados de cabos longos cruzados sob uma coroa, uma cabeça de cavalo com olhos flamejantes.
– Hornwood, Cerwy n, Tallhart, Ryswell e Dustin – informou Sor Clayton Suggs. – Traidores, todos. Cãezinhos de estimação dos Lannister.
(ADWD, Jon IV)
Melisandre vê nas chamas que Joffrey, Balon e Robb não demorarão muito no mundo dos vivos e orquestra uma pequena farsa para Stannis; portanto, quando a notícia de suas mortes chegar até ele, sua crença nela e em suas habilidades será reforçada. Como tudo isso é relevante para a Grande Conspiração Nortenha? Lorde Bolton é chamado por alguns de Senhor Sanguessuga pelas sanguessugas que frequentemente usa para tratamentos de saúde.
[Roose:] Tem medo de sanguessugas, filha?
[Arya:] São só sanguessugas. Senhor.
– Meu escudeiro poderia aprender alguma coisa com você, ao que parece. Sangramentos frequentes são o segredo de uma vida longa. Um homem tem de se purgar do sangue ruim.
(ACOK, Arya IX)
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O quarto do senhor estava cheio de gente quando [Arya] entrou. Qyburn encontrava-se presente, bem como o severo Walton com seu camisão e grevas, além de uma dúzia de Frey, todos eles irmãos, meios-irmãos e primos. Roose Bolton estava na cama, nu. Sanguessugas aderiam à parte de dentro de seus braços e pernas e espalhavam-se por seu peito pálido, longas coisas translúcidas que se tornavam de um cor-de-rosa cintilante quando se alimentavam. Bolton não prestava mais atenção nelas do que em Arya.
(ACOK, Arya X)
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– O que você quer agora? – Gendry perguntou numa voz baixa e zangada.
[Arya:] Uma espada.
– O Polegar Preto mantém todas as lâminas trancadas, já lhe disse mais de cem vezes. É para o Senhor Sanguessuga?
(ACOK, Arya X)
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Os olhos de Harwin desceramdo rosto de Arya para o homem esfolado que trazia no gibão.
– Como é que me conhece? – disse, franzindo a testa, desconfiado. – O homem esfolado... quem é você, algum criado do Lorde Sanguessuga?
(Arya II, ASOS)
Qyburn, Jaime e a Senhora Dustin também observam a associação de Roose com sanguessugas (ASOS, Jaime IV / ADWD, O Príncipe de Winterfell). Figurativamente falando, Stannis está novamente queimando sanguessugas para se exibir em sua guerra contra os Boltons, esperando convencer os nortenhos a apoiarem sua tentativa pelo Trono de Ferro. Mas, assim como o teatro de Melisandre não resulta em nada além de aprofundar a confiança de Stannis nela, os experimentos de Stannis em A Dança dos Dragões podem ser inúteis caso outro Stark seja proclamado rei no norte. E há uma dica de que isso acontecerá.
A voz de Melisandre era suave. – Lamento, Vossa Graça. Isso não é um fim. Mais falsos reis irão se erguer em breve para tomar a coroa daqueles que morreram.
– Mais? – Stannis parecia comvontade de esganá-la. – Mais usurpadores? Mais traidores?
– Vi nas chamas.
(ASOS, Davos V)
Em A Dança dos Dragões, mais reis falsos parecem ter substituído os que morreram, como profetiza Melisandre. Tommen assume a coroa de Joffrey e Euron a de Balon. E a coroa de Robb? Quem é o novo rei do norte?
Roose pode ter algumas ambições por lá (ADWD, O Príncipe de Winterfell), mas ele ainda não desafiou o Trono de Ferro ou os Lannisters, que o nomearam Protetor do Norte. De qualquer forma, é improvável que ele pudesse ganhar o apoio dos nortenhos, que prefeririam que um Stark os governasse. Pessoalmente, acho que a opção mais dramática para o próximo usurpador e traidor é Jon, que ganhou o respeito relutante de Stannis por um conselho honesto e pode continuar tendo discussões tensas (leia-se: divertidas!) com ele, de uma maneira que Rickon, de cinco anos de idade, bem, realmente não conseguiria.

Um tempo para lobos

Uma objeção comum à Grande Conspiração Nortenha é que, por mais persuasivo que seja, é otimista demais acreditar que GRRM permitirá que os Starks e seus aliados triunfem. Afinal, ele ganhou reputação por subverter clichês de fantasia de bem vs. Mal, e por matar ou mutilar personagens amados enquanto saboreia as lágrimas amargas de seus leitores.
GRRM é realmente tão pouco convencional? A morte de Ned Stark em A Guerra dos Tronos é frequentemente citada como o momento em que a ASOIAF rompe com as tradições de gênero, transcendendo a tendência juvenil da fantasia por finais de contos de fadas cortando a cabeça do protagonista. No entanto , eu argumentaria que não apenas os críticos da fantasia são os culpados por estereotipar e simplificar outros trabalhos como Senhor dos Anéis a ponto de não fazer sentido, em uma demonstração de memória seletiva. A própria estrutura narrativa da ASOIAF disfarça o fato de que Ned nunca foi o herói da história de GRRM, para começo de conversa.
Ned é uma figura paterna, um mentor protetor e guia do tipo que quase sempre morre, às vezes antes de o primeiro ato de uma fantasia épica terminar (vide Obi-wan Kenobi). As crianças Stark nunca se desenvolveriam de verdade por si mesmas, a menos que o “porto seguro” Ned fosse removido, assim como Harry Potter não pôde depender de Dumbledore em seu confronto final com Voldemort. Dadas as habilidades de vidente verde de Bran, Ned pode até aparecer do além-túmulo para transmitir sabedoria ou divulgar segredos como fizeram Obi-wan e Dumbledore. Tudo isso é bastante convencional. GRRM é simplesmente um mestre da desorientação, e sua manipulação é evidente em muitas das grandes reviravoltas de ASOIAF.
Robb? Nunca teve um ponto de vista. Contos da carochinha sobre reinos perdidos por coisas pequenas são tão comuns quanto as sagas de reis guerreiros heróicos vitoriosos em conquista. As lendas arturianas, por exemplo, contam sobre a fundação da utópica Camelot e a morte de Arthur nas mãos de seu filho bastardo com sua meia-irmã, e sua rainha fugindo com um de seus cavaleiros.
GRRM explora inteligentemente o desejo do leitor de ver Ned vingado. Os Starks se reúnem para distrair os leitores para o prenúncio da morte de Robb no sonho de Theon (com um banquete de mortos em Winterfell) e as visões de Dany na Casa dos Imortais, ambos em A Fúria dos Reis.
Portanto, se a previsibilidade no desdobramento de um enredo não serve como teste para teoria dos fãs, em quais critérios os leitores da ASOIAF podem confiar? Penso que a questão-chave que deve ser colocada em qualquer especulação é: "como isso faz a história avançar?"
A Guerra dos Cinco Reis está marcada pelas mortes de Ned e Robb, a primeira instigando o conflito e a segunda efetivamente encerrando-o – ou pelo menos limpando a lousa para a próxima rodada. Por outro lado, em minha opinião, é narrativamente fraca a ideia de que Jon Snow está permanentemente morto e que seu assassinato levará à queda da Muralha, pensando-se que o atentado sozinho seja capaz de trazer caos a Castelo Negro, pois assim também perderemos Jon como personagem pelo resto da série, tornando inúteis todas aquelas páginas gastas em fazer dele indivíduo e não um simples instrumento do enredo.
Voltando finalmente à Grande Conspiração Nortenha, o que vejo como um dos principais problemas de GRRM em Os Ventos do Inverno é que, depois de cinco livros e quase duas décadas, os Outros ainda não causaram muito impacto. O apocalipse dos zumbis de gelo prometido no prólogo de A Guerra dos Tronos é bom acontecer em breve ou GRRM pode ser justamente acusado de deixar sua história inchar até ficar anticlimática.
Além disso, quando os Outros invadirem inevitavelmente Westeros, eles devem fazê-lo com poder devastador, a fim de estabelecer sua credibilidade como uma ameaça ao reino. No entanto, como pode o Norte, nas condições em que se encontra em A Dança dos Dragões – já devastado pela guerra e pelo inverno, dividido pela política e pelos conflitos de sangue, além de amplamente ignorante do perigo para-lá-da-Muralha –, suportaria realisticamente esse ataque? E as casas do norte, assim como os homens, devem sobreviver em número significativo.
Caso contrário, a tarefa de vencer a Batalha da Alvorada recairá inteiramente sobre Dany, seus dragões, quaisquer forças que a acompanhem de Essos e quaisquer senhores do sul que possam ser convencidos a prestar atenção nela. Acho essa uma perspectiva bastante desagradável, sem mencionar tematicamente inconsistente com o título da série, em que apenas os seres inumano feitos de gelo desempenham papéis principais.
Se for verdade, a Grande Conspiração Nortenha tem o benefício de rapidamente unificar o Norte novamente sob o comando dos Starks, que provavelmente serão liderados por Jon como o mais velho e com mais experiência militar aparente. Isso não recupera magicamente as baixas sofridas pelo Norte durante a guerra, nem produz colheitas para alimentar seu povo faminto e com frio (a menos que Sansa conquiste o Vale), mas garante que as Casas do norte viverão para, em minha opinião, participar do objetivo final de ASOIAF.
As bases para um ressurgimento Stark foram lançadas durante Festim e Dança. Os senhores do rio derrotados estão descontentes e os nortenhos mantêm fé nos Stark. Os Frey são párias para inimigos e aliados, enquanto os Lannisters estão em declínio ignominioso; O legado de Tywin compara-se pejorativamente ao de Ned, apesar da conveniência política do primeiro ser elogiada em detrimento do idealismo rígido do último. Parece que a honra muitas vezes ridicularizada de Ned alcançou uma vitória póstuma, o amor misturado com um respeito saudável provando ser uma influência muito mais duradoura sobre as pessoas do que um reino garantido pelo medo e pela força, que não apenas morre com você, mas também transforma seus filhos em herdeiros inadequados .
Além disso, a mera existência de um complô para coroar Jon não significa que ele será rei no norte. Por acaso, acho que o maior problema nos planos que especula-se que os nortenhos têm é que, após a devida consideração, Jon recusará categoricamente a legitimação e os títulos oferecidos. Considerando que ele seja filho de Lyanna e Rhaegar e que isso o põe como o herdeiro Targaryen do trono de ferro antes mesmo de Dany, seria bastante estranho Jon ser formalmente reconhecido como o rei Stark do norte separatista; Um imperativo dramático exige que Jon seja livre para aceitar o governo de todos os Westeros, quer ele o faça ou não. Jon ouvir a intenção de Robb de reconhecê-lo um verdadeiro filho de seu pai é suficiente para completar o arco de personagens discutido na Parte 1, e os Starks sobreviventes se aliariam a Jon, independentemente de como ele fosse estilizado, por ainda serem um alcatéia.
Não há necessidade de provar o vínculo de afeto de Jon e Arya. Ao resolver a disputa pelas terras de Hornwood, Bran prefere nomear herdeiro bastardo de Lorde Hornwood tendo Jon em mente (ACOK, Bran II). Enquanto isso, Sansa ficou completamente desiludida com o futuro como rainha e quer apenas ir para casa em Winterfell, a salvo de homens que desejam seu dote. É irônico, então, que Jon é um cavaleiro direto das canções outrora queridas de Sansa, pois é um príncipe oculto, cavalheiresco e verdadeiro, seu papel confirmado pela execução que fez de Janos Slynt. Não importa as maldades infantis que Sansa fez a Jon para agradar sua mãe e decorrentes de um senso de adequação, ela pensa com carinho nele agora e entende melhor como ser um bastardo o afeta.
Lorde Slynt, o da cara de sapo, sentava-se ao fundo da mesa do conselho, usando um gibão de veludo negro e uma reluzente capa de pano de ouro, acenando com aprovação cada vez que o rei pronunciava uma sentença. Sansa fitou duramente aquele rosto feio, lembrando-se de como o homem atirara o pai ao chão para que Sor Ilyn o decapitasse, desejando poder feri-lo, desejando que algum herói lhe atirasse ao chão e lhe cortasse a cabeça. Mas uma voz em seu interior sussurrou: Não há heróis.
(AGOT, Sansa VI)
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[Sansa] havia séculos que não pensava em Jon. Era apenas seu meio-irmão, mesmo assim... Com Robb, Bran e Rickon mortos, Jon Snow era o único irmão que lhe restava. Agora também sou bastarda, como ele. Oh, seria tão bom voltar a vê-lo. Mas estava claro que isso nunca poderia acontecer. Alayne Stone não tinha irmãos, ilegítimos ou não.
(AFFC, Alayne II)
E Rickon?
A procissão passara a não mais de um pé do local que lhe fora atribuído no banco, e Jon lançara um intenso e demorado olhar para todos eles. O senhor seu pai viera à frente, acompanhando a rainha. [...]Em seguida, veio o próprio Rei Robert, trazendo a Senhora Stark pelo braço. [...] Depois vieram os filhos. Primeiro o pequeno Rickon, dominando a longa caminhada com toda a dignidade que um garotinho de três anos é capaz de reunir. Jon teve de incentivá-lo a seguir, quando Rickon parou ao seu lado.
(AGOT, Jon I)
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Bran bebeu da taça do pai outro gole do vinho com mel e especiarias, [...] e se lembrou da última vez que tinha visto o senhor seu pai beber daquela taça.
Havia sido na noite do banquete de boas-vindas, quando o Rei Robert trouxera a corte a Winterfell. Então, ainda reinava o verão. Seus pais tinham dividido o estrado com Robert e sua rainha, com os irmãos dela a seu lado. Tio Benjen também estivera lá, todo vestido de preto. Bran e os irmãos e irmãs tinham se sentado com os filhos do rei, Joffrey, Tommen e a Princesa Myrcella, que passou a refeição inteira olhando Robb com olhos de adoração. Arya fazia caretas do outro lado da mesa quando ninguém estava olhando; Sansa escutava, em êxtase, as canções de cavalaria que o grande harpista do rei cantava, e Rickon não parava de perguntar por que motivo Jon não estava com eles.
– Porque é um bastardo – Bran teve de segredar-lhe por fim.
(ACOK, Bran III)
Jon tem duas vantagens adicionais sobre qualquer pessoa de fora para conseguir que Rickon o obedeça: 1) Fantasma, que pode subjugar Cão Felpudo. 2) Sua semelhança com Ned, de quem Rickon provavelmente se lembra como seu pai de tempos mais felizes. Assim como a semelhança de Sansa com Catelyn leva Mindinho a uma falsa sensação de segurança, a aparência de Jon pode reforçar sua posição como uma figura de autoridade para Rickon.
Em resumo, sinto que há boas chances de que o primeiro ato do rei Bran ou Rickon, da rainha Sansa ou de Arya seja nomear Jon seu conselheiro, confiável acima de todos os outros, e dê a ele o comando estratégico de seus exércitos, ou se não legitimá-lo como um Stark conforme os últimos desejos de Robb. E, francamente, a noção de que Stannis, Mindinho ou Manderly possamem convencer os Starks a uma disputa de sucessão mesquinha quando Jon é claramente o mais qualificado para liderar o Norte em uma segunda Longa Noite me parece implausível, contradizendo a caracterização estabelecida e a dinâmica familiar.
O que me leva à outra objeção comum a todas as variações de Jon como rei. Jon é honrado demais para quebrar seus votos, certo? Também usurpar os lugares de direito de seus irmãos enquanto eles estão vivos!
Lembremos a lição que Qhorin Meia-mão ensina a Jon: "Nossa honra não significa mais que nossas vidas, desde que o reino esteja seguro". (ACOK, Jon VII) No final de Dança dos Dragões, Jon resolveu fazer o que considerava certo e condenar o que as pessoas dizem sobre ele.
– Tem minha palavra, Lorde Snow. Retornarei com Tormund ou sem ele. – Val olhou o céu. A lua estava meio cheia. – Procure por mim no primeiro dia da lua cheia.
– Procurarei. – Não falhe comigo, pensou, ou Stannis terá minha cabeça. “Tenho sua palavra de que manterá nossa princesa por perto?”, o rei dissera, e Jon prometera que sim. Mas Val não é nenhuma princesa. Disse isso a ele meia centena de vezes. Era uma desculpa fraca, um triste farrapo enrolado em sua palavra quebrada. Seu pai nunca teria aprovado aquilo. Sou a espada que guarda os reinos dos homens, Jon recordou-se, no fim, isso deve valer mais do que a honra de um homem.
(Jon VIII, ADWD)
Apesar de sua aparência essencialmente Stark, Jon não é um clone de Ned, o qual, de todo modo, confessou uma traição que não cometeu, a fim de poupar a vida de Sansa e quase completsmente só sustenta a maior mentira da série em nome de Jon (supondo que R+L=J), por muitos anos antes disso. O entendimento de Jon sobre obrigações, juradas ou não, sempre foi flexível, porque sua própria existência é a prova de que o mais honroso dos homens pode falhar em seu dever. Se Ned, seu modelo de comportamento, não pode cumprir seus votos de casamento, como Jon pode esperar ser melhor, já que é um bastardo?
Depois de seu período com Meia-mão e Ygritte, a tarefa sísifa original de Jon, de alcançar padrões de honra impossivelmente altos, transformou-se em uma dedicação firme ao mais alto mandamento da Patrulha da Noite – ou seja, defender o reino contra os Outros. Existem inegáveis complicações emocionais por parte de Jon ao lidar com o Norte, já que ele não pode reprimir totalmente suas preocupações com a família e o lar, mas assumir o comando de nortenhos que não querem dobrar os joelhos para Stannis garantirá que o Muralha receba reforços e suprimentos necessários. Jon consideraria sua honra pessoal mais importante do que isso? Eu duvido.
Isso tudo, é claro, pressupõe que a Patrulha da Noite continue a existir de alguma forma após o fiasco do assassinato de Bowen Marsh, o que de maneira alguma é certo que ocorrerá.
Que a última cena de Jon em Dança dos Dragões faz paralelo com a morte de Júlio César é uma ideia amplamente aceita. Agora, considere que os senadores que mataram César, em vez de salvar a república romana de um tirano, precipitaram sua queda, descobrindo, para seu choque, que o povo não estava particularmente agradecido pelo assassinato de um líder popular, embora cometido em seu nome.
Guerras civis se seguiram, um império surgindo das ruínas. Ainda não se sabe se Jon é Otaviano / Augusto nesta reconstituição na fantasia. Ele tem à sua disposição um exército pessoal – depois de inconscientemente se tornar rei dos selvagens na ausência de Mance Rayder –e um contrato com o Banco de Ferro (ao que tudo indica).
Concluindo, passo a proibir que discussões posteriores a esta teoria de argumentem que uma conspiração para coroar Jon Rei do Norte esteja fora do mão para os (hipotéticos) conspiradores e os pretendentes Stark para Winterfell ou para GRRM, devido a sua aversão crônica a clichês. Ambas as afirmações foram usadas para descartar a teoria sem abordar as evidências que sustentariam a falta de substância, especialmente tendo em vista a maleabilidade de personagens e tropes nas mãos de um bom escritor (o que eu acredito que a maioria dos fãs da ASOIAF confia que o GRRM seja). Todo mundo deseja a ele boa sorte com Os Ventos do Inverno!
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2020.03.28 16:55 Cute_Baphomet Sou misantropo e percebi que estou melhorando.

Boa tarde a todos. Sou um homem de 25 anos, e sou misantropo. Para os que não sabem o que isso significa, misantropia é uma característica da personalidade de uma pessoa, que se resume pela aversão, desgosto ou simplesmente indiferença pelas pessoas, ou pela sociedade em geral. (no meu caso, predomina a indiferença mesmo) Mas não se enganem, eu ainda assim tenho amigos, mesmo que poucos, família e inclusive estou num relacionamento sério há bastante tempo.
Estou há 8 anos com a única mulher que cheguei a ter algum tipo de interesse na vida, nisso eu me considero extremamente sortudo, porque antes de conhecê-la, eu aceitava simplesmente que iria viver a vida sozinho. Não que eu achasse isso ruim, mas ter alguém presente na sua vida, que te faz sentir-se bem é sempre bom.
Eu considero meu relacionamento super saudável. Depois de 8 anos, nós nos conhecemos muito bem, e ela é a única pessoa para quem eu me abro de verdade, ela é extremamente tolerante com minhas características e além disso, ela me apresentou coisas que eu, por ser quem sou, naturalmente não teria conhecido, ou experimentado.
Até recentemente eu achava que não tinha mudado muito, eu continuo sendo o cara que não acha a mínima graça em festas, aglomerações de pessoas, não tenho muito interesse em conversar com os outros, e não gosto muito de sair, nem de passear. (com algumas exceções). Mas recentemente, devido ao isolamento social que eu e ela estamos tendo devido a pandemia, não estamos mais nos vendo, e pela primeira vez na vida, eu sinto falta de sair, de fazer algo diferente, levar ela a algum lugar. Por menor que esse sentimento seja, isso sinceramente me assusta e ao mesmo tempo me deixa impressionado, pois não tinha percebido que eu havia mudado tanto. Eu já disse isso a ela, o que a deixou muito feliz, e, como não tenho mais ninguém para contar, já que meus amigos são tão antissociais quanto eu, resolvi compartilhar com vocês. Tenham todos um bom dia!
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2020.03.06 06:20 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 2

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52748381148
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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As Terras Fluviais: Corações lupinos

A Vingança da Senhora Coração de Pedra
Há um espião em Correrrio que se reporta à Irmandade sem Bandeiras. Seu nome é Tom dos Sete (ou Tom Sete Cordas de Seterrios), e desde que Jaime se interessou por ele, ele tem ouvido notícias de movimentos inimigos direto da boca do leão, além de esquivar-se pelo acampamento e castelo.
Sor Ryman [Frey] subiu ruidosamente a escada do cadafalso na companhia de uma prostituta de cabelos de palha, tão bêbada quanto ele. [...]Um aro de bronze martelado empoleirava-se, torto, em sua cabeça, gravado com runas e ornado com pequenas espadas negras. [...]
[Jaime:] Um bêbado, um idiota e um covarde. É melhor que Lorde Walder sobreviva a esse tipo, senão os Frey estão feitos . – Está dispensado, sor.
– Dispensado?
– Ouviu o que eu disse. Vá embora.
– Mas... para onde irei?
– Para o inferno, ou para casa, o que preferir. Que não esteja no acampamento quando o sol nascer. Pode levar sua rainha das putas, mas essa coroa que ela usa não – Jaime virou-se para o filho de Sor Ryman. – Edwyn, lhe darei o comando que era de seu pai. Tente não ser tão estúpido como ele.
– Isso não deverá ser tão difícil, senhor.
– Envie uma mensagem a Lorde Walder. A coroa exige todos os seus prisioneiro [...]
Uma multidão reunira-se junto do cadafalso, incluindo uma dúzia de seguidoras de acampamentos em vários graus de nudez. Jaime reparou num homem que trazia uma harpa.
– Você. Cantor. Venha comigo.
O homem tirou o chapéu.
– Às ordens do senhor.
Ninguém proferiu uma palavra no trajeto de volta ao barco, com o cantor de Sor Ryman a segui-los.
(AFFC, Jaime VI)
Tom fica sabendo de duas coisas na cena acima: 1) Ryman Frey, herdeiro de Lorde Walder, está deixando Correrrio, provavelmente retornando às Gêmeas. 2) Os reféns do Casamento Vermelho mantidos nas Gêmeas podem em breve ser transferidos para a custódia de Lannister e presumivelmente levados para Porto Real.
Uma possível terceira descoberta é que o Regicida é um comandante competente, o único homem com autoridade suficiente para por ordem nos Freys birrentos. Tom perde pouco tempo - não mais do que os dois dias que Correrrio leva para se render - entrando em contato com seus companheiros fora da lei sobre os planos de viagem de Ryman.
No próximo capítulo de Jaime, a Senhora Coração de Pedra emboscou Ryman e sua comitiva.
[Jaime] Em vez de regressar ao castelo de imediato, atravessou uma vez mais o Pedregoso para fazer uma visita a Edwyn Frey e discutir a transferência dos prisioneiros do bisavô. A hoste Frey começara a se desagregar horas depois da rendição de Correrrio, à medida que os vassalos e cavaleiros livres de Lorde Walder iam desmontando os acampamentos para se dirigirem para casa.
Os Frey que ainda restavam se preparavam para partir, mas foi encontrar Edwyn com o tio bastardo no pavilhão deste último.
Os dois estavam debruçados sobre um mapa, discutindo acaloradamente, mas calaram-se quando Jaime entrou.
– Senhor Comandante – disse Rivers com fria cortesia, mas Edwyn exclamou: – O sangue de meu pai está em suas mãos, sor.
Aquilo apanhou Jaime de surpresa.
– Como assim?
– Foi você quem o mandou para casa, não foi?
Alguém tinha de fazê-lo.
– Aconteceu algum infortúnio a Sor Ryman?
– Foi enforcado com toda sua comitiva – disse Walder Rivers. – Os fora da lei os capturaram duas léguas a sul de Feirajusta.
– Dondarrion?
– Ou ele ou Thoros, ou aquela mulher, Coração de Pedra.
Jaime franziu as sobrancelhas. Ryman Frey tinha sido um idiota, um covarde e um beberrão, e não era provável que alguém sentisse muitas saudades do homem, em particular os outros Frey. Se os olhos secos de Edwyn eram indicação de algo, nem mesmo seus próprios filhos fariam luto por ele durante muito tempo. Mesmo assim... Esses fora da lei estão se tornando ousados se se atrevem a enforcar o herdeiro de Lorde Walder a menos de um dia a cavalo das Gêmeas.
– Quantos homens Sor Ryman tinha consigo? – quis saber.
– Três cavaleiros e uma dúzia de homens de armas – disse Rivers. – É quase como se soubessem que ele ia regressar às Gêmeas, e com uma escolta pequena [...]
“Se você me perdoar por me intrometer na sua dor”, [Jaime] – Perdoe-me por me intrometer em sua dor – disse secamente –, mas temos outros assuntos a ponderar. Quando regressar às Gêmeas, por favor, informe Lorde Walder que o Rei Tommen exige todos os cativos que aprisionaram no Casamento Vermelho.
Sor Walder franziu as sobrancelhas.
– Esses prisioneiros são valiosos, sor.
– Sua Graça não os pediria se fossem inúteis.
Frey e Rivers trocaram um olhar. Edwyn disse: – O senhor meu avô esperará uma recompensa por esses prisioneiros.
E a terá, assim que me crescer uma nova mão, Jaime respondeu em pensamento.
– Todos nós temos esperanças – disse com brandura.
(AFFC, Jaime VI)
Muitos dos senhores do rio, de má vontade, dobraram os joelhos porque seus parentes ainda estão em cativeiro, da mesma maneira que Manderly diz concordar com os Boltons, mesmo sofrendo com a presença de Freys em sua corte, até que seu filho e herdeiro mais velho, Wylis, lhe é devolvido. Lorde Piper, por exemplo, que sai furioso do conselho de guerra de Jaime, provavelmente não quer nada além de passar Edwyn na espada, a menos que veja voltar ao lar seu filho primogênito, Marq.
Nenhum Frey estaria a salvo de represálias sangrentas caso os reféns do Casamento Vermelho escapassem a caminho de Porto Real. E a Irmandade sem Bandeiras poderá em breve estar em posição de facilitar exatamente essa fuga da prisão, tendo sido avisada da transferência graças a Tom.
Esta, no entanto, não é a única operação que a Irmandade sem Bandeiras poderia realizar. Pois Tom permanece em Correrrio no final de O Festim dos Corvos.
Lorde Emmon [Frey] reuniu Correrrio inteiro no pátio, tanto a gente de Lorde Edmure quanto a sua, e falou-lhes durante quase três horas sobre o que se esperava deles, agora que era seu chefe e senhor. De vez em quando brandia o pergaminho, enquanto moços de estrebaria, criadas e ferreiros escutavam num silêncio taciturno e uma ligeira chuva caía sobre todos.
O cantor, aquele que Jaime tomara de Sor Ryman Frey, também estava ali, escutando. Jaime deu com ele em pé numa porta aberta, onde estava seco. [...]
– Esperava que partisse com os Frey.
– Aquele ali em cima é um Frey – disse o cantor, indicando com a cabeça Lorde Emmon. – E este castelo parece um lugar bem aconchegante para passar o inverno. [...]
– Deve se dar magnificamente com a minha tia – disse Jaime. – Se espera passar o inverno aqui, assegure-se de que sua música agrade à Senhora Genna. É ela que importa.
– Você não?
– Meu lugar é junto do rei. Não ficarei aqui por muito tempo.
– Lamento ouvir isso, senhor. Conheço canções melhores do que “As Chuvas de Castamere”. Podia ter tocado para o senhor... Oh, sim, todo tipo de coisas.
(AFFC , Jaime VII)
Agora, lembre-se de que Daven Lannister está noivo de uma Frey: “Casarei e dormirei com minha doninha, nada tema. Sei o que aconteceu a Robb Stark. (Jaime V, AFFC) Jaime viaja para Covarbor, onde em A Dança dos Dragões ele trata com os Brackens e os Blackwoods, mas Daven é visto pela última vez em Correrrio, e especula-se que ele planeja se casar lá antes de tomar a estrada para Rochedo Casterly.
Nesse caso, bem, a Senhora Coração de Pedra talvez pretenda convidar a si mesma e a seus homens sem aviso prévio para um segundo Casamento Vermelho. A Senhora Genna não agradecerá a Jaime por ter colocado um alvo grande e gordo suas costas, e o próprio Lorde Walder pode decidir participar das festividades por uma oportunidade de se vangloriar do castelo subjugado de seus antigos senhores, os Tullys. A conversa de Tom sobre outras músicas – melhores que “As Chuvas de Castamere”, uma infame deixa musical para matança e caos – é bastante ameaçadora.
Mas ainda há mais! E é aqui que as coisas ficam realmente interessantes, em minha opinião.
[Jaime] Voltou-se novamente para a Senhora Mariya [Darry, esposa de Merrett Frey].
– Os fora da lei que mataram seu marido... eram do bando de Lorde Beric?
– Foi o que pensamos a princípio – embora os cabelos da Senhora Mariya estivessem salpicados de grisalho, ainda era uma mulher de aspecto agradável. – Os assassinos se dispersaram quando saíram de Pedravelhas. Lorde Vypren seguiu um bando até Feirajusta, mas ali perdeu o rastro. Walder Negro levou cães de caça e caçadores para o Atoleiro da Bruxa atrás dos outros. Os camponeses negaram tê-los visto, mas quando foram interrogados intensamente cantaram uma cantiga diferente. Falaram de um homem de um olho só e de outro que usava manto amarelo... e de uma mulher, coberta por manto e capuz [...] Os camponeses queriam fazer que acreditássemos que seu rosto estava rasgado e cheio de cicatrizes, e que seus olhos eram terríveis de contemplar. Dizem que liderava os fora da lei.
– Liderava-os? – Jaime achava difícil acreditar naquilo. – Beric Dondarrion e o sacerdote vermelho...
– ... não foram vistos – Senhora Mariya parecia ter certeza [...]
Walder Negro seguiu essa mulher encapuzada e seus homens até onde?
– Os cães voltaram a farejar seu cheiro ao norte do Atoleiro da Bruxa – disse-lhe a mulher mais velha. – Ele jura que não estava mais de meio dia atrás deles quando desapareceram no Gargalo. [...]
Eu não acharia os cranogmanos incapazes de abrigar alguns fora da lei, [disse Sor Danwell Frey].
(AFFC, Jaime IV)
O homem homem de um olho só é Jack Sortudo, o outro é Limo Manto Limão e, é claro, a mulher encapuzada é a Senhora Coração de Pedra. Também não é a primeira vez que alguma encarnação de Catelyn Stark visita o Atoleiro da Bruxa.
Cinco dias mais tarde, os batedores [de Robb] retornaram para preveni-los de que as águas da enchente tinham arrastado a ponte de madeira em Feirajusta.. [...]
Robb olhou para Catelyn.
– Há mais alguma ponte?
– Não. E os vaus estarão intransitáveis. – Tentou vasculhar a memória. – Se não conseguirmos atravessar o Ramo Azul, teremos de rodeá-lo, por Seterrios e pelo Atoleiro da Bruxa.
(ASOS, Catelyn V)
No final do capítulo, a hoste de Robb passou por Pedrasvelhas e Seterrios antes de esbarrar no Atoleiro da Bruxa. Jason Mallister os alcança, e lá Robb chama seu último conselho como Rei no Norte. Os leitores há muito tempo se perguntam o que aconteceu com o decreto de Robb, assinado e com testemunhas, no qual nomeou um herdeiro (provavelmente um Jon legitimado).
[Robb] pegou uma folha de pergaminho. – Mais uma coisa. Lorde Balon deixou o caos atrás de si, esperamos nós. Eu não farei o mesmo. Mas ainda não tenho um filho, meus irmãos Bran e Rickon estão mortos e minha irmã encontra-se casada com um Lannister. Refleti longa e duramente sobre quem poderá me suceder. Ordeno-lhes agora, como meus senhores legítimos e leais, que coloquem seus selos neste documento como testemunhas de minha decisão.
(ASOS, Catelyn V)
O documento não vai para o norte com Galbart Glover e Maege Mormont, que expressamente portavam cartas falsas, razão pela qual costuma-se temer que tenha sido perdido nas Gêmeas, no caos após o Casamento Vermelho. Outra possibilidade, no entanto, é que o documento tenha sido guardado em Atoleiro da Bruxa e agora tenha sido recuperado pela Senhora Coração de Pedra. Que, por sua vez, por uma verdadeira reviravolta irônica, entregaria a suposta prova da realeza de Jon em Atalaia da Água Cinzenta por segurança, aos cuidados de Howland Reed, que então conhece mais as coroas que Jon tem direito do que qualquer outro homem vivo no mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo.
Tudo isso, se verdadeiro, significa que a Senhora Coração de Pedra é mais capaz de pensamento racional do que se acreditava. Conforme segue dizendo a teoria, sua sede de sangue inicial foi saciada, a Catelyn morta-viva começou a se lembrar mais de sua vida anterior, especificamente a vontade de Robb de que Jon o sucedesse como rei. Catelyn foi inflexivelmente contra isso, mas depois do Casamento Vermelho e que ressuscitar de sua cova aquosa a mudaram terrivelmente, ela tem alvos muito melhores para seu ódio do que o bastardo do falecido marido.
Jon pelo menos amava muito a família dela, também pensava em Ned como pai e Robb como irmão. Ele protegeria Sansa e Arya de todos os que poderiam lhes causar dano se as meninas fossem encontradas e, confessadamente, quer trazer morte e destruição para a Casa Lannister (AFFC , Samwell I/ ADWD, Jon II), sendo barrado de buscar vingança apenas por sua honra teimosa e seus votos à Patrulha da Noite.
O tempo da Irmandade sem Bandeiras e bandos fora- da-lei similares é limitado. O inverno está chegando e, mesmo com o apoio dos plebeus, será difícil continuar uma vida de guerrilha contra os Lannisters e Freys. Quem pode continuar a busca de vingança da Senhora Coração de Pedra? E talvez reviver as esperanças dos homens do norte e dos nobres das Terras Fluviais derrotados na causa pela qual Robb morreu? De independência do Trono de Ferro que desde então sancionou a quebra do sagrado direito de hóspede de não matar os seus?
De qualquer forma, a Catelyn morta-viva parece extraordinariamente contemplativa em sua cena final de O Festim dos Corvos, eu acho. E, o mais impressionante, ela tem o que foi identificado por descrição como a coroa de Robb, tirada de Sor Ryman, que não sentirá sua falta.
Uma mesa de montar tinha sido erguida do outro lado da gruta, numa fenda da rocha. Por trásdela encontrava-se sentada uma mulher toda vestida de cinza, com um manto e um capuz. Tinhanas mãos uma coroa, um aro de bronze rodeado por espadas de ferro. Estava estudando-a,afagando as lâminas com os dedos, como que para verificar se estavam afiadas. Os olhoscintilavam sob o capuz.
(AFFC, Brienne VIII)
A Senhora Coração de Pedra é sem dúvida sincera em seu desejo de ver Jaime morto. Imagine, no entanto, que, se ela o mata imediatamente ou o manda em uma perseguição louca atrás dos rumores sobre Sansa, ela terá perdido o único comandante inimigo eficaz, devidamente designado como representante do Trono de Ferro. E isso no momento em que a Irmandade Sem Bandeiras aparentemente está se preparando para a ação, com um espião em Correrrio enquanto as forças de Lannister e Frey se dispersam pelas terras fluviais, (demasiado) confiantes de que a guerra terminou com vitória.
Existe racionalidade por trás loucura da Senhora Coração de Pedra? Talvez. Beric Dondarrion era capaz disso, mas a Catelyn morta-viva estava muito mais longe quando reviveu e havia enlouquecido de pesar no momento da morte. Por outro lado, ela é consciente o suficiente para liderar a Irmandade sem Bandeiras, reconhecer seus inimigos e atar Brienne à sua promessa de serviço (por mais cruel que sejam os métodos empregados).
Infelizmente para os Lannisters e Freys (e talvez para os Boltons, também, mesmo que estejam ao norte do Gargalo), sua morte não é algo que a Senhora Coração de Pedra está planejando sozinha.
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2020.01.16 00:50 TheTanzanite Por que o futuro da humanidade é sombrio

EDIT: Esse post não tem o intuito de deixar ninguém depressivo, por mais que não sejam notícias boas, vejam isso como uma oportunidade de não ficar perdendo tempo com certas cobranças e amarras da sociedade que você sabe que não faz sentido com o que você realmente é ou quer ser. É também uma forma de redirecionar qualquer "raiva" que você tenha no espectro político para quem realmente está causando isso tudo.
Esta é apenas uma tradução das partes relevantes do tópico postado por logiman43 no /DarkFuturology.
10 anos atrás eu era o cara me acorrentando em árvores, 5 anos atrás eu era o cara bloqueando a rua para chamar a sua atenção sobre o consumo de carne. Eu já fui preso, ridicularizado e "linchado". Agora eu estou apenas cansado. Eu sou um Ph.D em Relações Internacionais com especialização em Conflitos Climáticos (e 2 outros diplomas em Direito e Economia).
Aqui você irá achar 30,000 papers científicos sobre esta situação fodida.
Para os amantes de áudio, aqui você tem uma conversa de 30 minutos sobre como tudo deverá colapsar. "Não há crescimento infinito".
5 anos atrás existia uma série chamada 'The Newsroom'. Era uma série série com alguma comédia sobre o mundo midiático. Existe um clipe famoso da série (04:48) sobre o colapso do clima. Era "cômico" na época, porém agora é a realidade.

Aquecimento Global:

De acordo com um report de 2018, a temperatura global já está 1ºC maior do que a era pré-industrial.
O que irá acontecer a cada incremento de 0.5ºC? O rastreador de ações climáticas mostra que chegaremos aos 3.5ºC com as políticas atuais em 2050. Climate stripes - Veja o salto em 1995
Gráfico mostrando emissões de carbono por continente. Veja a explosão na Ásia
Neste gráfico, você tem todos os níveis de CO2, CH4, N20, temperatura e nível do oceano.
As 20 piores consequências do aquecimento global
+9 Gráficos
1.5ºC - Este costumava ser o ponto em que os cientistas achavam que estávamos OK. Em 2018, o IPCC queria parar o aquecimento global neste temperatura, prevendo que a atingiríamos com 10% de chance em 2023. Nesta temperatura, ondas de calor tão quentes quanto o Deserto do Saara acontecerão no mundo todo, todo ano. Haverá destruição massiva de plantações, 70% dos corais no oceano perderão a sua cor e secas afetarão 360mi de pessoas (Fonte).
Advinhe só? De acordo com o - já antigo - report do IPCC de 2019, nós já estamos quase atingindo 1.5ºC. A quantidade de 'loss events' (Tsunamis, Tempestades, Enchentes, Queimadas) entre 1980 e 2015 QUADRUPLICOU.
Históricamente, todo summit pelo clima falhou em atingir a meta de limitar as emissões GHG, não chegando nem perto. Outro ângulo. Inclusive, estudos recentes alertam que metas do Acordo de Paris já estão fora do nosso alcance.

Biomassa e a 6ª Extinção

A Terra aparenta estar passando por um processo de "aniquilação biológica". Mais da metade do número total de animais que um dia dividiram o planeta com os humanos já se foram. Um estudo de 2017 checou as populações animais ao redor do planeta examinando 27,600 espécies de vertebrados - quase metade das espécies que sabemos que existem. Eles descobriram que mais de 30% delas estão em declínio. Algumas espécies estão enfrentando um colapso completo, enquanto populações locais de outras estão sendo extintas em áreas específicas. Além disso, humanos exterminaram 60% das populações animais desde 1970. (Fonte)
Aproximadamente 40% das espécies de insetos estão em declínio, de acordo com um estudo e eles não são as únicas criaturas sofrendo. Nos últimos 50 anos, mais de 500 espécies de anfíbios entraram em declínio - e 90 foram extintas - devido a uma doença mortal de um fungo, que corrói a carne de sapos. (Fonte)
E plantas estão sendo extintas 350x mais rápido do que o normal
De outro lado, veja a explosão de animais domésticos entre 1950 e 200. Gado é uma das causas do aquecimento global. Ex: A Amazônia está sendo desmatada não pela madeira, mas para abrir espaço para criação de gado. (Fonte).

População

A curva íngrime na população. Se nossos números crescem em média 228,000 por dia, em uma semana nós teremos adicionado 1.589.000 pessoas extras à população mundial. Para se preparar, a Humanidade precisa produzir mais comida nas próximas 4 décadas do que já produzimos nos últimos 8.000 anos (Link p/ Paper). Porém estamos desperdiçando tanta comida e perdendo tanta água com irrigação, que é possível que a sociedade colapse em 2040 devido à escassez catastrófica de alimento.

Permafrost e Metano

Solo no Ártico está liberando mais CO2 do que 189 países.

Com um aumento de 2ºC, esperamos que 6.6 milhões de km² descongelem e isso crie um 'feedback loop' que libere muito metano, o que significa que o descongelamento do permafrost e calotas polares se torne um processo de extinção que se auto acelere.
Os oceanos já estão borbulhando com Metano e o que é mais assustador é que nós sabemos que existem patógenos congelados no permafrost - patógenos como Anthrax.

Doenças

Conforme a Terra aquece, animais serão forçados a migrar em massa. Isso significa que animais transportando doenças tropicais (como Malária) passarão a conviver entre nós. Para se ter uma idéia de quão isso é assustador, doenças como 'Camel Flu' (MERS) tem uma taxa de mortalidade de 36%.
E os hospitais não estão preparados para os desafios da mudança climática
Report do World at Risk. Eles listaram dezenas de doenças que os experts sugerem possuir o potencial de causar epidemias que podem escalar fora de controle, entre elas o Ebola, Zika Virus e Dengue. Uma pandemia pode infectar o mundo em horas e matar milhões pois NENHUM país está totalmente preparado. 100 Anos atrás a Gripe Espanhola infectou 1/3 da população e matou 50 milhões de pessoas.
Atualmente, a poluição do ar está tão alta que a China e India ultrapassam os gráficos. Sem uma máscara, você ficará doente.

Erosão do Solo Superficial

Nós estamos ficando sem solo arável (Fonte) e até 2055, nós não teremos mais nada.
Este é o aviso do autor de "Surviving the 21st Century", Julian Cribb para uma conferência internacional do solo em Queenstown, NZ em 15/12/16.
"10kg de Solo Arável, 800L de água, 1.3L de Diesel, 0.3g de Pesticidas e 3.5kg de CO2 - Isso é o necessário para entregar uma refeição, apenas para uma pessoa" - Cribb diz.
É necessário 2000 anos para se formar 5cm de solo arável e se você acha que isso não te afetará, espere até que comida se torne a commodity mais rara da Terra. Se você acha que já viu a barbaridade humana, espere até que estes mesmos humanos estejam famintos e desesperados por comida. Isso não significa milhões de pessoas famintas, sginificará bilhões de pessoas sem comida. Incluíndo você.

Escassez de Água Doce

A India tem 5 anos para solucionar a crise hídrica, a África do Sul tem a pior seca em 1000 anos, Zâmbia tem 2mi de pessoas à beira da inanição graças à seca.
De acordo com o report das Nações Unidas, em 10 anos, 4 bilhões de pessoas serão atingidas pela falta de água doce, das quais 2 bilhões estarão severamente em falta.

O evento "Blue Ocean"

Um evento Blue Ocean significa que grandes quantidades de luz solar não serão mais refletidas de volta ao espaço. Ao invés disso, o calor será absorvido pelo Ártico. Enquanto o Oceano Ártico possui gelo, a maior parte da luz solar é refletida e o "centro de frio" permanece perto do Pólo Norte.
Isso não apenas significa que o calor adicional terá que ser absorvido pelo Ártico, mas também que os padrões de vento irão mudar radicalmente, ainda mais do que já estão mudando hoje. O que causa com que outros 'pontos de virada' sejam atingidos antes do esperado. É por isso que o evento 'Blue Ocean' é muito importante e possivelmente será atingido abruptamente em 2022. (Fonte).

O feedback loop da camada de gelo

Quando falamos do crescimento do nível do mar, está se tornando cada vez mais difícil prever uma vez não estamos apenas aquecendo o ar, o calor está ficando preso nos oceanos também, o que significa que as camadas de gelo no círculo do ártico está derretendo por cima e por baixo - Ou seja, estão derretendo MUITO mais rápido do que estimamos até nas nossas estimativas mais radicais. (Vídeo).
Se você está preocupado com os refugiados da América Central/Latina ou África, você pode começar a pensar nas dezenas de milhões de pessoas que começarão a escapar continente a dentro das inundações.
Isso TRIPLICA as nossas estimativas anteriores.

Evento Wet Bulb

Mudança Climática causará ondas húmidas de calor, que matarão até pessoas saudáveis.

Ondas de calor extremas que matam pessoas saudávels em horas atingirão partes do subcontinente indiano a menos que as emissões globais de carbono sejam drasticamente cortadas rapidamente. Mesmo foras destes hotspots, 3/4 da população de 1.7bi - particularmente agricultores no Ganges e vales Hindus - serão expostos a um nível de humidade classificado como "Perigo Extremo" até o final do século.
A nova análise avalia que o impacto do clima na combinação mortal de calor e humidade, classificado como a temperatura "Wet Bulb" (WBT). Quando a humidade chega em 35ºC, o corpo humano não consegue mais se regular através do suor e até pessoas saudáveis sentadas na sombra, morrerão em até 6 horas. Já existem partes do mundo em que a humidade atinge 32ºC a 33ªC.

Acidificação do Oceano

Acidificação do Oceano tornará a mudança climática pior ainda

Os oceanos estão absorvendo uma grande parcela do CO2 emitido na atmosfera. Na realidade, oceanos são o maior absorvente de CO2 do mundo, muito maior do que as capacidades de absorção da floresta amazônica. Mas quanto mais CO2 os oceanos absorvem, mais ácidos eles ficam em uma escala relativa pois uma parte do carbono reage com a àgua para formar ácido carbônico.
Se a acidificação diminuir as emissões marinhas de enxofre, isso poderá causar um aumento na quantidade de luz solar atingindo a superfície da Terra, acelerando o aquecimento - o que é exatamente o que o estudo do Nature Climate Change prevê. Pesquisadores estimam que o pH do oceano irá diminuir em 0.4pH até o final desse século se as emissões de carbono não pararem, ou em 0.15pH CASO o aumento pare em 2ºC. (Fonte)
Já está acontecendo uma extinção em massa nos oceanos.

Porque prevenção do desmatamento é mais importante que replantá-las.

Há tanto CO2 na atmosfera que plantar novas árvore já não pode mais nos salvar.

Cientistas estimam que precisamos plantar 1 trilhão de árvores para mitigar o Aquecimento Global. SEM PERDER NENHUMA ÁRVORE já que uma árvore queimando libera todo o CO2 de volta.
A Amazônia está perdendo 3 campos de futebol por minuto graças à queimadas - Mapa Interativo. No momento, estamos perdendo 13-15mi de hectares de árvores por ano na América do Sul, África e Oeste Asiático que estão sendo convertidos para agricultura. (Fonte)
Então se assumirmos que plantemos 1mi de árvores a cada passo que você dê, então 20 passos serão 20mi de árvores, correto? 1 trilhão de árvores é o equivalente a 2.5x mais do que a distância em que você está até a Estação Espacial Internacional, isso sem contar toda a poluição liberada para plantar as sementes, toda a logística de preparo do solo arável e o descarte de lixo. Uma ação para resolver um problema, afeta diversos outros que também contribuem para o aquecimento.

Migrações

Se prepare para centenas de milhões de refugiados do clima - MIT.

Até 2050 haverão 1.5bi de migrantes. Sim, em 30 anos. O que aumenta drasticamente o potencial de conflitos e violência. Um estudo pelo Pentágono confirma que haverão guerras causadas por problemas relacionados a refugiados do clima.
Apenas um exemplo rápido, a Índia poderá bloquear o rio Indus, matando centenas de milhões de paquistaneses. (Fonte). Ambos países que possuem armas de destruição em massa. Nos próximos 30 anos haverá também um crescimento do fascismo e campos de concentração, o que já acontece nos EUA com mexicanos e na China com os Uighurs.

Os super-ricos

Os ricos sabem que é tarde de mais e que serão os únicos que sobreviverão. (Artigo). Eles já estão costruindo bunkers e comprando passaportes neozelandeses para se refugiarem quando der merda e é por isso que eles estão ficando exponencialmente mais ricos. Por exemplo, Canada, Noruega e Brasil irão 'floodar' o mundo com petróleo para obter lucro máximo (Artigo do NYT "Flood of Oil is Coming").
Se qualquer coisa acontecer, os super-ricos irão apenas comprar passaportes por $1M+ e fugir enquanto migrantes serão colocados em campos de concentração, os ricos estão planejando nos deixar para trás.

Porque o atual sistema econômico está quebrado

O sistema econômico está completamente quebrado e não só nos EUA comot ambém na Europa, Austrália, América do Sul e Ásia. Eu estive pesquisando este assunto por anos e fico 'embasbacado' quão ruim realmente está.
Os ultra-ricos possuem $32 trilhões, sem contar assets mobiliários, ouro, iates e cavalos de corrida, em contas offshore.
Visualização da diferença entre $50,000, $1mi e $1bi. A média de income nos EUA é de $32,000/ano. Supondo que cada degrau em uma escada representa $100,000, então metade da população americana ainda está no começo ou apenas no 1º degrau, são quase 200 milhões de pessoas que não conseguem nem subir um degrau nesse sistema. Os lares conjuntos de 80% estão no quinto degrau da escada enquanto um bilionário...um bilionário está 10.000 degraus acima da escada, o que é o equivalente à 5 prédios do tamanho do Empire State. Lá de cima, eles não conseguem distinguir a diferença dentre um milionário e um sem-teto nem se eles quisessem. E Jeff Bezos? Ele está na metade do caminho até a Estação Espacial, o equivalente a 24 Everests em cima do outro.
Se você tivesse um trabalho que pagasse $2.000/HORA e você trabalhasse 40 horas por semana, sem férias e de alguma forma economizasse todo esse dinheiro, você teria que trabalhar mais de 25.000 anos para chegar na mesma fortuna de Jeff Bezos.
Outras menções notáveis:

Por que ninguém fala do colapso?

Por que ninguém fala do colapso? Porque um mundo sem esperança é um mundo de caos, imagine 7 bilhões de pessoas percebendo que eles não tem 200, 100, 50 anos restantes mas sim apenas 20 ou 30.
Além disso, os ricos estão tentando promover éticas de trabalho em que você não tenha tempo para ler, assistir ou estudar sobre nada do que foi dito acima. Nós estamos ficando cada vez mais isolados um dos outros por causa de tecnologias como Facebook ou Tinder e pra completar, os políticos estão tentando desestabilizar o mundo que conhecemos, para criar confusão e conflito entre nós. Dividir e Conquistar. Por que você acha que a Rússia está por trás do Brexit, do movimento Black Lives Matter e do crescimento do fascismo na Europa?
A Rússia influenciou as eleições americanas, criando centenas de grupos de Facebook Pro-Trump, pagou também para rodar propagandas patrióticas "MAGA" no Facebook.
Por que você acha que há tantos protestos rolando ao redor do mundo ultimamente? Aqui estão os maiores protestos acontecendo agora.
LUTE!
Para mais: /collapse
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2020.01.14 05:15 bluevitamin só queria um lugar pra escrever

eu sempre dou tudo de mim mas é o mesmo que nada. estou cansada. muito cansada. sera se posso continuar assim? por quanto tempo? E porque? todo dia é apenas um dia que eu tento sobreviver sem motivo nenhum. por quanto mais? me sinto exausta o tempo todo.
cansada de tudo e de nada. cansada de mim e de todos ao meu redor, dos meus pensamentos, das vozes na minha cabeça, das minhas idéias, das minhas lágrimas e do meu sorriso falso quando digo que é só sono e que tá tudo bem enquanto meu interior se aperta com força.
eu estou assustada. tenho medo da vida, da respiração, do espelho, das pessoas, do lado de fora, do próprio mundo. estou com medo de mim mesma e odeio isso. estou com medo do que sou ou do que me tornarei. Estou com medo do futuro, tenho medo do passado e tenho medo do presente.
estou com medo do tempo. não, eu odeio tempo. eu me perco o tempo todo, não consigo ter noção mais.
quero mais tempo, mas não quero. eu sei que não há futuro para mim. e para que futuro ?! porque?! eu não quero isso. se eu nunca penso nisso. então por que tenho tanto medo disso?
porque sou covarde e estupida. eu deveria ter terminado quando tive a chance, mas agora tudo o que faço é me esconder e esforçar em vão. me drogar todos os dias e fingir que acredito que se importam. não há lugar pra mim.
é tarde demais? eu posso apenas tentar novamente. mas por que não deveria? não tenho medo da morte, tenho medo do nada, do vazio. de mim mesma.
eu já sinto tudo isso por estar viva, então por que? por que eu ainda paro? por que ainda insistem? por que eu me importo se não vou estar aqui para me importar? É mãe? ela já perdeu muito, eu não posso fazer isso com ela ... mas ela ... eles nunca acreditaram em mim, então por que? por que eu ainda ligo ?! eu deveria fazer isso. eu preciso fazer isso. mas e os meus animais de estimação? os únicos com os quais me sinto verdadeiramente feliz. Minha mãe não gosta deles, quem estará lá para eles?
ninguém se importa. ninguém acredita em mim. ninguém nunca vai ligar de verdade. eu só quero que alguém se importe, quero atenção, quero ser levado a sério.
talvez um dia alguem se arrependa e deseje ter tentado me entender antes que seja tarde demais. provavelmente nao.
eu não sei. não sei o que posso fazer. eu não confio em mim. eu não confio em ninguém. você não pode confiar em ninguém neste mundo, me disseram. "Lembre-se, querida, até a pessoa mais próxima terá uma faca pronta quando você virar as costas. Por razões egoístas." "Todo mundo quer alguma coisa." "Nada é de graça."
eu não posso obter ajuda. mesmo com todo tratamento e esforço em vão, nada melhora. isso só piora. me lembra o quão fodida e "não normal" eu sou. me lembra como eu vejo o mundo agora. e como mesmo se tivesse sido diferente no início eu estaria do mesmo jeito. nao é culpa de ninguem. eu nasci errada. eu sou um erro.
todo ta fodido de toda forma. todos nós estamos mal. tudo e todos sempre têm um lado sombrio, nada é sol e arco-íris. pode parecer assim por um tempo, eu tento me sentir assim, mas termina muito rápido e só me lembra que nada ajudará uma fudida doente como eu.
nao aguento mais tomar remedios. nao funciona. só me faz me sentir doente e estranha. me lembrar que há algo errado comigo e que nunca vou ser normal aos olhos de ninguem.
mamãe faz um bom trabalho em me lembrar do tipo de gente que toma esse tipo de medicamento, porque apenas "pessoas normais e malucas" tomam.
eu já estou entorpecida pela vida. os medicamentos so pioram ainda mais. me sinto como um zumbi sonolento. não preciso me sentir mais entorpecido do que estou.
talvez eu deva? talvez eu fique tão entorpecido que não serei burra. tao entorpecido que talvez eu não consiga pensar mais. eu gostaria de poder dormir e nunca acordar.
trabalho e estudo todos os dias e nem sei por quê. isso não vai mudar nada, mesmo que minha família pense assim. eu apenas "continuo tomando café e me perdendo na minha imaginação". não é que tenha sido traumas de infancia e abuso. apenas surgiu do nada. eu não sei, eu nunca fui uma criança feliz. nem lembro de como eu era direito.
sei que estou sendo dramática. sei que sou tóxica e um peso pra qualquer um que me conheça. sim, busco por atenção. o abandono me assusta tanto quanto o vazio.
eu sei que existem pessoas que realmente têm um bom motivo para se sentirem desesperadas por nao ter acesso a tratamento e outras coisas que faço. eu só estou aqui odiando a vida e a mim por coisas que nao posso controlar. por que eu sou tao egoísta? eu sou o pior tipo de pessoa.
continuo vendo coisas, imaginando algo acontecendo comigo ou fazendo algo comigo mesmo, pensando em como fazê-lo e me machucando pra suportar a enorme vontade de tentar por um fim em tudo. de novo. por quê? nao é nem isso que eu realmente quero. minha cabeça dói. nao aguento mais pensar.
eu odeio sentimentos. nunca foi bom com eles, eu não os entendo. nao sei o que sinto. sei que acabo mudando de humor rapidamente. pelo menos foi isso que me disseram. descontrolada a palavra? desquilibrada?
nao sei me expressar mas quando consigo acabo sendo agressiva demais. apenas mostra que sou fraca, não consigo me controlar. tento parecer forte por fora, mas falho. eu sou fraca. com raiva ou triste cheia de pensamentos negativos. claro que as pessoas vão se cansar de mim. preciso de remedios fortes para me manter calma e "feliz". tenho medo do meu próprio coração.
não consigo dormir. durmo demais. nao consigo comer. como demais. nao tenho esperança. queria poder desligar minha mente. faço tudo o que posso para me manter ocupada. odeio ficar entediado porque estar entediado significa ficar sozinha com seus pensamentos e vozes.
é doloroso. estou presa. perdida. minha mente é um labirinto. eu me sinto uma maldição. sou egoísta. não estou indo bem.
ninguém mais precisa dos meus desabafos, as pessoas têm seus próprios problemas. eles não precisam de mim também. eles não estão realmente lá de qualquer maneira. quem se importa. eu sou uma bagunça. eu só quero acordar e sentir algo pelo menos uma vez.
eu sou melhor como lembrança. ainda sim não quero magoar ninguém.
eu só estou cansada. exausta. morta por dentro e morrendo aos poucos por fora.
só queria um espaço pra escrever mesmo. não vou fazer nada. tenho noção que devo tq escrevendo muita merda. desculpa por isso. eu so queria botqr tudo pra fora. ja faco tratamento. obrigafa lor ler nao precisa se preocupar.
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2020.01.04 03:14 altovaliriano O Leão na teia da Aranha

Texto original: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/05/heirs-in-the-shadows-the-young-lion/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish
Título original: Heirs in the Shadows - The Young Lion

Introdução

Tyrek Lannister pode ser considerado pelos leitores pouco mais que um personagem terciário em As Crônicas de Gelo e Fogo. A avaliação não é irracional: nem mesmo mencionado pelo nome no primeiro livro, aparecendo apenas duas vezes antes de seu misterioso desaparecimento na revolta violenta em Porto Real em A Fúria dos Reis , o jovem Tyrek merece pouco mais do que uma nota de rodapé entre seus parentes Lannister mais proeminentes, muito menos no grande elenco de personagens. Caso notado, ele pode ser lembrado apenas como uma vítima, no mesmo plano que seu primo Willem: um infeliz peão das ambições dinásticas de Lannister, um inocente assassinado pelo povo revoltado da capital.
No entanto, Tyrek desapareceu tão completamente - e tão misteriosamente - que, afinal, seu "simples" desaparecimento pode não ser tão simples. Em vez de ser um dos muitos corpos retirados das ruas nos dias e semanas após o tumulto, Tyrek pode estar vivo e bem (ou pelo menos relativamente bem). Ainda mais, Tyrek pode estar esperando para fazer um reaparecimento dramático em Westeros, enquanto é instruído e preparado por um improvável "aliado". Quem iria querer o jovem primo Lannister e o que poderia estar reservado para ele no futuro?
[...]

Apresentando o Peão

Tyrek Lannister nasceu por volta de 286 dC, o único filho de Sor Tygett Lannister e sua esposa Darlessa Marbrand. Sor Tygett era o terceiro filho de Lorde Tytos Lannister, um irmão mais novo do futuro Lorde Tywin e Sor Kevan. Como os dois irmãos mais velhos de Tygett se casaram e tiveram filhos antes do nascimento de Tyrek, não houve grande pressão sobre esse terceiro filho para se casar e procriar também (embora ainda não saibamos quando Tygett e Darlessa se casaram).
Em uma família mais pobre, Tygett poderia ter sido levado para a Muralha, a Fé ou a Cidadela para reduzir os estoques familiares, mas os Lannisters eram ricos o suficiente para sustentar as famílias dos filhos mais novos. Tygett também não teve que abaixar os olhos para encontrar sua noiva: Darlessa era uma Marbrand, uma casa vassala respeitável dos Lannisters (e parente da mãe de Tygett, Jeyne Marbrand).
Na época em que o bebê Tyrek nasceu, ele era possivelmente o nono na fila de Casterly Rock (dependendo se seus primos Martyn e Willem Lannister e Joffrey Baratheon já haviam nascido e se o pai de Tyrek já havia morrido). Ainda que outros pretendentes tenham enfrentado probabilidades menores (Aegon V pode ter sido o décimo primeiro na fila no momento de seu nascimento), a possibilidade de um recém nascido sentar-se no assento dos Reis do Rochedo parecia muito improvável.
Ainda assim, o jovem Tyrek não teve nenhuma sorte. Como Lannister (e especialmente Lannister do Rochedo), neto da linha masculina de Lorde Tytos, Tyrek nunca teria falta de dinheiro ou influência. De fato, sendo a rainha uma Lannister (e havendo um herdeiro “meio”-Lannister da idade de Tyrek), carregar o nome de "Lannister" faria com que até um membro da família de status relativamente baixo como Tyrek ganhasse importância.
Seu pai, Tygett, recebeu alguns elogios durante a Guerra dos Reis Ninepenny: embora muito jovem - possivelmente até mais jovem do que Tyrek quando desapareceu - Tygett matou um homem em sua primeira batalha e depois matou um cavaleiro da Companhia Dourada. Portanto, Tyrek descendia de uma safra de boa qualidade das Terras Ocidentais e, pelo menos, poderia ter esperado se casar com uma donzela nascida nas Terras Ocidentais quando tivesse mais idade.
A rainha Cersei, no entanto, tentaria elevar seu jovem primo Lannister ainda mais do que ele poderia ter imaginado:
Não conseguiu deixar de reparar nos dois escudeiros: rapazes bonitos, loiros e bem constituídos. Um tinha a idade de Sansa, com longos cachos dourados; o outro teria talvez uns quinze anos, cabelos cor de areia, um fio de bigode e os olhos verdeesmeralda da rainha.
– Aqueles rapazes – Ned lhe perguntou– são Lannister?
Robert assentiu, limpando as lágrimas dos olhos.
– Primos. Filhos do irmão de Lorde Tywin. Um dos mortos. Ou talvez o vivo, agora que penso nisso. Não me lembro. Minha esposa vem de uma família muito grande, Ned.
Uma família muito ambiciosa, Ned pensou. (AGOT, Eddard VII)
Ned foi perspicaz em sua conclusão: a rainha Lannister teve bastante iniciativa no aprofundamento das relações dos Lannister na corte (uma característica que mais tarde ela criticaria na noiva de seus filhos, Margaery Tyrell). Consequentemente, Cersei convenceu o rei Robert a nomear o jovem Tyrek seu escudeiro, junto com o primo de ambos, Lancel (o filho mais velho de Kevan Lannister).
Não se sabe quando Tyrek começou a servir o rei, embora provavelmente não tenha sido mais de alguns anos (se muito) antes do início de A Guerra dos Tronos. Para efeito de comparação, os dois Walders em Winterfell começaram a servir Ramsay Bolton por volta dos oito ou nove e Edric Dayne a Beric Dondarrion aos dez. Assim, Tyrek deveria estar com Robert há cerca de três anos antes da morte do rei, no máximo.
Quanto mais alto o cavaleiro ou senhor, maior seria a honra de ser escudeiro (a razão pela qual, entre outras concessões, Walder Frey exigiu que seu filho Olyvar se tornasse escudeiro do então Lorde Robb Stark), e nenhuma honra maior poderia ser concedida a um menino Westerosi que ser escudeiro do próprio rei.
A nomeação como escudeiro do rei poderia ser o começo de uma carreira na corte para Tyrek, semelhante ao começo cortês do tio Tywin como um pagem para Aegon V. O príncipe Rhaegar, afinal, transformou seus escudeiros, Myles Mooton e Richard Lonmouth, em firmes aliados e amigos. Se Tyrek provasse ser um espadachim tão talentoso quanto seu pai, poderia se tornar o mestre de armas da Fortaleza Vermelha (uma posição que Tywin realmente tentou, mas falhou, em garantir para Tygett). Com um primo na Guarda Real, uma capa branca poderia até estar no futuro de Tyrek (de fato, uma colocação na Guarda Real poderia ter servido para remover cuidadosamente um excesso de Lannisters do Rochedo). Dyanne Dayne pode ter assegurado um casamento real devido à sua nomeação para a corte da rainha Mariah Martell. Um noivado com a princesa Myrcella provavelmente era impossível para um mero primo Lannister, mas na corte Tyrek não careceria de conexões poderosas - enquanto os Lannister permanecerem no poder.
No entanto, também pode ter havido um lado mais sombrio em Tyrek ter se tornado escurdeiro - um não explorado nos livros, mas que, no entanto, é importante considerar à luz do possível papel de Tyrek no futuro. Espera-se que escudeiros sigam seus cavaleiros em todos os lugares, e o exemplo de Justin Massey demonstra que Robert poderia levar seus escudeiros a lugares estranhos:
Massey quer a princesa selvagem também. Ele certa vez serviu meu irmão Robert como escudeiro e adquiriu o seu apetite por carne feminina. (ADWD, Jon IV)
Esse "apetite por carne feminina" quase certamente incluía os bordéis de Porto Real que Robert visitava com alguma frequência. Tyrek era um pouco jovem demais para participar da maneira que Stannis disse que Justin Massey fazia (ou mesmo da maneira que Lancel poderia ter feito, se incentivado por Robert), mas ele não teria que passar tempo com nenhuma prostituta para observar algo muito mais perigoso que os adúlterios do rei.
Os leitores sabem que Robert tinha pelo menos um bastardo de uma prostituta de Porto Real: a bebê Barra, nascido de uma jovem prostituta de Chataya. A bebê, como todos os bastardos conhecidos de Robert, tinha o cabelo preto de seus antecedentes Baratheon - um fato que Mindinho não deixou de notar, o fez levar Eddard para ver a bebê e revelar a conspiração incestuosa dos Lannister.
Certamente, seria demais supor que Tyrek, um garoto de 12 anos, tivesse descoberto que os verdadeiros filhos bastardos de Robert tinham aparência de Baratheon, e que seus primos em primeiro grau eram, na verdade, bastardos nascidos do incesto de Lannisters. No entanto, Tyrek talvez tenha visto demais, mesmo que ele próprio não tivesse juntado as peças do quebra-cabeça. O escudeiro mais jovem do rei provavelmente viu em primeira mão os filhos bastardos de cabelos pretos do rei (com nove bastardos não registrados do rei, parece provável que pelo menos um outro além de Barra e Gendry tenha nascido onde o rei passava a maior parte do tempo: a capital) e, presumivelmente, era amigo de confiança e companheiro dos filhos de aparência Lannister da rainha. Se esse conhecimento fosse posto a disposição de um indivíduo mais ardiloso do que o inocente Tyrek, o garoto poderia se tornar uma testemunha útil na derrubada do regime de Baratheon-Lannister.
No entanto, Tyrek não precisaria servir Robert como escudeiro (ou segui-lo em suas aventuras lascivas) por muito tempo. Em 298 dC, Robert morreu – aparentemente de um acidente de caça, mas de fato por um meio-assassinato criado por Cersei para impedir a descoberta de seu incesto. O veículo que ela usou foi o primo de Tyrek e também escudeiro, Lancel Lannister.
Aparentemente, Tyrek não acompanhou o rei em sua última caçada, mas ele pode ter ouvido trechos da trama via Lancel. Seu status duplamente íntimo - como primo em primeiro grau e companheiro escudeiro (os dois parecem ter sido os únicos escudeiros de Robert no momento de sua morte) - dão a Tyrek maior potencial de conhecer os fatos por trás do assassinato de Robert - fatos que também serviriam para derrubar Linha real de Cersei.
Naquele momento, Tyrek era simplesmente um antigo escudeiro real, então alocado na corte de Joffrey sem qualquer objetivo maior. Os eventos, no entanto, logo perturbariam a existência relativamente pacífica de Tyrek e o empurrariam para uma tempestade de caos político - e ambição secreta.

Um Desaparecimento Estranho

Para acrescentar a todo o mistério que cerca seu desaparecimento, em A Fúria dos Reis, Tyrek é visto apenas uma vez:
Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias. (ACOK, Tyrion VI)
Longe de ser a noiva filha de um glamuroso cortesão que Tyrek esperava que sua posição de corte lhe desse - ou mesmo da donzela das Terras Ocidentais que ele poderia ter antecipado em circunstâncias normais - o "primo pobre" de Tyrion fora casado com Ermesande Hayford. Dinasticamente, a combinação foi agradável: a Casa Hayford era uma respeitável dinastia das Terras da Coroa, com pelo menos uma casa de cavaleiros juramentada. Sua atual dama, Ermesande, era a última de sua linhagem, o que significa que as terras e rendas de Hayford seriam graciosamente transferidas para os Lannisters.
Infelizmente para Tyrek, Ermesande também era um bebê. O novo lorde de Hayford teria que esperar até os vinte e poucos anos para contemplar a consumação de seu casamento. No entanto, se era pessoalmente humilhante ser casado com uma garota ainda não desmamada, Tyrek não tinha instância para reclamar. Ele, como todos os seus contatos Lannister, era um peão em um grande jogo de política dinástica e se casaria na forma que pudesse trazer maior vantagem à Casa Lannister.
Tyrek, no entanto, não viu sua noiva infantil amadurecer. Em 299 dC, Tyrion arranjou o casamento da prima de Tyrek, Myrcella, com o príncipe Trystane Martell, de Dorne. A corte fez um evento para acompanhar Myrcella até as docas para vê-la partir para Lançassolar, e Tyrek - como primo da princesa e também representante dos interesses de Lannister - juntou-se à família real, cortesãos, guardas reais e até o Alto Septão na procissão. Um homem na corte, no entanto, estava visivelmente ausente: o mestre dos sussurros, Varys.
A cidade estava em um clima nefasto. A Guerra dos Cinco Reis havia isolado a Capital dos tradicionais celeiros de Westeros. Com as Terras Fluviais em chamas e a Campinas firmemente apoiando de Renly Baratheon no ínico, Porto Real teve que confiar em Rosby e Stokeworth para trazer suprimentos, e as restrições resultaram em fome entre as classes mais pobres da cidade. O que o jovem rei Joffrey não possuía em charme e tato político, mais do que compensava em crueldade. Tyrion, sua Mão, foi responsabilizado pela má sorte após a morte de Robert, odiado por sua retaliação contra Janos Slynt e Pycelle e por seus seguidores mercenários e selvagens. Rumores sobre o incesto dos Lannister e a corrupção real em geral já haviam se espalhado pelas ruas; o ar saturado precisava apenas da faísca certa para explodir.
Quando explodiu, a fúria foi horrível de se ver. Sor Aron Santagar, o mestre de armas da Fortaleza Vermelha, foi espancado até a morte por quatro homens, enquanto Sor Preston Greenfield, da Guarda Real, foi retalhado e esfaqueado tão brutalmente que sua armadura branca ficou manchada de vermelho e marrom. O Alto Septão fora arrancado de sua liteira e despedaçado por membros da multidão, e a Senhora Lollys Stokeworth fora estuprada nas ruas por vários homens. Nove Mantos Dourado foram mortos pela multidão, enquanto mais 40 da Patrulha da Cidade foram feridos nos combates; o número de plebeus mortos não foi registrado, mas provavelmente foi muito maior.
Não foi registrado entre os mortos, porém, o jovem Tyrek Lannister. Presumivelmente, "Ama de Leite" estava na "longa comitiva de outros cortesãos" atrás da liteira do Alto Septão, formada no final da procissão real. Esse posicionamento explicaria por que foi Horas Redwyne, também naquele grupo, quem informou que Tyrek não havia retornado. Tyrion, assumindo o comando logo após o tumulto, ordenou a Jacelyn Bywater, seu novo Comandante da Patrulha da Cidade, que encontrasse seu primo desaparecido:
Tyrek continuava desaparecido, tal como a coroa de cristais do Alto Septão. Nove homens de manto dourado tinham sido mortos, e havia quarenta feridos. Ninguém se incomodara em contar quantos haviam morrido entre a multidão.
– Quero Tyrek, vivo ou morto – Tyrion disse secamente quando Bywater se calou. – Ele não passa de um garoto. Filho do meu falecido tio Tygett. O pai sempre foi bom para mim. (ACOK, Tyrion IX)
Com a confusão e o caos do tumulto, não surpreende que Tyrek Lannister tenha se perdido. Sua aparência óbvia de Lannister e sua associação com a família real pode ter tornado Tyrek um alvo fácil para os manifestantes. Se ele fosse tratado com tanta brutalidade quanto Sor Preston ou Sor Aron, seu corpo poderia nunca ter sido encontrado entre os muitos mortos.
No entanto, o que é insatisfatório nessa explicação simples é o foco que o desaparecimento de Tyrek é dado por vários livros, muito depois que os incêndios na Baixada das Pulgas foram extintos. Em três momentos distintos, Tyrek e o mistério de seu desaparecimento após o tumulto são expressamente mencionados, muito embora nenhum personagens presentes pareça ser capaz de determinar o destino do pobre escudeiro.
O primeiro momento ocorre durante A Tormenta de Espadas. Tyrion, tentando uma reunião com seu pai (a nova Mão), encontra Sor Addam Marbrand na escada. Um cavaleiro bastante talentoso e amigo de infância de Jaime Lannister, Addam havia sido nomeado o novo comandante da Patrulha da Cidade, mas sua primeira tarefa provou ser um fracasso:
– Você vem dos aposentos de meu pai? – perguntou.
– Venho. Temo não tê-lo deixado no melhor dos humores. Lorde Tywin acha que quatro mil e quatrocentos guardas são mais do que suficientes para encontrar um escudeiro perdido, mas seu primo Tyrek continua desaparecido.
Tyrek era filho do falecido tio Tygett, um rapaz de treze anos. Desaparecera no tumulto, não muito tempo depois de se casar com a Senhora Ermesande, um bebê de peito que calhava ser a última herdeira sobrevivente da Casa Hayford. E provavelmente a primeira noiva na história dos Sete Reinos a enviuvar antes de ser desmamada.
– Também não fui capaz de encontrá-lo – confessou Tyrion. (ASOS, Tyrion I)
Pode ou não ser verdade que Sor Addam enviou todos os quatro mil guardas da cidade à procura do jovem Tyrek, mas o tamanho de sua força-tarefa em potencial só fez com que o fracasso em encontrar essa relação Lannister fosse maior – e mais intrigante. Sor Addam é um comandante respeitado, mas ninguém na capital era capaz de revelar maiores informações sobre o paradeiro de Tyrek, ou mesmo mais detalhes sobre o que aconteceu com o escudeiro Lannister durante o tumulto - um fato tornado mais notável em face da autoridade emanada por Addam. Lorde Tywin Lannister manifestou sua intenção de encontrar seu sobrinho, porém nem mesmo a mágica de seu nome conseguiu extrair mais uma gota de informação daqueles que poderiam saber sobre Tyrek.
É verdade que, durante a rebelião de Robert, Jon Connington não conseguiu extrair informações do povo de Septo de Pedra: ele havia oferecido subornos e ameaçado com punições, mas as pessoas se recusavam a revelar onde Robert Baratheon estava escondido na cidade. No entanto, lorde Tywin tinha uma reputação muito mais pavorosa do que Lorde Jon.
]Tywin não tinha vergonha de anunciar sua brutal extinção dos Reynes e Tarbecks por seu desafio aos Lannisters; alguns dos portorrealenses podem até se lembrar do Saque no fim da rebelião de Robert, quando os homens de Tywin mataram crianças na rua e estupraram mulheres em suas casas. Se os portorrealenses mentissem agora e fossem flagrados na mentira mais tarde, a retribuição que Tywin traria sobre eles e seus vizinhos seria implacável.
Então, por que ninguém deu a menor dica sobre o que aconteceu com Tyrek? Não há rumor de que ele teria sido morto (embora Bronn considerasse essa como a opção mais provável); em vez disso, Tyrek parece ter simplesmente sumido.
Mais tarde, o próprio Tywin enfatizou seu desejo de encontrar o filho de seu irmão em uma reunião do pequeno conselho:
– Dragões e lulas-gigantes não me interessam, independentemente de quantas cabeças tenham – disse Lorde Tywin. – Seus informantes terão por acaso encontrado algum rastro do filho de meu irmão?
– Infelizmente, nosso bem-amado Tyrek desapareceu por completo, pobre e bravo rapaz. – Varys parecia perto de rebentar em lágrimas. (ASOS, Tyrion III)
Pode-se questionar por que Tywin procuraria informações de Varys. Se milhares de policiais não puderam extrair o paradeiro de Tyrek daqueles que testemunharam o caos do tumulto, a próxima fonte de informação era naturalmente Varys e sua extensa rede de espionagem. O mestre dos sussurros pode não ser tão onisciente quanto muitos acreditam que ele é, mas seu catálogo de informantes é vasto e suas habilidades na coleta de informações são bem afiadas e praticamente inigualáveis.
Os plebeus podem relutar em admitir a oficiais sob a autoridade de Lorde Tywin que viram Tyrek assassinado e seu corpo destruído ou despejado no Água Negra, mas declarações casuais feitas em ambientes mais informais podem ser facilmente captadas por um agente da Varys e entregues ao mestre de sussurros. Era assunto oficial da coroa desde imediatamente após o tumulto encontrar Tyrek Lannister; era, ostensivamente, a responsabilidade premente de Varys coletar qualquer informação sobre esse ponto.
No entanto, embora Varys ostensivamente não tenha recebido informações, sua conduta nessa cena deve ser analisada. Não foi a primeira vez que Varys exibiu teatralmente uma tristeza dramática diante de um Lannister. Em A Fúria dos Reis, Tyrion organizou a prisão de Janos Slynt e seu exílio na Muralha, muito embora Slynt tivesse se recusado a revelar quem o havia ordenado a perseguir os assassinatos do bebê Barra e sua mãe. Após a cena com Slynt, Tyrion teve a seguinte conversa com Varys:
– [...] Foi a minha irmã. Foi isso que o Ah... tão... leal Lorde Janos se recusou a dizer. Cersei enviou os homens de manto dourado àquele bordel.
Varys sufocou um riso nervoso. Então, ele sempre soubera.
– Não me havia contado essa parte – Tyrion disse, acusadoramente.
– A sua querida irmã – Varys respondeu, tão desgostoso que parecia perto das lágrimas. – É duro contar isso a um homem, senhor. Tive receio de como receberia a notícia. É capaz de me perdoar? (ACOK, Tyrion II)
Mais uma vez, Varys conhecia um segredo que a Mão Lannister não conhecia. Encurralado para revelar a verdade ou passar uma mentira plausível, Varys optou por lágrimas dramáticas para transmitir uma sensação de pesar real à situação em ambos os casos. Suas habilidades na pantomima não haviam desvanecido, apesar de seus anos fora da profissão: como um pantomimeiro perfeito, Varys estava utilizando uma distração em sua demonstração de tristeza para desviar as atenções do público das questões prementes reais apresentadas a ele.
O truque não funcionou em nenhum dos dois homens - Tyrion insistiu em maior transparência do mestre dos sussurros, e Tywin estava pronto para "expressar a sua óbvia insatisfação" antes de ser desviado por Kevan - mas o fato de Varys usar a mesma tática duas vezes, diante de público similar, pode sugerir que Varys está mais uma vez privando os Lannisters de um segredo e que ele sabe exatamente o que aconteceu com o jovem Tyrek.
A conversa de Marbrand com Tyrion, no entanto, não seria a última vez que o herdeiro de Cinzamarca comentaria o caso do desaparecimento de Tyrek. Ao partir da capital, Jaime Lannister levou seu amigo de infância consigo. Permanecendo como convidados em Hayford - o assento brevemente ocupado por Tyrek - Addam falou o seguinte sobre a situação:
– Eu mesmo liderei uma busca, por ordens de Lorde Tywin – interveio Addam Marbrand enquanto tirava as espinhas de seu peixe –, mas não descobri mais do que o Bywater antes de mim. O rapaz foi visto pela última vez a cavalo, quando a força da turba quebrou a formação de homens de manto dourado. Depois disso... Bem, sua montaria foi encontrada, mas o cavaleiro não. O mais provável é terem-no derrubado e matado. Mas, se foi assim, onde está o corpo? A multidão deixou os outros cadáveres no local, por que não o dele? (AFFC, Jaime III)
Addam Marbrand levanta um ponto importante. Os corpos de Santagar e Greenfield foram descobertos mais tarde - mutilados, quase a ponto de não serem reconhecidos, mas identificáveis ​​-, sendo que a multidão não faz nenhuma tentativa de descartar os dois, que eram obviamente funcionários da corte. Certamente, o castigo pelo assassinato de um Lannister, primo em primeiro grau do rei (assumindo que a multidão soubesse quem Tyrek era), seria terrível. No entanto, o assassinato alguém de nascimento nobre como Santagar, ou um cavaleiro da Guarda Real, provavelmente também levaria terríveis punições.
As multidões de tumultos estavam em um estado caótico, mais em busca de sangue do que em fazer cálculos frios sobre suas vítimas, e com Tyrek não teria sido diferente. Por que apenas o corpo de Tyrek seria descartado de maneira tão completa que não restava nenhum vestígio dele?
Lyle Crakehall, outro homem do oeste na companhia de Jaime, fez a seguinte observação:
– Ele teria sido mais valioso vivo – sugeriu Varrão Forte. – Qualquer Lannister traria um robusto resgate. (AFFC, Jaime III)
O pensamento, no entanto, foi rápida e efetivamente descartado por Marbrand:
– Sem dúvida – concordou Marbrand –, e no entanto nunca houve um pedido de resgate. O rapaz simplesmente desapareceu. (AFFC, Jaime III)
Mais uma vez, Marbrand foi direto ao cerne da questão. Bronn havia observado anteriormente a oferta de Varys de uma “bolsa gorda” pela devolução de Tyrek, e sem dúvida Marbrand também acreditava que o eunuco mestre de espionagem tornara pública a oferta. Havia muitas oportunidades para os portorrealenses ganharem dinheiro com o desaparecimento de Tyrek, mantendo-o como refém quando a revolta estourou ou, posteriormente, alegando conhecimento do destino de Tyrek (talvez colocando a culpa pelo assassinato em vizinhos detestados).
No entanto, não havia um pingo de informação que pudesse revelar o que aconteceu com o escudeiro Tyrek. Uma gorda bolsa Lannister raramente falhara em soltar línguas antes, mas mesmo assim os rumores do destino de Tyrek não puderam ser arrancados dos habitantes da Baixada das Pulgas.
No comentário de Marbrand, Jaime fez sua própria conclusão - que os portorrealenses, tendo matado Tyrek, jogaram seu corpo no rio por medo da ira de Tywin - mas isso é insatisfatório, mesmo para o próprio Jaime. Por um lado, Tywin não estava na capital na época do tumulto e não retornaria até a Batalha do Água Negra. Na verdade, os portorrealenses poderiam temer o retorno de Lorde Lannister, mas o corpo de Tyrek teria que ser destruído durante o tumulto (uma vez que Tyrion enviou uma equipe de busca para ele logo ao retornar à Fortaleza Vermelha), fazendo do medo de Tywin uma motivação improvável.
Aprofundando-se na questão, Jaime avaliou o que Tyrek poderia representar:
Mas, mais tarde, sozinho no quarto de torre que lhe fora oferecido para a noite, Jaime deu por si com dúvidas. Tyrek servira o Rei Robert como escudeiro, ao lado de Lancel. O conhecimento podia ser mais valioso do que o ouro, mais mortífero do que um punhal. Foi em Varys que pensou então, sorrindo e cheirando a lavanda. O eunuco tinha agentes e informantes por toda a cidade. Seria coisa simples arranjar as coisas de forma que Tyrek fosse capturado durante a confusão... desde que soubesse de antemão que era provável que a turba entrasse em tumulto. E Varys sabia de tudo, ou pelo menos era isso que gostava de nos fazer acreditar. Mas não deu nenhum aviso a Cersei sobre esse tumulto. Nem desceu aos navios para se despedir de Myrcella. (AFFC, Jaime III)
Pode parecer óbvio demais que o destino de Tyrek nos seja transmitido através dos pensamentos internos de Jaime. Jaime certamente tem todos os fatos sobre o Tyrek aqui, mas o importante a se notar é que Jaime falha em juntar as peças. Ele sabe que Tyrek era um escudeiro, sabe que Lancel também era escudeiro, sabe que Lancel efetuou o plano de assassinato de Cersei, sabe que Varys poderia ter arrebatado Tyrek - mas depois para de pensar no assunto.
O monólogo interno de Jaime pode ser comparado à chance de Arya ouvir a trama entre Varys e Illyrio nos porões da Fortaleza Vermelha em A Guerra dos Tronos. De certa forma, é muito coincidente e direto - os leitores conseguem obter um ponto de vista dos dois conspiradores astutos discutindo abertamente seus planos acerca dos Targaryens exilados - mas porque Arya é apenas uma criança, não uma ladina, seu relatório da conversa é confusa e gentilmente descartada por Eddard. Jaime pode adivinhar que Tyrek pode ser útil, mas o modo como Varys poderia usá-lo está além do desejo ou habilidade analíticos de Jaime.
A evidência não resulta em uma conclusão simples. Todos os membros desaparecidos da comitiva real haviam sido devolvidos à Fortaleza Vermelha ou tiveram seus corpos encontrados - exceto Tyrek. Uma busca realizada após o tumulto não conseguiu encontrar mais do que o palafrém de Tyrek. Uma enorme força-tarefa da Patrulha da Cidade não fez nada para dissipar o mistério em torno do desaparecimento do garoto. Varys, o especialista em espionagem, parece ter deliberadamente ocultado informações que recebeu sobre Tyrek. Para onde o garoto poderia ter ido?
Pode ser que Tyrek não tenha sido assassinado nas ruas da Baixada das Pulgas – mas que ele esteja, de fato, vivo e escondido, sob os cuidados de Varys.

O Leão na teia da Aranha

O fato de Varys ter usado o motim em Porto Real para seqüestrar o jovem Tyrek parece uma conclusão possível, até mesmo provável. É improvável que Varys tenha planejado todo o tumulto em Porto Real - as pessoas estavam com fome e raiva o suficiente para não necessitarem de preparação -, mas uma instigação sutil poderia levar os portorrealenses a se aglomerarem nos pontos desejados, dentro dos quais Varys ou seu agente na multidão poderiam arrebatar Tyrek e o colocar sob custódia da Aranha.
Se ele era de fato o mentor por trás do tumulto, Varys havia improvisado uma hábil pantomima. A mulher com a criança morta que interrompeu a procissão real fora colocada na curva de uma rua morro acima; a comitiva real não apenas se moveria devagar, mas o fim da comitiva ficaria fora de vista. É provável que a mulher e o homem que jogaram sujeira em Joffrey tenham sido plantados, colocada em posição de detonar o conhecido pavio curto de Joffrey.
A mulher que se encaixa no gosto de Varys pelo teatral; e o atirador de estrume também parece obra dele, uma vez que a sujeira foi jogada de cima de um telhado. Previsivelmente, Joffrey enviou seu "cão" para a multidão para mutilar as pessoas obedientemente e assim, como era de se eseperar, a multidão de pessoas famintas e espumando tomou a brutalidade de Sandor Clegane como incentivo para retaliar. Plantando cuidadosamente seus agentes, Varys poderia garantir que o tumulto começasse na frente do desfile real, permitindo que o rei de repente corresse perigo a fim de distrair o sequestro de Tyrek na parte de trás da procissão e antes da curva do Caminho Lamacento.
O que Varys iria querer com Tyrek? Primeiro, Tyrek tem uma forte direito de sangue a Rochedo Casterly. Embora esteja agora distante do lugar em que nasceu, Tyrek saltou algumas posições desde então. Lorde Tywin está morto, Jaime inelegível por conta de seu manto branco e Tyrion, um regicida condenado e um traidor, está há dois continentes de distância de seu assento ancestral. Cersei, a Dama de Casterly Rock, está esperando para ser julgada por incesto, adultério e regicídio; ela provavelmente terá sucesso no julgamento, mas seu domínio sobre a coroa permanece tênue. Depois de Cersei e seus filhos viria Kevan Lannister, mas Sor Kevan foi recentemente assassinado - por ninguém menos que o próprio Varys. O filho de Kevan, Lancel, se tornou religioso após a Batalha do Água Negra, renunciou ao assento em Darry para se juntar aos Filhos do Guerreiro, ao passo que Willem foi assassinado por Rickard Karstark; seu irmão gêmeo Martyn e o pequeno Janei permanecem vivos, embora o paradeiro deles seja desconhecido. O próximo reclamante seria o próprio Tyrek.
Varys precisa de um herdeiro Lannister, para estabelecer uma nova ordem política em Westeros. Por quase duas décadas, Varys e Illyrio criaram o jovem Aegon como o príncipe ideal, futuro Senhor dos Sete Reinos, um salvador glorioso para resgatar o reino do caos. A invasão estrangeira, no entanto, pode ser apenas uma parte dessa nova conquista de Aegon: qualquer conquistador bem-sucedido (especialmente um sem dragões) exige o apoio da nobreza local para não apenas derrotar seus inimigos, mas estabelecer um regime viável para o futuro.
Dorne parece preparado para apoiar o principezinho “Targaryen”: posando como filho de Elia Martell, Aegon parece pronto para incitar muitos dorneses, já inquietos, a agir contra a odiada dinastia Lannister. O próximo e ousado investimento de Aegon em Porto Real garantirá sua posição como conquistador das Terras da Tempestade, e pelo menos dois poderosos senhores da Cmapina - e um número incerto de "amigos" - parecem prontos para se juntar à sua causa.
Para o resto dos Sete Reinos, no entanto, Varys precisará formular um plano de ataque diplomático. Tyrek, um Lannister do Rochedo, um legítimo Lorde leão (assim que algumas peças forem arrancadas do tabuleiro), pode servir como um fantoche útil para ganhar as Terras Ocidentais para o futuro Aegon VI.
É claro que, para sentar o jovem Aegon no Trono dos Reis Dragão, Varys precisa derrubar o rei-criança Tommen (e se desfazer da princesa Myrcella). A hoste que o príncipe de Varys estava liderando nas Terras da Tempestade será um forte punho de aço para defender seu ponto de vista, mas Varys também precisa da luva de seda de embasamento legal para arrancar a coroa de Tommen de seus cachos dourados.
A tática mais óbvia (e verdadeira) seria provar que Tommen e Myrcella eram bastardos nascidos do incesto, sem qualquer pretensão ao Trono de Ferro, assim como qualquer outro westerosi. Sua bastardia já era um boato comum em todo o reino, graças a Stannis, mas para encerrar a discussão, Varys precisava de alguém que pudesse oferecer provas.
Tyrek esteve com o rei, possivelmente o acompanhou a bordéis e viu seus bastardos de cabelos pretos como Barra. Além disso, Tyrek poderia testemunhar o papel que Lancel desempenhou ao provocar a morte de Robert, minando ainda mais a posição de Cersei. Cuidadosamente treinado por Varys, Tyrek poderia prestar testemunho que arrebataria a herança de seus primos, abrindo caminho para Aegon restabelecer a dinastia Targaryen.
Então, uma vez que Tommen e Myrcella fossem denunciados como bastardos, Tyrek permanece como a escolha ideal para ser nomeado Senhor de Casterly Rock por seu agradecido novo rei Aegon VI (Martyn e Janei apresentariam um desafio dinástico, mas considerando que Varys não tinha escrúpulos em assassinar o pai deles [Kevan], parece improvável que ele permita que esses pretendentes rivais também vivam). Desconectado dos escândalos dos Lannister em Porto Real, Tyrek é um candidato atraente para governar o oeste e se tornar parte da nova ordem westerosi de Aegon.

Conclusão

Em 1999, George RR Martin ofereceu esta breve e tentadora opinião sobre Tyrek Lannister:
RMBoye: Pergunta simples, de verdade - será que vamos descobrir o que aconteceu com o "Ama de Leite", Tyrek?
George_RR_Martin: Sim, você vai. Tento não deixar muitas pontas soltas. Mas às vezes é preciso aguardar.
Talvez os comentários dele devam ser feitos com mais do que um grão de sal; afinal, na mesma entrevista, ele insistiu que o crescimento dos livros pararia no sexto. Talvez já tenhamos visto Tyrek, no jovem bonito, com a bolsa de dragões de ouro, que Arya nota ter morrido na Casa de Preto e Branco. Talvez a Navalha de Occam esteja correta aqui: que Tyrek foi morto no tumulto sangrento e que os manifestantes jogaram seu corpo no rio para evitar o castigo severo que os Lannisters e a coroa provavelmente lhes causariam.
No entanto, o assassinato por um plebeu desconhecido, ou uma morte inexplicável na catedral de um culto de assassinos, parece uma revelação ruim para a qual o autor precisaria aconselhar termos paciência. De fato, parece mais provável que Tyrek esteja de fato vivo e que Varys tenha os meios, motivos e oportunidades para arrancá-lo da capital e segurá-lo para seus próprios usos.
Somente Os Ventos do Inverno servirá para mostrar se Tyrek retornará com o suposto Aegon VI e ocupará seu lugar em Rochedo Casterly. No entanto, o mistério absoluto em torno do desaparecimento de Tyrek continua alimentando especulações, e os leitores podem tentar prever como é que esse escudeiro de menor importância dos Lannister retornará à narrativa de modo grandioso.
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2019.12.28 05:51 altovaliriano GRRM deixou a peteca cair? [Parte 2]

Link: https://towerofthehand.com/blog/2014/01/12-did-grrm-drop-ball/index.html
Título original: Did George R. R. Martin drop the ball?

[Link para a Parte 1]
Stefan Sasse : Não tente me convencer da qualidade literária de nada comparando-a com O Senhor dos Anéis - acho os livros um tédio. Eles são, para mim, o principal exemplo de informação inútil e subtramas estúpidas destruindo as coisas interessantes. Mas aí eu estou fugindo do assunto.
Eu realmente não ligo para Essos também – a importância daquele lugar reside no fato de termos que saber de tudo aquilo antes que venha a se tornar importante. É importante para a missão de Dany e para delinear a conspiração Varys-Illyrio, eu penso.
Mas acho que se resume a uma questão de gosto. Você está definitivamente certo de que há partes do Festimdança que poderiam ser cortadas e ainda teríamos o mesmo enredo, mesmo que eu queira enfatizar que gosto delas e não gostaria de vê-las desaparecer. Para mim elas são importantes na construção do mundo. É gosto, eu acho.
Mas vamos avançar para o próximo ponto sobre o(s) livro(s). Argumentei desde o início que é importante visualizá-los como um único volume em vez de dois volumes separados, e é por isso que eu os chamo de Festimdança (quando não estou me referindo especificamente a um deles). Ambas as histórias são muito profundamente entrelaçadas, e somente quando lidas juntas – na ordem de leitura sugerida por Sean T. Collin, por exemplo – é que você poderá desbloquear o verdadeiro potencial delas, que reside principalmente nos temas governo, guerra e paz. Chamei a multidão de tramas entrelaçadas de "A Guerra no Norte", "A Paz no Norte", "A Guerra no Leste" e "A Paz no Leste" porque Jon e Dany tentam governar sob circunstâncias muito difíceis e diversas, e ambos fracassam. Até certo ponto, esse desenvolvimento é refletido pelas tentativas de Cersei de governar em Porto Real, que são um assunto incidental neste tópico.
Somente quando vistos em conjunto Festimdança se torna um livro muito bom (comparado à experiência bastante medíocre de que você e muitos outros se queixam). Fiquei decepcionado no começo. É por isso que definitivamente concordo com sua avaliação anterior de que foi definitivamente a errada a decisão de George de dividir o livro da maneira que ele fez.
Remy Verhoeve : Suponho que me valer de O Senhor dos Anéis foi uma péssima jogada. Nada como duzentas páginas expositivas sobre os hobbits antes de a história sequer começar... (ainda assim, uma vez que começa a rolar... não, foi um exemplo ruim). Suponho que há uma importância para Essos, já que Martin gasta tanto tempo construindo-o para nós. Mas quando não atrai o leitor (e aqui parecemos concordar que Essos não é muito interessante) por que devo me importar mais tarde durante a história sobre o que acontece ou não acontece em Essos?
Não li os livros na ordem sugerida, mas não me importaria de tentar. Só tenho medo – e falo sério – de reler aqueles capítulos horríveis de Tyrion e Daenerys (os capítulos de Jon são ligeiramente mais interessantes, em geral). Embora eu possa reler qualquer capítulo dos três primeiros livros com alegria, não suporto ler sobre Daenerys sentada ali conversando com todos aqueles personagens que não consigo distinguir.
Os livros também se tornaram mais repetitivos, e estou quase arrancando os olhos sempre que leio outro "Onde quer que as putas vão". Você está certo de que a história provavelmente precisava diminuir de intensidade para reconstruir o momento. Concordo com isso. Mas mesmo nos capítulos e momentos mais silenciosos dos três primeiros livros, Martin mantém o leitor envolvido e interessado.
Sim, existem temas abrangentes, e as semelhanças entre as histórias de Jon e Dany são agradáveis ​​e os vinculam aos pólos "gelo" e "fogo" da balança. Mas há muita encheção de linguiça. Muita encheção, mesmo para um entusiasta como eu. Veja os capítulos de Bran em Dança. Eles se movem rapidamente. E em três capítulos o arco de Bran para o livro está pronto e parece satisfatório. Parece uma continuação natural de sua história dos três primeiros livros. Daí olhe para o arco da história de Tyrion. Tudo o que ele faz é viajar e dar espaço para exposições.
Stefan Sasse : Eu não seria tão rápido em vincular isso à qualidade, por si só. Está diferente, tudo bem –ac não vou negar isso. Afinal, não adiantaria, pois está óbvio. É como reclamar que o quarto ato do drama clássico não oferece tanto quanto o terceiro. A história precisa se resumir para poder recuperar o ritmo novamente no quinto ato. No caso de "A Song of Ice and Fire", estamos falando de uma estrutura de três atos, é claro, mas isso não altera a questão.
Eu diria que Festimdança nos permite aprofundar questões que os três primeiros livros apenas tangenciaram, uma vez que estávamos muito envolvidos nas perspectivas dos agentes principais. O conflito foi intenso e relativamente curto, e precisava ser contado de diferentes perspectivas.
Porém, Festimdança permite que nos aprofundemos em outras questões. Um dos pontos mais importantes é o enredo de Brienne, que é o primeiro olhar verdadeiro para o mundo do “Time dos Plebeus” (fora aqueles capítulos de aventura de Arya). É impossível imaginar o monólogo de Septão Meribald sobre os Homens Quebrados (que também é exposição, lembre-se) nos três primeiros e mais compactos romances. Mas é fundamental entender o que esses livros verdadeiramente falam sobre. E o processo de paz que compõe grande parte da política da Festimdança (exceto, notadamente, na campanha de guerra de Stannis no Norte) é uma tarefa árdua, sim. E assim foi deliberadamente concebida para ser, acredito.
Adam Feldman, do Meereenese Blot, argumentou de forma convincente que o que Martin está propondo é um processo de paz altamente complexo, tedioso e opaco, precisamente porque manter a paz é complexo, tedioso e opaco. Existem muitas camadas em toda a história e em toda a tediosidade. Camadas que pedem para serem analisadas e afastadas. Feldman, por exemplo, defendeu que Daario Naharis e Hizdahr zo Loraq personificam as opções da guerra e paz para Dany. Os beijos de um são quentes e emocionantes, os do outro são tépidos. Mas, como insiste a Graça Verde, a paz é uma pérola sem preço. Infelizmente, não há como entrar nestes pontos sem literalmente demolir tudo. A menos que você espelhe isso na narrativa, que é o que Martin faz.
Obviamente, ele arriscou a ira do fandom por causa dessa mudança, especialmente porque a dedicada fanbase levou mais de dois anos para entender o cerne da questão. Entretanto, aqui o desapego de GRRM pela fanbase é útil. Ele não precisa titubear diante dos fãs, já ele não parece se importar. E assim ele pode basicamente escrever a história em seu próprio tempo, com o melhor resultado que ele acha que pode alcançar. Na maioria do tempo, isso se mostrou recompensador (embora, como observado, a divisão dos livros não pareça uma decisão sábia, olhando em retrospectiva).
Já espero que você discorde veementemente com relação o tratamento de Martin com sua fanbase, é claro, mas, por favor, também leve em consideração o que eu disse sobre a narrativa.
Remy Verhoeve : Está diferente. E eu diria que um fator é que, de fato, a qualidade não é tão boa quanto costumava ser. Não estou dizendo que menos qualidade é a única razão pela qual Dança não se tornou um dos favoritos. Se você olhar, digamos, A Fúria dos Reis e A Dança dos Dragões lado a lado, existem vários elementos que tornam o primeiro bom e o segundo não tão bom.
No lado técnico, eu argumentaria que há muito mais erros de digitação e erros editoriais em Dança. Às vezes, o livro parece uma compilação feita às pressas, o que tenho certeza de que foi. Desenhar sobre uma tela maior também reduz a qualidade da pintura. Onde os três primeiros livros parecem compactos, Festimdança incha conforme o número de capítulos de POVs aumenta. A tal ponto que temos tantos personagens novos que Martin começa a lutar para torná-los especiais.
Veja personagens antigos como Sansa, Arya ou Tyrion, por exemplo. Você pode definir rapidamente essas personas por um número de características distintas. Eles são completamente bem caracterizados. Nos primeiros capítulos, você pode começar a formar uma imagem dessas pessoas em sua mente. No caso dos novos POVs, eles começam a se misturar, não são mais tão únicos e – para mim, pelo menos – tornam-se menos interessantes porque estão "apenas lá".
Em alguns desses novos POVs eu enxergo certas qualidades redentoras porque elas estão em uma história interessante ou foram melhor desenhadas (Asha Greyjoy me vem à mente), mas outros são muito genéricos em comparação com os POVs 'originais'. Até Melisandre, que permaneceu um dos grandes e interessantes mistérios da série, é reduzida a um ponto de vista não muito interessante (foi um grande erro em dar a ela – e a Sor Barristan – pontos de vista, eu acho; estes são personagens épicos que só devemos ver de fora; outra falha em minha opinião).
Eu também argumentaria que foi péssimo jogar, de repente, Jovem Griff na história em um momento tão tardio – embora eu esteja ciente de que ele poderia ser um arenque vermelho [red herring]. No entanto, antes dessa 'reviravolta', eventos importantes na narrativa foram profusamente ofuscados. Jovem Griff parece surgir do nada, o que contribuiu para uma experiência, na verdade, chocante. O POV de Barristan também é muito genérico. Martin precisa equilibrar todo o conhecimento que um personagem como Selmy tem para não revelar muito. E o resultado é, bem, não muito especial.
Não estou reclamando de nada ser diferente, aí é você colocando palavras na minha boca. Estou argumentando que a qualidade da redação é reduzida. Não me importo das coisas serem 'diferentes' porque, se tudo é igual, também não é muito interessante. A história fornece personagens, enredos e localidades muito diferentes. E geralmente estou interessado na maior parte deles, seja um capítulo "quieto" ou cheio de ação e aventura.
A escrita está tão diferente que eu e outras pessoas de fato já cogitamos se algumas partes não foram escritas por ghost-writers. No momento em que não parece mais com As Crônicas de Gelo e Fogo, podemos perguntar se é porque está diferente ou se é porque não está tão bom como costumava ser (tecnicamente).
Na verdade, eu não me importo com as histórias reais apresentadas em Festimdança. Gosto dos conceitos apresentados, incluindo as viagens de Brienne, os problemas políticos de Dany, o desvio de Jaime para Correrrio etc. (o único enredo em que sinto que Martin saiu terrivelmente do curso foi o de Tyrion). É uma questão de como essas histórias são executadas que deixa algo a desejar. Os personagens parecem ter perdido suas características. O diálogo perdeu a nitidez. Tantas cenas pareciam escritas para chocar, em vez de aprofundar a história. Tantos erros gramaticais que escaparam ao processo de edição. A repentina mudança nos títulos de capítulos, em vez de manter a estrutura no lugar, para que a série possa parecer mais com um todo.
Quanto a ver o mundo da perspectiva do “Time Plebeu”, com certeza é bom, mas será que realmente precisamos de um arco inteiro para isso? Pessoalmente, senti que o Time Plebeu já estava bem representado nos capítulos de Arya – através de suas jornadas, vemos realmente como a guerra afetou a população.
Prefiro dizer que os capítulos de Brienne permitiram que Martin colocasse um elemento que ele realmente não havia destacado antes - o religioso. De repente, com Festim, sacerdotes, monges e crenças são jogados na mistura de uma maneira um tanto abrupta. Ela exemplifica como Martin, tardiamente, decidiu que não havia dedicado tempo suficiente à religião. Afinal, a religião era tão importante nos tempos medievais e ele também assim queria, e ficamos com um aumento repentino na exposição sobre religião em Westeros. Alguém poderia arguir que esse é outro ponto contra os livros mais recentes - parece que Martin quer cobrir todas os pontos. Em vez disso, ele poderia ter mantido o foco mais restrito. Ninguém disse que ele precisava incluir tudo o que tem a ver com a história medieval.
Eu tenho o mesmo sentimento na Dança quando, de repente, o rito da prima noctis é mencionado pela primeira vez em mais de 3000 páginas. Como se Martin tivesse assistido Coração Valente e percebesse que ele precisava adicionar esse ritual curioso (e talvez nem verdadeiro) a sua própria obra. Quando uma obra já se estabeleceu tanto ao longo dos três primeiros livros, ela parece 'amarrada' e não soa verdadeiro quando coisas novas aparecem nos livros quatro e cinco. Especialmente quando essas coisas novas parecem que deveriam ter sido introduzidas mais cedo, se elas eram assim tão importantes.
De qualquer forma, você pode argumentar que a história de Brienne é uma maneira de vermos a luta dos plebeus com as consequências da Guerra dos Cinco Reis, enquanto eu posso arguir que a história é usada mais para apresentar e integrar facções religiosas à história. E talvez estamos ambos certos ou ambos errados (ou um de nós está certo...). Mas tudo ainda se resume à apresentação técnica.
É interessante ler sobre Brienne viajando pelas terras fluviais em busca de Sansa, quando sabemos onde Sansa está (e ela definitivamente não está por perto)? Veja bem, eu não diria que isso é uma narrativa de alta qualidade. Se houvesse alguma esperança de que Brienne pudesse encontrar Sansa, talvez isso aumentasse o interesse pela história. Ou se Brienne tivesse alguém atrás de si que representasse um perigo real, poderíamos nos preocupar com ela e, assim, estar mais envolvidos com a história. Páginas do monólogo que parecem ter sido copiadas e coladas diretamente de alguma fonte medieval (há pelo menos algumas linhas que são literalmente tiradas de algum lugar, lembro-me de protestar quando a li) não nos envolvem da mesma maneira, eu acredito.
Não há tensão, é tudo um "vamos dar uma olhada no campo". Muitas das informações recolhidas nos capítulos de Brienne parecem mais pertencer a "O Mundo de Gelo e Fogo". Mais uma vez, gosto da jornada de Brienne, mas, como narrativa, ela trabalha contra si mesma; apenas um fanático por Westeros diria que isso é uma boa narrativa. Porque você estaria tão vidrado no cenário que qualquer representação dele se torna interessante. Nossa, eu estou divagando.
No final, o enredo de Brienne poderia ter sido condensado, com alguns capítulos a menos, ou então a enorme quantidade de exposições deveriam ter sido trabalhadas na narrativa de uma maneira mais sutil. Aliás, o único objetivo dessa história (fora a exposição) é que ela dá de cara com uma certa mulher no final, o que leva ao seu confronto trilateral com Sor Jaime e Senhora Coração de Pedra, possivelmente interessante.
Quanto à paz, ou processos de paz, só posso dizer isso: a paz é a ausência de conflito, e o conflito é o que impulsiona uma narrativa. Se o "trabalho árduo", como você diz, é intencional ou não, não importa. Se você admitir que seja árduo de ler, você está, em minha opinião, admitindo que o Festimdança (ou partes dele, pelo menos) simplesmente não são tão boas. Contudo, admito que, para alguns leitores, também pode haver partes 'arrastadas' nos três primeiros livros – eu sei que existem leitores que acham os capítulos de Bran menos interessantes, por exemplo – mas esses capítulos movem a história – o que eu não tenho certeza se todos os capítulos de Festim dança realmente fazem.
Eu não me importaria se Quentyn Martell não aparecesse em Dança até o momento em que ele se apresenta na corte de Daenerys. O que teríamos perdido? Os elefantes em miniatura no Volantis? Nós realmente precisamos de tantos capítulos de Tyrion no rio ou no mar? A história poderia funcionar sem Penny?
Para que você não me entenda muito literalmente, é claro que vejo conflito em Festimdança, no nível pessoal. Há um conflito dentro de Daenerys Targaryen (vários, na verdade); há um conflito dentro de Jon Snow (talvez o mais óbvio – sua história sempre foi sobre lealdade, lealdade, honra, dever). Mas a ação exterior diminuiu, isso é verdade. Quase nada com consequência acontece até o livro terminar. “Diferente”? Sim. Mas “melhor”? Os livros antigos misturavam ação interior e exterior com grande sucesso. Por que repentinamente só estamos olhando para o próprio umbigo (por tanto tempo)?
Eu acho que seria simples demais dizer que Martin está intencionalmente tornando sua história menos interessante. Isso é uma desculpa insatisfatória. Martin sabe escrever cenas arrasadoras, sejam lentas ou não. Ou você está dando muito crédito a ele ou eu estou dando muito pouco. Pois bem, suponha que Martin queira nos mostrar que a paz é chata. Então ele teria que usar outros truques para nos manter interessados pela história. Ele nos daria personagens secundários fáceis de distinguir. Em vez disso, temos uma série de personagens com nomes semelhantes. Ele deveria elaborar o desenvolvimento do personagem de modo que acompanharíamos uma trajetória interessante. Em vez disso, Daenerys é a mesma pessoa do primeiro ao penúltimo capítulo (apesar de que, com certeza, ela não é a personagem que vimos em A Tormenta de Espadas).
Vamos deixar a interação de Martin com seus leitores para outro dia, porque só de pensar nisso sai vapor dos meus ouvidos. Eu espero que eu tenha esclarecido meus argumentos e, se algo não estiver claro, diga-me e poderemos analisar melhor esta parte do debate.
Stefan Sasse : Eu ainda acho que muitas das críticas que você faz ao(s) livro(s) vêm de uma perspectiva distinta do que está por vir. Sim, eu e muitos outros intencionalmente acreditamos que isso faz parte do todo, o que permite não se aborrecer com histórias como a de Brienne, onde nada de grande monta acontece (exceto para os personagens envolvidos, é claro). Mas, como você diz a si mesmo, para muitas pessoas, ocorria (e ocorre) o mesmo com os livros antigos.
Acho difícil na maioria das vezes lembrar minhas primeiras impressões sobre o livro, porque elas acabaram misturadas irreconhecivelmente com minha compreensão posterior e com o conhecimento decorrente de releituras. Mas tenho certeza de duas coisas: fiquei aborrecido com os capítulos de Brienne na primeira e na segunda vez que li O Festim dos Corvos em 2005 e 2006. E também não gostei muito dos capítulos de Bran nos três primeiros livros, precisamente pelo fato de que nada parecia estar acontecendo. Veja, de verdade: você precisa ser um leitor excepcionalmente perspicaz para apreciar a história do Cavaleiro da Árvore que Ri em sua primeira leitura. Se você não entende do que se trata, simplesmente acharia uma leitura muito chata a longa lista de personagens mortos há muito tempo identificados apenas por seus brasões.
O mesmo vale para as provações de Brienne. Já sabíamos que ela não encontrará Sansa (exceto naquele momento em que pensa em ir ao Vale, mas isso é descartado rapidamente). Em vez disso, nos envolvemos em uma variedade de subtramas e na resolução de subtramas (o destino de Podrick Payne, Sor Shadrich e colegas, Gendry, a Irmandade e Senhora Coração de Pedra) e também passamos por uma subnarrativa realmente atraente (especialmente na parte de Lagoa da Donzela). Mas levei um tempo para me aquecer.
Da mesma forma, ao ler A Dança dos Dragões pela primeira vez, sinceramente desejei que os capítulos de Tyrion fossem mais rápidos. Eu não conseguia lembrar nem mesmo uma das malditas cidades em ruínas que eles passam no Rhoyne. Também não fiquei particularmente intrigado com Aegon, até porque nunca gostei da “teoria da conspiração” segundo a qual Varys traficou o garoto (a qual já estava circulando há um longo tempo, assim como a de que Tyrion seria um bastardo Targaryen). Mas em releituras posteriores, quando você já sabe o que vai acontecer (como Brienne não encontrar Sansa), você pode se envolver pelas coisas que realmente estão lá.
A propósito, é isso que eu queria dizer com o problema das expectativas. Esperávamos que várias coisas acontecessem em Festimdança, e muito disso não aconteceu (nenhum Outro na Muralha, nenhum encontro entre Tyrion e Dany e assim por diante). Entretanto, apesar de que Martin certamente poderia ter cortado muito do que está lá e "ido ao ponto" mais rapidamente, eu acho que isso tornaria estes livros uma leitura menos convincente (mesmo que ele adotasse sua abordagem, mantivesse as histórias intactas e apenas cortando fora a carne – ou gordura, conforme o ponto de vista).
Da mesma forma, simplesmente ainda não sabemos qual é o objetivo com os nomes de capítulos alterados. Martin enfatizou repetidamente que existe um sistema por trás, que ainda não podemos compreender apenas com base nos dois livros, mas que no final entenderemos. Então estou reservando o julgamento final sobre isso para mais tarde, quando os livros finais forem lançados.
A propósito, fiquei desapontado com o aparecimento do Ius Primae Noctis, porque é apenas um mito medieval criado por Coração Valente. Mas achei lógico que aparecesse só agora. É claro que os Boltons (que só agora vimos de perto) ainda o praticariam. E é claro que eles não contariam aos Starks (que têm sido nossa única janela no Norte até agora).
Na verdade, eu achei essa uma das coisas mais interessantes e envolventes sobre a história do norte em A Dança dos Dragões: o Norte "sombrio". Bran aprendendo que os Stark costumavam sacrificar as pessoas sob as árvores-coração; pendurarem entranhas nas árvores; os Bolton e suas práticas cruéis; os clãs das montanhas e Karstarks e o descarte dos velhos e doentes no inverno para preservar a comida para os saudáveis; e assim por diante. O que víamos até agora era o belo Norte, através das lentes rosas dos benignos senhores Stark. Por baixo, há um norte muito mais sombrio, que foi despertado pelo conflito Bolton-Stannis. E isso torna as coisas muito boas de ler.
Também poderíamos argumentar facilmente que as culturas orientais nos três primeiros livros eram praticamente figurante feitos de papelão (escravistas do mal com penteados ridículos) e só foram aprofundados em Festimdança. Claro que você pode dizer que simplesmente não se importa com eles, já que a história deveria estar em Westeros. Mas eu gosto do toque de realismo e credibilidade que isso traz à história. Torna o lugar mais real, ao invés de somente um ponto da trama a ser riscado da agenda.
Isso me leva à minha última questão com seus argumentos: a questão da luta. Sim, a paz por definição é a ausência de guerra, mas esta última tem sido por muito tempo a doença da fantasia, que se baseou em conflitos armados para contar histórias envolventes. O experimento que Martin fornece com Festimdança é realmente ousado: ele usa dois livros realmente volumosos para verdadeiramente nos mostrar o que vem depois. Martin certa vez fez uma observação (estou parafraseando) que, em O Senhor dos Anéis, nunca aprendemos como Aragorn governaria e qual seria, por exemplo, sua posição sobre rotação de culturas em três campos ou sobre tributação. Isso ocorre porque a fantasia tradicional se mantém convenientemente afastada das questões cabeludas.
Mas ele não se afastou. Quando Dany anunciou no final de A Tormenta de Espadas que ela iria ficar e governar, acho que ninguém acreditou de verdade. Até agora, sua jornada era marcada por contínuo sucesso, crescimento e progresso (sim, mesmo com a morte de Drogo). Mas em A Dança dos Dragões, testemunhamos de perto o quão difícil é vencer. Esse desenvolvimento foi refletido na história de Jon na Muralha, onde ele teve que lidar com os selvagens (que provaram ser a parte mais fácil) e com seus próprios homens (com quem ele constantemente falhou). E em Porto Real, Cersei consegue jogar fora, em questão de semanas, os sucessos que os Lannisters conquistaram em uma guerra realmente sangrenta.
Ganhar a paz é o objeto mais difícil de todos. É duro, difícil e confuso. Lutar uma guerra, por outro lado, é a parte mais fácil. É como o lado negro em Star Wars: fácil de sucumbir, já que é tão direto e emocionante (se você não é um membro do Time Plebeu, claro). Mas é o lado negro. A paz é muito mais difícil, o caminho não está posto para você, e você deve enfrentar seus demônios internos de uma maneira muito mais pronunciada, pois você não pode apenas canalizá-los para o inimigo da vez. Jaime Lannister aprende isso também – assim que ele não pôde acertar alguém com uma espada, ele passou a estar realmente perdido.
E veja como estão todos perdidos, e como gostariam de voltar à guerra: Cersei faz de tudo para criar um fronte em Porto Real: ou você está com ela ou com os Tyrells. Não há acordo, nada no meio. Essa é a atitude da guerra, não da paz. E conflito é tudo o que ela recebe de volta. Dany tem que escolher continuamente entre o caminho mais fácil, fornecido por Cabeça-Raspada e Daario, e a paz complicada e insatisfatória, fornecida pelo Senescal, Graça Verde e Hizdahr. E Jon aproveita todas as oportunidades para deixar Castelo Negro e liderar patrulhas, e por fim, desnecessariamente, dá suporte à campanha de Stannis pelo Trono de Ferro, provocando guerra com Forte do Pavor (e sua traição).
Tudo isso é uma narrativa muito forte, ainda mais forte do que nos três primeiros livros, onde os elementos dela já eram aparentes. Robb Stark conseguiu derrotar facilmente todos os oponentes na batalha, mas ele era totalmente incapaz de ganhar a paz, ou qualquer tipo de paz. Esse é o lado negro. Toda a corrente subjacente à saga já está configurada aqui, e Festimdança capitaliza isso. Mas apenas se você estiver disposto a ler o que está lá e não a fantasia “Lado Negro” que você esperava. Aqui não há George Lucas, que deixou Luke agir dos dois lados, atacando Darth Vader e ainda saindo limpo porque seu pai mudou de idéia. Isso não acontece aqui.
E acho que o trabalho de base da Festimdança se tornará realmente importante nos livros a seguir, quando Jon, Dany e Cersei, todos tendo aprendido as lições erradas do fracasso em manter a paz, tomarão realmente algumas decisões ruins e desdenharão da carnificina durante o ataque arrebatador dos Outros. E estou bastante convencido de que muitos olharão com mais carinho para Festimdança então.
Remy Verhoeve : Você faz alguns argumentos convincentes em referência à paz e essa é provavelmente uma maneira melhor de enxergar tudo caso deseje manter a fé de que não há nada errado com Dança. Eu gostei de ver o 'norte sombrio', embora isso também dê a Martin uma chance de se aprofundar ainda mais na depravação, o que não estou certo de que seja algo que faltava na série.
Agora, eu ainda mantenho que a maioria das coisas que tornam Dança não tão bom tem a ver com tecnicidades, como mencionado, e que o enredo em si não é ruim. Sim, você tem algumas observações interessantes e eu particularmente gosto de como todos pensam que o caminho mais fácil teria sido guerra, mas quando estou lendo um dos dois romances, não estou sob juramento. Eu não precisava que ninguém me dissesse exatamente o que procurar ou sentir ao ler A Guerra dos Tronos. Ele apenas me deu um chute na cara e disse "Preste atenção".
Com Dança, as pessoas são forçadas a entrar na Internet para encontrar explicações detalhadas sobre por que Martin talvez tenha decidido escrever isso ou aquilo, mais ou menos. Mas até chegarmos ao Os Ventos do Inverno, não podemos saber exatamente o que é construção de bases e o que é escrita desleixada. Se ele pretende resolver tudo o que apresenta, então teremos mais dez livros. O que novamente significa que você deve julgar Festim e Dança por seus próprios méritos. E eles estão em falta - para muitos. Gostaria de observar que gosto mais desses livros do que a maioria dos romances de fantasia, mas eles não são tão surpreendentes quanto os três livros originais.
Existem também algumas objeções pessoais aos romances, é claro, contra as quais você não pode fazer nada. Não acho a história de Cersei convincente, sendo a profecia de 'Maggy, a Rã' um enredo particularmente ruim. Esta não era o Cersei que eu pensava conhecer dos três primeiros livros, e não sou capaz de reajustar minha percepção da personagem. Isso é culpa minha, claro. Mas isso serve como outro exemplo de escrita ruim. Não apenas porque parece tão forçado no quarto livro (embora eu entenda que você possa defendê-lo tecnicamente porque não tivemos o ponto de vista de Cersei antes), mas também porque Martin, com Festimdança, começa a fazer todas essas conexões entre os personagens, ao ponto de tornar tudo um pouco bobo - especialmente em comparação com os três primeiros livros, onde ocorria praticamente o contrário.
Agora você tem personagens se encontrando regularmente (de preferência na mesma Estalagem na Encruzilhada), nomes de personagens vinculados de várias maneiras etc. Sim, ele precisa começar a amarrar os pontos, mas essa é uma maneira ruim de fazê-lo, em minha opinião. O mundo de Westeros, que era vasto, fica menor a cada capítulo. De qualquer forma, agora estou saindo pela tangente de novo.
Tendo dito tudo isso, sou totalmente em seu favor - a dificuldade de conquistar a paz é definitivamente um tema importante e grande. No entanto, não torna mais emocionante a leitura de Tyrion a bordo de uma embarcação por dez capítulos consecutivos. Não me enche de encanto ler uma página de cima a baixo com os pensamentos de Daenerys sobre Daario. E o ponto de vista sombrio de Jon Snow também não fica mais emocionante com nada acontecendo.
Stefan Sasse : Receio que isso nos deixe em um impasse, onde tudo se resume a uma questão de gosto. Pelo menos acho que podemos ter certeza de que você dará a Os Ventos do Inverno uma chance de trazê-lo de volta ao redil.
Remy Verhoeve : Suponho que não podemos conciliar nossas opiniões, mas é bom discutir isso com você de maneira civilizada e concordar em discordar. Estou pronto e disposto a aceitar Os Ventos do Inverno. Também decidi tentar abordar os dois livros usando a reorganização dos capítulos que você sugeriu. Concordo que o gosto é o fator divisor essencial aqui, mas você parece concordar comigo que, por exemplo, os capítulos de Tyrion Lannister em Dança não são tão bons. Isso me faz pensar por que você está defendendo o desenvolvimento de As Crônicas de Gelo e Fogo se também vê certas falhas. De qualquer forma, obrigado pela conversa :)
Stefan Sasse : Foi um prazer. E para usar o privilégio da última palavra, acho que os capítulos de Tyrion precisavam de mais tempo para que se estivesse aquecido para eles. Gosto do desenvolvimento e estou ansioso para ver mais. Apenas levei um pouco de tempo para ver a luz. ;)
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2019.12.28 03:48 altovaliriano Vento Cinzento está vivo

Link: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/4dhyal/spoilers_extended_mother_he_said_grey_wind/
Autor: alaric1224
Título Original: "Mother," he said, "Grey Wind . . ."

Muitos acreditam que o lobo gigante de Robb, Vento Cinzento, morreu com Robb no casamento vermelho. No entanto, afirmo que essa é apenas uma das interpretações possíveis e que o GRRM, na verdade, deixou várias pistas de que Vento Cinzento ainda vive.
Primeiro, precisamos analisar por que achamos que Vento Cinzento está morto. Existem quatro fontes principais.
  1. Bran acha que Vento Cinzento pode estar morto.
  2. Jon acha que Vento Cinzento está morto.
  3. Salladhor Saan nos conta o que os plebeus estão dizendo sobre a cabeça de Vento Cinzento ter sido costurada ao corpo de Robb.
  4. Merrett Frey responde perguntas sobre a cabeça ter sido costurada ao corpo de Robb.
Bran e Jon pensam que Vento Cinzento está morto, mas isso se dá em grande parte porque outras pessoas disseram a eles e de suas próprias interpretações do que seus lobos gigantes vêem. Notadamente, nem Fantasma nem Verão pensam que Vento Cinzento esteja morto. Isso é especialmente significativo porque sabemos que eles podem sentir seus próprios irmãos e irmãs. De fato, da perspectiva de Fantasma e Verão, parece que eles não sentiram a morte de Vento Cinzento do mesmo modo que sentiram a morte de Lady. São apenas os humanos que combinam os rumores que ouviram e as percepções dos lobos gigantes para chegar a uma conclusão.
É aqui que é importante ressaltar que algo não se torna verdade apenas porque um personagem POV pensa que é.
Sim, Bran pensa:
O sonho que tivera... o sonho que Verão tivera... Não, não devo pensar no sonho. Nem sequer o tinha contado aos Reed, embora pelo menos Meera parecesse sentir que havia algo errado. Se nunca falasse dele, talvez pudesse esquecer que o sonhara, e então não teria acontecido, e Robb e Vento Cinzento ainda estariam...
(ASOS, Bran IV)
Notadamente, esses são os pensamentos de Bran depois de se lembrar de um sonho que Verão teve. Um sonho que é visivelmente omitido da história (e do leitor).
E Jon pensa:
Fantasma sabe que Vento Cinzento morreu. Robb tinha morrido nas Gêmeas, traído por homens que acreditava serem seus amigos, e seu lobo havia perecido com ele.
(ADWD, Jon I)
Mas isso deixa de fora o que ele realmente percebeu quando era Fantasma, que é abordado neste excelente post por lady_gwynhyfvar do famoso da Radio Westeros.
De um post em seu blog:
Quando Jon pensa que "Fantasma sabe que Vento Cinzento morreu", mais adiante neste capítulo, ele está aceitando a direção errada dos pensamentos do lobo branco sobre seus companheiros de matilha no sonho de lobo, pois isso confirma o que ele acha que sabe em seus momentos de vigília. Temos indícios o suficientes de outros pontos de vista para acreditar no contrário. Considere esse pensamento de Bran em Verão:
Eram seus agora. Eram sua matilha. Não, o garoto sussurrou, nós temos outra matilha. Lady está morta e talvez Vento Cinzento também, mas Cão Felpudo, Nymeria e Fantasma ainda estão em algum lugar. Lembra do Fantasma? (ADWD, Bran I)
E há isso em ADwD, Jon I:
Antes eles eram seis, cinco choramingando cegos na neve, ao lado do cadáver da mãe, sugando o leite gelado de seus duros mamilos mortos, enquanto ele se arrastava sozinho. Restavam quatro... e um deles o lobo branco não conseguia mais sentir.
“Restavam quatro... e um deles o lobo branco não conseguia mais sentir” é ambíguo. Isso poderia significar "restavam quatro, e ele não podia mais sentir um desses quatro", mas também poderia significar "restavam quatro, e outro que ele não podia mais sentir". Acho que a segunda interpretação é a correta, caso contrário, teríamos que identificar qual dos quatro ele não conseguia sentir. Ele está claramente consciente de si mesmo, Nymeria e Cão Felpudo neste capítulo. Então, isso deve significar que ele não pode sentir Verão, certo?
Nas noites sem estrelas, o grande penhasco ficava negro como uma rocha, a escuridão elevando-se sobre o mundo inteiro, mas, quando a lua saía, ele brilhava pálido e frio como um córrego congelado. A pele do lobo era grossa e peluda, mas quando o vento soprava sob o gelo, nenhum pelo conseguia afastar a sensação de frio. Do outro lado, o vento estava ainda mais frio, o lobo sentia. Era onde seu irmão estava, o irmão cinzento que cheirava a verão.
(ADWD, Jon I)
Então, ele sente Cão Felpudo, Nymeria, Verão e ele mesmo... "Restavam quatro... e um deles o lobo branco não conseguia mais sentir". Em outras palavras, ele sabe que Lady está morta, mas ele simplesmente não consegue sentir Vento Cinzento.
Finalmente, é importante observar que, apenas porque um personagem POV pensa algo, não o torna verdadeiro. Por exemplo, Cersei pensa esse pensamento, que sabemos ser falso:
Dentro da torre, a fumaça dos archotes irritou-lhe os olhos, mas Cersei não chorou, como o pai não teria chorado. Sou o único verdadeiro filho que ele teve.
Notadamente, se Bran, o warg mais poderoso entre seus irmãos, não sabe que Vento Cinzento está morto, então como podemos saber que Vento Cinzento está morto?
Salladhor Saan e Merrett Frey confirmaram que Vento Cinzento está morto, não? Sim, sobre isso ... Salladhor Saan:
Por um momento, pareceu que o rei não tinha ouvido. Stannis não mostrou qualquer prazer com a notícia, nem ira, nem incredulidade, nem mesmo alívio. Encarou a sua Mesa Pintada com os dentes cerrados com força.
– Tem certeza? – perguntou.
– Não estou vendo o corpo, não, Vossa Realdade – disse Salladhor Saan. – Mas na cidade, os leões pavoneiam-se e dançam. O povo está chamando de o Casamento Vermelho. Juram que Lorde Frey cortou a cabeça do rapaz, costurou a cabeça do lobo gigante dele no lugar e pregou uma coroa sobre as orelhas. A senhora mãe dele tambémfoi morta e atirada nua ao rio.
(ASOS, Davos V)
E onde Salladhor conseguiu suas informações? Porque os plebeus sempre são precisos em suas histórias, certo?
O povo diz que o último ano do verão é sempre o mais quente. Não é bem assim, mas muitas vezes parece que é, não é verdade? (AGOT, Eddard V)
O povo diz que foi o fantasma do Rei Renly, mas homens mais sensatos sabem quem foi. (ACOK, Tyrion XV)
O vidro de dragão é feito por dragões, como o povo gosta de dizer? (ASOS Samwell II)
Em Valdocaso os plebeus ainda amam Lorde Denys, apesar da desgraça que lhes trouxe. É à Senhora Serala, sua esposa de Myr, que atribuem a culpa. Chamam-na a Serpente de Renda. Se ao menos Lorde Darklyn tivesse se casado com uma Staunton ou uma Stokeworth... bem, sabe como os plebeus gostam de falar. A Serpente de Renda encheu os ouvidos do marido com veneno de Myr, eles dizem, até que Lorde Denys se ergueu contra seu rei e o tornou cativo. (AFFC Brienne II)
Isso foi antes de morrer – o jovem Sor Arwood Frey disse. – O povo diz que a morte o mudou. Pode matá-lo, mas ele não permanece morto. Como se luta com um homem assim? E também há o Cão de Caça. Ele matou vinte homens em Salinas. (AFFC, Jaime IV)
Bem ... os plebeus não estão sempre errados. Mas eu não confiaria nos relatos deles deles como definitivos em nada.
Merrett Frey:
[...] o lobo gigante do Stark matou quatro de nossos lobeiros e arrancou o braço do mestre dos canis de seu ombro, mesmo depois de o enchermos de dardos...
– E por isso costurou a cabeça dele ao pescoço de Robb Stark depois que os dois estavam mortos – disse o do manto amarelo.
– Foi o meu pai que fez isso. Tudo o que eu fiz foi beber. Não mataria um homem por beber. [...]
(ASOS, Epílogo)
Por ter estado lá, ele deve se lembrar com precisão, certo?
Ah, exceto pela parte em que ele estava babando bêbado na época e provavelmente não se lembra de nada muito claramente.
Grande-Jon já estava para lá de bêbado. O filho de Lorde Walder, Merrett, estava competindo com ele, taça atrás de taça, mas Sor Whalen Frey desmaiou tentando acompanhar os dois. Catelyn teria preferido que Lorde Umber tivesse achado por bem permanecer sóbrio, mas dizer ao Grande-Jon para não beber era como lhe pedir para não respirar durante algumas horas.
(ASOS, Catelyn VII)
E você leia atentamente, verá que Merrett não disse que viu isso acontecer. O que Merrett viu foi Vento Cinzento livre e matando pessoas, apesar de estar cheio de dardos. Foi Limo quem sugeriu que a cabeça do lobo havia sidocosturada em Robb. E a resposta de Merrett? "Foi o meu pai que fez isso. Tudo o que eu fiz foi beber."
Então, Salladhor Saan sabe que isso acontece porque os plebeus dizem que aconteceu. E Merrett Frey estava lá, mas bebeu o suficiente para que seu irmão desmaiasse de bêbado. E ele não mencionou a costura da cabeça. Foi acusado disso e depois transferiu a culpa para o pai (que obviamente não fez isso por conta da idade avançada).
Finalmente, temos dois pontos de vista em ADWD que interagem com um grande número de Freys. Aqueles Freys, que estavam no Casamento Vermelho e não estavam bêbados, contam muitos contos, mas nenhum deles menciona uma cabeça de lobo sendo costurada no corpo de Robb. Isso não significa que não aconteceu, mas questiona quem diz que aconteceu.
Então, a cabeça de um lobo foi realmente costurada no corpo de Robb? Talvez. A cabeça de Vento Cinzento foi costurada no corpo de Robb? Umm ... não, isso é, provavelmente, logisticamente impossível.
O pescoço do homem comum tem 16 polegadas de circunferência. O pescoço médio do pastor alemão tem 18 polegadas de circunferência e é provavelmente comparável ao de um lobo cinza comum. Você poderia costurar a cabeça de um lobo no corpo de um homem e sabemos que há uma matilha gigante de lobos na área graças a Nymeria.
Por outro lado, Vento Cinzento é um lobo gigante. Qual é o tamanho do pescoço de um lobo gigante?
Meio enterrada na neve manchada de sangue, uma forma enorme atolava-se na morte. Em sua desgrenhada pelagem cinzenta formara-se gelo, e um tênue cheiro de putrefação impregnava-a como perfume de mulher. Bran viu de relance os olhos cegos repletos de vermes, uma grande boca cheia de dentes amarelados. Mas foi o tamanho da coisa que o fez ficar de boca aberta. Era maior que seu pônei, com o dobro do tamanho do maior cão de caça do canil de seu pai.
– Não é aberração nenhuma – disse Jon calmamente. – Isso é uma loba gigante. Esses animais crescem mais do que os da outra espécie.
(AGOT, Bran I)
Maior que um pônei e duas vezes o tamanho do maior cão do canil? Bem, se o pescoço tem o dobro do tamanho dos cães de caça maiores, podemos dizer com segurança que tem mais de 36 polegadas de circunferência - boa sorte costurando isso no corpo de um homem grande. Talvez devêssemos fazer a comparação do pônei. A circunferência média do pescoço de um pônei é de 40 polegadas... Mesmo se aceitarmos, argumentando que Gray Wind não estava completamente crescido como sua mãe, sua cabeça ainda é grande demais para caber no corpo de Robb. Se uma cabeça foi costurada no corpo de Robb, era a cabeça de um lobo normal, não a de Vento Cinzento.
Portanto, vimos que não temos relatos reais em primeira mão do que aconteceu, exceto o de Merrett, que provavelmente não é super preciso e que confirma que Vento Cinzento foi libertado. Também temos uma segundo relato de Walder Rivers e Edwyn Frey. Essas são os únicos relatos diretos que temos do que aconteceu com Vento Cinzento.
– [...] Diga-me, Sor Raynald Westerling conta-se entre esses cativos?
– O cavaleiro das conchas? – Edwyn fez uma expressão de desprezo. – Esse pode ser encontrado alimentando os peixes no fundo do Ramo Verde.
– Ele estava no pátio quando nossos homens foram abater o lobo gigante – disse Walder Rivers.– Whalen exigiu-lhe a espada, e ele a entregou com bastante docilidade, mas quando os besteiros começaram a encher o lobo de flechas, pegou no machado de Whalen e libertou o monstro da rede que lhe tinham atirado. Whalen diz que recebeu um dardo no ombro e outro nas tripas, mas ainda conseguiu chegar ao adarve e se atirar no rio.
(AFFC, Jaime VII)
Então, sabemos que Raynald foi capaz de lutar e fugir, pelo menos até certo ponto, e que ele foi capaz de libertar Vento Cinzento. Então, GRRM nos diz que não sabemos se Reynald foi morto. Se não sabemos se eles foram capazes de matar Raynald, como saberemos que eles foram capazes de matar Vento Cinzento?
– Deixou uma trilha de sangue nos degraus – Edwyn acrescentou.
– Encontraram seu cadáver mais tarde? – Jaime quis saber.
– Encontramos mil cadáveres mais tarde. Depois de passarem alguns dias no rio, ficam todos muito parecidos uns com os outros.
(AFFC, Jaime VII)
Nota-se que ele não diz que eles encontraram um cadáver usando o brasão dos Westerling, que ele afirma conhecer. "O Cavaleiro das Conchas?" Seu conhecimento do brasão também implica que Raynald usava o brasão, o que o tornou bem conhecido pelos outros. É improvável que Edwyn estivesse familiarizado com os brasões de casas menores do Ocidente. Eles encontraram corpos, mas aparentemente nenhum ostentava o símbolo conhecido do cavaleiro das conchas. Isso significa que Raynald provavelmente está vivo, ou pelo menos que seu corpo nunca foi encontrado. Se Raynald está vivo, Vento Cinzento provavelmente também está vivo. Eu acho que teria sido mais fácil para Vento Cinzento escapar do que Raynald. Afinal, Vento Cinzento foi nomeado por ser muito rápido:
Robb chamara seu lobo de Vento Cinzento, porque ele corria muito depressa. (AGOT, Bran II)
Como muitos respondem a quaisquer teorias apresentadas aqui ou em outros lugares, “qual seria a função narrativa da história/enredo da sobrevivência de Vento Cinzento?” Bem, muitos falaram sobre o significado de Sansa e Arya perderem seus lobos e, assim, se separarem de sua "matilha". O simbolismo é óbvio. E para Arya, enquanto ela está longe de sua "matilha", Nymeria ainda está viva e ligada à família, ela pode encontrar o caminho de volta e se reunir com sua loba gigante. Pobre Sansa - ela não tem uma loba para recuperar…
Notavelmente, muitas teorias sobre Sansa teorizam que, depois de perder Lady, ela simbolicamente deixou de ser uma Stark e que sua história acabará por torná-la uma Stark novamente. Que melhor maneira de voltar ao grupo do que recuperar um lobo gigante….
Ele os enfeitiçou, pensou Alayne naquela noite, enquanto, na cama, ouvia o vento uivar junto às suas janelas. Não saberia dizer de onde a suspeita viera, mas uma vez que lhe atravessou a mente não a deixou dormir. Virou-se e se remexeu, roendo a ideia como um cão faria com um velho osso. Por fim, levantou-se e se vestiu, deixando Gretchel com seus sonhos.
(AFFC, Alayne I)
Além disso:
Havia gelo sob seus pés e pedras quebradas só à espera para torcerem um tornozelo, e o vento uivava ferozmente. Soa como um lobo, Sansa pensou. Um lobo fantasma, tão grande quanto as montanhas.
(AFFC, Alayne II)
Olá, Vento Cinzento! E ao entrar na pele de simbolicamente, ela poderá sentir a presença de Robb ainda lá. Afinal, suas últimas palavras ecoam a última palavra de Jon. "Vento Cinzento ..." "Fantasma".
EXTRA 1: Evidência de que a Muralha não impede o aviso ou os lobos-diretos de se sentirem:
Em A Fúria dos Reis, Jon está ao norte da Muralha com Qhorin Meia-Mão quando ele tem este sonho:
Havia cinco onde devia haver seis, e estavam espalhados, todos separados uns dos outros. Sentiu uma profunda sensação de vazio, de incompletude. A floresta era vasta e fria, e eles eram tão pequenos, tão perdidos. Os irmãos estavam longe, em algum lugar, e a irmã também, mas tinha perdido seus rastros. Sentou-se nos quartos traseiros e levantou a cabeça para o céu que escurecia, e seu choro ecoou pela floresta, um som longo, solitário e lamentoso. Enquanto o som morria, aguçou as orelhas, à escuta de uma resposta, mas o único ruído foi o suspiro da neve soprada pelo vento.
Jon?
O chamado veio de suas costas, mais baixo do que um sussurro, mas forte. Pode um grito ser silencioso? Virou a cabeça, em busca do irmão, de um vislumbre de uma silhueta esguia e cinzenta em movimento sob as árvores, mas nada havia, só…
Um represeiro.
Parecia ter brotado da rocha sólida, com as raízes brancas contorcendo-se de uma miríade de fissuras e rachaduras finas como fios de cabelo. A árvore era fina comparada com outros represeiros que tinha visto antes, pouco mais do que um broto, mas crescia diante de seus olhos, com os galhos engrossando à medida que se estendiam para o céu. Com prudência, deu a volta no tronco branco e liso até encontrar o rosto. Olhos vermelhos olhavam-no. Eram olhos ferozes, mas satisfeitos por vê-lo. O represeiro tinha o semblante do irmão. Teria o irmão sempre tido três olhos?
(ACOK, Jon VII)
Pela maneira como é descrito, parece que isso é veio do Bran pós-Corvo de Sangue, mas esse não é o caso. Afinal, como vimos em A Fúria dos Reis:
Ali, na escuridão frígida e úmida da tumba, seu terceiro olho finalmente abrira-se. Conseguia alcançar Verão sempre que quisesse, e uma vez tinha até mesmo tocado Fantasma e falado com Jon.
(ACOK, Bran VII)
Bran estava em Winterfell, Jon e Fantasma estavam ao norte da Muralha, e Bran estendeu a mão e tocou Fantasma e conversou com Jon. A parede não bloqueia a detecção dos outros lobos.
Além disso, em A Tormenta de Espadas, Fantasma está ao norte da Muralha e Verão não, mas é isso que Verão pensa:
Mas às vezes conseguia senti-los, como se ainda estivessem com ele, escondidos de sua vista apenas por um pedregulho ou um pequeno bosque. Não era capaz de cheirá-los, nem de ouvir seus uivos noturnos, mas sentia a presença deles atrás de si... todos menos a irmã que tinham perdido.
(ASOS, Bran I)
Então isso novamente parece indicar que Verão podia sentir Fantasma, mesmo quando ele estava ao norte da Muralha.
Finalmente, a Muralha não era uma barreira para Varamyr entrar na pele da águia de Orell:
O troca-peles tinha um rosto cinzento, ombros redondos e era calvo, um homem que mais parecia um rato com olhos de lobisomem.
– Depois de um cavalo se habituar à sela, qualquer homem pode montá-lo – disse ele em voz baixa. – Depois de um animal se juntar a um homem, qualquer troca-peles pode entrar nele e montá-lo. Orell estava definhando dentro de suas penas, por isso fiquei com a águia. Mas a junção funciona nos dois sentidos, warg. Orell agora vive dentro de mim, murmurando como o odeia. E eu posso pairar por cima da Muralha e ver com olhos de águia.
– É assim que sabemos – disse Mance. – Sabemos como vocês eram poucos quando detiveram a tartaruga. Sabemos quantos vieram de Atalaialeste. Sabemos como seus suprimentos minguaram. Piche, óleo, flechas, lanças. Até a escada desapareceu, e aquela gaiola só pode içar uns poucos. Nós sabemos. E agora você sabe que sabemos.
(ASOS, Jon X)
Não acho que a Muralha bloqueie a mudança de pele ou impeça os lobos gigantes de sentirem uns aos outros.
EXTRA 2: Por que Vento Cinzento não pode ser detectado?
Eu acho que há várias possibilidades que explicam Vento Cinzento não ser sentido. Estas são as três que considero mais fortes:
  1. Vento Cinzento agora é especial entre os irmãos lobos gigantes, já que ele não tem mais seu ser humano. Isso pode interromper a conexão que lhes permite sentir um ao outro.
  2. Se Robb entrou na segunda vida em Vento Cinzento, pode ser que Fantasma não o sentisse mais como irmão - ele agora é um ser composto (Robb + Vento Cinzento) em vez de um ser autônomo.
  3. A capacidade de sentir um ao outro depende da força de vida dos irmãos. Mesmo que tenha sobrevivido, Vento Cinzento ficou gravemente ferido e pode estar à beira da morte, sem força vital suficiente para que seus irmãos o sintam.
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2019.10.06 02:55 Stalin_bae Revisão da Rodada 26 (Série B)

Estrada para a Série A 2020
Estrada para a Série B 2020
Estamos chegando na reta final!
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Segunda-Feira 30/09
Brinco de Ouro
Guarani 2x0 Atlético
10' Lucas Crispim
32' Lucas Crispim
Desde que o Carpini assumiu tudo deu certo para o Guarani, formal lanterna isolado com 13 pontos, agora é o time com melhor campanha do segundo turno. O Atlético não teve chance nesse jogo. O primeiro tempo do Guarani foi provavelmente o melhor do ano até aqui, 2x0 ficou barato, Crispim quase marcou um hat-trick, no entanto, Oliveira parou em cima da linha, e também teve o chute na trave do Luiz Gustavo. O bugre foi para o vestiário aplaudido, olha que ainda teve reclamação de um pênalti não marcado em Arthur Rezende. A segunda etapa foi mais equilibrado, a arbitragem desse jogo foi patética, e o Guarani segurou a pressão do dragão e ainda assustou em alguns momentos.
Fim da invencibilidade do Atlético e o Guarani foi para 32 pontos. O Corinthians e o Santos estão tentando contratar o Davó para 2020.
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Terça-Feira 01/10
Serra Dourada
Vila Nova 1x1 Criciúma
05 2T' Wesley Matos 10 2T' Thales
Tanto o Vila Nova quanto o Criciúma não ficaram com os seus treinadores inicias (respectivamente Umberto Louzer e Doriva) e montaram um elenco fraco, onde o maior problema é o setor ofensivo, são os dois piores ataques com 18 gols. O Vila ainda tem o agravante de ter vencido como mandante pela última e única vez 1 turno atrás contra o São Bento no Olímpico, só se salva pela excelente campanha como visitante. O primeiro tempo não foi grande coisa, algumas chances sem sucesso, mas a etapa final foi melhor, os gols aconteceram logo no começo e ambas equipes buscaram a vitória, mas não concluíram.
Fim da linha para o Marcelo Cabo, 37,3% de aproveitamento em 17 jogos, quase o mesmo do Eduardo Baptista que teve (37% e 16º posição), agora a cota de erros acabou para o Vila se quiser escapar da Série C.
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Quinta-Feira 03/10
Independência
América 1x0 CRB
19' Ricardo Silva
O primeiro tempo foi equilibrado, o América foi melhor na conclusão e saiu na frente. Na segunda etapa o CRB demorou para assustar e quando chegou, serviu para o coelho voltar ao jogo e o final foi interessante, o galo teve bola na trave e o América quase marcou no rebote do goleiro.
Grande vitória para o formal lanterna América, que está quase no G4. Já o CRB perdeu o Felipe Ferreira para o Vasco, vai fazer falta na disputa pelo acesso. Perdeu também a quarta colocação para o Botafogo.

Fonte Nova
Vitória 2x2 Sport
30' Anselmo Ramon 15 2T' Guilherme
11 2T' Wesley 47 2T' Pedro Carmona
O Vitória muito necessitado de três pontos criou as melhores chances do primeiro tempo e saiu na frente (assim quebrando um jejum de quatro jogos sem gol do leão baiano), o Sport não assustou muito. No segundo tempo graças a falha do Rafael Thyere, o Vitória ampliou e o Sport teve que buscar o empate, conseguiu descontar em sequência e no último lance da partida marcou o segundo de falta.
O Sport não se aproveitou do tropeço do Atlético, mas pelo menos não perdeu, já para o Vitória resta apenas lamentar os fracassos na Fonte Nova e o Geninho segue tentando vencer a primeira.
Por causa do prejuízo o Vitória irá retornar ao Barradão.
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Sexta-Feira 04/10
Orlando Scarpelli
Figueirense 1x2 Oeste
51' Andrigo (Pênalti) 06' Fábio
07' Fábio
Oeste rumo ao acesso. Em 10 minutos dominou o Figueirense (chegou a ter 70% da posse de bola) e marcou dois, o Figueira ainda conseguiu descontar de pênalti com o rei do rebaixamento no final da primeira etapa. No segundo tempo não tivemos um grande jogo, mesmo com apoio da torcida o Figueirense não conseguia passar do Oeste, apesar de ter feito Luis Carlos trabalhar.
Fim de jogo e a torcida do Figueirense quebrou vidros que dividam arquibancada do gramado e já são 17 jogos sem vencer, para não completar um turno sem vitória será necessário vencer ou o Botafogo no Santa Cruz ou o América no Orlando Scarpelli.

Walter Ribeiro
São Bento 0x3 Bragantino
43' Claudinho
03 2T' Claudinho
32 2T' Claudinho (Pênalti)
''Hoje tem caneta do Claudinho'' - um torcedor do Bragantino. O São Bento foi com os reservas (próximo jogo é contra o Vila Nova no Walter Ribeiro e significa vida para o time de Sorocaba) e não teve chances contra o líder disparado da Série B (praticamente contagem regressiva para o título).
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Sábado 05/10
Santa Cruz
Botafogo 4x1 Ponte Preta
02' Marlon Freitas 20 2T' Roger (Pênalti)
16' Murilo Henrique
48' Marlon Fretias (Pênalti)
25 2T' Dodô
Esse primeiro tempo me lembrou muito Ponte 3 x 0 Cuiabá na última rodada, foi o mesmo enredo no entanto foi para o Botafogo, teria sido menos pior se o Roger não tivesse marcado um pênalti totalmente desnecessário no final da primeira etapa. No segundo tempo a Ponte até acordou, mas já era tarde demais, o placar ainda poderia ter sido pior, mas esta bela vitória já rendeu o ''olê'' para torcida do pantera.

Durival Britto
Paraná 2x0 Coritiba
10' Jenison
12' Bruno Rodrigues (Pênalti)
Coritiba fez um péssimo primeiro tempo e deu espaço para o Paraná abrir o placar com Jenigol. Em seguida Jenison caiu na área e de pênalti Bruno Rodrigues ampliou. Esse primeiro tempo foi até os 60 minutos por causa de paralisações, teve briga na torcida e gente machucada, em campo o Coritiba não conseguia assustar o Paraná. O segundo tempo foi mais equilibrado, nos contra-ataques o Paraná teve chances de ampliar, enquanto o Coritiba seguia não muito bem.

Germano Krüger
Operário 1x2 Brasil de Pelotas
30' Lucas Batatinha 21 2T' Leandro Camilo
46 2T' Leandro Camilo
Primeiro tempo só deu Operário, foram chances atrás de chances e apenas uma foi convertida, o que o fantasma não esperava era sofrer uma virada do zagueiro Leandro Camilo. O segundo tempo do xavante foi muito melhor, com mais intensidade levou perigo e na bola parada virou. O Operário tentou dois chutes no nos minutos finais, mas já era tarde demais.

Arena Pantanal
Cuiabá 0x1 Londrina
38' Léo Passos (Pênalti)
Estreia do Mazola Júnior com vitória, o Londrina não teve posse de bola, mas levou mais perigo no primeiro tempo. Foram 11 chutes do Cuiabá, mas nenhum no gol, enquanto o Londrina teve duas chances e de pênalti marcou o único gol da partida. No segundo tempo o dourado tentou empatar, chutou mais 13 vezes (apenas duas foram ao gol) e seguiu no controle enquanto o tubarão tentava partir de contra-ataques, mas não levou nenhum perigo.
Bom jogo da defesa do Londrina, que é uma das mais vazadas dessa Série B com 35 gols sofridos.
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Classificação

Posição Clube Vitórias Empates Derrotas Pontos Saldo de Gols
1. Bragantino 16 6 4 54 31
2. Atlético 12 9 5 45 10
3. Sport 11 12 3 45 12
4. Botafogo +2 11 6 9 39 2
5. CRB -1 11 5 10 38 3
6. América +4 10 8 8 38 2
7. Paraná +4 9 11 6 38 0
8. Coritiba -3 10 7 8 37 5
9. Operário -2 10 6 10 36 -7
10. Ponte Preta -2 9 8 9 35 2
11. Cuiabá -2 9 8 8 35 2
12. Brasil de Pelotas 9 6 11 33 -7
13. Oeste 7 12 7 33 1
14. Guarani 9 5 12 32 -4
15. Londrina 9 4 13 31 -6
16. Vila Nova 6 11 9 29 -6
17. Criciúma 6 9 11 27 -7
18. Vitória 6 8 12 26 -12
19. São Bento 6 6 14 24 -10
20. Figueirense 4 11 11 23 -11
______________________________________________________________________________________________________________________

Artilharia

Jogadores Gols
Hernane (Sport) 12
Rodrigão (Coritiba) 11
Guilherme (Sport) 11
Fábio (Oeste) 9
Ytalo (Bragantino) 9
Mike (Atlético) 8
Felipe Augusto (Operário) 8
Zé Roberto (São Bento) 8
Claudinho (Bragantino) 8
______________________________________________________________________________________________________________________
Próxima rodada:
Segunda-Feira: São Bento x Vila Nova, CRB x Sport
Terça-Feira: Botafogo x Figueirense, Coritiba x Guarani, Operário x Paraná, Atlético x Cuiabá, Criciúma x Brasil de Pelotas, Oeste x Vitória*, Ponte Preta x Londrina, América x Bragantino
*= Oeste x Vitória será transmitido gratuitamente pelo GE
______________________________________________________________________________________________________________________
Rodadas 4-25: https://pastebin.com/raw/28474K6g
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2019.09.11 16:22 Guigzzt Minha História (Noob) com RPG de Mesa

Opa galera, como estão, tudo na paz?
Pessoas, eu decidi compartilhar com vocês como está sendo minha experiência/história com RPG de mesa porque eu acredito que isso possa inspirar novos jogadores, buscar respostas para algumas dúvidas e aproveitar para passar algumas dicas do que eu aprendi nesses últimos meses como o mestre noob de um grupo mais noob ainda.
Eu tenho 27 anos e atualmente jogo com outros 4 jogadores, todos da mesma faixa de idade. Somos amigos desde a época de escola e sempre jogamos mmos juntos, principalmente se tratando de Tibia. Ao longo de todo esse tempo sempre ouvimos falar sobre RPG de mesa mas nunca resolvemos jogar de fato. Para falar bem a verdade esse tipo de jogo nunca nos despertou tanto o interesse, parecia algo ultrapassado ou defasado (pra que jogar faz de conta se hoje em dia temos computadores e consoles com jogos de RPG como Witcher ou Skyrim, não fazia o menor sentido).
Lá por fevereiro deste ano fui com esses amigos em uma loja de produtos nerds em Porto Alegre atrás de um jogo de tabuleiro e o vendedor nos apresentou o manual básico de Tormenta. Ele nos deu uma breve explicação de como funciona o jogo, as regras, o papel do jogador e do mestre e como fazer as fichas. Todos ficamos um pouco animados com aquilo, principalmente eu. Sou amante de literatura desde criança e histórias de fantasia sempre foram uma fascinação. Folheei o livro por alguns minutos e decidi comprar o pacote completo. Manual, jogos de dados e fichas impressas. Tínhamos tudo o que precisávamos pra jogar e já combinamos uma noitada de RPG pro mesmo dia.
Ser o mestre não foi minha escolha própria, jogaram no meu colo porque era o único do grupo que gostava de leitura e sinceramente eu fiquei bem frustrado na hora porque minha empolgação era jogar e não ter que fazer o jogo. Mesmo assim, matei no peito e quando cheguei em casa comecei a ler o livro. Passei algumas horas entendendo as regras mais básicas e depois desse tempo eu me convenci que era impossível eu fazer uma aventura naquele espaço de tempo. Foi frustrante ter tudo aquilo e não poder jogar mas pelo menos usamos parte da noite pra criar as fichas (acho que levamos umas 3 horas pra terminar kkk). Me prontifiquei a criar uma aventura durante a semana que se seguia e já deixamos marcado para o outro sábado a jogatina. Eu fiz o download de uma versão em PDF do manual que me permitia ler durante os espaços de tempo livre durante o trabalho e no período da noite focava em criar a aventura.
Depois que comecei a ler o manual, peguei interesse pelo universo do Tormenta e seus personagens. Não demorou muito pra eu baixar todos os outros livros. Isso me deu uma enorme empolgação e comecei a esboçar o que viria a se tornar a jornada dos jogadores. Eu pensei grande logo de cara, decidi criar uma campanha ao invés de algo mais episódico porque assim eles poderiam evoluir seus personagens e avançar pela história à partir do nível 1. Também resolvi não usar o universo de tormenta de maneira fiel porque teria que gastar muito tempo lendo pra entender toda a história do cenário e no final das contas não daria para fazer tudo no prazo curto que eu tinha. Sendo assim, utilizei elementos do Tormenta, como mapas, cidades, personagens, mas criando uma história própria porque ao meu ver seria mais fácil do que estudar tudo isso logo de início. Fiquei os 5 dias da semana focado nessa aventura e 1 dia antes de jogarmos eu sentia que ainda faltava um monte de coisa. Virei a noite de sexta pra sábado trabalhando para deixar tudo pronto e a conclusão que eu tirei no fim disso tudo era que mestrar não era só alegria, dava um trabalho monstruoso. Mas tudo bem, trabalho feito, tava tudo perfeito, partiu pra sessão. Peguei manual, dados, mochila, café e muita vontade de botar em prática toda aquela mão de obra absurda e não remunerada da última semana.
Sentamos na mesa, todo mundo com fichas em mão e comecei a narrativa. De início expliquei o background de cada personagem porque dos 4 aventureiros na mesa, 3 não quiseram sequer inventar de quem eram filhos, o que comiam e de onde vieram. Aliás, essa foi a primeira coisa que aprendi logo de cara. Existem tipos de jogadores. E cada tipo de jogador tem um perfil na mesa de jogo. Um dos meus amigos passou a semana escrevendo a história do Elfo ladino dele, chamado Amarash, que daria facilmente um livro inteiro só pra biografia do indivíduo. Os outros 3 só queriam uma coisa. Sangue e morte. Definiram que eram caóticos e malignos e isso era o suficiente pra eles.
Em seguida, dei uma breve introdução e comecei a narrar o jogo em si. Aqui, meus amigos, entra a segunda lição importante que você que está começando a mestrar nunca deve esquecer. Lembrar disso serve para evitar que você perca uma semana de sua vida em questão de minutos. Sim, é isso mesmo, o grupo levou MINUTOS para acabar com minha história e quando menos percebi estava improvisando TUDO! No desespero eu comecei a criar barreiras e reduzir a liberdade de escolha dos jogadores para que eles se mantivessem no caminho certo e mesmo assim nada saiu como o planejado. É lógico que todos notaram e isso reduziu demais a diversão. Durante o jogo eu fiz naturalmente esses "ajustes", só que lá no final da noite quando terminamos eles me criticaram nesse ponto quando perguntei o que estavam achando. Isso foi um choque é claro, mas tive que concordar. Com isso eu aprendi que é primordial não reprimir os jogadores, não retirar da mesa a sensação de liberdade de escolhas, porque essa é a graça do RPG, você inventar estratégias mirabolantes para resolver os problemas que surgem.
Na semana seguinte eu resolvi me adequar e fazer as coisas de outra forma. Eu sabia que tinham coisas muito erradas no modo como estava criando a aventura. Eu escrevi roteiros imensos com falas de PDMs e definia até as condicionais pra cada escolha. Quando parei pra pensar eu vi o exagero daquilo e que não tinha como dar certo de forma alguma justamente porque era impossível saber de fato o que os jogadores iam decidir a todo o instante.
Nesse momento eu percebi que não deveria criar um roteiro pro jogo, mas sim um cenário. Desta maneira, independente do que os jogadores escolhessem fazer eu estaria pronto, eles estariam dentro do espaço da minha aventura. Em um roteiro eu determinava uma sequencia para os eventos que muitas vezes eram necessários para o avanço correto da história, e se os jogadores pulassem esses eventos quebravam tudo e eu partia pro improviso ou reprimia a liberdade para mantê-los no eixo.
Em um cenário as coisas não acontecem assim. Nesse caso eu defino quem os NPCs mais importantes são, sejam amigos ou inimigos e a liberdade é dada aos jogadores para resolverem o problema da maneira que bem entenderem. A regra principal que eu aprendi é NUNCA depender da escolha dos jogadores para que o gancho na história aconteça. Faça o que os aventureiros fizerem a história precisa avançar e é criando o cenário pra aventura que eu aprendi a controlar isso de maneira bem eficiente. Agora tenho muito menos trabalho ao criar a aventura e o jogo ficou muito mais divertido porque a liberdade é total e não existe nenhum tipo de repressão das escolhas.
Se tratando de mestrar, eu também aprendi outra coisa importante que demorou mais do que deveria pra entrar na cabeça e também só fui corrigir quando os jogadores resolveram reclamar. No início eu era o tipo de mestre inimigo dos jogadores. Eu não me importava com nada a não ser a completa derrota deles. A minha ideia era de que os aventureiros eram meus inimigos e eu deveria fazer com que fossem derrotados. Essa ficha caiu quando um dos aventureiros morreu por conta de um inimigo absurdamente mais forte que eu coloquei sem a menor chance deles enfrentarem. O único bom senso que eu tinha era relacionado à continuidade da história e eu não aliviava a barra de maneira alguma independente do que acontecesse.
Quando a gente começa a mestrar é muito legal a sensação de controlar o jogo, o que acontece em seguida, qual inimigo vai aparecer, como o universo vai reagir ao redor dos personagens. É muito fácil você perder o controle diante disso e esquecer o foco principal do jogo que é a diversão mútua. Na atualidade eu já aprendi a dosar muito bem as situações e colocar tudo na balança. Por diversas vezes eu salvei os jogadores pela diversão ou como recompensa por boas condutas em outras sessões. Em contrapartida, condutas ruins na mesa também ficam registradas e são cobradas mais tarde com menos flexibilidade em situações difíceis. Eu acredito que esse balanço seja fundamental para o bom andamento do jogo e para garantir a diversão de todos.
No geral já fazem 8 meses que estou mestrando essa campanha pra eles e finalmente está chegando próxima do fim (pelo menos da história que eu tinha programado). Nós acertamos em fazer uma sessão por final de semana. Nem sempre é possível porque alguns trabalham, mas normalmente dá certo (o maior tempo que ficamos sem jogar foi de 15 dias).
Eu ainda me considero muito iniciante quanto à mestrar e ainda tenho um mar de dúvidas em relação à isso. Uma coisa que me intriga de verdade é se realmente mestres mais experientes conhecem a fundo todas as regras, magias, talentos e habilidades. Apesar de ler e reler tudo o tempo todo ainda tenho muita dificuldade de gravar tudo isso, principalmente magias, talentos e etç. Ainda preciso parar bastante o jogo pra procurar no manual a definição dessas coisas e sinto que essas paradas em momentos mais empolgantes cortam completamente a emoção do momento. Sendo bem sincero, eu invento regras as vezes só para que a situação que está muito legal não seja interrompida por uma eterna busca no livro.
O saldo no final das contas está muito positivo e como eu sei que meus amigos são sinceros (até demais) eu tenho confiança que estão achando muito legal até agora. Eu inseri na campanha elementos de tudo que eu já absorvi na vida envolvendo filmes, livros, games, séries e etç. Um elemento que fez sucesso uns tempos atrás foi retirado de Chapolin, acredite.
Só pra terminar, gostaria de compartilhar com vocês o evento mais lendário de nossa campanha até o momento, até pra colaborar com o outro post do sub que pede justamente pra galera compartilhar esse tipo de coisa.
Eu gosto muito de inventar itens para dar de recompensa em momentos mais importantes. Certa vez eu pisei na bola ao criar um item que se mostrou absolutamente problemático. Parte da minha história consistia em encontrar a tumba de um arcanjo que foi sepultado junto da sua espada (o item em questão).
Essa espada continha um poder abismal, ela matava instantaneamente qualquer coisa que fosse tocada pela sua lâmina (SIM EU FIZ ISSO KKK). Lógico que eu não era louco de simplesmente entregar um item assim pra ser usado sem controle. Quando os jogadores encontram a espada eles descobrem que ela não está intacta, mas que antes de morrer o arcanjo, prevendo o perigo que ela representava graças ao poder que ela continha, tentou usar suas últimas forças para quebrá-la em pedaços. Ele não foi feliz nisso, o máximo que ele conseguiu foi deixar a lâmina com rachaduras e acabou morrendo em seguida.
As regras para usar o item eram as seguintes: O jogador era obrigado a ter talento para manipular espadas de duas mãos e sempre que usasse a espada deveria rolar 1d% para tirar na sorte se a espada iria quebrar ou não com o ataque. A chance de quebra que eu defini foi de 50%, ou seja, se tirassem abaixo disso ela se despedaçaria. Por último, utilizar o item consumiria toda a energia do personagem. Isso significa que sempre que utilizassem a espada independente do resultado o jogador cairia desacordado por 24h.
A criação deste item foi planejada para que os jogadores pudessem derrotar um inimigo específico que era muito mais forte e que iria aparecer no futuro. O problema é que até isso acontecer eles começaram a usar a espada para qualquer inimigo mais poderoso que surgisse. Aí junta isso aos pontos de ação que eu ia distribuindo por conta de boas condutas, jogadas brilhantes e tal, então basicamente, sempre que a espada quebrava eles tinham como rolar o dado novamente. Isso começou a ficar chato demais e depois de um tempo eu decidi destruir essa espada. Em determinada masmorra do jogo eles estavam enfrentando um oponente bem desafiador que tinha dois guardiões para protegê-lo. Era uma luta 4 x 3 que estava realmente difícil e dois dos jogadores já estavam para cair a qualquer momento.
Nessas alturas eu já tinha consciência de que não podia interferir diretamente na questão da espada, se eu dei ela pro jogador e defini as regras tinha que lidar com isso da maneira correta, sem interferir diretamente no assunto. Nesse caso, era essencial que o jogador soubesse que perdeu o item por conta própria e não por minha causa. Quando o combate estava quase perdido, o portador resolveu por um fim na luta usando a lâmina angelical, o problema é que eles ainda não haviam descoberto o segredo envolvendo o boss desta masmorra. A intenção não era matar o inimigo porque ele era indestrutível. Existia um puzzle que eles vinham tentando desvendar desde que a luta começou, e que quando resolvido seria a solução para derrotar o chefe. Era bem simples na verdade, bastava que eles largassem as armas em sinal de rendição. Durante toda a masmorra existiam mensagens, pinturas, livros e outros indícios de que o templo onde estavam reagiria mal à violência ou atos profanos. O próprio boss falava constantemente sobre isso só que os jogadores não conseguiram entender a tempo.
Quando o jogador que portava a espada desferiu o golpe o inimigo foi destruído por um instante, só que alguns segundos depois ele ressurgiu mais forte do que antes (isso já estava previsto nas definições da masmorra). O portador da lâmina como consequência do uso da espada acabou caindo desacordado deixando ela cair no chão. Essa foi minha deixa para que fizesse o boss usar o turno dele para ir até a espada e quebrá-la em mil pedaços. No final das contas, eles demoraram muito mais tempo depois disso para desvendar o segredo de como derrotar esse inimigo. E até lá, tivemos um minotauro guerreiro covarde que foi derrotado enquanto fugia como um cachorro (não foi perdoado por isso até hoje), um druida anão que teve a cabeça arrancada pelo boss graças ao minotauro fujão e eles só conseguiram resolver o puzzle porque o ladino elfo se viu encurralado, sem PVs e convencido de que não sabia mais o que fazer. Ele achou que seria legal dar um tom um pouco mais dramático pro que seria o fim da campanha e decidiu se render e se ajoelhar. Esse é sem dúvida o momento mais memorável dessa nossa campanha noob de RPG. O dia que os heróis venceram porque foram miseravelmente derrotados.
Concluindo, eu só gostaria de salientar o quanto eu gostaria de ter descoberto esse universo mais cedo. Eu e meus amigos ainda somos muito iniciantes, comecei a ler sobre D&D por exemplo somente algumas semanas atrás e ainda tenho muito o que aprender como jogador e principalmente como mestre. Eu acredito que as gerações que estão vindo acabam não conhecendo esse jogo justamente por causa dos mesmos motivos que eu e meus amigos nunca jogamos, nem quando éramos mais novos. Eu espero que esse texto possa despertar essa vontade, mostrar que não precisa uma tela 4k com um hardware de 5 mil reais pra ter uma experiência de jogo completa e incrivelmente divertida.
Aceito dicas, críticas e tudo que vier aí, o importante é continuar aprendendo.
Obrigado a quem leu, um grande abraço!
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2019.09.07 21:38 ViniciusMonfre No Happy Hour

Hoje, uma aulinha de Linux servida como uma prosa descontraída, depois de um dia de trabalho, redigida pelo nosso amigo Vinicius Monfre, originalmente postada no Blog do CodeWalkers
Confira a postagem aqui.

Leiamos :)
- Cara, você vive me falando sobre Linux e software livre. Pode me explicar direito como isso tudo funciona?
- Claro amigo. De onde eu começo?
- Do início.
- Beleza. Quando Linus Torvalds criou o LINUX, ele não tinha ideia do quão grande seu projeto se tornaria dentro do vasto universo que é a computação e a Tecnologia da Informação. Graças a ele, hoje o Linux está presente em bilhões de dispositivos eletrônicos.Dentre eles servidores, desktops, smartphones, embarcados, satélites, vários dispositivos portáteis como relógios inteligentes e até mesmo em televisores.
- Mas o que é o Linux?
- Muitos pensam que o Linux é apenas um sistema operacional. Esse pensamento não está errado, porém não está totalmente certo. Antes de me xingar mentalmente, deixe eu te explicar. O Linux é uma parte do sistema operacional. Para ser mais exato, ele é um kernel de código aberto, que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos graças à colaboração de programadores ao redor da terra.
- Beleza, mas o que é um kernel?
- Kernel é o núcleo de um sistema, e é imprescindível para que este funcione corretamente. O kernel faz a ponte entre o hardware da sua máquina e os programas que você executa nela. Ou seja, o kernel, juntamente com os softwares que te deixam usar sua máquina (drivers por exemplo), formam no sistema operacional própriamente dito.
Um exemplo prático: imagine o kernel como se fosse o quadro de uma bicicleta. Dependendo da forma como você for usar, você pode construir uma bicicleta de carga, uma de corrida ou uma bicicleta comum, com ou sem marchas. O kernel não deve ser manipulado diretamente pelo usuário. Não é tão simples assim. O kernel é um software de alta complexidade que deve constituir o sistema, trabalhando “por baixo dos panos”. Desta forma, para um usuário leigo não há necessidade de saber que o kernel está ali.
- Tô entendendo, Então o Linux é um kernel?
- Isso mesmo! Quando você procura um programa na internet, por exemplo o Chrome,você pode perceber que existem versões diferentes desse programa para cada sistema com seus respectivos links. Um vai te redirecionar para o instalador do Windows, outro para o do Mac, outro para o do Linux e por aí vai. Nesse caso o termo Linux está certo. Mas achar que o Linux é um sistema operacional completo, com interface, programas e etc., é meio errado.
- Que interessante. Mas vem cá: como isso começou?
- Meio que por acidente. Em 1991, Linus Torvalds estava estudando Ciência Da Computação e criou o Linux como um fork, uma variação de um sistema conhecido na época, o Minix, que por sua vez era baseado em Unix. Minix, assim como o Linux é um kernel gratuito e de código aberto para que estudandes pudessem e possam estudar seu código para se aprimorarem ou criar projetos baseados nele. Foi nesse ponto que Linus Torvalds resolveu aparecer.
- Poxa cara, que legal. Mas quem é esse tal de Unix mesmo?
- Que bom que perguntou! O Unix nasceu em 1969 no Bell Labs. Mas só na década de 70 que o Unix se tornou visível na área acadêmica e graças a isso ele evoluiu muito. Porém surgiram variações, outros sistemas baseados nele. Seu desenvolvimento se iniciou por volta dos anos 60 e veio acompanhado de uma equipe de programadores que causaria inveja em qualquer empresa na época. Dentre eles Dennis Ritchie e Ken Thompson.
Seu nome inicial seria Multics, um projeto muito ambicioso, mas que estava à frente do seu tempo. Tinha como principal empecilho a falta de poder computacional. Desta forma Thompson optou por colocar os “pés no chão” e criar algo mais realista. Seu novo projeto se chamou Unics, depois seu nome foi mudado para Unix e assim continua até os dias atuais.
Apesar de haver outros programadores envolvidos com a criação do Unix, Ken Thompson e Dennis Ritchie são os nomes mais lembrados porque ambos, em 1973, praticamente reescreveram o Unix a partir da linguagem C, linguagem essa criada pelo próprio Dennis. Graças a seus inúmeros recursos, sua linguagem passou a ser usada em muitos projetos variando a complexidade, e até mesmo em outros sistemas operacionais, o que deu a Ritchie reconhecimento mundial como um dos maiores nomes da tecnologia. (Infelizmente Ritchie faleceu em outubro de 2011).
O Unix foi amplamente aceito não apenas nas faculdades, mas também em ambientes corporativos, o que fez que surgissem várias variações do sistema, como por exemplo BSD, Solaris, Minix e o Linux. O que não significa que sejam todos iguais ao Unix, mas são bem parecidos.
- Que história incrível! Conta mais sobre como o Linux começou!
- Você que manda. Linus Torvalds com quase 20 anos de idade entrou para a universidade de Helsinki, na Finlândia, em 1988. Uns 2 anos depois, com o conhecimento que estava adquirindo com a linguagem C, Linus optou por criar uma implementação de um terminal em seu computador novinho, um 80386, para acessar o servidor Unix de sua faculdade porque ele não havia ficado satisfeito com os recursos disponíveis no Minix para essa função. A ideia de Linus era fazer o projeto apenas para seu computador 80386. Sendo baseado no Minix, o desenvolvimento foi tão rápido que em pouco tempo Linus já tinha um kernel em mãos.
Em 1991 Linus optou por divulgar seu projeto para o mundo. Para isso, fez uso da Usenet (pensa nela como a internet do tempo das cavernas) e escreveu algo como:
“Olá pra quem usa o Minix. Estou fazendo um sistema operacional no meu tempo livre. Não será tão grande como o GNU, mas funciona em computadores AT 386 e talvez 486. Estou trabalhando nele tem um tempo e está começando a ficar legal. Eu gostaria muito que me enviassem opiniões sobre o que gostam ou não no Minix, já que meu sistema tem o mesmo Layout de arquivos do Minix e outras semelhanças. Também já portei o BASH 1.08 e o GCC 1.40, parece que está tudo funcionando. Em alguns meses creio que vou ter algo sólido e gostaria de saber quais recursos as pessoas gostariam que o sistema tivesse. Toda sugestão é bem vinda. Só não posso prometer que vou conseguir implementar todas.P.S.: Meu sistema é livre dos códigos do Minix e vem com sistema de arquivos com multitarefa. Ele não é portável e provavelmente nunca suportará nada além de discos rígidos AT, porque é só isso que eu tenho”
- Cara, ele não tinha nem ideia do que o sistema ia se tornar!
- Sim. Ele não esperava que seu projeto iria ficar tão grande. Mas nem por isso o Linux se livrou dos problemas. Os maiores obstáculos vinham na forma de críticas feitas pelo professor Andrew S. Tanenbaum (criador do Minix) que dizia que o Linux era defasado por ser monolítico. Andrew não estava nem um pouco contente com o fato de que o Linux foi feito para rodar com o processador 80386 porque o hardware era muito caro e provalvelmente sua arquitetura seria trocada no futuro (o que não ocorreu).
Apesar das críticas Linus continuou trabalhando em seu sistema com a ajuda de mais pessoas a cada dia. Conforme o tempo ia passando e iam surgindo necessidades por parte dos desenvolvedores envolvidos no projeto, o Linux foi portado para outros dispositivos, o que ajudou no seu crescimento.
- É… a necessidade é mesmo a mãe de todas as invenções. Já sei! Linus deu o seu nome para o Linux!
- Não foi bem assim. O sistema ficou sem nome por um tempo, então Linus o nomeou de Freax, que é uma uma fusão de free (livre) e freak (assustador) e o x no final pra acrescentar um toque único. Entendeu a referência? Porém o programador e amigo de Torvalds, Ari Lemmke, não gostou do nome Freax e criou em seu servidor FTP uma pasta chamada Linux (acho que é exatamente isso que você está pensando, uma fusão de Linus com Unix), onde ele hospedou o sistema e disponibilizou para download. O nome Linux pegou e vem sendo usado desde então.
- Olha, esse projeto vem sendo envolvido em cada coincidência engraçada! E sobre os programas que vem junto com o Linux?
- Ah, esse é o GNU. A maioria dos sistemas Linux hoje em dia vem acompanhados dele. São chamados de GNU/Linux. GNU é uma sigla recursiva que significa Gnu is Not Unix (em português, GNU não é Unix**). O projeto começou em 84 sob o comando de Richard Stallman, que queria fazer um sistema que fosse compatível com o Unix, mas sem usar o código dele. Com o passar do tempo o projeto cresceu e ganhou muitos recursos, mas ainda faltava um kernel. Stallman e sua equipe estavam trabalhando em um kernel chamado Hurd, mas não rolou de fazerem ele e adivinha quem coube como uma luva no projeto? Isso mesmo! O Linux.**
- Então o Linux que o pessoal conhece e usa vem com o GNU?
- Mais ou menos isso. Linux funciona muito bem com GNU e a maioria dos sistemas Linux vem com programas GNU acompanhando seu kernel. Por esse motivo tem uma galera que defende que o nome GNU/Linux seja empregado no sistema operacional e Linux só no kernel.
- Entendi. Queria conversar mais, mas já é tarde. Se eu demorar muito, vou chegar atrasado em casa!.
- Nossa! Nem vi a hora passando! Me empolguei um pouco contando pra você sobre o Linux. Mas fica tranquilo. Se quiser saber de onde eu tirei tudo isso que te expliquei agora e ainda ter uma explicação legal sobre o que são as distribuições Linux, saber mais sobre as versões do kernel, sobre a licença do Linux e mais um pouco, visita a página do InfoWester nesse link.
Para ficar atento no mundo da tecnologia e aprender com uma galera que tem a mesma paixão por tecnologia que você, acesse o site do CodeWalkers nesse link aqui e depois entre no grupo de Telegram deles. Agora pode ir, cara. Bom descanso. A gente se vê no próximo Happy Hour.
- Valeu amigo. Até mais!
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2019.08.04 02:52 altovaliriano Os primeiros dias do fandom de ASOIAF e Game of Thrones

Link: https://bit.ly/2KtExQJ
Autora: Alyssa Bereznak
Título original: The Last Popular TV Show (How game of Thrones became the last piece of monoculture)

Padraig Butler não se lembra exatamente quando se tornou Deus-Imperador da Brotherhood Without Banners. Nos últimos 18 anos, o gerente demeteorologia aeronáutica de 43 anos fez uma peregrinação anual à Worldcon, a convenção de ficção científica e fantasia, para celebrar o trabalho de George R.R. Martin, autor de As Crônicas de Gelo e Fogo. E foi quase 18 anos atrás, quando ele viajou pela primeira vez de sua cidade natal, Dublin, na Irlanda, para a Filadélfia, que começou a jornada até Imperador-Deus.
Segundo a história, a recém-criada organização - batizada em homenagem a um grupo fora da lei na série de livros - organizou uma festa em homenagem a Martin. Depois de uma noite de bebedeira, um fã bem satisfeito, conhecido em fóruns online como Aghrivaine (e cujo nome real é David Krieger), presenteou o autor com uma espada e pediu para ser armado cavaleiro. O autor concordou sob uma condição: que Krieger e os outros foliões se juntassem a ele em uma "missão" às 1 da manhã ao Pat’s King of Steaks. Naquela noite, depois que cerca de 20 membros da BWB encheram seus estômagos com a comida local, eles foram apelidados de Cavaleiros do Cheesesteak.
Nos primeiros anos do clube de fãs do livro, quando o tamanho dos encontros da Brotherhood Without Banners ainda era administrável, esses títulos voltados para a comida se tornaram um símbolo de honra. (Os Cavaleiros da Poutine, os Cavaleiros do Deep Dish, os Cavaleiros do Haggis e, lamentavelmente, os Cavaleiros da Lixeira). Por decreto de Martin, foram acrescentadas outras honras para reconhecer a participação. Um membro que tivesse participado de pelo menos três grandes encontros da BWB seria apelidado de lorde. Depois das cinco, um príncipe. E depois de sete, rei. Butler já esteve em 16 Worldcons e cerca de 100 outras convenções relacionadas a Thrones e confraternizações pertinentes, protegendo seu reino há muito tempo por meio de seu título de cavaleiro do Cheesesteak. "Eventualmente perguntaram a George, de que chamaremos Padraig agora?" Butler lembra. "Ele disse: ‘É isso. Ele é um rei. Ele vai ficar rei até que alguém o remova do trono’”. Butler não tem planos de parar. "Agora as pessoas apenas dizem: 'Você é o Imperador-Deus'".
Butler visitou um total de 12 países e quatro continentes para se encontrar com seus companheiros de estandarte, construindo uma rede social internacional digna de um líder mundial consagrado. E graças a uma junção de tecnologia e entretenimento, a série de livros indie pela qual ele se apaixonou nos anos 90 se tornou uma espécie de passaporte cultural, tanto uma razão para ver o mundo quanto uma maneira de se conectar com as pessoas que o compõem.
Ao longo dos anos, ele também assistiu com admiração quando Game of Thrones explodiu e se tornou uma peça onipresente da cultura pop diante de seus olhos. Um dia, ele embarcou em um trem e viu vários passageiros lendo os livros de Martin. Então ele olhou para cima para ver outdoors gigantes anunciando a data de estréia da adaptação da HBO. Eventualmente, seus colegas no aeroporto começaram a discutir o programa como uma fonte de turismo. (Uma atração de 110.000 pés quadrados chamada Game of Thrones Studio Tour será aberta na Irlanda na primavera de 2020.) Depois de quase 20 anos celebrando a série, e vendo-a se transformar em best-seller, programa de televisão, universo estendido e a potência da propaganda, ele ainda acha difícil processar o alcance da franquia. "É tipo: Nossa, isso está em toda parte agora."
[...]
Em 1997, Linda Antonsson estava dando uma olha sua livraria local em Gotemburgo, na Suécia, quando se deparou com uma versão em brochura de A Guerra dos Tronos, de George R.R. Martin. Era o primeiro item no que o autor previa ser uma trilogia intitulada As Crônicas de Gelo e Fogo, e contava a história de várias grandes casas disputando o poder nos continentes fictícios de Westeros e Essos, contada a partir da perspectiva de um punhado de personagens interessantes. O livro tinha sido lançado no ano anterior sem muito alarde. "Realmente não fez sucesso quando saira em capa dura", lembra Antonsson. Mas quando ela começou a ler, foi fisgada.
Ninguém mais que ela conhecia havia lido o livro, então ela se voltou à internet em busca de outros fãs de Martin - o que era uma experiência relativamente nova nos anos 90. "Eu lia muita fantasia, mas nunca tive ninguém com quem conversar sobre fantasia", ela me disse. "Eu tinha todas essas coisas que queria discutir e ninguém para conversar." Os cidadãos suecos não conseguiram adquirir suas próprias conexões dial-up até 1995; antes disso, Antonsson ocasionalmente fazia o acesso no centro de informática de sua universidade, onde estudava arqueologia clássica. Quando ela finalmente conseguiu sua própria conexão à Internet, ela navegou de bulletin board em bulletin board, debatendo desde a trilogia O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien à série de livros A Roda do Tempo, de Robert Jordan. “Era um mundo incrível para se entrar, para poder encontrar todas essas pessoas que compartilhavam seu interesse sobre essas coisas que pareciam bem obscuras.”
Através desses primordiais fóruns da internet, Antonsson também descobriu o ElendorMUSH, um RPG multijogador baseado em texto que simulava o ambiente da Terra Média descrito nos romances de Tolkien. (O termo MUSH significa “alucinação compartilhada por vários usuários” [multi-user shared hallucination]. Isso foi antes de World of Warcraft, quando os computadores não tinham placas gráficas poderosas e os jogadores tinham que usar sua imaginação). Foi lá, na “cultura” que Antonsson havia se juntado, que ela conheceu Elio García. Na época, García estudava literatura inglesa e história medieval na Universidade de Miami. E os dois passaram os últimos anos analisando os detalhes mais sutis da Terra Média em árvores de discussão da Usenet, as precursoras dos fóruns on-line. Depois de terminar A Guerra dos Tronos, Antonsson convenceu o cético García a lê-lo também.
Logo eles estavam navegando juntos. Em 1998, a internet estava sendo amplamente usada como um utilitário de busca de informações em vez de uma rede social. Mas com a ajuda de algumas pesquisas no AltaVista, os dois encontraram tantos fóruns de fãs de A Guerra dos Tronos quanto puderam. Entre seus resultados estava Dragonstone, que García lembra ter sido executado via uma conexão de internet instável na Austrália; Harrenhal, que foi construído sobre a plataforma de serviços web Angelfire da Lycos (quee de alguma forma ainda existe hoje); e um fórum chamado Canção de Gelo e Fogo, dirigido por um usuário chamado “Revanshe.” Isso foi na época em que o mundo do entretenimento estava começando a entender o poder de marketing de mitos na internet. E, ao fuçar os fóruns de fãs dedicados à série Wheel of Time, Antonsson havia testemunhado em primeira mão como pistas e pontos da trama não resolvidos motivavam conversas. Ela viu o mesmo fervor se desdobrando com ASOIAF.
"Algumas das maiores e mais intensas discussões sempre foram sobre mistérios", disse Antonsson. "O primeiro tópico que eu lembro de ter lido no fórum de Pedra do Dragão foi a discussão sobre a paternidade de Jon e as poucas pistas que existiam depois do primeiro livro."
O fórum ASOIAF de Revanshe acabou se tornando grande em 1998, acumulando o que García estimava em cerca de 1.000 usuários regulares. Quando chegou a hora de Revanshe ir para a faculdade de medicina, ela passou o site para García, que já havia se tornado um moderador.
Enquanto isso, García e Antonsson estavam planejando começar seu próprio jogo MUSH em Westeros. Para garantir uma representação fiel, eles colocaram sua formação acadêmica em prática e tornaram-se geologistas, botânicos, zoólogos, antropólogos e historiadores autônomos de Westeros, registrando todos os fragmentos de dados que poderiam extrair de de Guerra dos Tronos em um documento do Microsoft Word chamado “The Concordance”. Eles compartilharam o banco de dados no fórum ASOIAF, pavimentando o caminho para a fundação da enciclopédia on-line feita por fãs, que hoje é conhecida como A Wiki of Ice and Fire. A wiki, que seria desenvolvido alguns anos depois, é composto de 23.081 páginas de conteúdo e passou por 236.642 edições desde o seu lançamento. Também inspirou a fundação de 11 sites irmãos em idiomas estrangeiros.
Observando os fóruns de fãs da Roda do Tempo, eles também estavam cientes de que a correspondência com os autores era freqüentemente perdida em tópicos separados. Então foi nessa época que eles começaram a registrar as entrevistas de Martin, e-mails, respostas em fóruns e postagens em blogs pessoais. (Naquele ano eles fizeram seu primeiro momento de contato com o autor, para pedir permissão para fazer o jogo MUSH. Meses depois, ele concordou, e os dois ainda tocam o A Song of Ice and Fire MUSH como um projeto paralelo).
O crescimento constante dos seguidores on-line de Martin - emparelhado com seu envolvimento na cena de ficção científica e fantasia desde os anos 1970 - gerou uma quantidade razoável de novidades para o segundo fascículo da série de Martin, A Fúria dos Reis. "Martin não pode rivalizar com Tolkien ou Robert Jordan, mas ele se qualifica com perfeitos medievalistas de fantasia como Poul Anderson e Gordon Dickson", escreveu um Publisher's Weekly cautelosamente otimista. À época, Peter Jackson estava se preparando para filmar a trilogia de filmes de O Senhor dos Anéis, e produtores e cineastas que viam potencial no gênero de fantasia começaram a sondar Martin pelos direitos de sua história. (Ele hesitou, convencido de que sua história nunca poderia ser esmagada no formato de filme).
Foi quando a coisa entre García e Antonsson ficou séria em mais de uma maneira. Por dividirem o gosto por Tolkien, Jordan e Martin, um romance floresceu e, alguns meses depois de Fúria ser lançado, García se mudou para a Suécia. Todos com quem eles conversaram sobre a série estavam apaixonados por ela. “Nós tínhamos alguns proselitistas que falavam em arremessar os livros em amigos, familiares, colegas de trabalho, etc.”, disse García por e-mail. “E foi tudo muito orgânico. A Random House não passava seu tempo vasculhando maneiras de nos vender ou fazendo com que trabalhássemos para eles, os fãs só fizeram isso porque gostavam”.Encorajados pelo fato de o livro inicial não ter sido o único, eles lançaram o site Westeros.org, reunindo os fóruns que herdaram, os dados de “The Concordance” e seus registros dos declarações públicos de Martin. Começou como um projeto paralelo executado em um servidor miudo em casa, enquanto continuavam a perseguir seus respectivos objetivos acadêmicos. Mas, eventualmente, se tornaria a principal fonte de análise e informação sobre o universo, seu autor e tudo mais.
Enquanto isso, a série de Martin continuou atraindo mais leitores e tornando-se mais difícil de lidar. O manuscrito de seu terceiro livro, A Tormenta de Espadas, tinha 1.521 páginas, e alguns editores não conseguiram manter tudo em um volume. Mas seu apoio entre a comunidade on-line da fantasia ficou mais forte do que nunca, e a Publisher’s Weekly chamou esse fascículo de “um dos exemplos mais gratificantes de gigantismo na fantasia contemporânea”. Quando foi lançado em 2000, estreou em 12º lugar na lista de best-sellers do New York Times.
No momento em que Martin lançou O Festim dos Corvos em 2005, ele garantiu seu lugar como o proeminente escritor de fantasia da década. O livro chegou ao topo da lista de best-sellers do New York Times e a Time o apelidou de "o Tolkien americano". Mas ele também se deparou com os mesmos problemas com Festim que com Tormenta. Sua solução foi dividir Festim em dois e contar a história de apenas metade dos personagens, em vez de metade da história de todos os personagens. Ele explicou tudo no post scriptum do quarto livro, logo após um final instigante. "Olhando para trás, eu deveria ter antevisto", escreveu Martin em seu site pessoal em 2005. "A história faz suas próprias demandas, como Tolkien disse uma vez, e minha história continuou pedindo para ficar maior e mais complicada."
O que pode ter sido uma limitação editorial frustrante para Martin foi uma fonte quase enlouquecedora de suspense para sua crescente base de fãs. Depois de esperar cinco anos entre o terceiro e o quarto livro, os leitores ainda ficaram imaginando o destino de favoritos como Jon Snow, Tyrion Lannister e Daenerys Targaryen. O próximo fascículo seria lançado em 2011, seis agonizantes anos depois. E foi durante esses períodos de silêncio, quando os fãs não tinham material novo com o qual se ocupar, que eles começaram a se concentrar em criar os seus próprios. "Não tenho certeza se a popularidade que antecede os livros poderia ter acontecido se os livros tivessem saído muito rapidamente", disse Antonsson. “Ter tempo entre uma série de livros é o que alimenta a discussão nas comunidades. Dura mais”.
O acesso digital e as plataformas sociais estavam evoluindo para apoiar esses tipos de obsessões. Entre 1995 e 2005, o uso global da Internet aumentou de 44,4 milhões de usuários para 1,026 bilhão. Plataformas simples para blogs, como LiveJournal, WordPress e Xanga, tornaram mais fácil para as pessoas iniciarem blogs pessoais e compartilharem suas ideias sobre qualquer coisa, independentemente de quão arbitrárias ou específicas. E as primeiríssimas redes sociais da web, incluindo o MySpace e o Facebook, estavam na infância, assim como o conceito de podcasting.
Enquanto Martin continuava atualizando sua base de fãs através de um LiveJournal chamado Not a Blog, seus fãs adoradores lidavam com sua impaciência de formas cada vez mais criativas. A maioria preferiu vasculhar os fóruns de Westeros.org ou Tower of the Hand, onde puderam analisar todas as teorias possíveis em torno de cada enredo e propor suas próprias. Uma facção de leitores impacientes se separou para formar uma comunidade ressentida conhecida como GRRuMblers. O fundador do site Winter Is Coming, Phil Bicking se agarrou a um anúncio de 2007 de que a HBO adquirira os direitos da série As Crônicas de Gelo e Fogo, e redirecionou sua energia para um site do Blogger que registrava o elenco, as filmagens e a produção da série. Mesmo antes de o piloto ter sido filmado, os fãs no site de Bicking começaram a tratar os anúncios do elenco como mistérios não resolvidos. Como um colunista de fofoca, Martin iria postar dicas sobre quem foi escalado para determinado papel em seu blog, para alimentar a chama. "Então a base de fãs passaria dias debruçado sobre aquilo, tentando desvendar o teste", disse Bicking. “Nós descobrimos todos eles. Fiquei chocado que as pessoas foram capazes de descobrir até mesmo Isaac Hempstead Wright, que interpreta Bran, e estava em um comercial antes disso”. Bicking se lembra de ter começado dois tópicos separados para discutir rumores e vê-lo ser encher com quase 1.000 comentários cada um. “Então, eu fiquei tipo: 'OK, eu tenho aqui uma comunidade dedica e de bom”, disse ele. A grande imprensa estava tomando conhecimento". Algum programa de TV recente gerou mais entusiasmo on-line, sendo que nem mesmo é um programa de TV?", perguntou o The Hollywood Reporter em 2010.
Quando a HBO estreou Game of Thrones em 2011, Martin já era famoso. Ele havia vendido mais de 15 milhões de livros em todo o mundo, fora retratado pelo The New Yorker e poderia levar sua legião de adoradores e haters ao frenesi com uma simples foto de férias postada em seu LiveJournal. Tudo isso significava que, quando o programa estreou em 17 de abril, ele se saiu bastante bem segundo os padrões de televisão. Cerca de 2,22 milhões de pessoas assistiram à estreia, o que foi menos do que o número de espectadores conquistados por Storage Wars da A&E e por The Killing da AMC, e mais do que Khloe & Lamar do E!.
Ainda assim, a crítica o recebeu de forma foi irregular. Embora muitos analistas tenham elogiado a capacidade da HBO de estabelecer um palco exuberante e cativante para a história complexa e abrangente de Martin, outros a consideraram um sinal de declínio da rede. Slate o chamou de “lixo de fantasia semi-medieval e repleto de dragões”. O New York Times o descreveu como “drama em traje de época com pingue-pongue sexual”. Em uma fala indicativa de uma conversa muito maior sobre a legitimidade da cultura nerd e sua perceptível falta de inclusão de gênero, a crítica Ginia Bellafante detonou o show por glorificar “a ficção infantil paternalmente acabou atingindo a outra metade da população”, e concluiu que “se você não é avesso à estética de Dungeons & Dragons, a série pode valer a pena”.
Enquanto isso, os servidores da Westeros.org estavam caindo. A agitação que antecedeu a estreia do programa deixou García e Antonsson com cerca de 17.000 membros registrados no Westeros.org. Mas o casal estava totalmente despreparado para a onda de interesse que se seguiu à estréia da série. Na noite em que foi ao ar, o site foi torpedeado pelas buscas do Google, e os dois cuidavam de seu único servidor como um recém-nascido com cólica. Para desviar o fluxo de tráfego, García ajustou o site para que apenas os membros registrados pudessem ver as postagens. "Eu imaginei que isso impediria as pessoas de entrarem", disse ele. No dia seguinte, ele acordou com 9.000 novas solicitações de conta. García passou horas aprovando manualmente os recém-chegados. A espera entre o terceiro e o quarto romance estimulou um aumento lento e constante de fãs, talvez um ou dois mil membros por ano entrando no fórum. Mas com a chegada do programa de TV, eles poderiam acumular vários milhares em um único dia. "Foi impressionante", disse García. “Os membros do nosso fórum chamaram a onda de novas pessoas de 'The Floob' - uma enxurrada de noobs.” Foi nessa época que García e Antonsson abandonaram suas atividades acadêmicas para se concentrarem no site em tempo integral.
Embora o casal tenha perdido alguns dos dados do número de visitantes dos primeiros dias, Antonsson lembra-se de ter assistido a vazão e o refluxo do tráfego em A Wiki of Ice and Fire quando os recém-chegados reagiram aos principais pontos da trama da primeira temporada. Esses picos foram particularmente pronunciados no episódio 9, quando o herói do programa, Ned Stark, foi executado inesperadamente. “Logo após o episódio terminar, todo mundo foi até a página de Ned Stark para checar: Ele está bem? Né?” - lembrou Antonsson. (Ele não estava.) O final da temporada do show foi assistido ao vivo por cerca de 3,04 milhões de lares - cerca de 820 mil a mais do que a estréia. A primeira temporada mais tarde viria a ser indicada para 13 Emmys e ganharia dois, para Melhor Design de Abertura e para a performance de Peter Dinklage como Tyrion na categoria Melhor Ator Coadjuvante em série dramática. Ao matar o herói de Westeros antes mesmo que a temporada terminasse, Benioff e Weiss chocaram seus espectadores menos maduros, agradaram os superfãs dos livros e plantaram uma semente de curiosidade que sustentaria a série ao longo dos próximos oito anos.
O que García e Antonsson testemunharam em seu site naqueles primeiros dias se assemelhava à conversa em duas frentes de Game of Thrones que logo surgiria na mídia e na internet como um todo. Depois de cada novo episódio televisivo, aqueles que não leram os livros (agora presumivelmente na casa dos milhões, tendo em conta a audiência do programa) correm para a Internet em busca de contexto, enquanto os leitores de livros (também uma base crescente) riem de diversão e depois analisam as diferenças entre o show e o cânone. Essa “camada paralela” de conversação, como a T Magazine do New York Times a chamou, pode ao mesmo tempo fornecer aos recém-chegados uma melhor compreensão do universo de Westeros e permitir que os veteranos testassem seu conhecimento detalhado do cânone em contraste com o show.
[...]
E há o Deus Imperador Butler. Embora o programa esteja chegando ao fim e não esteja claro se ou quando os livros remanescentes de Martin serão publicados, a comunidade que ele aprecia sobre Thrones continua viva. Em agosto, muito depois do final da série, ele participará de sua 17ª reunião da Brotherhood Without Banners na Worldcon em Dublin. "Seria meio triste não ir", disse ele.
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2019.07.27 21:50 DivinaNunato Um guia completo para lembrar o que você leu(Tradução)

Um guia completo para lembrar o que você leu
Quando olho o processo da leitura para a retenção, vejo cinco fases. Vamos percorrê-los, dividi-los e otimizar nosso comportamento ao longo do caminho.
  1. Pré-visualização
Em 10 Days to Faster Reading , antes de cobrir qualquer exercício de leitura de velocidade, Abby Marks-Beale revela a maneira mais poderosa de ler mais: Leia menos das coisas que você não precisa . Antes mesmo de começar a passar o dedo pelo papel ou pelos olhos de pixel a pixel, pergunte:
  1. Por que estou lendo isso?
  2. Por que preciso das informações que estão aqui?
Esta é a sua chance de realmente viver de acordo com o lema "Leia quando precisar". Uma vez que o material passa pelo filtro mais importante, você pode fazer o que Mortimer J. Adler chamou de uma leitura de inspeção em sua obra-prima de 1940, Como ler um livro .
O objetivo de uma leitura de inspeção é responder a mais duas perguntas:
  1. Sobre o que é este livro?
  2. Que tipo de livro é esse?
Você pode fazer isso lendo as seguintes seções:
A página de título. A sinopse do editor. O texto da capa. O índice.
Seções introdutórias e parágrafos importantes de capítulos que lhe interessam. Isto equipa-o com um dos facilitadores mais importantes da informação: Contexto .
Ter uma ideia do tema abrangente de um livro, assim como o objetivo que seu autor tinha em mente, enquanto o escrevia, melhoraria significativamente a forma como você catalogaria seu conteúdo.
“O conteúdo é rei, mas o contexto é Deus.” - Gary Vaynerchuk
  1. Leitura
A razão mais comum que um livro fica frustrante e jogamos a toalha é que leva muito tempo para ler. Deixe-me esclarecer: Leva -nos muito tempo para ler.
Por isso, Adler sugere que você leia a capa do livro para cobrir sua primeira passagem, mas não procure coisas que não entende. Mesmo sem alinhar perfeitamente cada peça do quebra-cabeça imediatamente, permanecer ciente do contexto permitirá que você organize os bits e detalhes finais mais tarde. Dito isto, há um contra-ataque massivo a ser jogado aqui, que terá um equilíbrio:
P ause depois de cada ponto.
Esta ideia deriva de Reading Like a Writer, de Francine Prose . Deixe-me explicar.
Em um parágrafo, toda a ênfase está nas primeiras e últimas palavras. Portanto, um parágrafo expõe instantaneamente o que o autor acha importante. É como ouvir alguém falar prestando atenção a quais palavras elas pronunciam mais claramente, mais lentamente e quais repetem para dar ênfase. A melhor maneira de pegar esses acentos de importância e refletir sobre eles é pensar nos parágrafos como guias de respiração literária. Quando você começa um novo, você inspira lentamente e, em seguida, expira gradualmente à medida que lê, antes de expirar completamente na última palavra.
Pode ter mais de uma milha, no entanto. Respirar em sincronia com parágrafos dá à sua leitura um bom ritmo, e revela o que faz um bom parágrafo: muitas frases e você está hiperventilando, muitas paredes de texto e você está sem ar cedo demais.
Eu acho que a metáfora a ser usada é pensar em um livro como uma estrada longa e sinuosa com um ocasional conjunto de lombadas. Você não quer voar sobre eles, pois isso danificará seu carro, mas você não quer parar completamente em cada corcunda.
  1. Anotações
A questão não é se você deve levá-los, mas quando . Duas opções vêm à mente:
Enquanto lê Dada a nossa conclusão na seção anterior, queremos manter as anotações on-the-go no mínimo, o que, mesmo se feito no livro, é uma distração. No entanto, uma coisa que não irá bloquear o seu fluxo e será de grande benefício mais tarde, está destacando.
Uma página de exemplo com os meus destaques de The Obstacle, de Ryan Holiday , é The Way . Enquanto lê, algumas frases naturalmente se sentem mais importantes que outras. Frases surgem, parágrafos exigem: “Lembre-se de mim! Eu serei importante mais tarde.
Siga o seu instinto. Seja espontâneo. Deixe seu subconsciente fazer o trabalho, seus olhos apontam o resultado e seus dedos fazem a marca.
Depois de ler
Falando de subconsciente, enquanto eu tenho certeza que você está ansioso para tomar notas logo após fechar o último capítulo, esperar por alguns dias até você extrair a força vital de um livro vem com algumas vantagens.
Os dois seguintes eu encontrei no livro de Benedict Carey, How We Learn .
Primeiro, há o efeito Zeigarnik , que é a tendência do seu cérebro para lembrá-lo de coisas que você deixou inacabadas . No aprendizado, isso significa que, enquanto você faz uma pausa depois de uma sessão de matemática hardcore de 4 horas, seu subconsciente continua processando o último problema em que você ficou preso e a solução pode chegar até você no chuveiro na manhã seguinte.
Permitir que as impressões de um bom livro permaneçam por algum tempo as mantém em seu subconsciente e faz conclusões posteriores mais fortes.
Em segundo lugar, o efeito de espaçamento corre para o seu lado, o que indica que o aprendizado funciona melhor com o tempo , em vez de se limitar a um único evento.
Esqueceu o nome de alguém logo depois de se apresentar? Isso porque resmungar de novo e de novo imediatamente não ajuda. Isso só deixa seu cérebro entediado . Seu cérebro precisa de intervalos para lembrar de coisas.
Enviando-se um lembrete com o nome de John dois dias depois que você ouviu, a primeira vez será muito mais eficiente. E assim vai deixar o livro na prateleira.
Em terceiro lugar, isso lhe dá a oportunidade de explorar outros livros topicamente semelhantes nesse meio tempo. Por que isso é útil? Como Nat Eliason aponta , ler livros relacionados ou selecionar capítulos deles permite identificar construções universais. Afinal, conselhos filosóficos atemporais não serão escritos apenas uma vez. Isto é o que Thomas C. Foster se refere como intertextualidade, a dependência de todos os textos uns sobre os outros, em How to Read Literature Like a Professor .
No momento em que você voltar ao seu livro original, você terá uma ideia sólida de quais conceitos resistiram ao teste do tempo até agora.
Mantendo estas vantagens em mente, dois sistemas de anotações em particular merecem sua atenção:
Sistema I: Pergunta / Evidência / Conclusão
Projetado para agilizar a tomada de notas em aulas universitárias não técnicas, este sistema projetado pela Cal Newport se traduz bem em livros de não-ficção.
O conceito é simples: em vez de transcrever exatamente o que o professor diz, capture as grandes ideias. Para fazer isso, reduza suas anotações para uma série de perguntas emparelhadas com conclusões. Entre cada questão e conclusão deve ser uma coleção de evidências que liga os dois. - Cal Newport
O que é notável sobre essa ideia é que ela permite que você arquive quase todas as frases em um esquema de classificação coletivamente exaustivo e mutuamente exclusivo .
Mais do Obstáculo é o Caminho .
No exemplo acima, a pergunta “O que depende de nós?” Está emparelhada com a evidência listada para chegar à conclusão de que essas coisas se assemelham ao nosso campo de jogo e, portanto, estão sob nosso controle.
Você pode fazer isso em papel ou diretamente no livro, como eu fiz, mas de qualquer forma chegará a um grande conjunto de conclusões interconectadas.
Sistema II: O Método do Código Morse Outra contribuição que Cal Newport fez para o mundo das anotações, esse método é projetado para fazer anotações rapidamente .
Ponto ou traço - o que vai ser?
No entanto, em vez de um alfabeto longo, o Método do Código Morse depende apenas dos elementos originais - o ponto e o traço - para denotar ideias e suporte para essas ideias.
  1. Se você se deparar com uma frase que parece estar apresentando uma ideia grande e interessante: desenhe um ponto rápido próximo a ela na margem.
  2. Se você se deparar com um exemplo ou explicação que suporte a grande idéia anterior: desenhe um traço rápido ao lado dele na margem. - Cal Newport
Sim. Ryan Holiday. Novamente.
Neste exemplo, a ideia é que o fracasso pode ser uma coisa boa. O apoio é apresentado na forma de perguntas, que, se respondidas, proporcionarão um benefício de aprendizagem. Além disso, Holiday diz que o fracasso nos pressiona a pensar - o que é uma coisa boa.
Qual sistema você usa, ou se você cria o seu próprio , é com você. Independentemente da implementação, as anotações são uma grande parte desse sistema complexo de reconhecimento, classificando as ideias-chave e enviando-as para a memória de longo prazo, colocando a caneta no papel.
Então e ven se você nunca voltou para as notas, você encontraria você se lembra ideias mais importantes de um livro muito melhor, graças ao ato de extraí-los sozinho.
Beethoven explicou bem esse fenômeno. Ele deixou para trás centenas de cadernos de esboços cheios de anotações. No entanto, ele admitiu que nunca olhou para eles enquanto compunha. Quando alguém perguntou por que ele fazia anotações em primeiro lugar, ele respondeu:
“Se eu não escrever imediatamente, eu imediatamente esqueço. Se eu anotá-lo, nunca esquecerei isso e não precisarei olhar para ele nunca mais ”.
No entanto, a menos que você tenha atingido Beethoven-status já, vamos fazer dar uma olhada-los novamente.
  1. Condensação
No entanto, muitas páginas de anotações que você acaba, destilando-as uma última vez, mostrarão o que todo o livro encerra e lhe dará uma ferramenta de referência fácil.
Eu gosto de me limitar artificialmente a 1-2 páginas por livro. O que restou dos 25 capítulos dos dois livros separados dentro de Trust Me, do Ryan Holiday , I'm Lying .
Em seu resumo, você pode incluir: Premissa de cada capítulo em uma frase. Um rolo de destaque das notas mais importantes. Uma cotação ou palavra-chave fácil de lembrar. É claro que você também pode desenhar esboços, criar mapas mentais ou escrever um texto contínuo.
Faça as coisas o mais simples possível, mas não mais simples. - Albert Einstein
  1. Lembrando
Neste ponto, você configurou sua memória tão bem, lembrando que deveria vir naturalmente. No entanto, tirar suas anotações em intervalos cada vez mais demorados e analisá-los ajudará a consolidar seus argumentos.
Há mais uma coisa que você pode fazer para facilitar ainda mais:
Visite o Palácio da Memória Logo no início, estabelecemos que as experiências são a maneira mais poderosa de lembrar. Mas em nenhum lugar diz que eles têm que ser reais . Você também pode criá-los em sua cabeça para observar um efeito semelhante. Joshua Foer chama isso de Palácio da Memória em Moonwalking With Einstein .
Por exemplo, caminhe por uma rota que você conhece muito bem em sua mente, talvez através de sua casa, e coloque as lições de suas anotações ao longo do caminho. Você pode até amarrá-los a objetos - uma lição sobre a perseverança pode ser uma pedra em seu armário, uma sobre a criatividade como uma cartela de cores na mesa da cozinha.
Sempre que você precisar se lembrar de uma das lições, tudo o que você precisa fazer é voltar a andar mentalmente e pegar os itens certos à medida que avança.
No entanto, até mesmo as melhores lembranças devem chegar ao fim. Como este guia.
Espero que tenha sido útil. Ainda mais, espero que você se lembre disso. Dessa forma, você pode… Reler quando você precisar dele .
Fonte
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2019.05.20 19:44 AntonioMachado [2010] Tatiana Khabarova - V.I. Lénine, a filosofia e o poder

Artigo: http://www.hist-socialismo.com/docs/Khabarova_Lenine_Filosofia_Poder.pdf
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2019.04.11 22:30 Multi-Skin Resumo curto pra quem não conhece Olavo de Carvalho

EDIT: COLOQUEI OS LINKS DAS CITAÇÕES NO FINAL DO POST
Resumo de como um louco conseguiu fama:
Olavo se apresenta como ‘filósofo conservador’, mas fez carreira como polemista. Militou contra a ditadura nos anos 60. Trabalhou como astrólogo na década de 70, flertou com o misticismo nos anos 80 e ganhou algum espaço como articulista em jornais e revistas brasileiros entre os anos 90 e o começo dos anos 2000 através de artigos que mais tarde (2013) seriam compilados em um livro chamado "Tudo que você precisa saber para não ser idiota". Nesse meio tempo, se reaproximou da linha-dura da igreja católica e hoje considera a ditadura “genial”.
A notoriedade veio mesmo em meados de 2005, graças às ‘aulas’ que dava para pequenas turmas via internet – dessas fileiras brotaram vários assessores, blogueiros e agitadores ligados a extrema direita agressiva. O conteúdo vai de filosofia a esoterismo, literatura, história e religião comparada.Na mesma época perdeu o cargo de jornalista do jornal O Globo por conta de tantas opiniões controversas, indignado foi pros EUA, onde mora até hoje.Em 2015 obteve muitos seguidores após Nando Moura, outro polemista que trata-o como fonte de todo conhecimento.
A pouco tempo Bolsonaro reacendeu a ligação dos militares e políticos de direita com Olavo após citá-lo como leitura recomendada ao público geral.

Pérolas principais:
Aquecimento global é mentira.Acredita que o governo de extrema direita é essencial para lutar contra a ditadura comunista e gayzista global.
Diz que diplomas não valem nada para justificar sua falta de formação acadêmica.

**Pérola recente:**Diz que cada filho do Bolsonaro deveria ter um ministério próprio.

Citações divinas:
“…não é de se admirar que hoje a Teoria da Relatividade é apenas uma empulhação elegante…” – Olavo de Carvalho, o físico

“Isaac Newton não apenas disseminou o ateísmo na sociedade ocidental mas também uma burrice formidável.” – Olavo de Carvalho, o físico

“Não sei se as vacinas funcionam ou não, mas quem cuidará da saúde dos meus filhos não é a medicina estatal mas sim Nosso Senhor Jesus Cristo.” – Olavo de Carvalho, o infectologista

“Cantor era uma besta, não sabia distinguir números de nome de números.” – Olavo de Carvalho, o matemático

“O General Geisel era comunista. Mandou prender todos os comunistas porque gostaria de ser o único comunista do Brasil.” – Olavo de Carvalho, o historiador do Brasil

“Einstein e Planck já desmentiram a dualidade cartesiana por completo. Nada é tão arqui-provado como as experiências de quase-morte.” – Olavo de Carvalho, o físico quântico

“A Teoria da Evolução está completamente desmoralizada. Darwin era de uma família de ocultistas e o livro do médico indiano comprova que esta teoria é totalmente furada.” – Olavo de Carvalho, o biólogo

“Quem quer que nunca tenha estudado a Astrologia em algum momento da vida é um idiota.” – Olavo de Carvalho, o astrólogo

“As reservas de petróleo que foram encontradas apenas no Colorado são 20 vezes maior do que da Arábia Saudita, eu li isto no boletim da USGS.” – Olavo de Carvalho, o geólogo

“É mentira que nunca foram encontradas armas de destruição em massa no Iraque, o fato de não informarem não significa que não as encontraram.” – Olavo de Carvalho, o estrategista político

“Essas religiões afro atraem a desgraça, veja o Haiti, a África.” – Olavo de Carvalho, o geólogo

“Milagres acontecem todos os dias mas são ocultados pela mídia. Na Malásia, uma menina cujo crânio estava rachado, teve seu crânio colado na frente de milhares de pessoas.” – Olavo de Carvalho, o perito Papal

“Na Ditadura Militar haviam eleições democráticas e não havia censura. Existe muito mais censura hoje do que no tempo da Ditadura Militar.” – Olavo de Carvalho, o jornalista

“Cigarro não faz mal, isto tudo é uma empulhação da Indústria Farmacêutica que vendem remédios que matam a população. Cigarro faz bem para a atividade cerebral e diminui o colesterol, quantas pessoas com Alzemheier fumantes você já viu.” – Olavo de Carvalho, o Médico

“George Bush é vendido para o CFR que é vendido para os grandes atores da nova Ordem Mundial que visam implantar o socialismo em escala global.” – Olavo de Carvalho, o analista político

“O método científico é o pior método para se descobrir qualquer coisa, a humanidade está bestificada pela Ciência, como os Santos percebiam a existência de Deus sem a Ciência? Eu sinto também os desígnios divinos pelo instinto e não pela ciência.” – Olavo de Carvalho, o especialista em direito canônico, informando que Deus conversa diretamente com ele e que os cientistas são burros.

“Nossa Senhora já explicou que luzes apareceriam no céu e isto seria um sinal de que deve ser feito o Rosário pela Consagração da Rússia ao catolicismo.” – Olavo de Carvalho, o católico

“A Santa Inquisição reduziu as torturas, coisa que ninguém tinha coragem de fazer, ademais era um Tribunal Democrático que não condenava ateus.” – Olavo de Carvalho, o historiador

“Os negros escravizaram os brancos durante séculos.” – Olavo de Carvalho, o historiador

“As Cruzadas foram uma reação tardia à opressão católica.” – Olavo de Carvalho, o historiador medieval

“A mera pretensão de que a consciência é causada pelo cérebro deve ser rejeitada como uma simples estupidez, uma lenda, crendice.” – Olavo de Carvalho, o neurocientista

“Veja você, a Pepsi-cola usa fetos abortados como adoçante.” – Olavo de Carvalho, o químico industrial
LINKS: Newton estava errado Baita opinião sobre vacinação Coletânea imensa de pérolas Coletânea em vídeo 1
Coletânea em vídeo 2
Nota:
Editar no mobile é um inferno e o jhacksondiego ameaçou me matar se eu não colocasse umas fontes nesse post.
EDIT:
O u/halleynews comentou um vídeo perfeito sobre as táticas que o Olavo usa pra conseguir usar as invenções mentais dele como "fatos", é um ótimo vídeo pra quem leu todo o post e quer ter noção do papo atual dele.https://www.youtube.com/watch?v=6kX8C5qy5Us
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2019.03.09 17:25 O-Pensador Por que imposto é roubo?

Talvez a frase de efeito mais famosa dentre os libertários é: “Imposto é roubo.” Apesar de ser uma verdade, que implica, em particular, a ilegitimidade do estado — visto que roubo é um crime, independentemente se praticado por cidadãos ou se por governos —, o fato é que vejo poucas pessoas que sabem dar uma justificativa correta a essa afirmação. Isto se deve em parte à fácil intuição gerada por ela, pois qualquer um sabe que, se uma pessoa não pagar impostos e resistir às intimidações do estado, ela será sequestrada pelo governo, como ocorreu com o famoso ativista anti-imposto Irvin Schiff, que em 2015 faleceu na cadeia por defender a ilegalidade do imposto de renda nos EUA [1]. Porém, essa constatação da ameaça implícita por trás dos impostos não é suficiente para determinar que o imposto é de fato um crime, embora seja obviamente uma condição necessária. Sendo mais preciso, poderíamos ter duas, e apenas duas, situações onde o imposto poderia ser visto como como algo legítimo, caso fosse: 1) um pagamento previsto em um contrato implícito, chamado “contrato social”, onde, no passado, as pessoas, legitimamente possuidoras de suas propriedades, abriram mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social; e/ou 2) uma taxa forçada feita pelo estado a fim de pagar suas despesas de manutenção, caso análogo a um condomínio, onde a posse territorial do estado seria legítima. Esses dois casos resumem todos os principais argumentos pró-imposto dos estatistas, de modo que para demonstrar que o imposto está fora da lei, é suficiente refutar ambos os casos, mostrando que o contrato social, caso exista como contrato implícito, não pode ser legalmente executável e que o território do estado não é legitimamente apropriado. Daí seguirá nossa famosa tese que imposto é de fato um assalto a mão armada.
Antes, porém, é importante ressaltar que questões sobre o estado ser necessário (e não é) para prover bens públicos [2] ou de seu surgimento ser ou não inevitável [3] dentro de uma sociedade livre são irrelevantes para determinarmos a justiça do imposto, pois estão em diferentes categorias epistemológicas: “imposto é roubo” é uma afirmação dentro do âmbito da Ética, das questões prescritivas, i.e., que tratam do dever, enquanto que as demais questões relativas ao estado são meramente descritivas. E como David Hume observou, [4] um dever nunca deve seguir de um ser, i.e., é epistemologicamente equivocado derivar verbos no imperativo de outros no indicativo – no nosso caso, derivar “você deve pagar impostos” de “o estado é necessário para manter a ordem” ou “o estado é inevitável”. Nesse artigo, vamos nos focar nas disciplinas da Ética e do Direito.
O Contrato Social é Uma Ficção Supérflua
Geralmente argumenta-se que o estado, tendo ou não posses legítimas, pode cobrar impostos, pois existe algum tipo de consenso implícito em torno desse arranjo social — a legitimidade se origina então da anuência dos cidadãos. A esse corpo de ideias que postulam um contratualismo implícito em sociedade feito para manter a ordem e instaurando, para isso, um regime político específico, se dá o nome geral de teorias do Contrato Social.
Antes de mais nada, é bom deixar claro que o Contrato Social jamais pode ser um contrato executável por lei, ou seja, um acordo cuja quebra pode resultar em retaliação legal. Primeiro porque — como os próprios teóricos contratualistas assumem — ele é implícito, não tendo uma expressão objetiva de consentimento. E, de fato, é deveras óbvio para qualquer um que ninguém foi consultado sobre a aderência ao arranjo político democrático que vivemos hoje. Nunca os estados modernos fizeram consultas entre as populações dominadas para que questionassem suas legitimidades e perguntassem sobre a possibilidade de elas gerirem suas propriedades por si mesmas, sem o estado como decisor último de instâncias. O ônus da prova desse consentimento recai todo sobre os contratualistas, que até agora não forneceram nenhuma evidência nesse sentido. E sequer poderiam. É um fato histórico que em geral os estados modernos surgiram não de um acordo voluntário em sociedade a fim de criar uma administração com a função de centralizar o poder público, mas sim pela conquista militar e ameaça de força física. Isto deveria ser deveras óbvio, pois é completamente irrealista que, dentro de um grupo de pessoas sempre alertas à possibilidade do surgimento de conflitos, alguém proponha, como solução a este problema, que ele próprio se torne o arbitrador supremo e monopolista de todos os casos de conflitos, inclusive daqueles em que ele mesmo esteja envolvido. Seria uma proposta no mínimo risível, por maior que seja a reputação que esse membro destacado tivesse.
Em segundo lugar, mesmo que tenha havido consenso no passado — e não temos registro algum disso, mas ao contrário, como veremos abaixo —, o Contrato Social é uma relação de subordinação individual e portanto precisa ter uma cláusula de rescisão, haja vista que a vontade humana é inalienável. Sob a ausência de tal cláusula, ele se torna um acordo tão absurdo como um contrato de “escravidão voluntária”, não tendo sentido legal algum. Com efeito, um consentimento sem rescisão prevista em contrato é uma mera promessa, de modo que a iniciação de força para fazer cumprir tal contrato tem o mesmo efeito legal de agredir pessoas em virtude de discursos. Vejamos o caso clássico de “contratos de escravidão” em mais detalhes. Suponhamos então que A promete (ou realiza contratos, ou concorda; a terminologia não é importante) em ser escravo de B, sendo assim uma tentativa de consentir agora para forçar ações no futuro. Se A depois muda de ideia e tenta fugir, pode B usar força contra A? Esta é a pergunta crucial. Se a resposta for sim, isso significa que A não tem o direito de se opor e alienou eficazmente os seus direitos. No entanto, isso não poderia acontecer simplesmente porque não há nenhuma razão para que A não possa retirar o seu consentimento. Assim, não é inconsistente para A, mais tarde, se opor ao uso de força. Tudo o que A fez anteriormente foi proferir palavras para B, tais como, “eu concordo em ser seu escravo.” Mas isso não agride B em qualquer sentido subjetivo tanto quanto não há agressão ao proferir o seguinte insulto: “Você é feio”. As palavras por si só não podem agredir, isso é – inclusive – uma das razões as quais justificam o direito à liberdade de expressão. Em poucas palavras, um proprietário de escravos deveria ter o direito de usar a força contra o escravo para que a escravidão seja mantida e que os direitos sejam dessa forma alienados, entretanto o escravo não teria previamente iniciado força contra o proprietário de escravos. Logo, o proprietário de escravos não tem o direito de usar a força contra o escravo e, assim, nenhum direito de fato foi alienado. O mesmo vale para o contrato social, que pode ser pensado como um caso particular do aqui exposto.
Em terceiro e último lugar, se existiu um contrato social para legitimar a espoliação moderna do estado, então ele certamente diz respeito às gerações passadas e não às nossas. E da mesma forma que crimes não podem passar de pais para filhos, visto que a pena é sempre individual, promessas de cumprimento contratual também não. Assim, um consentimento — implícito ou não — no passado não pode ser herdado hoje pelas gerações que não participaram direta ou indiretamente desse processo.
Tendo derrubado as teorias do Contrato Social sob o prisma jurídico, resta dele apenas mera formalidade, um conceito abstrato para ilustrar uma suposta necessidade do estado. Este foi o caso de Thomas Hobbes, que sustentou que, em estado natural, as pessoas iriam reivindicar cada vez mais direitos, ao invés de menos, levando a conflitos incessantes e cada vez maiores. Urge então a necessidade de um arbitrador soberano, acima e exterior à sociedade civil. A ideia jurídica por trás disso é clara: acordos requerem um fiscal externo que os torne vinculantes. O estado não pode portanto seguir daí, pois quem iria tornar esse mesmo acordo vinculante, se não há árbitros fora do estado? De duas, uma: ou será necessária a instauração de outro estado (caindo em regressão infinita) ou o próprio estado hobbesiano está, por si só, em estado de anarquia dentro de si mesmo. Na prática, nos encontramos no segundo caso, onde o estado não está vinculado a nenhum fiscal externo. Não há contratos fora do estado de modo que todos os conflitos envolvendo-o (seja dele com cidadãos privados, seja entre ele e seus parasitas) será sempre resolvido dentro de seus próprios mecanismos jurídicos, com suas próprias autoimpostas regras, i.e, com as restrições que ele mesmo, e apenas ele, se impõe a si. Em relação a si próprio, o estado ainda está no estado natural de anarquia caracterizada pela autofiscalização e pelo autocontrole, da mesma forma que a sociedade em “estado natural”. Só que pior: dado que o homem é como ele é, e dado que o estado é formado por homens, ele tem uma tendência natural a mediar seus conflitos em seu próprio benefício, em detrimento dos cidadãos privados. O totalitarismo é seu destino inevitável.
Outro teórico do Contrato Social foi John Locke, que assim como Hobbes inicia sua teoria focando num estado de natureza [5], que, através do contrato social, vai se tornar o estado civil. Porém, ao contrário de Hobbes, Locke vê a relação da sociedade com o Contrato Social não como uma subordinação, mas sim como um consentimento. E uma vez que o consentimento é dado, o governo, segundo Locke, tem o dever de retribui-lo garantindo a liberdade individual de duas formas básicas: fazendo valer o direito à propriedade para o homem conseguir seu sustento e sua busca à felicidade; e assegurando a estabilidade jurídica para que os homens possam resolver seus conflitos e assim assegurar a paz.
Um importante ponto do contratualismo lockeano é que a delegação de poder ao governante não retira dos indivíduos o direito de removê-la se eles julgarem que o governante traiu a confiança nele depositada:
“Pois todo poder concedido em confiança para se alcançar um determinado fim, estando limitado por este mesmo fim, sempre que este fim é manifestamente negligenciado, ou contrariado, a confiança deve necessariamente ser confiscada (forfeited) e o poder devolvido às mãos daqueles que o concederam, que podem depositá-lo de novo onde quer que julguem ser melhor para sua garantia e segurança.” [6]
Assim, o governante que quebra a confiança nele depositada está, segundo Locke, em estado de guerra com a sociedade, pois agiu de modo contrário ao direito, do mesmo modo que o indivíduo que viola a lei natural.
Apesar do significativo avanço do contratualismo lockeano frente ao de Hobbes no que diz respeito às liberdades individuais, dada sua ênfase na manutenção do direito natural à propriedade [7] e no consenso dos cidadãos, ele peca em ser demasiadamente ingênuo do ponto de vista político. O ponto de Locke a favor de um governo “voluntário” que tem legitimidade enquanto cumprir suas funções delegadas pela sociedade civil pode parecer razoável à primeira vista, mas, afinal, o estado é uma instituição de natureza definitiva, e as ações esperadas disso são determinadas pela sua natureza e não pelos nossos desejos e fantasias. Então, a verdadeira questão é se é realista esperar este tipo de operação automática e imparcial de um monopólio centralizado. E de fato, não é. O poder corrompe, porque atrai o corruptível. E o sistema de incentivos de um monopólio estatal é verdadeiramente perverso. A história está aí para mostrar que, como tendência geral, a liberdade humana é cada vez mais sufocada pela ameaça estatista e pouco ou nada pode-se fazer para deter isso dentro do âmbito político [8].
A experiência histórica da Revolução Americana foi profundamente influenciada por John Locke e ilustra muito bem o caráter utópico das ideias lockeanas de governo limitado e consensual. A famosa frase “Governos são instituídos entre os Homens, derivando seus justos Poderes do Consentimento dos Governados” foi proferida quando os revolucionários norte-americanos justificaram sua secessão do Império Britânico, dando um marco inicial à primeira república fundada por um ideário genuinamente liberal. A constituição americana foi redigida no propósito de limitar as funções do governo para os propósitos lockeanos e assim, em tese, proibia cabalmente o exercício de políticas esquerdistas (bem-estar social) e direitistas (belicismo). E é claro também que o significado geral da constituição não dá margens para dúvidas: o princípio dominante de que tudo que o Governo Federal não está autorizado a fazer está proibido de fazer. A décima emenda, por exemplo, proíbe o Governo Federal de exercer quaisquer poderes não especificamente atribuídos a ele pela constituição. Isso por si só invalidaria o estado de bem-estar social e, de fato, praticamente toda a legislação progressista. Mas quem se importa? Até mesmo o famoso jurista constitucional Robert Bork considerou a Décima Emenda politicamente inexequível.
A constituição americana já pode ser considerada morta desde a Guerra Civil, quando o direito de secessão foi negado aos estados do Sul. Ora, mas isso não era constitucional? Os estados federados não poderiam retirar-se da União? Lincoln, através dos resultados estabelecidos após a Guerra Civil, declarou que a União era “indissolúvel”, a menos que todos os estados federados concordassem em dissolvê-la. É sempre o próprio estado que irá decidir, pela força, o que a constituição “significa” firmemente decidindo a seu próprio favor e aumentando seu próprio poder em prol dos caprichos pessoais da casta política. Isto é verdade a priori, e a história americana apenas ilustrou isso. Assim, as pessoas são obrigadas a obedecer ao governo, mesmo quando os governantes traem seu juramento perante Deus de defender a constituição.
Daí em diante, as portas para o socialismo estavam escancaradas e o New Deal de Roosevelt foi a prova final desse fato. A América olhou calada a mais uma grave usurpação de poder, dessa vez de viés esquerdista, um claro golpe inconstitucional. Roosevelt e seus asseclas da Suprema Corte interpretaram a Cláusula do Comércio de forma tão abrangente de modo a autorizar praticamente qualquer reivindicação federal, e a Décima Emenda de forma tão restrita de forma a privá-la de qualquer força para frear tais reivindicações. Hoje, essas heresias são tão firmemente arraigadas que o Congresso raramente ainda se pergunta se uma proposta de lei é autorizada ou proibida pela constituição.
O estado não possui legitimamente propriedades
Ainda que não haja nenhum consenso em torno da estrutura política em que vivemos, o imposto para sustentá-la ainda poderia ser justificado caso o estado fosse considerado uma espécie de condomínio. Esse seria o caso se, e somente se, ele possuísse posses legítimas, pois daí seu território configuraria propriedade e o indivíduo que não estiver satisfeito com o retorno do imposto e se rejeitar a pagá-lo teria apenas a opção de deixar o “país” — do contrário, o uso de força por parte dos agentes do estado estaria justificada. Essa geralmente é a visão das ditaduras e dos regimes nacionalistas totalitários, onde o chavão “ame seu país, ou deixe-o” é muito comum e aparece em diversas versões nas propagandas governistas.
Veremos contudo que esse não é o caso e que a história do surgimento dos estados e de suas evoluções territoriais está profundamente marcada por guerras e injustiças nas delimitações de seus títulos de “propriedade”.
Dado que estamos analisando a justiça dos atos do próprio estado, precisamos de uma teoria legal consistente e independente do mesmo. Mais especificamente, precisamos de uma norma universal e atemporal acerca da justiça de delimitação de títulos de propriedade que nos forneça um critério preciso e objetivo de quando determinada posse é justa, i.e., quando ela configura a propriedade, entendida aqui como o direito legal de controle exclusivo de um bem escasso.
Comecemos então do início, respondendo à mais básica das perguntas do Direito: para que precisamos de leis? A chave para resolvê-la reside no conceito de escassez, que é o caracteriza nossa realidade econômica na Terra. Com efeito, se considerarmos um mundo de completa abundância, onde todos os recursos teriam replicabilidade infinita, sem danos às cópias originais, então nenhuma lei de delimitação de propriedades seria necessária e tampouco a ideia de “roubo” faria sentido. É apenas em virtude da finitude dos recursos disponíveis para o homem agir que necessitamos de uma regra universal para especificar quem tem o direito de controlar o quê. Na própria ação humana, o conceito de escassez já está subentendido, pois ao agir, o homem está fazendo escolhas específicas de como usar seu próprio corpo (também um recurso escasso) e os bens que o circundam. E escolher, i.e., preferir um estado de coisas a outro, implica que nem tudo, nem todos os prazeres ou satisfações possíveis podem ser obtidos de uma só vez e ao mesmo tempo. Ocorre na verdade o exato oposto: a ação humana implica que algo considerado menos valioso tem de ser declinado de forma a que se possa ater-se a qualquer outra coisa considerada mais valiosa. Assim, escolher também implica sempre a avaliação de custos: adiar possíveis prazeres porque os meios necessários para consegui-los são escassos e são ligados a algum uso alternativo que promete retornos mais valiosos que as oportunidades preteridas.
Assim sendo, a escassez combinada com o convívio do homem em sociedade produz conflitos que dizem respeito ao controle de um mesmo bem (i.e., um mesmo meio) para atingir fins distintos. Enquanto mais de uma pessoa existir, as amplitudes de suas ações se interceptarem, e enquanto não existir nenhuma harmonia e sincronização de interesses pré-estabelecidos entre essas pessoas, os conflitos sobre o uso do próprio corpo delas e dos recursos escassos em geral serão inevitáveis. É para resolver tais conflitos que as leis se fazem necessárias.
Uma vez que uma regra universal acerca do uso e controle de recursos escassos tenha sido estabelecida, e todos passarem a segui-la, então naturalmente os conflitos cessarão, pois as distinções entre o que é meu e seu estarão definidas por via dessa regra. As próximas perguntas que se seguem, que são inevitáveis nesse ponto, são: existe uma tal regra? E se existe, ela é única? Ou será que existe uma infinidade delas, sendo nossa escolha essencialmente arbitrária? A resposta é que existe apenas uma e sua escolha é uma necessidade lógica, dados os propósitos da lei. Pode-se concluir isto usando a exigência da universalidade e analisando a importante distinção entre posse e propriedade. A intuição aqui é bastante simples, pois se uma pessoa invade minha casa e toma meu carro, ela terá a posse dele, mas a propriedade do carro continua sendo minha, desde que, é claro, eu não tenha tomado esse carro de ninguém. Passemos a ser mais precisos.
Queremos determinar a justiça sobre a posse de um determinado bem X. [9] Vamos também exigir que o bem X seja de fato escasso, pois do contrário a própria noção legal de posse passa a não fazer sentido, já que bens não escassos, como as ideias por exemplo, podem estar em posse de uma infinidade de pessoas sem danos ou alterações ao bem original. Assim sendo, o bem X só pode ser controlado simultaneamente por um número limitado de pessoas. Suponhamos que ele esteja sobre a posse de um grupo de pessoas, que denotaremos por A e que outro grupo, digamos, B, reivindique essa posse. Quem tem direito ao controle exclusivo de X? Uma hipótese já pode ser descartada de antemão, a saber, se B reivindica X apenas por declaração verbal sem nunca ter tido um elo objetivo com X, pois se pudéssemos ter propriedades apenas por decretos, então jamais iríamos resolver conflitos, mas sim perpetuá-los, sistematizando-os legalmente no convívio em sociedade. Uma norma de delimitação por decreto verbal não atende ao propósito último da lei que é o de eliminar os conflitos.
Suponhamos então que a reivindicação de B se dá argumentando que, ao contrário de um mero decreto, ele teve um elo objetivo com X, assim como A o tem. O que deve ser feito a fim de determinar a propriedade de X? Novamente, precisamos nos ater à questão dos conflitos e distinguir quem é que teve o primeiro uso do bem X. Uma norma que visa resolver conflitos não pode ser consistente com as éticas retardatárias, dando privilégios de uso a quem tomou posse dos bens depois do usuário original. Com efeito, qualquer regra que fizesse com os que vieram depois, ou seja, aqueles que de fato não fizeram algo com os bens escassos, tivessem tanto ou mais direito quanto os que chegaram por primeiro, isto é, aqueles que fizeram algo com os bens escassos, então literalmente ninguém teria a permissão de fazer nada com nada, já que teriam de esperar pelo consentimento de todos os que ainda estivessem por vir antes de fazer o que quisessem. Se B fez uso posterior a A do bem X, sem o consentimento de A, então ele não pode ser proprietário de X, uma vez que uma tal regra, se universalizada, impossibilitaria o uso de X, também instaurando o conflito em sociedade. Em outras palavras, B, neste caso, seria classificado como um ladrão.
Resta-nos a última possibilidade de B ter feito o uso de X antes de A. Se assim for, então os papéis se invertem e A passa a ser um possuidor ilegítimo de X. Isto contudo não é suficiente para declararmos que B tem uma justa reivindicação a X, mas apenas que a reivindicação de B é mais justa que A. Pode ocorrer que outro indivíduo, ou grupo de pessoas, digamos, C, reivindique o bem X de B, mostrando, assim como B fez com A, que teve um elo objetivo mais antigo que o de B. Neste caso, C teria uma reivindicação melhor, mas que por si só não garante uma posse justa, pois com efeito, pode ainda surgir outro grupo D comprovando uma apropriação anterior a de C, e assim por diante. Obviamente, esse raciocínio para em um, e apenas um, dos dois seguintes momentos: 1) quando ninguém mais além do possuidor reivindica o bem X; ou 2) quando o bem X foi apropriado originalmente, i.e., retirado de seu estado natural. Em ambos os casos obtemos uma situação isenta de conflitos. E considerando, por abuso de linguagem, um bem abandonado, cujos possuidores anteriores não mais reivindicam sua propriedade, como um bem em “estado natural”, podemos — sem perda de generalidade para fins legais — unificar as análises dos casos 1) e 2) em uma só. Assim sendo, vemos da discussão acima que a posse de um bem escasso X só pode ocorrer isenta de conflitos se ela remonta a uma apropriação original, ou seja, no caso em que ela foi obtida por trocas contratuais voluntárias que formam uma cadeia que tem início em um possessor que retirou o bem o X de seu estado natural para o uso. E dado que a lei visa resolver conflitos, esta é a única posse do bem X legalmente justificável.
Obtemos então a famosa lei da apropriação natural, ou homesteading, que pode ser enunciada afirmando-se que todo homem tem o direito à posse exclusiva de qualquer bem escasso que ele remova do estado que a natureza tem proporcionado e deixado, fazendo para isso uso intencional de seu trabalho. Em poucas palavras, o homesteading diz que a primeira posse determinada a propriedade, i.e., o direito de excluir a posse terceiros ao bem apropriado. Nas palavras do filósofo libertário Hans-Hermann Hoppe:
“Para evitar conflitos desde o início, é necessário que a propriedade privada seja fundada a partir de atos de apropriação original. A propriedade deve ser estabelecida por meio de atos (em vez de meras palavras, decretos ou declarações), porque somente através da ação, que ocorre no tempo e espaço, um elo objetivo (verificável intersubjetivamente) pode ser estabelecido entre uma pessoa específica e uma coisa específica. E somente o primeiro apropriador de uma coisa anteriormente não-apropriada pode adquirir essa coisa e sua propriedade sem conflito, dado que, por definição, como primeiro apropriador, ele não pode ter incorrido em conflito com alguém ao se apropriar do bem em questão, uma vez que todos os outros apareceram em cena apenas posteriormente.”
Estamos agora em posição de determinar a justiça (ou a ausência dela) das posses estatais. São elas legitímas? A resposta é um claro e sonoro “não” e já foi analisada por diversos antropólogos e sociólogos. Exemplos de origens violentas de estados abundam na história antiga. O antropólogo alemão Franz Oppenheimer resumiu o que chamamos de origem exógena do estado pela típica história de um clã de famílias que, pressionado pela escassez de bens e pela queda no padrão de vida, resultante da superpopulação absoluta, resolveu por uma opção pacífica: não guerrear com outras tribos vizinhas e passar a produzir controlando a terra. E graças ao processo de produzir bens – ao invés de simplesmente consumi-los – eles passaram a poupar e estocar bens para o consumo posterior. Contudo, sendo que a natureza do homem é como ela é, outras tribos bárbaras passaram a cobiçar os bens acumulados desse clã e iniciou-se aí uma temporada de ataques violentos: mortes, sequestros e grandes assaltos. O clã voltou à condição inicial de pobreza e com menos capital humano demorou a se restabelecer para conseguir produzir excedentes novamente. Os bárbaros saqueadores se deram conta de que seus roubos seriam mais longos, seguros e confortáveis se eles permitissem que o clã continuasse produzindo mas com a condição de que agora os conquistadores se tornariam governantes, exigindo um tributo periódico sobre o uso dos bens de capital e monopolizando a terra para o controle de migrações. E é por esse processo de conquista e dominação que Oppenheimer definiu seu conceito sociológico de estado:
“O que é, então, o estado como conceito sociológico? O estado, na sua verdadeira gênese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração econômica dos vencidos pelos vencedores.” [10]
Alguns exemplos bastante ilustrativos disso foram dados pelos arqueólogos Charles Stanish e Abigail Levine da universidade de Chicago. Em artigo publicado em 2011 pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os autores descreveram processos de dominação sucessivas de algumas aldeias que precederam o Império Inca na América do Sul. Os primeiros sinais de guerra remontam a pelo menos a 500 a.C. e, com o aumento populacional, os conflitos foram se intensificando. Já no primeiro ano d.C. a aldeia de Taraco foi invadida, provavelmente por forças de Pukara, outro centro regional da área. Pukara, por sua vez, teve seu status como estado primitivo até cerca de 500 d.C., quando foi absorvido pela Tiwanaku, o estado principal do outro lado da bacia do Lago Titicaca.
Um processo muito similar de um estado inicial surgindo de decorrentes chiefdoms beligerantes foi identificado no vale de Oaxaca do México por um estudo de Kent V. Flannery e Joyce Marcus, dois arqueólogos da Universidade de Michigan, também publicado no PNAS. Por 4.500 anos atrás, havia cerca de 80 aldeias do vale. Com o aumento populacional, um período de guerra intensa se instaurou a partir de 2.450 a 2.000 anos atrás, que culminou com a vitória de uma cidade sobre todas as demais no vale e finalmente com a formação do estado Zapotec.
Dr. Stanish acredita que a guerra era a parteira dos primeiros estados que surgiram em muitas regiões do mundo, incluindo a Mesopotâmia e a China, bem como as Américas. Os primeiros estados, em sua opinião, não foram impulsionados por forças além do controle humano, como clima e geografia, como alguns historiadores têm suposto. Em vez disso, eles foram moldados pela escolha humana como pessoas procuraram novas formas de dominação e novas instituições para as sociedades mais complexas que estavam se desenvolvendo. O comércio era uma dessas instituições de cooperação para a consolidação de grupos mais organizados. Depois veio a guerra que serviu como força de conquista para a formação de grupos maiores, que vieram a ser os protoestados.
Apesar de ser o caso mais frequente, nem só de guerra os estados adquiriram a forma que têm hoje. Com o crescimento de seus territórios, novas formas mais complexas de anexação de territórios foram surgindo. Ao longo da história moderna, abundam exemplos de pactos feitos pelos estados europeus para aquisição de territórios por decreto verbal. Um famoso exemplo é o Tratado de Tordesilhas assinado entre Portugal e Espanha para declarar divisão de posse de terras ainda não exploradas ao longo da América Sul e assim resolver os conflitos de terras após a descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Mais precisamente, o Tratado estabelecia a divisão das áreas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal as terras “descobertas e por descobrir” situadas antes da linha imaginária que demarcava 1.770 km a oeste das ilhas de Cabo Verde, e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. Outro exemplo de conquista territorial por decreto é o Tratado da Antártida, um documento assinado em 1 de dezembro de 1959 pelos países que reclamavam a posse de partes continentais da Antártida. Embora sem definir partes da Antártida como território dos países signatários, mas sim como “patrimônio de toda a Humanidade” — um termo que nada significa —, o fato é que o continente foi repartido para posses — ainda que parciais e temporárias [11] — desses países perante uma clara ausência de elo objetivo. Exemplos recentes no Oriente Médio, por exemplo, Israel, também ilustram aquisição territorial por parte de decretos.
No geral, a história territorial dos estados está majoritariamente marcada por aquisições fora da lei. Isto já basta para decretarmos os territórios que eles reivindicam como ilegítimos e os próprios estados como foras da lei. De fato, a apropriação por decreto tem o efeito de privar os indivíduos de se apropriar de terras virgens, o que obviamente configura um crime, visto que a apropriação original é um direito natural. Quem tem o costume de viajar por vias rodoviárias entre cidades ou até estados já deve ter notado a enorme quantidade de terra não trabalhada e não ocupada que está na posse de governos, conhecidas por terras devolutas.
No Brasil há também o famoso exemplo da Amazônia, uma valiosa terra de ninguém que o governo brasileiro reivindica para si de forma completamente arbitrária. Já a apropriação por conquista militar é um roubo, um assalto a mão armada em escala geográfica, sendo obviamente também uma ilegitimidade.
O fato é que a imensa maioria do território sob controle dos estados foi na verdade apropriado originalmente pelos seus súditos, que hoje, além de terem apenas um controle parcial da propriedade sobre seus nomes, ainda estão sob constante ameaça armada do estado para darem a ele significativas parcelas dos frutos de seus rendimentos (imposto). E ainda que asseclas do estado tenham também se apropriado por trabalho de terras a mando dos governantes, isso não dá ao estado a propriedade delas pois, como visto acima, o estado está em débito jurídico com seus súditos. Ao contrário do que ocorre hoje, é o estado quem deve ter o uso de suas posses conquistadas legitimamente restringido e aos seus súditos deve ser dado o pleno direito de usufruto de todas propriedades sob seus nomes, até que alguém mostre juridicamente que elas não são legítimas. Vale sempre a máxima do Direito que diz que o ônus da prova é sempre de quem afirma. Em outras palavras, todos os cidadãos pacíficos devem ter o direito inalienável à auto-determinação e portanto à secessão individual, desvinculando todas suas propriedades dos monopólios jurídicos estatais. Em particular, ninguém deve ser obrigado a pagar qualquer tipo de taxa não contratual ao estado e imposto é roubo.
Notas
[1] Visto que originalmente, a constituição americana não concedia ao governo federal o poder de cobrar imposto de renda, ainda hoje há um amplo debate nos EUA sobre a legitimidade da coleta do Imposto de Renda. Foi apenas com a 16ª emenda que esse poder foi concedido ao estado americano, mas tal emenda nunca foi adequadamente ratificada. Segundo o economista Peter Schiff, filho de Irwin, no seu artigo em protesto pela morte de seu pai encarcerado:
“meu pai sempre foi mais conhecido por sua inflexível oposição à legalidade do Imposto de Renda, postura essa que levou o governo federal a rotulá-lo como um “manifestante tributário”. Meu pai não era anarquista e, sendo assim, admitia uma tributação moderada e objetiva. Ele acreditava que o governo tinha uma função importante, porém limitada, em uma economia de mercado. Ele, no entanto, se opunha à ilegal e inconstitucional imposição de um confisco da renda pelo governo federal, no forma do Imposto de Renda.”
Por sua cruzada anti-imposto de renda, Irwin Schiff faleceu na condição de prisioneiro político americano no dia 16 de outubro de 2015, aos 87 anos de idade, cego e algemado a uma cama de hospital dentro de um quarto de UTI vigiado por agentes armados do estado.
[2] Para mais detalhes sobre isso, veja meu artigo “Da Natureza do Estado à Cooperação Pacífica Por Segurança e Ordem”. Lá são fornecidos exemplos de arranjos privados de ordem e justiça na história, além de uma análise econômica de sistemas de produção privada de segurança.
[3] Para argumentos no sentido oposto, ou seja, da possibilidade de uma sociedade sem estado poder prosperar e se defender do surgimento de máfias governantes, veja esse texto de Robert Murphy.
[4] Na parte I do livro III da sua obra Tratado da Natureza Humana, Hume escreveu:
“Em todo sistema de moral que até hoje encontrei, sempre notei que o autor segue durante algum tempo o modo comum de raciocinar, estabelecendo a existência de Deus, ou fazendo observações a respeito dos assuntos humanos, quando, de repente, surpreendo-me ao ver que, em vez das cópulas proposicionais usuais, como é e não é, não encontro uma só proposição que não esteja conectada a outra por um deve ou não deve. Essa mudança é imperceptível, porém da maior importância. Pois como esse deve ou não deve expressa uma nova relação ou afirmação, esta precisaria ser notada e explicada; ao mesmo tempo, seria preciso que se desse uma razão para algo que parece totalmente inconcebível, ou seja, como essa nova relação pode ser deduzida de outras inteiramente diferentes.”
HUME, David. Tratado da Natureza Humana. Tradução de Débora Danowiski. Livro III, Parte I, Seção II. São Paulo, Editora UNESP, 2000, p. 509
[5] Há contudo algumas diferenças importantes na teoria de ambos do estado de natureza. Nesse sentido, Locke se opõe a Hobbes e Filmer, que julgavam que o estado de natureza é a-social e pré-moral, pois nele os homens não estariam submetidos a lei alguma. Para Locke, não apenas a sociabilidade é natural aos homens (não há, segundo ele, existência humana que não seja social) mas também existe uma lei que limita as ações no estado de natureza e cada indivíduo exerce um poder de julgá-la e executá-la com respeito aos demais.
[6] LOCKE, John. 1993a [1690]. Two Treatises of Government. Ed. Peter Laslett. Cambridge: Cambridge Univ. Press. Trad. de Júlio Fisher: Dois Tratados sobre o Governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998. xiii.149; trad. modificada.
[7] Note contudo a flagrante contradição lógica nisto: um monopólio forçado da segurança e da justiça jamais poderá garantir a propriedade privada, pois, barrando a entrada de concorrentes, ele vai arbitrar unilateralmente e sem restrições o preço de seus serviços que terão que ser obrigatoriamente pagos. Isso significa que ele, por definição mesmo, já inicia todo o processo roubando os cidadãos. Assim, um protetor monopolista é sempre um expropriador, uma contradição em termos. Nas palavras de Walter Block, em “National Defense and the Theory of Externalities, Public Goods, and Clubs”:
“Argumentar que um governo cobrador de impostos pode legitimamente proteger seus cidadãos contra agressão é cair em contradição, uma vez que tal entidade inicia todo o processo fazendo exatamente o oposto de proteger aqueles sob seu controle.”
[8] No artigo “Por que devemos rejeitar a política” eu discuto o fracasso e a imoralidade da política partidária e dos meios políticos em geral.
[9] Para uma outra abordagem para a justificação do homesteading, utilizando o conceito de Ética da Argumentação, veja o meu artigo “A ética argumentativa hoppeana”.
[10] Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926) p. 15.
[11] As posses previstas no Tratado Antártico se limitam a fins pacíficos, com ênfase na atividade científica, sendo vedada a realização de explosões nucleares e o depósito de resíduos radioativos. O Tratado determinou que até 1991 a Antártida não pertenceria a nenhum país em especial, embora todos tivessem o direito de instalar ali bases de estudos científicos. Na reunião internacional de 1991 os países signatários do Tratado resolveram prorrogá-lo até 2041.
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2019.02.19 16:47 JesseAmaro77 ROADMAP - Os próximos 3 meses do SCUM

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Olá pessoal!

Estamos à espreita em toda a Internet para ver o que vocês têm a dizer. Lembre-se, isso não é uma novidade. Nós fazemos isso o tempo todo. Nós vemos tudo.

Uma das coisas sobre as quais vocês mais tem nos perguntado é sobre algum tipo de roteiro. A nossa página da Steam Store é atualizada regularmente, mas não tem datas reais. Nós entendemos, você quer saber o que você pode esperar e quando você pode esperar, mas nós hesitamos em compartilhar qualquer tipo de cronograma porque nunca deu certo para ninguém, então nosso raciocínio foi por que aprender com nossos próprios erros, se podemos aprender com os erros dos outros.

No entanto, desde o início deste nosso projeto, nos orgulhamos da nossa total transparência com a nossa comunidade, bem como sempre fazendo parte dela e sendo facilmente alcançável por qualquer um que queira dizer oi, fazer uma pergunta ou até mesmo dizer que nós somos um saco.

Isso sempre foi muito importante para nós e não vai mudar. Então, com isso em mente, decidi experimentar algo. Conversei com todas as pessoas da empresa e perguntei o que elas farão nos próximos três meses. Ok, nem todo mundo, eu não falei com o Darian porque ele estava fora do escritório na hora de escrever isso, mas eu falei com a ''gangue de arte'' dele e eles me deram a sujeira.


Nós redecoramos seu espaço de trabalho um pouco enquanto ele estava fora. Agora ele desperta alegria.
Mais um aviso antes de começarmos

Todas estas coisas devem estar no jogo nos próximos 3 meses. Calculamos a quantidade de trabalho que podemos fazer e vamos nos esforçar ao máximo para cumpri-lo. Isso é algo em que geralmente somos bons. No entanto, qualquer desenvolvedor em qualquer lugar do mundo pode confirmar que você nunca sabe isso ao certo. A vida acontece. As pessoas ficam doentes. Pode haver uma invasão alienígena e todos nós podemos morrer. Espero que isso não aconteça, mas se acontecer, não diga que não avisamos.

Vamos começar com algumas notícias do escritório!

Recentemente, recebemos nossa primeira equipe de controle de qualidade! Nós temos uma liderança de QA na vida real e 3 novos testadores. Então agora não somos mais apenas os testes! Nós temos pessoas para isso!

Novos Veículos


Você pode ter visto o novo modelo de carro em nosso último post. O que você não sabia é que não se trata apenas do novo modelo. Nosso principal programador, Dini, está trabalhando na nova e melhorada física do carro. Neste momento, a mecânica do veículo no jogo ainda é muito básica, mas vamos tentar empurrar mais para o realismo.

Por exemplo, o centro de gravidade do carro mudará de acordo com o número de pessoas no carro. Ele também está reformulando o sistema de danos, o que significa que o carro vai reagir de maneira diferente, dependendo se você atirou no pneu ou no motor. Não se preocupe ainda, porque você também poderá repará-lo.

Você também terá uma habilidade (skill) de dirigir e os níveis de habilidade, que obviamente se encaixarão em todo o realismo e na maneira como você dirigirá o carro. Você poderá reivindicar um carro, tranca-lo, destranca-lo e fazer ligação direta. Você também poderá reabastecer. Dini diz que você também poderá atirar no carro, mas não nos próximos 3 meses. A razão para isso é que é um processo longo e excruciante que levará muito tempo para ser implementado, mas ele tem o suficiente em seu prato e nada disso é relacionado à salada.


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Novo Inventário


Em seguida temos o inventário. Sim, o modelo atual é meio desajeitado e não intuitivo - nós sabemos, temos olhos. O plano sempre foi mudá-lo eventualmente e chegou a hora. Nosso programador Jesus e a artista Ivona estão trabalhando duro em uma revisão completa do inventário e da interface do usuário. Eu não tenho certeza de como será a versão final porque eles têm sido bem secretos sobre isso até agora, mas eu consegui descobrir que você será capaz de empilhar itens e rotacioná-los.

Jesus (DEV) disse que pode ser importante mencionar que ele está reformulando a função da ''proximidade'' e que carros e baús estão finalmente obtendo um espaço de inventário adequado. Ele também disse que eu preciso explicar que não são apenas as atualizações visuais e que muito da revisão será do lado da programação, mas então foi apenas um monte de conversa nerd, então eu apenas fingi ouvir e entender. Peço desculpas a qualquer nerd que ofendi com isso e prometo escrever um post sobre isso assim que eles tiverem mais coisas para mostrar.


O inventário pode ou não acabar ficando assim. Nós também não sabemos. Ivona diz que é uma surpresa.

Sistema de criação de bases

Sim, bases, não fortificações.

Graças ao desenvolvedor Patrik, em breve você poderá criar uma base personalizado também. A primeira versão será compreensivelmente algo mais básico. Você poderá construir uma casa usando uma planta, da mesma forma que constrói um abrigo, por exemplo. Nossa equipe de arte já está trabalhando nos modelos, mas essa não é a única coisa em que eles estão trabalhando.

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Você deve ter visto algumas das novidades em nossa última postagem. Estamos adicionando uma mineradora, uma mina, um hospital para doentes mentais, um antigo castelo, uma mina de sal, um observatório e uma cidade totalmente nova, com novos modelos de construção.

Novas habilidades e Animações


Além da habilidade de dirigir, estamos reformulando a habilidade de culinária a partir do zero, o que também exige um bom retrabalho do metabolismo. Esse é o trabalho do DEV Bruno e ele já está atuando nisso. Ele também é responsável pela habilidade de demolição, que não inclui apenas bombas. Você também terá todos os tipos de armadilhas.

John está trabalhando na habilidade de arco e flecha. Você também terá diferentes tipos de arcos com diferentes tipos de flechas e algumas delas você não poderá usar se sua habilidade for muito baixa ou se você for fraco demais. Você até conseguirá um silenciador para o arco. Eu achei que ele estava brincando comigo, mas aparentemente eles são reais.

Com a ajuda de nossos animadores, John também está reformulando as animações de primeira pessoa, então, se tudo correr conforme o planejado, isso parecerá muito mais realista. Também estamos adicionando suporte para RPGs e nosso primeiro revólver!

Missões e Objetivos


Nosso novo programador Goran está preparando as primeiras missões e objetivos! Eu não posso dizer nenhum detalhe ainda, mas você não terá que esperar muito para conferir isto. Você também receberá um tutorial real, caso não consiga descobrir o jogo sozinho. Seu noob.


Logo você poderá fazer seus inimigos tremerem de medo.

Conquistas


Os próximos 3 meses também irão adicionar as conquistas ao jogo! Isto esta sendo preparado por Dobrila no lado da programação e Ivona no lado da arte. A cópia está sendo preparada pela equipe de memes, então espere algumas coisas engraçadas também.

Personagens femininas


Por favor, não grite, mas estamos adiando as personagens femininas. Ok, nós não estamos literalmente adiando porque nós nunca as anunciamos oficialmente e o plano original era liberá-las para o dia dos namorados, o que obviamente não aconteceu. A razão para isso é que as mulheres são muito difíceis de animar. BRINCADEIRA!

A razão é que começamos a trabalhar nelas com toda a intenção de terminá-las no prazo, mas ao longo do caminho percebemos que há muito mais na coisa toda e não podemos simplesmente colocar uma modelo feminina na mecânica masculina e pronto. Lembre-se de como temos esse elaborado sistema de metabolismo e como eu já mencionei que Bruno está retrabalhando a habilidade de cozinhar que também está ligada ao metabolismo? Sim isso.

Cada peça de roupa também precisa ser ajustada para o corpo feminino. Esse vai ser o trabalho de Danijel, que Deus o ajude. Isso não significa que paramos de trabalhar nas personagens femininas. Ainda estamos. Nós não queremos isso, mas vamos adiá-las um pouco. Eu disse um pouco, então pare de gritar, o tempo é uma construção social.


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Novos Insultos (gestos) e Cabelos


Nós vamos adicionar algumas novas animações e insultos também. Eu perguntei ao nosso animador Iggy se ele já sabe o que ele quer fazer e ele ainda não disse, então se você tiver alguma sugestão, por favor, escreva nos comentários e sua ideia de provocação pode acabar no jogo!

Estamos trabalhando também no cabelo, bem como cabelo masculino, cabelo feminino, barba, cabelo na cabeça, pêlos no corpo, todos os tipos de cabelo. Você será capaz de crescer, cortar ou raspar, então estamos com as mãos ocupadas.

Estações e Variações do Clima


E por último mas não menos importante, as estações !! Nós testamos a neve com a nossa atualização de Natal e a maioria de vocês disseram que gostaram, então deixamos alguns pontos no norte, para o caso de você querer andar de trenó mais tarde também. Bem, em breve você terá temporadas reais e tudo o que acontece com elas.

Eu posso ter perdido alguma coisa acidentalmente ou de propósito, mas espero que agora você tenha uma melhor imagem da nossa agenda. Você ainda estará recebendo seus posts regulares feitos pelo Josip, assim como algumas outras surpresas da equipe de marketing, então não se preocupe! Apenas lembre-se que estamos assistindo. Estamos sempre assistindo.

Obrigado!



submitted by JesseAmaro77 to scumbrasil [link] [comments]


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